quarta-feira, 26 de março de 2008

"Moinhos do Concelho de Albergaria-a-Velha" de Armando Carvalho Ferreira e Delfim Bismarck Ferreira

Armando Carvalho Ferreira e Delfim Bismarck Ferreira são os autores do livro "Moinhos do Concelho de Albergaria-a-Velha", editado em Dezembro de 2003. Nesta obra foi realizado um levantamento a nível concelhio que resultou nas seguintes conclusões:

"Encontrámos vestígios de 300 moinhos e, até 2003, havia duas dezenas de moinhos em funcionamento, um número que, na minha opinião ainda se mantém, porque apesar de alguns deles terem encerrado, outros foram restaurados e entraram em funcionamento", explicou Armando Ferreira.

Das oito freguesias do concelho, Frossos é a que menos tradição tem. As freguesias com mais moinhos são: Angeja, S. João de Loure, Branca, Ribeira de Fráguas e Vale Maior.

Fonte: Sandra Pinho

"Moinhos do Concelho de Albergaria-a-Velha"

Com este projecto, pretendeu-se inventariar e documentar todo um património que urge valorizar e preservar, contribuindo assim para o enriquecimento dos valores locais e para a merecida homenagem aqueles que no passado o construíram e mantiveram e aos que no presente ainda o conservam, apesar de todos os factores que contribuem para o progressivo desaparecimento destas marcas da nossa memória colectiva.

O livro possui Prefácio do Dr. Jorge Miranda (Presidente da Secção Portuguesa da TIMS - Sociedade Internacional de Molinologia), estando dividido em 22 capítulos, da seguinte forma:

I - Sistemas de moagem
II - Os moinhos no Concelho de Albergaria-a-Velha
III - A actividade moageira no Concelho em 1890
IV - Os moinhos do Rio Caima
V - O caso dos Moinhos da Freirôa
VI - Moinhos na freguesia de Albergaria-a-Velha
VII - Moinhos na freguesia de Alquerubim
VIII - Moinhos na freguesia de Angeja
IX - Moinhos na freguesia da Branca
X - Moinhos na freguesia de Frossos
XI - Moinhos na freguesia da Ribeira de Fráguas
XII - Moinhos na freguesia de São João de Loure
XIII - Moinhos na freguesia de Valmaior
XIV - Componentes de moinhos de rodízio e seus construtores
XV - Moleiros
XVI - Topónimos
XVII - Os Caminhos dos Moleiros
XVIII - Trajes dos Moleiros
XIX - Preços e Medidas dos cereais
XX - Modinhas
XXI - Gastronomia
XXII - Diversos

Link: Moinhos de Portugal

terça-feira, 25 de março de 2008

Salinas de Alquerubim

Já todos sabemos que Alquerubim é povoação muito antiga, citada em documentos datados do longínquo ano de 981, mas o que poucos saberão é que nesta nossa terra já existiram marinhas de sal.

De acordo com vários estudiosos, um braço de mar avançava, nesses tempos remotos, pelo Vale do Vouga, fazendo com que na planície que cercava "Alkarovim" se explorassem salinas.

Em tempos mais recuados o valor do sal era tal que chegou a ser moeda de troca entre povos, percebendo-se deste modo a importância que este produto tinha na riqueza de Alquerubim.

Pensa-se que a tradicional procissão da Santa Marinha, padroeira da Vila, tenha começado por ser um agradecimento do povo por essa dádiva da natureza.

A suportar estas informações citamos o inventário das propriedades e igrejas da Guimarães que em 1059 regista a "villa de Alcaroubim... com suas salinas": em 1059 uma carta de doação esclarece que Alquerubim estava situada junto à praia do mar, entre "Paos et Marnelle" ; testamentos antigos, de 1050, 1059 e 1077, legam aos seus herdeiros salinas em Alquerubim.

E se alguma dúvida possa ainda existir, basta citar o insuspeito romancista, poeta e grande historiador, Alexandre Herculano, que na sua História de Portugal diz de uma senhora "que fez doação de suas terras e salinas de Alquerubim".

Fonte: Alquerubimonline

quinta-feira, 20 de março de 2008

Napoleão Luiz Ferreira Leão (1866-1922)


Natural de Albergaria-a-Velha, era filho natural de Patrício Luís Fereira Tavares Pereira e Silva, que no entanto o perfilhou no acto do baptismo, e de D. Maria Amália das Dores Duarte e Cunha, senhora de certa cultura que colaborou na imprensa local do século passado tal como Napoleão que foi colaborador e editor de vários seminários locais, como o “Clamor” (1891), “A Situação” (1892), “O Albergariense”, a partir do segundo ano (1893).

Pressionado por dificuldades económicas, partiu para Moçambique, com 28 anos, em 1894 e fixou-se em Lourenço Marques [actual Maputo] e dedicou-se à agricultura. Em breve começava a investigar a vida vegetal da região, tendo descoberto óleos comestíveis e fibras para tecidos que logo foram usados. Fez também estudos mineralógicos até aos Liombos.

Agricultor, investigador e industrial, abriu caminhos de prosperidade para a Colónia e fez fortuna, ainda que sem apoio do Governo, como se lamentava.
(...)
Enriqueceu e criou riqueza na terra que o acolheu, durante 28 anos e onde morreu, sem nunca mais ter visitado a sua querida Albergaria que nunca esquecia através de correspondência para os amigos e periódicos locais. (...)

Em 1922, sentindo-se doente, fez testamento público dois meses antes de morrer, deixando quase todos os seus muito avultados bens à sua terra natal (...)

Com os rendimentos da sua enorme e infelizmente mal administrada fortuna, construíram-se em Albergaria dois bairros de casas para pobres. E tudo o resto parece perdido. O seu testamento é um documento vivo de amor e saudade do emigrante pelo chão natal. A Câmara Municipal reconheceu-o publicamente, menos de meio século depois da sua morte ao dar o seu nome à avenida a nascente da Praça Ferreira Tavares, na qual se encontra o seu busto sobre uma pequena coluna implantada no centro do jardim.

Fonte: António Homem de Albuquerque Pinho, “Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha”

Foto: Colaboração de Eng. Duarte Machado


Em 1928 foi comprado, no sítio do Serrado, o terreno para construção do Bairro para Pobres conforme disposição testamentária. Foi demolido cerca de 50 anos depois para se urbanizar a zona e construir a Escola Elementar.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Encantos e Recantos do Rio Vouga


Ao abrigo do projecto “Encantos e Recantos do Rio Vouga”, o Parque do Areal (Angeja), o Parque da Boca do Carreiro (Frossos), o Parque do Poço do Barreiro (Pinheiro) e o Parque dos Plátanos (S. João de Loure) estão, agora, mais convidativos.

Para além da área de merendas com churrasqueira e muita sombra para uma repousante sesta, os parques oferecem boas condições para a prática de exercício físico.
(...)
A cegonha-branca, o guarda-rios, o lagarto-de-água, a garça-vermelha, o milhafre, o melro, o chamariz e o chapim real, são apenas alguns dos animais que se podem observar por entre os sabugueiros, plátanos, ulmeiros ou loureiros. À entrada de cada parque, dois painéis informativos esclarecem o visitante sobre os valores naturais mais relevantes da zona. Depois, é só deixar-se levar pelos sentidos e descobrir os encantos das margens do Rio Vouga.

Fonte: Câmara Municipal


Parque do Areal (Angeja)



Parque da Boca do Carreiro (Frossos)

terça-feira, 18 de março de 2008

Ricardo Barbosa: campeão de pista coberta em atletismo


Ricardo Barbosa, atleta natural da vila da Branca, que começou a correr pela Jobra, está de regresso ao Futebol Club do Porto, depois de ter envergado as cores do Benfica durante uma época.

Nos recentes campeonatos de pista coberta, disputados na Nave de Espinho, Ricardo Barbosa conseguiu arrecadar três títulos: 800 e 1500 metros, a título individual, e estafeta 4 x 400 metros, em termos colectivos. (...)

Fonte: Jacinto Martins / Jornal de Albergaria

Os primeiros passos ...

Os primeiros passos no atletismo foram dados nas corridas escolares e
logo de seguida surgiu um convite do clube da região, o JOBRA.

Na realidade acabei por ingressar na modalidade mais pela pressão dos meus colegas que praticavam atletismo no JOBRA, pois eles diziam que eu tinha qualidades.

Além disso, os médicos queriam que eu a todo o custo praticasse algum tipo de desporto por eu ter asma…e esta foi mais uma razão que me levou a eleger a modalidade.

Fonte: Living athletics

 

segunda-feira, 17 de março de 2008

Skypho ficam em 1º lugar entre cerca de 40 bandas nacionais


Os Skypho obtiveram, no passado dia 25 de Fevereiro, o primeiro lugar no 1º concurso de bandas de garagem do “Different Caffé” em Rio Meão, entre as cerca de 40 bandas nacionais dos mais diversos géneros musicais.

A banda actuou recentemente nas três lojas FNAC do distrito do Porto, bem como no programa “Aquário” do Porto Canal.

O grupo de Tribal Metal lançou o EP “Nowhere Neverland” em Maio de 2007, esperando entrar em estúdio novamente no segundo semestre de 2008.

Do seu currículo consta igualmente igualmente a actuação na primeira parte de grupos famosos como os Moonspell e a vitória num concurso de música moderna promovido pela AAUBI (Universidade da Beira Interior).

Fonte: Jornal de Albergaria

O grupo tem actuado igualmente em diversos locais do concelho (Colinas Bar, Salvador Caffe, Quizz).

domingo, 16 de março de 2008

Branquense recebe Menção Honrosa


Ana Paula Mora Tavares é uma branquense que exerce funções docentes na Universidade do Porto, enquanto licenciada na área de Química e que acaba de fazer doutoramento em Engenharia Química no departamento desta especialidade da Universidade de Aveiro.

(...) A sua tese de doutoramento na UA mereceu a atribuição de uma Menção Honrosa, face ao trabalho desenvolvido na base de “Produção de lacase para potenciar aplicação como oxidante na indústria papeleira”.

O júri da quinta edição do Prémio CUF (Companhia União Fabril), criado por este grupo químico privado nacional, deliberou atribuir a Ana Paula Tavares a Menção Honrosa, tendo o presidente do Conselho de Administração do Grupo CUF, João de Mello, sublinhado que “a atribuição do prémio CUF/2007 é mais do que um estímulo, é um reconhecimento dirigido a todos os que contribuem para a investigação no sector químico do nosso país.

Fonte: Jacinto Martins, Jornal de Albergaria-a-Velha. 26-02-2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

Laura Cabral (18---1942)


Era natural de Couto Cucujães e veio para Albergaria-a-Velha em 1896, quando o seu marido [Amândio de Miranda Cabral] foi nomeado escrivão do Tribunal da nossa recém-criada comarca. Aqui o casal se fixou para sempre, passando a considerar Albergaria como sua terra, por se ter integrado no meio social da vila. (...)

Enviuvando muito cedo, Dª Laura Cabral dedicou-se inteiramente a obras de carácter social e de beneficiência, tendo-se tornado figura prestigiada e venerada pelo seu modesto afã de bem-fazer.

Acompanhando o Dr. Bernardino de Albuquerque, teve uma acção predominante na fundação da Misericórdia de Albergaria, nos anos vinte. Entregou-se devotada e incansavelmente à Sopa dos Pobres, instituição que a Misericórdia veio a criar nos seus terrenos junto ao Hospital de Assilhó.

Com a sua tenacidade e poder organizativo organizativo (...) conseguiu, numa época de extrema pobreza, acabar com a mendicidade em massa nas ruas da vila (...)

A Sopa dos Pobres passou a fornecer-lhes alimentos e roupas e a tornar menos dura a sua vida (...)

Faleceu, nesta vila, em 1942 e no seu cemitério, se encontra sepultada em jazigo de família.

Fonte: António Homem de Albuquerque Pinho, “Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha”
___________

Muitas ruas do Município prestam homenagem a importantes figuras locais. A Rua Laura Cabral, perto do Pavilhão Municipal de Albergaria-a-Velha, recorda uma grande benfeitora que aliviou a miséria a muitas dezenas de pobres nas primeiras décadas do século passado.

sexta-feira, 7 de março de 2008

A fábrica de papel de Valmaior


Esta foi a segunda empresa industrial a surgir e às suas instalações é que se pode verdadeiramente dar o nome de primeira fábrica do concelho.

Tendo-se apercebido de que a produção de papel não supria as necessidades do consumo no país, nem em quantidade, nem em qualidades, os dois irmãos [José Luiz e Manuel Luiz Ferreira Tavares] decidiram lançar-se na construção de uma fábrica bem localizada, bem concebida e tecnicamente avançada. Para o efeito, em 1871, constituíram uma sociedade com o Eng. Thelier, jovem técnico francês, nascido numa família de técnicos da indústria de papel de Angoulême.

(...) Instalou-se a mais moderna maquinaria, igual à melhor da Europa. Começou-se a fabricação do papel com caruma e serradura de pinheiro como matéria prima, abundante na zona.

A laboração começou em 1872 e, dois anos depois, empregava cerca de 120 trabalhadores de ambos os sexos, alguns dos quais especializados e com boas remunerações. (...)

A morte de José Luiz Ferreira Tavares, em 1877, levou a que a fábrica fosse vendida à firma Henry Burnay & Cª, a qual, em 1889, a passou à Companhia de Papel do Prado.

Num relatório da Câmara, de 1889, se dizia que “a fábrica de Vale Maior fornece o papel de impressão para a maior parte das publicações periódicas, e nomeadamente o ‘Século’ e outros jornais.
....
(...) Em 1872, os albergarienses irmãos Ferreira Tavares erguem a Fábrica de Papel de Vale Maior, então a melhor do País e nova abertura aparece para a mão-de-obra local.

Fonte: António Homem de Albuquerque Pinho, “Albergaria-a-Velha – Oito Séculos do Passado ao Futuro”

Postais

quinta-feira, 6 de março de 2008

A fábrica do Carvalhal: Celulose do Caima

 

Em 1889 a empresa “The Caima Timber Estate and Wood Pulp Company Ltd.”, de Londres, acabava de adquirir a extensa quinta do Carvalhal, nas freguesias da Branca e Ribeira de Fráguas, composta de matas imensas, casas e terrenos lavradios, que pertencia a William Cruishank, do Porto. Esta companhia tinha em vista montar ali uma fábrica de fiação de tecidos e outra de moagem de madeira para a fabricação de papel. Pela propriedade passava o Rio Caima.
(..)
A laboração da fábrica iniciou-se pouco depois com centenas de operários e muitos outros trabalhadores em serviços nas matas, de onde provinha a matéria prima, e nos transportes. Passados anos implementou-se a plantação de eucaliptos cuja madeira se tornou a matéria prima por excelência.

Enquanto cresciam as exportações e os lucros, e também o desafogo dos pequenos proprietários de pinhais e eucaliptais, iniciavam-se os problemas para as populações da beira do Rio Caima com o acentuar da poluição das águas, transformadas em caldo negro e fétido, provocando os consequentes malefícios ao ambiente e às culturas.
(...)
Dentro da fábrica já haviam surgido problemas e o primeiro assumir do valor da consciência colectiva veio no dia 2 de Maio de 1898 com uma greve de protesto (...)

Foi a primeira greve na indústria do nosso concelho e o assumir do valor de uma consciência colectiva.

Fonte: António Homem de Albuquerque Pinho, “Albergaria-a-Velha – Oito Séculos do Passado ao Futuro”