segunda-feira, 2 de junho de 2008

Manuel Capela, Guarda-Redes de Futebol

Manuel Capela nasceu em Angeja em 9 de Maio de 1922, tendo sido um dos melhores guarda-redes portugueses durante a década de 40 (cinco vezes internacional pela Selecção).

Tendo iniciado a sua carreira em clubes da região (Beira Mar e Ovarense), foi no Clube Futebol "Os Belenenses" que começou por se destacar, sendo um dos baluartes na única vitória do Belenenses no campeonato da primeira divisão de 1945-46.

Capela (Guarda-redes), Vasco e Feliciano (os defesas) eram então conhecidos como as “Torres de Belém”, quer pela sua estatura (deveras impressionante a de Capela) quer pela quase inexpugnável muralha defensiva que formavam em campo.

Para Capela, o êxito ficara a dever-se às duas duras sessões de treino semanais, "uma de ginástica e outra de bola", que todos os jogadores "faziam com sempre renovado prazer na emoção das Salésias", antes ou depois de mais um dia de trabalho.

Pouco tempo depois apareceu na Académica de Coimbra, com o pretexto de prosseguir os seus estudos de Letras. Segundo Homero Serpa (jornalista de "A Bola") esta vontade não era nova e se não fosse um seu tio - um grande Belenense - a interceder em épocas anteriores, mais cedo teria deixado o Belenenses. A única contrapartida que o Belenense conseguiu foi a de que caso Capela viesse a sair da Académica, seria apenas para o Belenenses (deixando Sporting, Benfica e Porto sem hipóteses). Não se verificou e Capela ainda chegou a tornar-se uma lenda na Académica, chegando também a internacional (5 vezes). Totalizou 51 jogos pelo Belenenses em Campeonatos.

Fontes: Canto Azul / Belenenses Ilustrado / "A Bola"


4 comentários:

OF disse...

Foi editado recentemente um livro sobre a Académica de Coimbra que dedica uma página completa ao Capela

cruz disse...

José Bastos guarda redes do Benfica durante a década de 50 é igualmente natural do concelho de Albergaria-a-Velha, tendo nascido em Alquerubim

Blogger disse...

Capela em destaque no Blog do Belenenses

http://belenenses.blogspot.com/2009/01/ba-azul-capela.html

Blogger disse...

Do blog do Belenenses:

Manuel Capela nasceu em Angeja, concelho de Albergaria-a-Velha (quem se lembra do Alba?) distrito de Aveiro. (...)


(...) Capela, guarda-redes do nosso clube entre as épocas de 42-43 e 47-48, campeão nacional e afamada Torre de Belém, sem demérito pela constituição que Feliciano, Vasco e Capela proporcionavam.

Pois bem de Manuel Capela internacional se contam estórias infindáveis tais como, no campeonato de 1945/46 os rapazes de Belém só perderam a corrida pelo titulo quando num jogo no Lumiar perderam ante o Sporting tendo o arbitro validado três golos azuis, mas um juiz de linha de seu nome Rosa, fez anular dois ameaçando ir embora se a sua intenção não fosse avante, e o Sporting venceu 2-1, deixando o título ao alcance do Benfica. Em Janeiro de 1947 a estreia de Capela pela selecção nacional, num jogo contra a Suiça , por gracejo os jogadores da selecção ao passarem por Capela benziam-se , não fora ele Capela.

Segundo jogo e um feito histórico Portugal ganha à Espanha pela primeira vez e logo por 4-1.Capela esteve muito bem ao ponto de receber elogios espanhóis “Este es Capela? Es un fenomeno! Más alto y más maravilloso que la Giralda”

E chega um célebre jogo dos 10-0 com a Inglaterra. Aos 27 minutos de jogo e já com 4-0, o seleccionador substitui Azevedo por Capela, mas este pouco pôde fazer para travar o poderio dos ingleses.

No rescaldo deste jogo, os jogadores tiveram de explicar-se na PVDE (mais tarde PIDE) e como sequência do inquérito, Capela é suspenso por seis meses.

O Profissionalismo entretanto surgia como uma nova ordem emergente, e Capela alegando o propósito de ir continuar os seus estudos de letras, pretende ir para a Académica. Como o Belenenses, suspeita que por detrás desta intenção está o facto de o jogador pretender dar o salto para o FC Porto, a DGD autoriza a transferência para a Académica , mas com uma limitação no caso de sair da AAC teria de regressar ao antigo clube.

Capela continuaria por isso em Coimbra voltando a representar a selecção nacional e levando o emblema de Coimbra à final da Taça de Portugal de 1951 trazendo uma inovação, ao intervalo os jogadores academistas inalaram oxigénio, tentando diminuir o cansaço, o que não lhes permitiu mesmo assim ganharem o troféu.