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sábado, 10 de agosto de 2019
Farmácias de Albergaria-a-Velha do século XX
No início do século XX existiam três farmacêuticos em Albergaria-a-Velha: Francisco Marques de Lemos e João Pedro Ferreira, ambos em Albergaria-a-Velha, e António Augusto Pinto, que fundou a Farmácia Pinto em Esgueira, a qual foi deslocalizada para a Rua da Ponte, em Angeja, após o seu casamento com D. Leocádia Paes Pinto em 1902, e posteriormente trespassada para João Pereira Serrano, em Abril de 1907, sendo alterada a designação para Farmácia Serrano.
Farmácia Lemos & Filha
A principal farmácia na primeira metade do século XX era a "Farmácia Lemos", de Francisco Marques de Lemos, conhecido por "Francisquinho da Botica", que se situava na Rua de Santo António. Posteriormente passou a designar-se por "Pharmacia Lemos & Filha", contando então com a colaboração activa da sua filha, Aurora Pereira de Lemos (*).
(*) Extracto de artigo do Dr. Vasco Lemos Mourisca: "Eu era pequenito e vivia com meu avô materno e minhas tias ali na extinta Farmácia Lemos & Filha, na Rua de Santo António"
Após o falecimento de Francisco Marques de Lemos, em 21 de Janeiro de 1937, a "Farmácia Lemos & Filha" passou a ser detida por duas das filhas, sendo conhecida como Farmácia da D. Aurora. Aí trabalhou o Arménio (conhecido por Méninho), tendo sido encerrado na década de 60 (ou início da década de 70) - mas apenas foi dissolvida oficialmente em 2008.
João Pedro Ferreira
João Pedro Ferreira exercia a sua actividade de boticário de forma mais livre, tendo uma pequena botica também na Rua de Santo António. Por esse motivo, o rés-do-chão do Palacete da Boa Vista (Torreão) foi construído com o propósito de aí vir a ser instalada uma farmácia, cujo mobiliário foi projectado pelo autor de todo o projecto e viria a ser executado por José Gomes Soares.
Em Abril de 1904, João Pedro Ferreira escreveu ao amigo de João Patrício Álvares Ferreira, informando-o da recusa em aceitar a botica no rés-do-chão do palacete, contrariando o que anteriormente haviam combinado.
Joaquim Pedro Alcântara
Joaquim Alcântara, natural de Bragança, casou em 1915 com D. Etelvina de Almeida Miranda, de Assilhó, Albergaria-a-Velha, tendo aqui aberto a Farmácia Alcântara. Foi depois farmacêutico em Lisboa e, mais tarde, inspector de farmácias.
É mencionado no jornal "Democracia do Vouga" de 1915, conjuntamente com Francisco Marques de Lemos e João Pedro Ferreira. Uma notícia de 1930 refere: "Também já partiu para Lisboa o nosso amigo Joaquim Pedro Alcântara, conceituado farmacêutico que aqui esteve de visita à sua esposa [D. Etelvina Alcântara]".
Farmácia Aliança
Nos anos 30 do século XX, a farmácia Aliança pertencia e era dirigida tecnicamente por Alberto Cândido (que era igualmente proprietário da Farmácia Central em Vagos).
Arlindo da Silva Loureiro, residente na Palhaça, é, há largos anos, o Proprietário, gerente e Técnico de Farmácia, com mais de 50 dedicados a esta profissão. A actvidade era exercida em nome individual, na rua da Pereira, em Angeja, tendo sido constituída a sociedade unipessoal Arlindo Loureiro, Unipessoal, Lda. já no século XXI (em 2017).
Farmácia Monteiro
A Farmácia Monteiro foi fundada pela Dra. Maria Celeste Monteiro, esposa do Dr. Flausino Fernandes Correia, que a dirigiu durante meio século, o mesmo tempo que o marido exerceu abnegadamente a Medicina.
A Farmácia Monteiro localizava-se próximo do Jardim junto à Casa Miguel Henriques, sendo alguns dos principais colaboradores o Sr. Sebastião Rezende e Manuel Alho, que ainda na década de 80 transitaram para a Farmácia Ferreira Janeiro (agora junto ao Palácio da Justiça) com os apelidos dos "proprietários" da antiga Farmácia Janeiro.
Farmácia Janeiro
A Dra. Maria Adelaide Martins Ferreira Janeiro e o marido Joaquim Janeiro, ambos farmacêuticos, naturais de Monsanto e Coimbra, respectivamente, radicaram-se em Albergaria-a-Velha na década de 50, onde viriam a fundar a Farmácia Janeiro.
Possivelmente terá havido trespasse do alvará da Farmácia Lemos & Filha para a Farmácia Janeiro, pois há quem se recorde da Dra. Adelaide e do marido, Dr. Joaquim Janeiro, nessa farmácia, ainda na Rua de Santo António antes de ser construído o edifício onde se instalou a Farmácia Janeiro (na Rua do Hospital onde ainda hoje funciona a Farmácia Martins Ferreira).
Outros farmacêuticos e farmácias
O livro "Auranca e a Vila da Branca", de Nélia Maria Martins Almeida Oliveira, refere a existência de uma farmácia, então denominada botica, que funcionou no Souto da Branca no mesmo edifício dos correios. Em 1916 já existia conforme constava do livro de assentos da Quinta das Cavadas.
O livro "Angeja-Vila do Baixo Vouga", de António Homem de Albuquerque Pinho, apenas faz uma breve referência à "Farmácia e Perfumaria Confiança" por constar de um anúncio do jornal "O Despertar de Angeja" da década de 20, não sendo referidas as Farmácias do início do Século XX (Farmácia Pinto e Farmácia Serrão).
A Farmácia Nova já existia na década de 60, inicialmente em Albergaria-a-Nova e actualmente nas Lajinhas, na Branca, sendo de propriedade da Herança Indivisa de Ana Natália Natália Pereira, sócia e directora do Colégio de Albergaria.
Por outro lado, a Farmácia Confiança [que não terá ligação à farmácia que existiu em Angeja], que funciona no Edifício Sr. dos Aflitos na Branca, foi pertencente ao Dr. António Pais durante 26 anos, sendo actualmente detida por Pedro Sousa Pais, Unipessoal, Lda. (sociedade constituída em Fevereiro de 2019).
A Farmácia Vouga foi constituída em 1994, continuando a funcionar em Frossos na Rua José Pinho Gonçalves.
A Farmácia Oliveira começou por ser exercida como actividade em nome individual pela Dra. Catarina Maria Martins Oliveira, natural da Branca, então residente em Ribeira de Fráguas.
A farmácia foi deslocalizada de Ribeira de Fráguas para o centro de Albergaria-a-Velha em 2008, tendo-se tornado, nos últimos anos, uma das principais farmácias de Albergaria-a-Velha, beneficiando da sua proximidade relativamente ao Centro de Saúde, sendo constituída como sociedade unipessoal em 2016.
A Farmácia Ferreira funciona na rua Major Geraldo em Alquerubim, enquanto que a Farmácia Vida se localiza em Estrada de Lalhe em São João de Loure.
[agradecemos informações adicionais relativamente à actividade das farmácias no séc. XX]
Fontes: "Albergaria-a-Velha 1910 - da Monarquia à República" de Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Marques Vigário / Centro de documentação farmacêutica / Grupo do Facebook "Famílias de Albergaria"/ Alberto Robaleiro / Carina Martins Gomes (Farmácia Confiança)
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
M.C. Rios: três gerações, a mesma filosofia
A M.C. Rios foi fundada em 1974 por Manuel da Costa Rios, tendo como objectivo a distribuição de bens para alimentação animal e produtos para a agricultura.
Começou por ser uma pequena empresa na freguesia de Pinheiro da Bemposta. Decorridos 6 anos, inaugurou as instalações na zona Industrial de Albergaria-a-Velha (onde se localiza a actual sede da Tractolitoral).
A necessidade imperiosa de espaço e crescimento, aliada a dedicação e esforço, levou à construção das actuais instalações que foram inauguradas em 26 de Outubro de 1998.
A M.C. Rios é hoje reconhecida como uma empresa líder no sector agropecuário, responsável pelo fabrico e distribuição, para Portugal continental e ilhas, de rações para animais e comercialização de produtos e ferramentas para a agricultura.
Representa também o sector dos combustíveis, sendo proprietária de um posto de abastecimento aberto ao público, fazendo distribuição junto dos agricultores (tanto rodoviário como agrícola).
O grupo foi, ao longo dos anos, ajustando-se às necessidades do mercado, integrando três empresas que actuam em áreas distintas mas complementares: a Tractolitoral, a Hiperlitoral e a Agririos.
A Tractolitoral foi fundada em 2000, e dedica-se ao comércio e reparação de todo o tipo de tractores e máquinas agrícolas. O serviço de assistência pós-venda é garantido, através da sua oficina e técnicos especializados. Possui também uma loja de venda ao público de peças e acessórios para máquinas e tractores.
A Hiperlitoral dispõe de duas lojas. A primeira é contígua à M.C. RIOS, S.A. e a segunda está presente, desde fevereiro de 2018, em Brufe, Famalicão. A sua criação teve como objectivo chegar ao público em geral, através da venda de diversos produtos para agricultura, construção e jardinagem, sendo de destacar a a Hiperlitoral, marca própria marca de alimentação animal (Rações e Misturas de Cereais).
A Agririos dedica-se ao comércio de alimentação para animais domésticos, sendo representante da marca HappyOne e Rufia e detentora da marca Camponesa (rações, misturas e produtos simples para animais).
Fontes: Revista "Portugal Inovador" / Site
sábado, 10 de novembro de 2018
Demolição da antiga taberna do Raúl
(...) concluíram-se na passada quinta-feira os trabalhos de demolição da casa que todos conhecíamos como a taberna do Raúl do Cubo. Este estabelecimento comercial foi, no seu auge, uma das mais conhecidas e frequentadas casas de pasto da região. Situado no lugar do Cubo, no limite norte da freguesia e sobre a margem direita do Vouga, observava-se das suas pequenas janelas o espreguiçar do rio ao longo da praia dos Tesos para depois, seguir viagem por Angeja, rumo à ria de Aveiro.
Durante dezenas de anos, ali trabalharam e geriram o seu negócio o Sr. Raul da Silva Amaro e a Sra. Maria sua esposa. Serviam-se refeições, petiscos, vinho, cerveja. Eram muito apreciados, entre outros, rojões à lavrador, o peixe frito pescado no rio e na pateira de Frossos, e, como iguaria, os ruivacos.
Naquela casa - paragem “obrigatória” de operários, camponeses, proprietários, pequenos industriais e negociantes – se fecharam muitos negócios entre os frequentadores: Fosse a venda de pinhais, o cevado, a vaca ou vitela, etc...
Além da boa fama granjeada na região, esta taberna contribuiu para o desenvolvimento da economia local, uma vez que dava emprego a algumas pessoas e muito do peixe de água doce ali consumido, era adquirido à comunidade de pescadores residente no Cubo.
Com a cessação de actividade por parte do Sr. Raúl, o negócio foi trespassado uma vez, outra e outra vez. Nunca mais voltou a ser o mesmo!... E, de mão em mão, acabou por se transformar numa casa de alterne. Até que, há vários anos atrás, foram encerradas as portas, para nunca mais se abrirem.
A degradação evidente do edifício, o eminente estado de ruína, o local de implantação em zona protegida, e a fealdade e má qualidade arquitectónica determinaram o seu fim na tarde do dia 8/11/2018. Como em tudo na vida há um princípio, um meio e um fim!
Estiveram bem as autoridades que procederam ou determinaram a demolição preventiva. Continuem!
Fonte: Francélio Vouguense - Frossos (em facebook)
sábado, 20 de outubro de 2018
70 anos de actividade da "João de Almeida Oliveira, Lda."
João de Almeida Oliveira (1910-1997) iniciou a sua actividade empresarial em 1948, ainda como empresário em nome individual, com 5 colaboradores, para se dedicar à reparação automóvel com serviço e venda de pneus, produção de alfaias e máquinas agrícolas e revenda de combustíveis, na Branca, freguesia de Albergaria-a-Velha.
Em Dezembro de 1989 é constituída a sociedade por quotas "João de Almeida Oliveira, Lda.", mantendo a mesma designação e dando continuidade às actividades existentes.
Em 1991, a empresa fez a aquisição de terrenos e construiu de raiz uma nova unidade de revenda de combustíveis na Branca.
Amplia a sua actividade em 1992, passando a Agente de Vendas e Serviços da marca Citroën, serviço que mantém até aos dias de hoje, juntando-lhe posteriormente a certificação como Reparador Autorizado da marca.
A partir do ano de 2001 inicia um processo de expansão contínua na revenda de combustíveis líquidos (gasolinas e gasóleos), com a entrada de novos postos de abastecimento, nomeadamente nas Quintãs (Aveiro), Torreira (Murtosa), Cacia (Aveiro), Calvão (Vagos), Quintã (Vagos) e Cucujães (Oliveira de Azeméis), com modernas lojas de conveniência na Branca, Torreira e Calvão.
Em 2017 faz a aquisição de uma unidade de revenda de Galp gás para o concelho de Vale de Cambra, juntando à que já detinha para o concelho de Albergaria-a-Velha.
Fonte: www.jaol.pt (adaptado)
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| Anos 50 |
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| 8º Serviço Premium GALP (2015) |
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Pastel de Albergaria
O pastel de Albergaria, desenvolvido pela equipa criativa de pasteleiros da Confeitaria Framboesa, é composto por um recheio de ovos, amêndoa, açúcar e chila, tem uma textura macia e é envolvido numa massa tipo filó em formato de embrulho.
Foi esta particularidade que serviu de mote para a criação do seu nome: albergaria significa lugar onde alguém se alberga, da mesma forma que o pastel alberga o seu recheio.
Também a embalagem quis servir de montra da cidade ao ilustrar espaços emblemáticos como o Castelo da Boa Vista e a Biblioteca Municipal, a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, a Roseta e o Cruzeiro da Nossa Senhora do Socorro, a Capela de S. Sebastião, a Igreja Matriz, a Capela de Santa Cruz e o Cineteatro Alba.
Uma particularidade que confere um valor cultural a um produto regional e visa a promoção do turismo, uma vez que se trata de um local conhecido por acolher peregrinos dos caminhos de Santiago.
A marca Framboesa proporciona a todos os que visitam a cidade provar a iguaria ou levar consigo um pouco de Albergaria-a-Velha, seja para partilhar aqui ou noutro local.
Fonte: Litoral Magazine (adaptado)
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sexta-feira, 20 de abril de 2018
Inauguração do novo Mercado Municipal
Foi inaugurado no passado dia 14 de Abril o novo Mercado Municipal, agora denominado "A Praça". A obra contemplou um investimento de cerca de um milhão e setecentos mil euros, e teve financiamento dos fundos comunitários, através do Programa Operacional Centro 2020.
“É uma das obras mais aguardadas da população, que vai criar uma nova centralidade na cidade e potenciar a visita de pessoas de fora do Concelho”, afirma António Loureiro, Presidente da Câmara Municipal. “Será um espaço de referência, que vai de encontro às novas exigências, um local de convívio e de promoção do comércio tradicional e dos produtos endógenos, valorizando o contacto mais directo entre o produtor e o consumidor.”
O autarca acredita que A Praça tem todas as características para atrair um público mais jovem, enquanto mantém os clientes mais fiéis, não só através de novas áreas comercias e de restauração, mas também pela dinamização de actividades culturais e lúdica.
O projecto de requalificação foi realizado pelo arquitecto Luís Tavares Pereira, do gabinete "[A] ainda arquitectura", e respeita o projecto original do arquitecto Jorge Gigante, datado do princípio da década de 1970. Todo o recinto está coberto por uma estrutura metálica com iluminação natural proveniente de aberturas na cobertura e de uma extensa parede de vidro virada a sul. O projecto inclui soluções que melhoram a eficiência energética do equipamento e existem diversos pontos de acesso para pessoas com mobilidade reduzida e um cais de cargas e descargas.
Existem, ainda, dois espaços de restauração, um estabelecimento de bebidas, quatro lojas de comércio/serviços e nove bancas com abertura para a praça central, que vão vender gelados, crepes, chocolates, chás, conservas, compotas e outros produtos afins.
A praça central pretende ser um espaço de convívio, com actividades culturais, espaço de alimentação e área infantil. Um gabinete de atendimento, que não existia no antigo mercado, completa o recinto, que tem ligação à feira bissemanal que se realiza ao lado.
O mercado interior vai funcionar todas as quartas e sábados, das 8h00 às 13h00. A praça central, por seu lado, estará aberta toda a semana, com dois horários distintos. A zona de restauração funcionará das 8h00 às 2h00 e as bancas viradas para a praça central, das 8h00 às 22h00. As lojas abertas para a Rua 1.º de Maio continuarão a fazer o horário habitual do comércio.
Fontes/Mais informações: CMAAV / Novos Arruamentos
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Vicente Rodrigues Faca, comerciante e autarca (1864-1937)
Vicente Rodrigues Faca nasceu em Alquerubim em 8 de Outubro de 1864. Casou em Albergaria-a-Velha com D. Isaura da Silva Vidal. Residiram em Alquerubim, antes de emigrarem em 1899 para a Cutumbela, Benguela, Angola, de onde regressaram definitivamente, depois de 1904, instalando-se em Albergaria-a-Velha.
Foi proprietário da Pensão Faca e depois fundador e proprietário do Hotel Vouga (inaugurado em 15 de Setembro de 1910 no Largo do Chafariz), com restaurante, café e bilhar. E teve igualmente um armazém de calçado na Praça Ferreira Tavares.
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| Hotel Vouga |
Casou em Albergaria-a-Velha com D. Isaura da Silva Vidal. Residiram em Alquerubim, antes de emigrarem em 1899 para a Cutumbela, Benguela, Angola, de onde regressaram definitivamente, depois de 1904, instalando-se em Albergaria-a-Velha.
Faleceu em 3 de Agosto de 1937 na Praça Comendador Ferreira Tavares em Albergaria-a-Velha.
Fonte: "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Vigário (adaptado)
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Memórias da Feira dos 26 de Angeja
Realiza-se no Largo Marquês de Angeja (conhecido por Largo da Feira), onde existe um crucifixo e um chafariz com bebedoiro para animais. Feira aberta, mas paga Imposto de terreiro.
Transacciona-se gado vacum e porcino, e algumas vezes lanígero. Gado de cornos, segundo nos informaram, entraram hoje na feira 300 cabeças; porcos 150; de lanígeros, nesta feira, não se deu conta.
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| Curiosidade: A pessoa de sobretudo preto é D. Leonor Ribeiro aos 18 anos, quando Sr. Manoel Souto (emigrado no Brasil) a conheceu e se apaixonou (*) |
O gado é trazido à soga [corda], pelos produtores-lavradores de Fermelã, Cacia, Frossos, etc„ e, naturalmente, de Angeja. Os compradores são lavradores da região e os negociantes (marchantes e talhantes) vêm de Cantanhede, Paredes, Penafiel, Avanca, Estarreja, Figueira da Foz, etc. (em número de 30), e transportam o gado em camionetes.
Ainda se usa o alborque - "regar” com uns copos (geralmente vinho branco) o negócio feito, despesa paga pelo vendedor, em honra do comprador e dos que o ajudaram a rematar o negócio (os negociantes por vezes fazem cambão [combinam preços]). Há para o efeito uma taberna no local, aberta nos dias de feira.
Pare além de negócio de gado, indubitavelmente o mas vultoso em notas, há uma variedade infinita de artigos à venda:
* utensílios da lavoura, máquinas de sulfatar, moto-serras, semeadores de batata e de milho, arrendadores, etc.; correame [correias] para o gado, como piaçás, brochas (correia que liga a canga ao pescoço da vaca), tamoeiros [peças para carros de bois], passadeiras, etc.;
* utensílios de cozinha, desde garfos, facas e colheres, aos alguidares, tachos e panelas; artigos em folha zincada e de flandres; funis, regadores, púcaros, almudes (de 20 litros), lampiões, candeias de curral, etc., etc.;
* em vestuário o calçado, é um louvar-a-Deus de tendas, de barracas, de carrinhas, carros e carretas;
* cofinhos para o gado (antigamente de baracinha [cordel], agora do arame);
* peneiras, tamancos, pipos, pipas e dornas, melões e maçãs, enxadas, ferros de engomar à brasa, foicinhas, martelos, fogareiros, louças, pão do Fontão (muito saboroso) e tremoços (bem apaladados), regueifas, plásticos (ui, Jesus, o que vai pr'aí de plásticos), objectos de barro (caçoilas e púcaros, tarros e tarrelos), cordas de plástico e adibais [cordas compridas] de sisal, esteiras (em desuso, a malta agora quer é edredons e alcatifas!), aventais (os de serguilha tiveram a sua época!), blusas, casacos e bonés, galrichos, cestos de vime — o fim do mundo!
E pó! E música (altíssimo-falantes)! E propagandistas da banha-de-cobra! Vá lá, já não se vê os estropiados que andavam mendigando de feira em feira … hoje tudo fuma cigarro feito e de filtro!
No dia da feira o negócio local anima-se. Esta feira é o melhor ex-libris de Angeja.
Fonte: Bartolomeu Conde em Jornal "O Aveiro" (em "Novos Arruamentos")
(*) Imagem utilizada no cartaz da feira de 2015 (mais informações: Cristina Souto Rigotti)
A organização da feira foi retomada em 2014, tendo agora periodicidade anual
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Francisco Sousa, o "Xico do armazém"
Francisco Sousa e a esposa Maria Alice foram os roupeiros do Campo do Alba, daí as alcunhas Chico e Alice do Campo.
Francisco trabalhou durante 27 anos no armazém da Alba mas, a dado momento, quis construir o seu próprio negócio. O armazém sediou-se, inicialmente, junto ao Cine Teatro Alba, mas volvidos uns meses mudou-se para o armazém de Açores, que se mantém até hoje e já lá vão cerca de 44 anos.
Começou a trabalhar, praticamente, sem dinheiro, valendo-se apenas dos conhecimentos que já tinha e da amizade. Era no tempo em que não havia mercadoria, tinha que se procurar, era difícil entrar nas firmas.
Inicialmente comercializava rebuçados, conservas e pouco mais … Entretanto, conseguiu uma marca de água e seguiram-se as cervejas e uma marca de arroz muito boa que era da família do Duque de Bragança. Depois, arranjou açúcar porque a isso foi obrigado. Nessa altura, tinha como cliente a Cantina do Caima e eles pediram-lhe e, para não perder um cliente, pôs-se a magicar e, como todas as semanas ia ao Porto, foi à fábrica, explicou a situação e lá conseguiu.
Era ele que fazia tudo: comprava, vendia, entregava, facturava. E inclusive vendia-se e comprava-se com facturas de colegas, coisa que, hoje em dia, é impossível.
A certa altura, os filhos e filhas seguiram as pisadas do pai e começaram a auxiliá-lo no negócio, que entretanto alterou o nome para Mercocentro-Comércio de Produtos Alimentares e Bebidas, Lda.
Na memória de Francisco Sousa está bem nítida a altura em que começaram a surgir as grandes superfícies comerciais que começaram a enfraquecer e a afundar os pequenos negócios locais. Actualmente está muito difícil. O armazém exporta para o Luxemburgo, França, Bélgica e Alemanha e isso vai aguentando-o.
Fontes: Correio de Albergaria (adaptado) / Facebook
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sábado, 20 de junho de 2015
Mazel - Rações para animais
A Mazel iniciou a sua actividade industrial em 19 de Junho de 1988, em Albergaria-a-Velha, por David Matos da Silva, e dedica-se desde então ao fabrico de alimentos compostos para animais de criação, com ênfase para a cunicultura.
A Mazel é actualmente líder na fileira da cunicultura, sendo o maior fabricante em Portugal de alimentos para coelhos, área de actividade onde a Oktomatos Holding SGPS (a “casa mãe” da Mazel) desempenha um papel único ao abater e comercializar através dos seus matadouros cerca de dois milhões de coelhos por ano.
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| Comemoração do 25º aniversário em 2013 |
A empresa pretendeu desde sempre assumir um posicionamento de diferenciação e liderança no mercado face à concorrência, tendo havido sempre a preocupação de assegurar um crescimento sustentado, sendo encarando o futuro com confiança e determinação, o que se reflecte no slogan que a empresa adoptou “Preparados para os desafios do futuro”.
O grupo Mazel tem negócios na área do mobiliário (Mazel Sociedade imobiliária S.A.), da floresta, dos transportes (Mazel Transportes, S.A.), da produção, abate e comercialização de coelhos (onde é o maior operador do mercado), entre outras.
A Mazel colabora activamente na sociedade, nomeadamente com o apoio às IPSS e no desporto, onde é de realçar a parceria com o Clube de Albergaria.
Fonte: Beira Vouga / oktomatos / mazel.pt
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Casa Turco
A Casa Turco teve origem na atividade de doceira de Margarida Ferreira (1872-1950), que inicialmente se localizava na Avenida da República, em Albergaria-a-Velha.
A D. Margarida casara em 1912 com José Marques Lourenço (1854-1925) que foi comerciante até 1914 e capataz das Minas de São Domingos, no Alentejo, entre final de 1914 até 1922.
Uma senhora onde estivera a trabalhar em Aveiro ter-lhe-à dado a receita para a ajudar a criar o filho, quando ficou viúva, tendo começado a fazer doces e a vender pelas portas.
O filho de Margarida, Manuel Marques Ferreira (1914-1990), conhecido por Manuel Turco, abriu a primeira loja no Torreão. Inicialmente não era café. Vendia vinho que ia comprar na “Serra”.
A “Casa Turco” perdeu alguma da sua clientela com a abertura da Estrada Nacional, o que motivou a sua mudança, a partir dos anos 60, da zona central de Albergaria para a Rua Primeiro de Dezembro, mais próximo da nova estrada.
A actual herdeira destes afamados doces regionais é a D. Margarida Ferreira (mais conhecida por Margarida Coutinho), neta da “fundadora”, que vende para o Café Turco, que continua com outros donos, em mercearias locais e em feiras e outros certames.
O nome
Os antepassados eram muito introvertidos e havia quem achasse que eram parecidos com os turcos. Foi assim que o nome acabou por ficar.
A fundadora não gostava do nome, mas o nome Turco acabou por se perpetuar como apelido da família e no nome da Casa Turco e Doces Turco.
Os Doces
Os Turcos apresentavam três variedades: Rosquinhas, Raivas e Bolos de Gema.
O “negócio” dos biscoitos está na família há mais de 90 anos. Da receita, guardada a sete chaves, sabe-se apenas que leva ovos e manteiga.
Os folares da Páscoa, as raivas e biscoitos já eram uma tradição de Albergaria-a-Velha, com a abertura da Loja Nova nos finais do Século XIX, que perdurou até ao início da década de 60.
Fontes: Jornal Beira Vouga / Grupo do facebook “Amo a minha terra” / "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de D. Bismarck Ferreira e R. Vigário
Informações complentares
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Loja Nova (1891-1963)
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| Joaquim Ribeiro Silva |
Lucília de Jesus Caetano, na sua obra “A indústria no distrito de Aveiro”, faz referência à exposição realizada no Palácio de Cristal, no Porto, com início a 18 de Novembro de 1891, onde estiveram expostas bolachas produzidas pela Fábrica Fidelidade, do Concelho de Albergaria-a-Velha, pertencente a Joaquim Ribeiro e Silva, fundada um ano antes na cidade do Porto e posteriormente transferida para o nosso concelho por motivos pessoais e económicos.
Joaquim Ribeiro e Silva, natural do Beco, Macinhata do Vouga, no Concelho de Águeda, instalou, então, na Rua de Santo António, em Albergaria-a-Velha, uma pequena fábrica de bolachas e biscoitos, a "Loja Nova" (que substituiu a "Fidelidade" e, posteriormente, a "Provinciana"), que atingiu grande fama na região.
Foi a mais famosa fábrica artesanal de doçaria, em Albergaria-a-Velha e na região, pela excelência dos seus fabricos entre os quais se contavam os folares da páscoa, as raivas, os biscoitos, como nenhuns outros houve por estas bandas.
Os seus produtos, de grande qualidade, eram equiparados aos melhores de Coimbra e Porto, e por esse motivo eram expedidos para todo o país.
Mesmo depois do proprietário ter transferido residência para o Porto, os seus familiares, nomeadamente duas das suas filhas, Alice e Rosa, aqui mantiveram a sua produção de escala mais regional por mais alguns anos.
A última das irmãs proprietárias, D. Rosa Emília, faleceu em Janeiro de 1963.
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| D. Rosa Emília |
A tradição de confeccionar este género de produtos conseguiu manter-se viva ao longo dos anos, graças inicialmente à “Casa Turco” e actualmente a D. Margarida Ferreira (conhecida por D. Margarida Coutinho), herdeira das receitas destes afamados doces regionais.
Fontes: Dr. Albuquerque Pinho / "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de D. Bismarck Ferreira e R. Vigário (incluindo fotos) / “A indústria no distrito de Aveiro” de Lucília Jesus Caetano
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