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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Fábricas de cerâmica do concelho de Albergaria-a-Velha (1910)


O fabrico de telha e de louça era uma actividade tradicional no concelho desde tempos remotos. A cerâmica viria a ter alguma notoriedade em Albergaria-a-Velha com o surgimento da fábrica da olaria da Biscaia, situada na “Quinta da Biscaia”, com actividade pelo menos desde 1890, altura em que empregava nove pessoas.

No final daquele século “as fábricas de louça expedem também grande parte dos seus produtos para todo o distrito e principalmente para o de Viseu”, conforme refere um relatório da época.

Em 1905, o panorama da indústria de cerâmica no concelho de Albergaria-a-Velha era pouco mais diversificado, desenvolvendo-se nas freguesias de Albergaria-a-Velha, Alquerubim, Angeja e Ribeira de Fráguas.

Albergaria-a-Velha

 (…) era na Fábrica da Biscaia que existia uma fábrica de louça vermelha ordinária, sem vidrado, sendo o barro extraído junto à fábrica. (…) Nesta época tinha apenas sete operários, um mestre, que era o dono José Correia Vidinha, um rodista, dois amassadores, dois rapazes e uma mulher. (…)

Essas peças eram então, maioritariamente, cântaros, barris para água, panelas, alguidares e tijolos, os quais eram vendidos em 1905 aos seguintes preços: cântaros – 100 reis, barris – 60 reis, panelas – 80 reis, alguidares – 120 reis e cada milheiro de tijolo – 3$500 reis, sendo a sua produção anual e cerca de 900$000 reis. (…)

Para além de cerâmica para uso doméstico e rural, esta unidade industrial de pequena dimensão viria, mais tarde, a produzir igualmente cerâmica decorativa, alguma dela vidrada, bastante afamada na região.

Alquerubim

Duas pequenas unidades de fabrico telha ordinária, ambas em Paus, onde dois industriais tinham sete fornos de cozer telha que alugavam às pessoas que fabricavam a telha, recebendo em troca 1/6 da telha cozida ou seu equivalente em dinheiro (…)

Angeja

Em 1910 existia “uma pequena unidade sediada na Barca, (que) fabricava louça vermelha ordinária, sem vidrado. Produziam anualmente cerca de 270 milheiros de telhas, que vendiam na própria freguesia e nas vizinhas a 3$500 reis cada milheiro, rondando o seu rendimento anual os 980$000 reis.

Esta 1ª fábrica de Olaria de Angeja (da Barca) foi fundada no séc. XIX por Francisco Correia Vidinha e Rosa Rodrigues Ferreira (naturais de Ovar).

Estes, eram também os pais de Manuel Vidinha, o qual anos mais tarde acabaria por comprar a 2ª fábrica de Olaria de Angeja (Várzea).

Ribeira de Fráguas

Uma pequena unidade de fabrico e telha ordinária, situada em Telhadela, onde um industrial utilizava o mesmo sistema dos de Alquerubim, ou seja, alugava o forno nas mesmas condições.

Produzia anualmente cerca de 70 milheiros de telhas, que vendiam igualmente na própria freguesia e nas vizinhas a 3$500 reis cada milheiro, num valor aproximado de 245$000 reis anuais.

Nestas duas freguesias a laboração era sazonal, apenas nos meses e Maio a Agosto.

Fontes: “Albergaria-a-Velha 1910 – da Monarquia à República” / Luís Altino (em História de Angeja)

Curiosidade

Fortunato Freire Themudo refere, no seu "Estudo sobre o estado actual da indústria cerâmica na 2ª circunscripção dos serviços técnicos da indústria", que “o fabrico é feito da seguinte forma: cavado o barro é muito amassado com enxadas e depois partido aos bocados segundo os objectos que se desejam fabricar, sendo depois muito batido com um rolo de ferro"

Fonte: Tese de Isabel Maria Granja Fernandes 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

sábado, 10 de agosto de 2013

Exposição "Memória: História, Arte e Fé" comemora os 400 anos da paróquia de Angeja


No âmbito das comemorações dos 400 anos da Igreja Matriz de Angeja, está patente, até ao dia 29 de agosto, a exposição "Memória: História, Arte e Fé", concebida por José Silva e Luís Altino.

A fé, como elemento indissociável do ser humano, não pode ser ignorada no processo de fazer a História, que espelha as vivências de uma comunidade. Esta exposição tem como objectivo apresentar os momentos históricos mais significativos da vida paroquial, os instantes de fé de um povo que em mais de quatro séculos já deixou importantes marcas no património construído, na cultura e na arte desenvolvidas.


Ao longo de mais de uma centena de placares expostos na Igreja Matriz, o visitante pode conhecer a cronologia dos momentos mais marcantes de Angeja e que ilustram a vivência da sua fé. Para além de pormenores artísticos e arquitectónicos da Igreja, há uma mostra de paramentos, alfaias e alguns livros e documentos que ilustram o passado da comunidade.

Destaque, ainda, para uma secção dedicada às Invasões Francesas e à Guerra dos Trauliteiros e a revelação de imagens de um importante fresco que terá mais de 500 anos e que se presume representar o casamento de Santa Ana e de São Joaquim.


Para além de conceber a exposição "Memória: História, Arte e Fé", José Silva e Luís Altino, dois dedicados estudiosos da sua terra, estão a realizar um trabalho de investigação sobre o Associativismo em Angeja, a ser publicado no âmbito dos 500 anos do Foral da Vila. José Silva está, ainda, a trabalhar na obra "Topónimos e Outras Histórias da Vila de Angeja".

Fonte: CMAAV 

Videos: (1) (2)




domingo, 20 de janeiro de 2013

Edifício "Vila América" da Rua Velha, em Angeja, em vias de ser demolido


O edifício "Vila América" da Rua Velha, em Angeja, conhecido popularmente pela "Casa do Caga Milhões", obra do início do Século XX (construída entre 1902 e 1912 segundo a placa que se encontra na fachada), está prestes a ser demolido apesar de merecer outro tratamento como refere Alberto Gonçalves da Silva já que "tem uma fachada notável e é uma obra irrepetível" mesmo que actualmente esteja em ruínas.

O actual proprietário do prédio foi intimado, pela Câmara Municipal, a demolir o edifício até às fundações. Mostra-se mais uma vez a pouca sensibilidade dos nossos governantes, independentemente da cor politica, para a salvaguarda do nosso património. Existindo programas que incentivam a reabilitação deveria ser analisada essa solução antes de obrigar à demolição.


(em blog "Novos arruamentos")

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Arte Nova em Angeja

Actual Centro de Dia de Angeja

Saindo do espaço do concelho de Aveiro, em direcção ao Norte e passado o rio Vouga, impõem-se na antiga vila de Angeja, pelo menos duas referências, bem diferentes: uma, pela estrutura e dimensão da casa, é caracterizada por linhas duras mas inequivocamente bem engendrada no jogo dos arcos calcários dos seus dois andares até ao respectivo miradouro e que era a casa – “o lindo palacete”, que Carlos Mendes projectou.

ANGEJA - Casa projectada por Carlos Mendes
Outras vivendas desta antiga vila, onde existe um excelente conjunto de construções da viragem do século, apresentam apontamentos ornamentais sui géneris, a sugerirem aceitação popular desta gramática decorativa, mas sem justificarem descrição individualizada

Fonte:  “Arte Nova em Aveiro e seu Distrito” de Amaro Neves

Amaro Neves faz referência a uma outra casa ("outra, sem interesse de maior nas estruturas, desperta a atenção pelo conjunto azulejar da fachada"), contudo a mesma está localizada em Cacia e não em Angeja.


sábado, 30 de junho de 2012

Ivens Dias Branco em Angeja para descerrar placa de Rua Manuel Dias Branco (21-06-2012)


Francisco Ivens Dias Branco nasceu no dia 3 de Agosto de 1934, em Fortaleza (Ceará), filho de Manuel Dias Branco e Maria Vidal de Sá Branco.

Ivens Dias Branco tem uma história de vida empresarial que começa na infância, quando começou a, nas festas juninas,  a venda de “loterias de fogos” e, noutras ocasiões, a venda de cromos de artistas e equipas de futebol daqueles antigos álbuns que faziam sucesso com as crianças da época.


Apaixonado pela leitura, diz que aprendeu praticamente tudo na vida através dos livros, exercício que ainda hoje pratica, ao lado da leitura diária dos jornais, com foco na política e na economia, sem se despregar dos movimentos sociais que suas indústrias sempre apoiam quando procuradas por pessoas dedicadas a esse mister.

É no segmento industrial que o Grupo M.Dias Branco é hoje destaque mundial. Em 2011 eram doze fábricas em sete estados, com cerca de 17 mil funcionários. Ocupava o primeiro lugar em massas e biscoitos da América Latina, sendo o quarto lugar do mundo em massas e o sexto lugar do mundo em biscoitos. São maiores que a Nestlé na América Latina.



Chegando ao ápice de uma carreira repleta de êxito, Ivens Dias Branco informou que estava na hora de passar o comando de suas empresas aos seus herdeiros. Mas, pelo visto, permanecerá atento e activo.

Com Consuelo – esposa, amiga, companheira – Ivens voou para Portugal onde tem, também, raízes – pelo lado paterno. Mas ninguém se engane: mesmo “de longe” ficará atento ao que se passa no Brasil com a família e com as empresas que agigantou ao longo de honrada e admirável existência


Há um empresário luso-brasileiro entre os mais ricos do mundo

O empresário luso-brasileiro Ivens Dias Branco, presidente do Grupo M. Dias Branco, entrou para o ranking dos homens mais ricos do mundo, publicado pela revista norte-americana “Forbes”.

As origens do empresário escaparam, porém, à imprensa portuguesa. Ivens Dias Branco é filho de um emigrante português do distrito de Aveiro e é o primeiro cidadão do Nordeste brasileiro a constar da lista dos mais ricos do mundo.


Ivens Dias Branco, que lidera o mercado brasileiro de massas e bolachas, o que levou a revista “Isto É Dinheiro” a considerá-lo “O Rei do Macarrão”, ocupa a 290ª posição entre os mais ricos no mundo e o nono lugar no Brasil, com uma fortuna avaliada em 3,8 mil milhões de dólares.

Segundo a “Forbes”, está mais bem colocado na lista mundial que grandes empresários brasileiros como Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar), António Luiz Seabra (Natura) ou os irmãos Moreira Salles, sócios do Banco Itaú.



Origens portuguesas

Ivens Dias Dias Branco regista a particularidade de ser filho do português Manuel Dias Branco (1904-1995), que construiu um império na indústria alimentar, a partir do estado nordestino do Ceará, onde chegou com apenas 18 anos, na primeira metade do século XX, oriundo de Angeja, no concelho de Albergaria-a-Velha e distrito de Aveiro.


A sua importância na economia de Fortaleza foi distinguida recentemente com uma homenagem pública que não está ao alcance de todos: Manuel Dias Branco tem a sua estátua numa praça da cidade que tem o seu nome.


Alguns prémios e homenagens
 
Agraciado com a Medalha do Mérito Industrial/FIEC em 1992.

Recebeu, em Dezembro de 2011, da "Câmara Municipal" de Salvador-Bahia o título de Cidadão Honorário da Cidade.

A Confederação Nacional das Câmaras de Dirigentes Lojistas escolheu Ivens Dias Branco como Personalidade Lojista Nacional de 2011, tendo em conta a invejável posição de liderança latino-americana das indústrias de massas e biscoitos do Grupo M.Dias Branco.

A Revista Época escolheu o industrial luso-brasileiro como um dos cem brasileiros mais influentes de 2011, também por ser o maior fabricante de massas e biscoitos da América Latina.


Fontes: Portugal sem Passaporte / Liga de Amigos da Creche de Angeja (no facebook) / Isto é Dinheiro / Fortaleza em fotos

Mais informações sobre Manuel Dias Branco: Blog de Albergaria

domingo, 15 de abril de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

Os Souto de Angeja

O livro "Angeja e a Região do Baixo Vouga" de Ricardo Nogueira Souto (1937) apresenta um conjunto de pequenas biografias, nomeadamente da família Souto:

Francisco Ferreira Souto (17nn – 1835)

Francisco Ferreira Souto (que faleceu em 21 de Maio de 1835) era o tronco familiar desta família. Era pessoa muito abastada e de destaque nesta região.

Possuía companhas de pesca na Torreira e era o proprietário ou empresário da Barca de Transportes entre Angeja e Cacia, pois não existia ainda a estrada e a Ponte sobre o Vouga.

Manuel Maria Ferreira Souto (1800-1865)


Filho mais velho de Francisco Ferreira Souto. Formado em Direito. Desempenhou as funções de Juiz de Fora em Oliveira de Azeméis. Terá conhecido D. Miguel, quando este foi hóspede de D. João de Noronha Camões, Marquês de Pombal, que o fez promover e despachar Desembargador da Relação de Goa (entre Dezembro de 1828 e Março de 1835).

Por lealdade com D. Miguel, reformou-se, não querendo servir com os liberais. Foi Agraciado, apesar de Miguelista, com a Cruz de Cristo que, naquela época, era graça concedida a poucos.

António Ferreira Souto

2º Filho de Francisco Ferreira Souto. Formado em Direito e agraciado com a Cruz de Cristo. Viveu sempre em Angeja, dedicando-se à administração da sua casa e exerceu por muitos anos as funções de Administrador do Concelho de Angeja. Teve numerosos filhos.

Um dos seus netos foi o bem conhecido aveirense Dr. Alberto Souto, antigo Presidente da Câmara de Aveiro, que por sua vez é avô do anterior Presidente da Câmara da mesma cidade Alberto Souto.

Alberto Souto (1888-1961)


Neto de António Ferreira Souto. "De Angeja eram filhos distintos sua mãe, seu avô materno e seu bisavõ. (...) Mas é em Aveiro, onde nasceu e reside, o teatro principal dos seus trunfos."

Director do Museu Regional de Aveiro durante 33 anos. Autor de diversos livros sobre Aveiro. Presidente da Câmara de Aveiro entre 1957 e 1961.

Eduardo Henrique de Almeida Souto


Bisneto de Francisco Ferreira Souto. Neto de Maria Augusto de Souto e Silva, casada em Sarrazola com o Dr. Manuel Rodrigues Simões (o Dr. Vigairinho).

Eng.º Agrónomo. Oficial de Artilharia, tendo feito parte de um corpo expedicionário a Moçambique, durante a I Guerra Mundial. Responsável pela vinda da luz eléctrica para Angeja.

Francisco Ferreira Souto (filho)

Filho de Francisco Ferreira Souto. Destinado a ser o administrador e dirigente da vida rural da casa. Casando oportunamente formou a bem conhecida “Casa da Pereira”, posteriormente engrandecida pelo labor e administração de seus filhos.

Um dos seus filhos, Manuel Maria, embarcou para o Rio de Janeiro. Ali se dedicou ao comércio e fundou a o melhor estabelecimento e fábrica de calçado naquela época, que passado largos anos ainda girava na Praça com o nome do seu fundador “Ferreira Souto”. Regressado a Angeja, aqui faleceu.


António Ferreira Souto Alves (faleceu em 07.06.1932)

Bisneto de Francisco Ferreira Souto e neto de Francisco Ferreira Souto (filho). Filho de Francisco Ferreira Souto Alves.

Bacharel Formado em Medicina (Coimbra). Cirurgião Sub-delegado de saúde em Estarreja, durante cerca de 50 anos.

José Ferreira Souto, Alferes da Barca

Filho de Francisco Ferreira Souto. Seu pai educando superiormente quatro filhos, e destinando o quinto filho para dirigir a vida agrícola, destinou o sexto filho, José, à Administração da “Empresa ou Barca de Transportes” entre Angeja a Cacia sobre o Vouga, pois não havia ainda a estrada e a Ponte sobre o Vouga, pelo que ficou conhecido como o “Alferes da Barca”.

António Augusto Nogueira Souto (1850-1920)


Filho do Alferes da Barca e Maria Nunes Nogueira e Silva, formou-se com altas classificações em Direito em Coimbra em 1872. Foi nomeado Administrador do Concelho de Albergaria-a-Velha. Desempenhou funções durante apenas um ano, sendo a seguir eleito Presidente da Câmara (1874-1887).

Posteriormente seguiu a magistratura. Foi Juiz em Vila Verde, Barcelos (1908) e Braga (1910). Desembargador da Relação de Lisboa. Faleceu na sua residência em Lisboa, tendo o corpo sido trasladado para Angeja no primeiro aniversário da sua morte.

Ricardo Nogueira Souto


Bisneto do Alferes da Barca. Neto de António Augusto Nogueira Souto.

Formado em medicina. Autor do livro “Angeja e a Região do Baixo Vouga”. Redactor do primeiro jornal do concelho "O bouquet d'Angeja" (1887). Director e Proprietário do "O Despertar de Angeja" (1924)

Outros

A árvore genealógica dos Soutos teve origem em terras de Águeda, fixando-se depois em Angeja e posteriormente em Aveiro.

Uma ramificação da família fixou-se na zona de Braga, tendo dado origem à conhecida família Souto Moura.

Mais informações: "Angeja e a Região do Baixo Vouga" / geneall / Em aveiro

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

“Angeja e a Região do Baixo Vouga” de Ricardo Nogueira Souto (1937)


"Consagrando este modesto trabalho a factos e pessoas de Angeja e da região, ou que a elas se liguem por qualquer motivo. (…)

Conheço muito pouco da história de Angeja, porque é escassa a sua documentação, mas esse pouco, que em resumo vou referir, é suficiente para pôr em evidência a superioridade da vila de Angeja, entre as povoações circunvizinhas. Também vão inseridas biografias e perfis de alguns filhos desta terra e da região."



Sumário

- Prefácio de Augusto de Castro.
- Palavras prévias
- Angeja – sua situação e ligeira notícia descritiva
- Breves noções geológicas da região;
- Alterações ou evolução da Barra de Aveiro;
- Sua influência na improdutividade e insalubridade dos nossos campos;
- Crise económica e aumento da mortalidade dos povos circunvizinhos;
- Antiguidade provável de Angeja, - séculos antes de Cristo, - sua explicação
- Sua importância no passado e recordações histórica
- A Igreja, sua fundação e história.
- Um conjunto de pequenas biografias, nomeadamente das Famílias Sá Pinto Eça e Noronha, Soares Ferreira, Souto e Nogueira
- Impressões sobre as belezas naturais de Angeja da grande pintora D. Eduarda Lapa e da distinta escritora D. Maria de Carvalho
- Conclusão
- Notas autobiográficas

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Manuel Dias Branco, empresário (Fortaleza, Brasil) (1904 - 1995)

Manuel Dias Branco saiu de Angeja rumo a Lisboa com 16 anos de idade. O primeiro emprego que conseguiu foi numa loja de ferragens, onde ficou cerca de quatro anos.

Era início dos anos 20. Inicialmente pensou em emigrar para os Estados Unidos, devido às dificuldades económicas e sociais que se vivia na Europa, mas o pai convence-o a seguir para o Brasil, pois tinha a vantagem de se falar o mesmo idioma e não ter tantas divergências culturais, além de poder contar com um amigo bem sucedido que poderia ajudá-lo por lá.

Desembarcou no Brasil no ano de 1926, em Belém. Não se adaptando ao clima, apanhou uma forte gripe e, por recomendações médicas, foi tratar-se em Guaramiranga, no Ceará, mudando-se, em seguida, para o Cedro (região Centro-Sul do Ceará).


Primeiros negócios no Brasil

Começou como corretor de algodão no Cedro. Viajava pelo interior fazendo financiamento para os plantadores de algodão e depois recolhia a safra. Percebendo a oportunidade, montou em Cedro um pequeno armazém de secos e molhados ("mercearia"), paralelamente à sua actividade de corretor.

Encontrando-se com um amigo em Fortaleza, de nome José Pinho, foi induzido por ele a montarem uma padaria em sociedade, ainda na cidade de Cedro. O ano era 1936 e em sua padaria, Dias Branco produzia pães, biscoitos e (a partir de 1939) o macarrão da marca Imperial para a população de Fortaleza. A Padaria Imperial ficava na movimentada Avenida Visconde do Rio Branco.


Os produtos eram comercializados em todo o interior do Estado. Devido a falta de estrutura da cidade de Cedro, Manuel Dias Branco muda-se para Fortaleza, onde constrói a Padaria Fortaleza (na foto em cima), na Rua João Cordeiro, vendendo todos os negócios que possuía em Cedro.

Em 1940 moderniza a empresa, instalando máquinas para produção do macarrão Imperial e expande seus negócios, formando uma sociedade com seus irmãos José e Orlando, que foram desafiados a vir de Portugal para o ajudar nos novos empreendimentos, criando a empresa M. Dias Branco & Irmãos (O "M." vem de Manoel, o primeiro nome do fundador).

Padaria Fortaleza

Em 1951 a padaria muda de endereço e de nome. A "Padaria Fortaleza" foi transformada numa fábrica de biscoitos e massas, que recebeu o nome de "Fábrica Fortaleza" em 1953 quando Francisco Ivens de Sá Dias Branco entra na sociedade (após uma cisão no negócio entre Manuel Dias Branco e os irmãos), mudando o nome da empresa para "M. Dias Branco & Cia.ltda.".

No ano seguinte a empresa investe em máquinas pesadas e começa a trabalhar em três turnos, lançando em 1954 a bolacha Pepita que foi o seu primeiro grande sucesso.

(Mais informações sobre a empresa no wikipedia, "O Bom Cearense" ou "Biscoitos e Massas Fortaleza")


A aposta na indústria com o filho Ivens Dias Branco

Manuel Dias Branco actuara sempre no comércio. Foi Ivens quem decidiu apostar na indústria. A empresa importou um equipamento novo para produção de biscoitos em outubro de 1953. No ano seguinte, foi lançada a bolacha pepita que foi um enorme sucesso. Trabalharam dia e noite, e foram comprando mais equipamentos e ampliando as actividades de fabricação de bolachas.

Actualmente já não possuem padarias, elas se tornaram clientes do grupo M. Dias Branco com a expansão da fabricação para indústria de alimentos. No início de 2010, o grupo empregava directamente mais de 11 mil profissionais.


Liderança no segmento de biscoitos e massas

O grupo M. Dias Branco foi comprando fábricas que já existiam. Com a aquisição do Grupo Adria em 2003, assumiu a liderança nacional no segmento de biscoitos e massas.

A compra da Vitarella, em 2008, consolidou ainda mais a liderança no mercado, passando a ser líder na fabricação de massas e biscoitos na América Latina (quarto lugar do mundo em massas e o sexto lugar do mundo em biscoitos).

E em Dezembro de 2012 comprou 100% do controle accionista das empresas cearenses Pelágio Participações S/A e J. Brandão Comércio.

Pelágio Brandão, criador da Estrela, e Manuel Dias Branco, fundador de M. Dias Branco, vieram de Portugal [respectivamente de Frossos e Angeja, no concelho de Albergaria-a-Velha] e aqui implantaram seus negócios.

Concorrentes, os dois grupos e as duas famílias mantiveram sempre relações amistosas e isso foi determinante na escolha do comprador.



Ivens Dias Branco distinguido como Personalidade Lojista Nacional 2011

Francisco Ivens Dias Branco recebeu, em Dezembro de 2011, da "Câmara Municipal" de Salvador-Bahia o título de Cidadão Honorário da Cidade.

A Confederação Nacional das Câmaras de Dirigentes Lojistas escolheu Ivens Dias Branco como Personalidade Lojista Nacional de 2011, tendo em conta a invejável posição de liderança latino-americana das indústrias de massas e biscoitos do Grupo M.Dias Branco.

A Revista Época escolheu o industrial luso-brasileiro como um dos cem brasileiros mais influentes de 2011, também por ser o maior fabricante de massas e biscoitos da América Latina. São doze fábricas em sete estados e um dos mais sólidos capitães de indústria do País, sensível à realidade que o cerca.

(Mais informações sobre Ivens Dias Branco em "Portugal sem Passaporte")

Fontes: O Estado (entrevista a Ivens Dias Branco) / Macário Batista / Embaixada-Portugal-Brasil (blog)/ Portugal sem Passaporte / Coisa de Cearense / Fortaleza Nobre / Jocilene Roseo (SAC - M. Dias Branco) / Município de Fortaleza

Outras informações

Manuel Dias Branco recebeu, em 1989, do Estado Português a Ordem do Mérito Agrícola e Comercial, com grau de comendador.

Faleceu em Portugal, em Aveiro, em 25 de Junho de 1995.

Em 2004 foi atribuído o nome de uma Rua e de uma Praça em seu nome na cidade da Fortaleza. E em 2005 passou a ser denominado Bairro Manuel Dias Branco a área anteriormente conhecida por Castelo Encantado em Fortaleza.

Em Junho de 2012 foi descerrada em Angeja, na presença de Francisco Ivens e familiares, uma placa toponímica em nome de Manuel Dias Branco.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

António Santos, Padre (1835-1910)

António Augusto de Oliveira Santos nasceu em 29 de Junho de 1835 em Angeja, filho de António José dos Santos, que foi secretário da administração do concelho e escrivão de direito em Estarreja, e de sua mulher Ana Marques de Oliveira, moradores em Angeja.

Estudou em Aveiro e depois de ordenado padre foi durante longos anos administrador da "Casa de Oliveirinha", da família Côrte-Real, e dai passou para a "Quinta de Taboeira", da família Valente, de onde saiu para vir paroquiar para Angeja.


Aqui, paroquiou desde 1887 a 1895. Foi membro activo do Partido Progressista e dinamizador de tudo quanto acontecia na sua terra natal, colaborou em alguns jornais e revistas católicas, foi co-fundador da Philarmonica Angejense em 1867, da qual foi regente por diversas vezes e protector.

Para além de músico e cantor de bastante qualidade, o Padre António Santos foi também poeta e caricaturista e regente da Música Velha, em Aveiro, nos seus tempos mais novos.

Foi pároco em Frossos desde Janeiro de 1908 até à sua morte em Abril de 1910.

Fonte: Delfm Bismarck Ferreira in jornal "D' Angeja" (adaptado)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Nuno Filipe (pseudónimo de José Manuel Barros), cantor e compositor

Nuno Filipe chamava-se José Manuel Souto Guerra de Barros. Nasceu a 27 de Janeiro de 1947, em Angeja, e faleceu em 2002, em Lisboa.

Começou a interessar-se pela música ainda estudante e enfileirou, desde logo, no grupo dos jovens que procuravam novos rumos para a canção portuguesa. De colaboração com a poeta Maria Teresa Horta.

Deixou apenas quatro discos (3 EP's e 1 single), e ainda 3 canções suas que constituem um EP de Teresa Paula Brito. Sempre a partir de poesia de Maria Teresa Horta.


O seu EP “Nossas Canções” é um exemplo da qualidade que Nuno Filipe desejava para o seu trabalho. É considerado um trabalho notável dentro do rock português (com aproximações ao psicadelismo e prenunciando já algum hard rock, em "As Barcas") da década de 1960 pela destreza e talento com que combinou excelentes poemas de Maria Teresa Horta com a música inspirada de Nuno Filipe.

Na altura, gerou controvérsia a letra de "Cantiga da Manhã", mas passados mais de 40 anos bem precisamos de lavar "os olhos com a sua lã". Ou, como se pergunta em "Canção à Maneira de Saudade” com base em poema de El-Rei D. Diniz": "Notícias aqui do meu país / novas daquilo que se não diz?"


Discografia a solo:

EP "Tema para um Discurso", Philips, 1967
EP "A Feira", Philips, 1968
EP "Nossas Canções/1", 1969, Sonoplay
Single "Nossas Canções/2", 1970, Movieplay

Escrita conhecida para outros artistas:

- Teresa Paula Brito, 3 canções no EP "Minha Senhora de Mim", 1971, Movieplay
- Sexteto Vocal Garvaya, canção "Deserto", 3º lugar no XI Festival da Figueira da Foz, em 1971 (não editada em disco)


Opinião de João Carlos Callixto:

Os 4 discos que ele gravou são de facto algo de muito especial na música portuguesa, e não só à luz da época em que surgiram.

Hoje em dia, surgem perfeitamente enquadrados no cenário pop rock internacional e bem distantes de quase tudo o que cá se fazia.

Curiosidades:

Todas as canções, quer a solo quer para outros, têm poema de Maria Teresa Horta e música de Nuno Filipe.

José Manuel Barros era irmão do jornalista Luís de Barros e cunhado da famosa jornalista e escritora Maria Teresa Horta.

O EP de 1971 de Teresa Paula Brito encontra-se integralmente reposto em CD no volume dos "Clássicos da Renascença" dedicado à cantora.


"Videos" (Youtube)

"Vida, velhice e morte de um fidalgo de Lisboa"
"Ao Rapaz"
"A Feira"
"Retrato de senhora"
"Os Gatos"
"Cantiga a Mulher e a Criança"
"Tema para um Discurso"
"Tema para os Meus Amigos"

Fontes: João Carlos Callixto - Nas Terras do Fim do Mundo / Os Reis do Yé Yé (blog, facebook) / contracapa de EP / Luís Futre / GonçaloMoreno66

Agradecimento especial: João Carlos Callixto

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"Passagem do Vouga - Angeja" de Alberto Augusto de Sousa (1880-1961)



Obra pertencente ao Museu de Aveiro

Fonte: Matrizpix

Alberto Augusto de Sousa

Alberto Augusto de Sousa nasceu em 1880 em Lisboa. Foi um notável aguarelista, ilustrador e desenhador português, foi discípulo de Nicola Bigaglia e de Manuel de Macedo.

O artista colaborou em jornais portugueses tais como: "A Capital", "O Mundo", "Novidades", e "A Républica" entre outros. Destacam-se duas publicações internacionais: "L’Illustration" e "Illustrated Londed News". Ilustrou alguns livros "Pátria Portuguesa", de Júlio Dantas, e "Olivença" de Rocha Júnior e Matos Sequeira entre outros.

Região de Aveiro

Fez o registo dos trajes tradicionais de Aveiro, o aguarelista percorreu Portugal desenhando e pintando as comunidades rurais e urbanas, a sua faina, as festas e as romarias pintou e desenhou capelas, pórticos, claustros e fontes.

Fonte: Terras de Portugal

terça-feira, 7 de junho de 2011

"Oleiros de Angeja" de Eduarda Lapa (1896-1976)


Obra pertencente ao Museu de Aveiro

Fonte: Matrizpix

Eduarda Lapa

Maria Eduarda Lapa de Sousa Caldeira (Trancoso, 15 de Outubro de 1895 — Lisboa, 9 de Setembro de 1976), mais conhecida por Eduarda Lapa, foi uma pintora e professora de pintura.

Esta professora, discípula de José Malhoa (que pintou "O Vouga em Angeja"), tinha uma pintura naturalista, trabalhando também o retrato e a natureza-morta.

Na sua actividade pictórica destacou-se pela excelência na técnica da pintura a óleo e pastel, e no desenho de traço seguro, correcto e elegante. Especializou-se em naturezas-mortas e principalmente em flores, sendo considerada entre os grandes cultores daquele género. Foi sócia efectiva da Sociedade Nacional de Belas Artes e a primeira mulher a integrar a direcção da instituição.

Região de Aveiro

A sua obra apresenta, também com êxito, paisagens rústicas, magníficas marinhas, em especial trechos ribeirinhos. A zona de Aveiro e da Areia Branca proporcionavam-lhe os motivos referentes às gentes do mar, como os pescadores ou os barcos moliceiros da ria de Aveiro, as praias da Torreira, da Costa Nova e da Nazaré.

Captou também as feiras, os palheiros, as ruas e pátios, casas velhas, entre outros motivos. Mas a sua grande paixão era a representação da figura humana, quer em retratos, quer em composição livre.

Fontes: Wikipedia / Teresa Sancha Pereira


Angeja nas palavras de Maria Eduarda Lapa (pintora e paisagista)

Lisboa, 7/7/1937

-----É sempre díficil para mim ter de trocar os pincéis por uma pena: não gira nas minhas mãos inábeis com leveza, como, quando trabalho numa tela de flores ou de água. Angeja! quantos encantos possui e de quantas coisas belas não só nos inspira, como vêm de encontro a nós sem que seja necessário procurar - quanta vez, tanta canceira! Labor díficil para um artista pintor.

-----Angeja, é de uma beleza magestosa - o entardecer é inebriante da poesia, quanto o contemplei, quási com misticismo e adoração!

-----Surgem a cada momento quadros, quadros cheios de interesse que se oferecem aos nossos olhos, como as riquíssimas margens do Vouga... aquele vai-vem dos tradicionais carros de bois atravessando o rio. Evoco claras manhãs, como recordo manhãs de brume tão da minha simpatia!

-----E a povoar essa paisagem de maravilha as figuras animadas, elegantíssimas, das suas lavradeiras.

Fonte: "Angeja e a Região do Baixo Vouga" de Ricardo Nogueira Souto (em Angeja no sapo)