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sábado, 10 de março de 2018

Luís Sequeira e as memórias de sua mãe, Maria Zita, e de São João de Loure


Luís Manuel da Cruz Sequeira nasceu há 53 anos em Toronto, no Canadá, mas tem dupla nacionalidade e um grande orgulho nas suas origens portuguesas.

Vem a Portugal “pelo menos duas vezes por ano” e é em S. João de Loure que se instala para depois visitar cidades como “Porto, Espinho ou Lisboa”.

Candidato aos Óscares, os principais prémios de cinema do mundo, aos BAFTA, entregues pela academia britânica de cinema e vencedor de um "Costume Designers Guild Award" (na categoria de "Excelência em Filme de Época"), prémio atribuído pelo sindicato dos figurinistas dos EUA. E todas estas distinções são referentes ao trabalho feito por Luís Sequeira no filme do realizador mexicano Guillermo del Toro, "The Shape of Water" - traduzido para "A forma da água", em português.

Luís Sequeira à esquerda na foto aquando da celebração do Oscar para melhor filme

"A forma da água" não ganhou o Oscar para melhor guarda-roupa, mas o filme de Guillermo del Toro, que era um dos favoritos aos prémios da academia de Hollywood, com um total de 13 nomeações, venceu em quatro categorias, incluindo as mais importantes de melhor filme e melhor realização.

A carreira de Luís Sequeira enquanto designer de Guarda-Roupa (Costume Designer) inclui séries de televisão como: "Code Name: Eternity", "Being Erica" ou "The Strain". No cinema assinou o figurino de obras como o filme juvenil "Charlie Bartlett" (2007) ou, mais recentemente, de dois filmes de terror: "Carrie" (2013), com Chloë Grace Moretz e Julianne Moore, e "Mamã" (2013), com Jessica Chastain.


Influência da Mãe

A mãe, Maria da Cruz Sequeira (conhecida por Maria Zita), nasceu no Estoril e apenas viveu quatro anos em São João de Loure, de onde são originais os avós de Luís Sequeira.

Quando era criança, Luís Sequeira costumava brincar aos pés da mãe enquanto ela costurava. Divertia-se com os tecidos, botões ou dedais. Apesar de trabalhar num hospital em Toronto, no Canadá, a mãe continuava a fazer roupa, relembrando os tempos em que tinha meia dúzia de mulheres às suas ordens num atelier em Lisboa. Ainda hoje, Luís Sequeira guarda os catálogos com os vestidos de noiva criados por ela, nos anos 50, na capital portuguesa.


"A minha mãe era uma senhora muito bonita, tinha uma grande paixão pela moda e também pelo cinema". "Queria que eu escolhesse uma profissão que desse dinheiro, em vez de ir para a área artística. Mas a minha escolha deu resultado...".

"Dizer que a carreira dela não me influenciou seria mentira, uma vez que as minhas primeiras lembranças são de estar a brincar com os pés enquanto a minha mãe pedalava na sua velha máquina de costura. Depois, um pouco mais tarde, comecei a mexer nas caixas de contas e misturava tudo. Não era muito útil. A minha mãe teve uma grande influência em mim e admiro-a muito. Uma mãe solteira da década de 60, a viver sozinha num país estrangeiro, a criar-me sozinha. Sempre foi uma mulher valente e honrada". "(...) pode parecer um cliché, mas aprendi com ela a não desistir".


Memórias de São João Loure

“Tenho muito boas memórias dos tempos em que íamos a Portugal quando era garoto. Os meus avós maternos viviam numa casinha em São João de Loure [Albergaria-a-Velha]”, recorda. “Ainda tenho essa casa e adoro ir lá”.

"A primeira recordação que guardo de S. João de Loure é estar deitado num ra­mo de eucalipto com a minha avó a arrastar-me pela aldeia. Lembro-me mui­to bem do sol nos olhos e daquele cheiro do eucalipto."

"Bem, já vou parecer um velhote… mas nessa altura não havia muitos carros na aldeia havia mais bois e vacas, mas tenho muitas saudades desse tempo".

"Lembro-me que, na altura, era uma aldeia que me dava muito medo à noite. Era muito sossegada, eu vinha de uma cidade grande e à noite não se via ali ninguém. Só se viam as luzinhas nas portas e aquilo dava-me pesadelos".

Fontes/Mais informações: Diário de Aveiro / Visão (1)(2) / Aveiro.co / Notícias Magazine / Expresso / Elle / Facebook

Obituário em Legacy.com
Luís Sequeira na Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha


São João de Loure 19-04-2018

Alvará para renovação da Casa de São João de Loure

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

João Ferreira Pinto (1895-1961)


João Pinto, comerciante, artista e professor de liceu, nasceu em Albergaria-a-Velha, no Largo Rainha D. Teresa, nos finais do século XIX e aqui decorreu toda a sua vida. Feitos os primeiros estudos, seguindo a tradição familiar, ingressou na morna vida comercial do marasmo albergariense. Mas o seu espírito era o de um artista que, noutro meio, estaria fadado para voos diferentes. Muito jovem ainda, envolveu-se nos grupos culturais da vila e fez parte da Filarmónica, onde aprendeu música e de que veio a ser, mais tarde, regente. Ainda fez parte do grupo "Os Modestos", começando aí a sua faceta teatral.

Na segunda década do século XX é um dos fundadores e o principal animador do grupo "Pró-Albergaria", uma sociedade dramática e musical que vai ter grande projecção cultural, animando serões em Albergaria e povoações vizinhas e mesmo nos concelhos limítrofes. Ele é maestro, compositor e também notável intérprete e ensaiador teatral.

Em 1925 era director da Empresa do Cine-Teatro que ergueu a primeira, bela mas inacabada, casa de espectáculos que houve na vila. Funda então o "Orfeon de Albergaria" de que é regente e ensaiador, distinguindo-se de novo em festas e saraus. Tocava vários instrumentos musicais, mas era sobretudo excelente executante de violoncelo.

Entretanto foi colaborador assíduo, quer em prosa quer em verso, dos periódicos locais, nomeadamente do "Jornal de Albergaria", "Gazeta de Albergaria", "A Gazeta" e "Beira-Vouga", tendo-se distinguido especialmente nas gazetilhas nas quais ironicamente gozava os pequenos "faits divers" da vida local, assinando "Tojon Pião".

Foi co-fundador da Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha (1925), secretário da Assembleia Geral do Sport Clube Alba (1941), Vogal da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia de Albergaria-a-Velha (1954) e proprietário de uma tabacaria e livraria.

Era ainda pintor e paisagista, usando especialmente o carvão, processo então em moda. Foi professor de Desenho dos alunos do Colégio de Santa Cruz, o primeiro que existiu em Albergaria, entre 1927 e 1935 e posteriormente no recém-fundado Colégio de Albergaria.

Era um espírito alegre, crítico e sadio, cheio de bonomia, que viveu metade da sua vida honrada e modestamente como correspondente bancário, esquecido do seu valor que podia ter voado bem mais alto.

Faleceu em 20 de Junho de 1961 em Albergaria-a-Velha.

Fontes: "Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha" de António Homem de Albuquerque Pinho / "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de D. Bismarck Ferreira e R. Vigário

domingo, 10 de dezembro de 2017

"Vou-me Despedir do Rio" evoca memórias de antigos trabalhadores da Fábrica do Caima


O CLDS 3G (Contrato Local de Desenvolvimento Social de 3ª geração) "Albergaria IntegraT"/Prave, em parceria com o Município de Albergaria-a-Velha, apresentou, no passado dia 30 de novembro, no Cineteatro Alba, a curta-metragem documental "Vou-me Despedir do Rio", baseada em histórias de vida de seniores da freguesia de Ribeira de Fráguas.

"Vou-me Despedir do Rio" é realizada por David Gomes e Pedro Cruz e visa resgatar as memórias dos antigos trabalhadores da Fábrica do Caima, bem como recordar o processo de produção do linho, que já teve um papel importante na economia local e constitui hoje uma tradição que é preciso preservar. A produção da curta-metragem está inserida na ação "Uma Vida Uma História", um projeto que visa contribuir para a construção da memória social do Concelho, representando as suas tradições e riquezas.




O documentário conta com a participação de vários seniores de Ribeira de Fráguas, que aceitaram partilhar episódios da sua vida para construir uma narrativa sobre o passado da sua terra. O projeto teve o apoio da Junta de Freguesia de Ribeira de Fráguas, do Rancho Folclórico de Ribeira de Fráguas e da Quinta do Caima.

A curta documental foi selecionada, entre 56 filmes de diferentes géneros, para entrar em competição na 23ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português que se realizou entre 27 de Novembro e 3 de Dezembro, em Coimbra, tendo-lhe sido atribuído uma Menção honrosa para melhor documentário.

Fonte: CMAAV

Trailer: Vimeo


domingo, 10 de setembro de 2017

"Nasci com a Trovoada" - Documentário sobre a vida do cineasta Manuel Guimarães


O Cineteatro Alba apresentou no passado dia 1 de setembro, pelas 21h00, "Nasci com a Trovoada – Autobiografia Póstuma de um Cineasta", documentário sobre a vida e obra do Albergariense Manuel Guimarães (nascido em Valmaior onde seu pai era sócio-gerente da Fábrica de Papel do Prado).

"Nasci com a Trovoada" era um projecto de filme autobiográfico que Manuel Guimarães não chegou a realizar, mas que agora foi concretizado por Leonor Areal. O documentário baseia-se integralmente em materiais de arquivo: filmes, fotografias, artigos de jornal, cartas e diários. Manuel Guimarães é a voz de narrador que nos conduz através da sua vida e obra. Em diálogo com fragmentos dos seus filmes, esta "autobiografia póstuma" assume-se como uma outra ficção.

Na sessão, que contou com a presença da realizadora, foi ainda exibido a curta-metragem “A Terra de o Homem” (1969), de Manuel Guimarães, recentemente recuperado.




Manuel Guimarães (1915-1975)

Manuel Guimarães nasceu em 1915, em Valmaior, e foi o principal cineasta neorrealista do cinema português. Os seus filmes revelam um olhar original sobre a sociedade portuguesa, escolhendo personagens consideradas marginais, tais como saltimbancos, pescadores, vadios, prostitutas, estivadores, jornaleiros. Nelas se espelha uma arte de sonhar, aliada a uma ética da resistência e à capacidade de sacrifício que nunca abandona a esperança.

Manuel Guimarães sofreu amargamente às mãos da censura e viveu alguns períodos de grande dificuldade, sobrevivendo com alguns documentários e diversos trabalhos plásticos. A morte apanhou-o a meio da montagem do seu filme-testamento "Cântico Final", em 1975.

Fonte: CMAAV

Mais informações: Blog Nasci com a Trovoada / Blog Manuel Guimarães

Trailer



 Sinopse do Indie.lisboa

Manuel Guimarães é um dos mais importantes cineastas portugueses mas, ao longo dos anos, o seu trabalho foi sendo esquecido. O único realizador neo-realista do cinema nacional deixou uma obra sem igual, onde retratou duramente a sociedade do Estado Novo e, por isso mesmo, foi vítima da censura. Em 2015, comemoraram-se os cem anos do seu nascimento e a realizadora Leonor Areal (curadora da exposição e retrospectiva Manuel Guimarães – Sonhador Indómito) faz, em Nasci com a Trovoada, a sua homenagem a um artista atormentado, “sempre cheio de dúvidas e de aflições".  

Cinemateca 
 
 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Apresentação da edição nº 3 da revista “Albergue” (05-11-2016)



O terceiro número da revista “Albergue – História e Património do Concelho de Albergaria-a-Velha”,  que promove a investigação, preservação, valorização e divulgação do património concelhio, conta com 16 artigos de diversos investigadores locais e nacionais, bem como a contribuição de um autor brasileiro.

Os artigos publicados abordam variados temas, como a arte sacra, o cinema, a emigração, a política e a religião, abarcando não só o património edificado, mas também o natural, o imaterial e o geológico.


“Manuel Guimarães – O Cinema ou a Vida”, de Leonor Areal,  “Património Natural do Município de Albergaria-a-Velha: Rios de descoberta – A biodiversidade do rio Fílveda”, dos investigadores da Universidade de Aveiro, Milene Matos, Inês Silva e Nuno Lopes-Pinto, e “As Mamoas do Taco (Albergaria-a-Velha) – Recuperação e Valorização Patrimonial”, de Pedro Sobral de Carvalho e Vera Caetano são alguns dos artigos que podem ser encontrados neste mais recente número da revista Albergue.

Pela primeira surge um artigo de um investigador estrangeiro, o brasileiro Wanderlei de Oliveira Menezes, com um estudo biográfico intitulado “A trajectória de José Álvares Ferreira (1737-1810) – Um albergariense e a carreira da magistratura no Reino e Ultramar Português”.

A revista apresenta uma rubrica nova, “Notas soltas”, dedicada a referências sobre Albergaria e a sua região, no domínio da Cartografia, bem como uma referência final, bibliográfica, sobre os artigos publicados nos números anteriores.


Capa

A imagem de capa é um retrato a óleo de Bernardino Máximo de Albuquerque existente no Salão Nobre dos Paços do Município, sendo uma forma de homenagear aquele que foi provavelmente o principal autarca Albergariense de todos os tempos, e que marcou a viragem do século XIX para o século XX, bem como a transição da Monarquia para a República, e que dá o nome à principal Avenida do Concelho, que liga os Paços do Concelho ao antigo Hospital.

O autarca, natural de Silva Escura, concelho de Sever do Vouga, é citado em dois artigos, um sobre a Casa do Outeiro ou da Rua de Cima em Albergaria-a-Velha, que era de sua propriedade, e outro sobre o período de anexação do Concelho de Sever do Vouga por Albergaria-a-Velha (1895-1898), em que ele era o Presidente da Câmara.


Três primeiros números da Revista Albergue

Delfim Bismarck esclareceu que no conjunto dos três números da revista Albergue, são apresentados artigos de 33 autores, num total de 38 artigos e 899 páginas publicadas, com 625 imagens distintas do Concelho.

Futuras edições

Estão em preparação duas obras sobre a participação dos Albergarienses na I Guerra Mundial (1914-1918) e na “Guerra do Ultramar” (1961-1974).

Fontes: CMAAV / Ribeirinhas  TV (Video) / Facebook

domingo, 10 de julho de 2016

Festival “Talabrigae Ex Libris” em Soutelo, Branca


O Parque de Porto de Riba, em Soutelo, Branca, foi palco do primeiro Festival Romano “Talabrigae Ex Libris” nos dias 24, 25 e 26 de junho. O evento organizado pela APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Albergaria-a-Velha teve por objectivo fomentar o gosto pela cultura clássica e valorizar o seu legado na sociedade actual.

O tema central do Festival foi o assalto à Aldeia Lusitana, onde os soldados romanos batalharan pela conquista de Talabriga. Ao longo dos três dias, os visitantes puderam conhecer o quotidiano do acampamento e a preparação para o ataque. Desde o recrutamento de homens até ao assalto final, passando pelas emboscadas e pela tomada de prisioneiros.


Para além da campanha militar, o “Talabrigae Ex Libris” procurou mostrar como os habitantes do Império Romano ocupavam os seus dias há dois mil anos, tendo sido incluídas lutas de gladiadores, oferendas aos deuses, uma ida às termas, bem como demonstrações dos ofícios da época.

Num espaço superior a 1 hectare, foi construído um forum, um arco de triunfo, um anfiteatro, umas termas, uma albergaria, uma aldeia celta, um cais, uma torre de vigia, entre outras, onde decorreram as recriações e demais actividades.


O programa incluiu ainda a apresentação das peças de teatro clássico “Rei Édipo”, de Sófocles, e “Anfitrião”, de Plauto. As duas peças foram precedidas pelo desfile de bacantes “Do Caos ao Cosmos”.

O Festival “Talabrigae Ex Libris” contou com o apoio do Município de Albergaria-a-Velha, da Junta de Freguesia da Branca, da Universidade de Aveiro, do Turismo Centro de Portugal e do “Albergaria Integra’T” – Contrato Local de Desenvolvimento Social.


As diversas recriações históricas e animação de rua foram dinamizadas pela Muda’te – Companhia de Artes Performativas da Jobra, pela AlbergAR-TE – associação cultural e pela Viv’Arte – Companhia de Teatro.

Talábriga

Talábriga é uma importante cidade romana, referenciada na literatura da época, como estando situada entre Douro e Vouga. Vários historiadores e arqueólogos, desde o início do século XX, têm situado a cidade na Freguesia da Branca, muito possivelmente na aldeia de Cristelo. Contudo, os vestígios de ocupação romana encontrados em escavações na década de 1980 foram inconclusivos. A localização de Talabriga permanece um mistério.

A ideia desta iniciativa, organizada pela APPACDM de Albergaria-a-Velha, surgiu no decorrer de outro evento no espaço do Porto Riba, pelas características envolventes e pela importância do legado romano no nosso concelho em especial no Lugar de Cristelo e no Monte de S. Julião.

Fontes: CMAAV / Ribeirinhas.TV / Albergariótipos / Página oficial do Festival / Correio de Albergaria

quinta-feira, 10 de março de 2016

Cine Teatro Alba - a sua história


De acordo com António Homem Albuquerque Pinho, a história dos cine-teatros em Albergaria terá o seu início em 1869, num prédio adaptado “fronteiro à Casa de Santo António” onde se “realizaram várias récitas de amadores locais”. Durante cerca de 50 anos, foram várias as tentativas, e os intervenientes, para a construção de um Teatro na “Praça Nova”, que “estava a ser aberta”, hoje o centro da Cidade.

Já na segunda década do século XX, “o reorganizado Grupo dos Modestos impulsionado pelo seu presidente, Dr. Bernardino de Albuquerque, consegue fazer erguer um grande edifício, com uma bela e imponente fachada Arte Nova, da autoria do consagrado arquitecto aveirense Silva Rocha”. O Teatro “abriu pela primeira vez ao público no Carnaval de 1924, inacabado como sempre ficou” sendo “pólo de cultura e divertimento, durante duas décadas, na arte dramática, no cinema e em festas, entre as quais as do renomado Carnaval Albergariense”.


Com 2ª Guerra Mundial vem a morte do Cine-Teatro, pelo que corria já o ano de 1945 (15 de Março) quando a Câmara Municipal “delibera mandar fazer as obras necessárias no Teatro desta Vila para que o mesmo possa servir para o funcionamento de Tribunal desta Comarca”.

Porém, alguns dias depois (5 de Abril), o mesmo executivo Municipal, sob a presidência do Dr. Bernardino Albuquerque, decidiu pôr à venda o Teatro.

A 15 de Outubro de 1945, começava-se a escrever, então, a história do Cine-Teatro Alba, com a adjudicação, por oitenta mil escudos, à firma com o mesmo nome, do antigo Teatro da Vila, sendo sócios e proprietários Augusto Martins Pereira e Américo Martins Pereira. Detentor de iniciativa, dinamismo e visão invulgares, Américo Martins Pereira, filho do primeiro, rapidamente apresentou requerimento pedindo licença para a demolição do Teatro existente e construção, no mesmo local, dum novo edifício, o Cine-Teatro Alba.


O projecto do novo edifício foi entregue ao engenheiro e arquitecto Júlio José de Brito, autor de outros projectos similares (Rivoli Teatro Municipal, Porto; Cine-Teatro S. Pedro, Espinho; Teatro Jordão, Guimarães), com o custo de vinte e cinco mil escudos.

Entre 1945 e 1950, num ambiente de grande entusiasmo e envolvimento dos proprietários, colaboradores e trabalhadores das Fábricas Alba, ergueu-se uma obra magnífica, com muitas particularidades, plena de histórias e experiências únicas, num investimento de 3 331 964$76. Porém, a história desta obra ficara marcada pela morte prematura do seu grande mentor e impulsionador, Américo Martins Pereira, em Setembro de 1949, em consequência de uma intervenção cirúrgica, em Lisboa.


Num ambiente de festa contida, pela perda do “obreiro principal desta realização magnífica”, o Cine-Teatro Alba é inaugurado a 11 de Fevereiro de 1950, assumindo-se como uma “das melhores, mais modernas e mais luxuosas casas de espectáculos do País”. Dotado de excelentes condições técnicas, foi palco de um enorme repertório cultural, com a passagem de muitos dos nomes mais sonantes do teatro e da revista. O cinema teve um papel preponderante na dinamização do Cine-Teatro, as famosa máquinas “Gaumont Kalle 21” projectaram os filmes de sessões inesquecíveis para algumas gerações de jovens albergarienses.


Depois de cerca de três décadas de glória, nos anos 80, o Cine-Teatro Alba começa a definhar, quer
em termos físicos, quer técnicos, quer de programação, esta última muito pelo manifesto declínio da actividade cinematográfica, um pouco por todo o País, aventando-se o seu fim, total ou parcial.


Depois de várias diligências, a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha deliberou adquirir o Cine-Teatro Alba por 75.000.000 de escudos, sendo celebrada escritura de compra e venda a 28 de Julho de 1995, estabelecendo um Acordo de Cooperação com o Ministério da Cultura, assinado a 18 de Fevereiro de 1997 pelo Dr. Rui Marques, que lhe garantiria uma comparticipação de 37.500.000 de escudos.

A 3 de Maio de 1997, o Cine-Teatro Alba retomou a sua actividade, ainda que sem programação regular, servindo, especialmente, os agentes locais.


Em 2002, o novo Executivo autárquico, sob a presidência do Prof. João Agostinho Pereira, dá início a um novo processo, tendo em vista a requalificação do Cine-Teatro Alba, estabelecendo contactos com os diferentes organismos do Estado no sentido de garantir o apoio, técnico e financeiro, necessário para a concretização daquele objectivo.

A 27 de Abril de 2012, depois de vinte meses de trabalhos de restauro e requalificação, num investimento de cerca de 3,2 milhões de euros, o Cineteatro Alba (re)abre as portas ao público com a ambição de ser uma nova referência de produção artística e fruição cultural na região e no país, um Projeto do Arquitecto Rui Rosmaninho.

Fontes/Mais informações: Sítio do Cine Teatro Alba / Videos "Memórias do Cine Teatro Alba" (1) (2











quinta-feira, 24 de abril de 2014

"Alba, uma marca ao serviço da comunidade" em documentário


"Alba, uma marca ao serviço da comunidade" é o nome do documentário que o Cineteatro Alba vai exibir na noite de 29 de abril, pelas 21h00, e que constitui uma obra imprescindível para conhecer um período importante da História recente de Albergaria-a-Velha.

Este documentário retrata a história fascinante da empresa e da marca Alba, um caso exemplar e pioneiro no panorama da indústria portuguesa. É um percurso centenário, norteado por um espírito empresarial inovador, aventureiro, solidário e humanista, colocando o sucesso ao serviço da comunidade, tornando-se assim factor de agregação de uma região e evitando a exclusão social.


A Fábrica Metalúrgica Alba está intimamente ligada à vida dos concelhos de Albergaria-a-Velha e de Sever do Vouga – desde o princípio do século XX – pela sua notável acção económica, social, cultural e desportiva. Relaciona-se também com a identidade colectiva nacional, através das peças domésticas e do mobiliário urbano que inundaram o nosso quotidiano a partir dos anos 20 e que também se projectaram além-fronteiras.

A concepção e construção integral – motor incluído – de um automóvel de competição genuinamente português é um feito histórico que tem sido pouco divulgado e que aqui merece o devido realce. As gravações que foram efectuadas com o carro Alba marcam, também, a última vez em que nele andou António Augusto Martins Pereira, o seu inventor.

Alba, uma marca ao serviço da comunidade constitui uma justa homenagem ao verdadeiro mentor do projecto Alba – Comendador Augusto Martins Pereira – e às várias gerações da família que lhe deram sequência, nomeadamente António Augusto Martins Pereira, seu neto, que faleceu em Janeiro de 2013 e cujo depoimento foi gravado poucos meses antes da sua morte.

Fonte: CMAAV

Mais informações 

sábado, 10 de novembro de 2012

A História, sem as pessoas, perde a sua magia !


“Não nos interessava fazer um catálogo só sobre a construção; as memórias do Cine-Teatro Alba são as memórias das pessoas!”. Perante uma plateia constituída por alguns dos munícipes que ajudaram a construir o Cine-Teatro Alba, na década de 1940, e de muitos familiares e amigos, Paulo Monteiro, Técnico do Arquivo Distrital de Aveiro, explicou as linhas que nortearam a preparação da exposição de abertura do renovado Cineteatro e a elaboração do Catálogo “Alba: Memórias do Cine-Teatro”, cuja apresentação decorreu na tarde de 28 de outubro.

Fruto de uma parceria entre a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha e o Arquivo Distrital de Aveiro, este trabalho dá-nos uma perspectiva real do período de construção do Cine-Teatro e dos seus primeiros anos de actividade. Para além da pesquisa documental e fotográfica, foram efetuadas inúmeras gravações dos depoimentos das pessoas que trabalharam e se divertiram no Cine-Teatro Alba nos seus primeiros tempos. “Este foi um trabalho vastíssimo, que contou com o vosso empenho, as vossas vivências, as memórias retiradas do baú”, afirmou Paulo Monteiro, tendo, ainda, acrescentado que “a História sem as pessoas perde a sua magia!”.


Duarte Machado, colaborador activo do Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha, e um dos responsáveis por este trabalho de recolha de testemunhos e registo de memórias, explicou que, durante a elaboração do Catálogo, houve momentos de uma comoção muito grande, não só de quem fazia o relato, mas também de quem escutava. Na sua intervenção, destacou, ainda, o papel importante de Américo Martins Pereira, para quem o Cine-Teatro Alba era a menina dos seus olhos; “as pessoas de Albergaria devem dar o justo valor a este senhor, pois ele bem merece.”

Após a contextualização e apresentação do Catálogo, houve a projecção do filme que acompanha esta edição, tendo o Presidente da Câmara Municipal, João Agostinho Pereira, oferecido exemplares aos munícipes que contribuíram para a concretização deste trabalho. (...)

O Catálogo “Alba: Memórias do Cine-Teatro”, é uma edição limitada de 1.000 exemplares numerados, e pode ser adquirido no Cineteatro Alba, na Biblioteca Municipal ou no Arquivo Municipal pelo preço de 15 euros.

Fonte: CMAAV (adaptado)


Depoimento de  Maria Celina Lopes de Carvalho (em jornal "Beira Vouga")

“Éramos 12 moças e tínhamos muito orgulho em trabalhar no Cine-Teatro Alba. As salas estavam sempre cheias, os filmes eram muito bons e as pessoas eram muito delicadas e selectas. Foi no Baile de Carnaval do Cine-Teatro Alba que conheci o meu marido. Era uma grande alegria, um ambiente muito bom”.

Quem recorda é Maria Celina Lopes de Carvalho que, aos 15 anos, trabalhou no bengaleiro do antigo Cine Teatro Alba. Hoje, com 77 anos, restam-lhe as lembranças. Memórias que, recentemente, foram reunidas no Catálogo “Alba: Memórias do Cine-Teatro”, fruto de uma parceria entre a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha e o Arquivo Distrital de Aveiro.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

João de Pinho (1871 - 1939)

Natural de Albergaria pertencia à família da célebre e bi-centenária Estalagem dos Padres. Era um artista: desenhava, pintava e era fotógrafo amador quando esta arte dava os primeiros passos no País.

Foi grande animador e criador dos carnavais de Albergaria, no primeiro quartel deste século, quando eram os mais célebres de todo o Distrito. Criou, ensaiou, representou e fez cenários para os grupos de teatro dessa época, os quais eram uma marcante e quase única actividade cultural e aglutinante da sociedade regional.

Em 1896, com 25 anos, fundou e dirigiu o jornal "Correio d'Albergaria" que durou até 1908. Neste jornal, e ainda nos finais do século passado, desenvolveu uma longa campanha ecológica contra a poluição do Rio Caima feita pela fábrica do Carvalhal que começava a matar o rio e os campos marginais.

No jornal lançou a ideia de uma manifestação no centro da vila que aglutinou as gentes ribeirinhas para a defesa do rio e obteve um tal impacto que obrigou o Governo Civil de Aveiro com forças policiais a impedir tal manifestação. Há 90 anos, a sua preocupação era acertada - o rio hoje está morto.

Lançou a primeira colecção de 14 postais ilustrados de Albergaria, em 1908, com clichés [fotos] por ele realizados em 1907 e 1908 e mandados imprimir em Paris.

Dedicou-se à busca de documentos sobre a história da região, muitos dos quais publicou no "Jornal de Albergaria", bem como publicou um pequeno volume, no começo do século, sobre o Convento de Serém e as ligações constantes dos seus frades com Albergaria. Foi tesoureiro de Finanças em Albergaria e em outras vilas e cidades.

Faleceu no Hospital de Águeda, em 1939 e o seu corpo está em Jazigo Familiar, em Albergaria-a-Velha.

Fonte: António Homem de Albuquerque Pinho, "Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha"

quarta-feira, 9 de março de 2011

Origens do Carnaval em Albergaria-a-Velha

As primeiras notícias conhecidas sobre a realização de cortejo carnavalesco em Albergaria-a-Velha datam do final do século XIX, mais concretamente a partir de 1897, altura em que os festejos se realizavam na Rua de Santo António.

Foi a partir desta data que estes festejos foram evoluindo na vila, com maior destaque nos anos de 1903, 1904 e 1908, principalmente deste este último em virtude da fundação do grupo “Os Modestos”.

Este grupo foi fundado pelo Dr. Bernardino de Albuquerque, João Fortunato de Pinho, Albérico Marques de Lemos, Albérico Henriques Ribeiro, Eugénio Ribeiro, José Augusto Machado, José Gil de Lemos, entre outros, e dedicou-se ao teatro e à organização de carnavais.

Desde então, o Carnaval de Albergaria-a-Velha passou a tomar proporções fora do vulgar e renome que atraía pessoas de todo o distrito. (…)

Fonte/Mais informações: "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Vigário

Mais informações sobre o Carnaval e Mais fotos


Velhas tradições foram recordadas no Carnaval (2011)

Sob a orientação de um técnico do Arquivo Municipal, leram-se notícias antigas dos finais do século XIX e primeira metade do século XX sobre o Carnaval e os participantes puderam apreciar velhas fotografias sobre a temática.

Os mais velhos, com as lembranças despertas, recordaram as brincadeiras de antigamente, tais como os “assaltos” às casas da localidade e a “batalha das flores”, em que as meninas, sem autorização para se misturarem com os rapazes nas ruas, atiravam flores das varandas aos pretendentes.

Quanto aos disfarces, eram confeccionados pelas próprias pessoas, sendo o mais importante esconder a identidade da pessoa; hoje, pelo contrário, tudo é comprado e as crianças querem ser reconhecidas nos papéis de super-heróis, princesas ou monstros.

Fontes: CMAV (adaptado)/ Facebook

Agradece-se informações adicionais sobre a história do Carnaval em Albergaria-a-Velha(em comentários ou blog.3850@yahoo.com)