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domingo, 10 de fevereiro de 2019

100 anos da Monarquia do Norte (1919-2019) - Lembranças duma Campanha do Vouga

Oficiais do batalhão comandado pelo Autor deste texto (Belisário Pimenta)

Nos dias tristes e pesados deste último inverno (...) muitas vezes me surgia à memória um outro inverno mau em que sucessos graves da nossa vida política me levaram a suportar as suas inclemências. (...) as evocações iam para o Vouga (...) junto do qual exerci, modestamente e ignoradamente, funções militares em ocasião bem desagradável para a nossa história contemporânea. (...)

(...) o Caima, perpendicularmente, forma uma linha de defesa da crista que sobe de Albergaria para o norte e intercepta a estrada de Viseu a leste desta última vila. (...) embora o atravessem com mais pontes, parece ser a linha natural de separação entre as regiões que constituem as zonas de influência do objectivo principal Coimbra-Lisboa e do objectivo menor que é o Porto.

Por tudo isto, os primeiros actos foram o que foram: do norte, a intenção de chegar depressa ao Vouga; do sul, a resolução rápida de manter, dentro do possível mas custasse o que custasse, as passagens do rio.

Aspecto da Região do Vouga
Foi, de começo, uma defesa simples, quase elementar; a surpresa dos sucessos do Porto, dias antes, não dera tempo a preparação de resposta eficaz. E foi em Esgueira, no cruzamento das duas estradas que correm para o Vouga, que me estabeleci e assumi o comando das poucas forças de que, no momento, se dispunha.

Eram elas: uma companhia de Infantaria 24, saída do quartel de Aveiro que vigiava e defendia a estrada para Eixo; outra, constituída pelo pessoal do 3.º batalhão daquele regimento (o de Ovar) postou-se na de Angeja; e a de Infantaria 23 que tinha ido comigo, ficou como reserva em Esgueira; a bateria incompleta de artilharia, instalou-se num pinhal adiante desta povoação para bater as pontes a norte de Cacia.

Assim se passaram dois dias, em vigilância aturada, em pesquisa dos movimentos contrários e na expectativa desagradável de qualquer surpresa que se não pudesse evitar − até que, em 24 de Janeiro, ao mesmo tempo que se sabia que as forças contrárias se aproximavam de Albergaria e de Salreu, em colunas separadas, começaram a chegar reforços e, por consequência, a intensificar-se a defesa que tão precária era.

Casa de São João Loure que serviu de quartel general dos republicanos

Uma destas forças chegadas foi para a margem direita do Vouga com missão de vigiar e inquietar a coluna monárquica que vinha na direcção de Albergaria; e outra força que possuía duas metralhadoras ligeiras, foi defender a ponte de São João de Loure.

As que já estavam, isto é, as duas companhias de infantaria 24 que eu comandava, foram para Cacia, uma para o apeadeiro e ponte do caminho de ferro; a outra para a estrada e ponte de Angeja; ambas com missão de defender estas passagens do rio e de manter vigilância contínua na margem esquerda desde o esteiro até Tabueira onde começava a vigilância da força da ponte de Loure. (...)

Em 26, já instalado, desde manhã, em Cacia, numa casa de pescadores ao cimo do lugar, tive conhecimento de que alguma cavalaria das forças revoltadas entrara em Angeja e uma companhia de 200 homens de infantaria estava a caminho desta vila; e na manhã seguinte, em que caiu pesado nevoeiro sobre o vale, sentiu-se na outra margem rodar uma coluna de artilharia. (...)

Oficiais que participaram nas operações do Vale do Vouga (IP)

Quase a seguir, surgiram as primeiras forças de infantaria do outro lado da ponte de madeira com intenção aparente de a transporem − mas o fogo da companhia que a guardava não deixou continuar o avanço e forçou aquelas a abrigarem-se convenientemente.

Começou, então, o tiroteio, que foi constante durante o dia entre as duas infantarias dum e outro lado da ponte, com mais intensidade de lá do que de cá, onde havia ordem de economizar munições; a artilharia contrária fez cerca de 40 tiros, espaçados, sem resultado além de uma ou outra árvore derrancada nos altos de Cacia. (...)

No dia seguinte, 28, a situação manteve-se quase na mesma; o fogo começou muito cedo, ainda de noite, com intensidade por vezes; a divisão de artilharia adversa que se via bem, no alto de Angeja, fez cerca de 30 tiros, vagarosos, mas mais certeiros do que na véspera: um deu na estrada, a 50 metros aquém da ponte de madeira; outro no encontro da ponte do caminho de ferro que ficou levemente danificada  (...)

Ponte de Angeja de madeira

A cheia do Vouga crescia a olhos vistos; os barcos (que, previdentemente, se tinham recolhido quase todos à margem esquerda, dias antes) teriam difícil manobra por a corrente ser impetuosa; a ponte de madeira era alvo bem visível e de fácil referência; e as tropas contrárias continuavam postadas na margem oposta, a pequena distância, e mais ou menos abrigadas.

Qualquer movimento feito de cá, teria que ser, pois, a descoberto − e por muito ardil que se empregasse sê-lo-ia com êxito?

O problema não era, por consequência, somente de ordem militar. E a chuva continuava, miúda, densa, com aspecto, por vezes, de nevoeiro cerrado; nada se via para pouco mais além da outra margem − e o ataque que se começou, nas alturas de Frossos, e de que se ouvia o tiroteio, continuava indeciso.
Alto de Angeja onde estiveram instalados os revoltosos

Mandei, contudo, tentar o conserto da ponte de madeira; mas mal o trabalho começou, veio uma granada rebentar sobre o ajuntamento com razoável pontaria. (...)

(...) fizeram-se dois reconhecimentos: um, constituído por pequenas forças de infantaria e de marinheiros, seguiu oculto pela linha férrea e, através dos esteiros, chegou às portas de Angeja; outro, formado por pequena patrulha de infantaria, atravessou o rio em barco, escondido pela ponte de madeira e conseguiu furtar-se às vistas das forças da margem direita até quase ao fim do chamado túnel de Angeja (...)

O combate, na margem direita, manteve-se indeciso, não conseguiu o objectivo determinado; a noite caía e o comandante do destacamento, conforme novo plano, mandou seguir para Loure uma das companhias (a que estava no apeadeiro de Cacia) e deu-me nova missão que eu fui receber na noite de 29 para 30, ao Quartel do comando em Loure, enquanto nas ruas e estradas caíam as maiores bátegas de água que é dado ouvir nestes climas considerados amenos.

Margem direita do Vouga - Pateira de Frossos

Recebi, nessa noite de 29 para 30 de Janeiro, a missão de, no dia seguinte, ainda com o lusco-fusco, fazer aparecer a leste de Frossos, na altura da estrada Loure-Albergaria, três companhias de infantaria: uma do regimento n.º 5, outra, mista, dos regimentos 28 e 35; e outra (que mantive em reserva) do regimento 24 que viera, de noite, de Cacia.

O aparecimento destas forças, ao romper da manhã, conjugado com o ataque de frente, feito pelas forças que, à minha esquerda, deveriam seguir na direcção sul-norte, ao longo da estrada S. João de Loure-Angeja, tinha o objectivo de simular o corte de comunicações com as forças monárquicas que operavam pelas alturas de Albergaria e o possível flanqueamento das posições de Angeja. (...)

À direita, para os lados de Albergaria, o outro destacamento ocupou novas posições à frente e avançava com segurança. O êxito do movimento acentuava-se e as deslocações iam-se fazendo − quando recebi ordem para retirar e reunir as minhas forças na povoação do Eirol, na margem esquerda do Vouga. (...)

Ponte da Rata, Eirol (concelho de Aveiro)

Desci a S. João de Loure, atravessei a ponte, cortei à esquerda pela E. N. n.º 45 e subi pela calçada estreita e em curvas para essa pitoresca povoação do Eirol, assente em terras altas que dominam o vale e a passagem sobre o Águeda que eu ia encarregado de defender. (...)

No dia seguinte, já os campos se alegravam com o sol quase às soltas no céu com poucas nuvens, recebi a comunicação de que a nossa cavalaria, ao explorar a margem direita, na direcção de Angeja, verificara a saída das tropas contrárias desta vila e a sua marcha normal para o norte, na direcção de Estarreja.

Estávamos, pois, de novo, senhores da margem direita; e na tarde desse dia 31 entrei com o meu batalhão em Angeja e tomei as posições de apoio a outro batalhão já nessa altura em postos avançados na linha Fermelã-Sobreiro (...)


Durante os nove dias que se seguiram, o batalhão fez o serviço de postos avançados, de apoio ou de reserva, consoante a escala, na região ao norte de Angeja; lançou reconhecimentos pelos quais se concluía que os adversários tinham muito pouca gente na povoação de Salreu e só em Estarreja tinham maior número.

Nestes nove dias, o comando superior das forças em operações esteve a organizar melhor os dois destacamentos que operavam ao longo das estradas Aveiro-Ovar e Águeda-Oliveira de Azeméis − e por isso se chamavam vulgarmente os destacamentos de Aveiro e de Albergaria.

Era já o caminho (como teria dito o ilustre comandante Rocha e Cunha) para o estado positivo.

Em 9 de Fevereiro, à noite, planeou-se o ataque a Salreu como base para atacar Estarreja que se julgava ser (como, de facto, foi) o último reduto da resistência adversa.

Exposição sobre "Monarquia do Norte" em Estarreja
O plano era simples: o 1.º batalhão do destacamento seguiria pela estrada Angeja-Estarreja; eu, apoiando a minha-esquerda na direita desta unidade, seguiria pela estrada Angeja-Albergaria até ao Sobreiro onde transporia a linha dos postos avançados para realizar a marcha na direcção norte, com o fim de ocupar a linha determinada pelos lugares de Soutelo-Campinos de Salreu e obrigação de estabelecer ligação constante à direita com o destacamento n.º 2 (Albergaria).

Realmente, na manhã de 10, nevoenta, com prenúncios de chuva, começou-se a marcha, algum tanto demorada por deficiências técnicas da sua preparação (...) pela tarde, cerca das 15 horas e meia, depois de várias peripécias sem importância para o conjunto, conseguiu-se alcançar o objectivo, e, até, na direita, ultrapassá-lo um pouco, por engano, nas alturas da povoação do Soutelo. (...)

A vila de Estarreja era, naquela zona, o último reduto da resistência; as forças adversas retiraram para o norte e a acção perdeu todo o interesse, porque a retirada era patente e a reviravolta no Porto, em 13 de Fevereiro, veio rematar a contenda. A 16 do mesmo mês, as forças reunidas entraram no Porto entre aclamações e músicas.

Fonte: Extractos de Artigo de Belisário Pimenta (1936) (em site "Arquivo do Distrito de Aveiro")

sábado, 10 de novembro de 2018

Demolição da antiga taberna do Raúl



(...) concluíram-se na passada quinta-feira os trabalhos de demolição da casa que todos conhecíamos como a taberna do Raúl do Cubo. Este estabelecimento comercial foi, no seu auge, uma das mais conhecidas e frequentadas casas de pasto da região. Situado no lugar do Cubo, no limite norte da freguesia e sobre a margem direita do Vouga, observava-se das suas pequenas janelas o espreguiçar do rio ao longo da praia dos Tesos para depois, seguir viagem por Angeja, rumo à ria de Aveiro.

Durante dezenas de anos, ali trabalharam e geriram o seu negócio o Sr. Raul da Silva Amaro e a Sra. Maria sua esposa. Serviam-se refeições, petiscos, vinho, cerveja. Eram muito apreciados, entre outros, rojões à lavrador, o peixe frito pescado no rio e na pateira de Frossos, e, como iguaria, os ruivacos.

Naquela casa - paragem “obrigatória” de operários, camponeses, proprietários, pequenos industriais e negociantes – se fecharam muitos negócios entre os frequentadores: Fosse a venda de pinhais, o cevado, a vaca ou vitela, etc...


Além da boa fama granjeada na região, esta taberna contribuiu para o desenvolvimento da economia local, uma vez que dava emprego a algumas pessoas e muito do peixe de água doce ali consumido, era adquirido à comunidade de pescadores residente no Cubo.

Com a cessação de actividade por parte do Sr. Raúl, o negócio foi trespassado uma vez, outra e outra vez. Nunca mais voltou a ser o mesmo!... E, de mão em mão, acabou por se transformar numa casa de alterne. Até que, há vários anos atrás, foram encerradas as portas, para nunca mais se abrirem.

A degradação evidente do edifício, o eminente estado de ruína, o local de implantação em zona protegida, e a fealdade e má qualidade arquitectónica determinaram o seu fim na tarde do dia 8/11/2018. Como em tudo na vida há um princípio, um meio e um fim!

Estiveram bem as autoridades que procederam ou determinaram a demolição preventiva. Continuem!

Fonte: Francélio Vouguense - Frossos (em facebook)

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Natália de Jesus preserva a tradição das esteiras de bunho de Frossos


Em meados do século XX, as esteiras de bunho eram o “ganha-pão” de muitos habitantes de Frossos.

Natália de Jesus tem 73 anos e trabalha o bunho desde os 13 anos, tendo aprendido a fazer esteiras de bunho com a sua mãe. Em 1975, quando se casou, deixou a actividade de esteireira, para se dedicar à agricultura.

Em 2004 decidiu voltar a fazer as esteiras em bunho. Natália de Jesus possui um terreno na zona lagunar da Pateira de Frossos, onde recolhe o bunho, que depois é selecionado e seco.


Esta actividade não é muito lucrativa, pois ocupa muito tempo, desde cortar, limpar, estender, trazer para o palheiro e depois dobrá-lo, pelo que o seu objectivo é essencialmente mostrar como se fazia antigamente.

As esteiras são feitas em casa num tear de pedras, ou “Burro” (por ter 4 pernas), cuja particularidade é ter pedras nas pontas dos fios que entrelaçam o bunho.

A artesã é presença habitual em feiras, exposições e certames e gosta de trabalhar ao vivo para difundir o saber, a tradição e a identidade cultural da terra onde nasceu.

 

Bunho

O bunho (Schoenoplectus lacustris) é uma erva nativa da Europa, comum em áreas húmidas e alagadiças. O bunho era predominante em zonas ribeirinhas de Portugal, podendo medir até 3 metros de altura. A apanha era feita à mão, com o auxílio de uma gadanha, para preservar as suas potencialidades.

Em relação a outras regiões do distrito de Aveiro, Albergaria-a-Velha tinha a vantagem dos seus terrenos terem grande abundância desta erva.


Finalidades

Antigamente os colchões eram de palha e as camas de ferro. A esteira era colocada por baixo do colchão para não o deixar estragar.

Mas as esteiras tinham outras finalidades. Havia esteiras maiores que serviam para tapar o milho ou o feijão que se encontravam nas eiras; esteiras para colocar no chão da cozinha; e esteiras mais vulgares para quando morria alguém, pois era usual as pessoas saírem da cama e irem para cima de uma esteira.

No concelho de Albergaria-a-Velha não era tão habitual a venda para servir de acondicionamento de produtos. Natália de Jesus apenas vendeu para as fábricas ALBA, durante alguns anos, para embalar prensas e bancos. Na região de Veiros (Murtosa) é que essa prática era mais comum.

Actualmente, as esteiras são utilizadas como decoração, sendo vendidas no mercado tradicional.


Certificação

A produção tradicional de esteiras de bunho foi recentemente certificada pelo IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional.

O processo de certificação junto do IEFP teve início após a participação de Natália de Jesus na oficina “Apoios ao Artesanato”, que decorreu em maio, na Incubadora de Empresas de Albergaria-a-Velha. A equipa do CLDS Albergaria Integra'T, que organizou a acção, preparou toda a documentação inerente ao processo e, em Setembro, a artesã de Frossos foi a primeira participante da oficina a ver a sua actividade certificada.

Fontes: Localvisão / CMAAV

segunda-feira, 20 de junho de 2016

José Azevedo Gonçalves, comendador (1947-1996)


Natural de Frossos, era emigrante desde 1961 depois de ter passado clandestino por Paris. Metz foi o ponto de passagem, mas cedo foi encaminhado para o Grão-Ducado do Luxemburgo.
No Luxemburgo passou 14 anos, bem penosos, a trabalhar, desde servente até mestre de Construção Civil, após ter tirado um curso de Desenho.

Após Gilsdorf, onde explorou o seu primeiro estabelecimento comercial, transitou para Diekirch, e de um velho estabelecimento consegue erguer um centro de relevo hoteleiro na Rua da Gare, nº 33, onde a ementa privilegiava o Leitão, o Cozido à portuguesa e a Chanfana.

Foi-lhe atribuída a Comenda da Ordem do Infante no mandato do General Ramalho Eanes. Mas não gostava que o tratassem por “Sr. Comendador”. Ele era apenas o “Zé Gonçalves”, um emigrante de sucesso, respeitado e querido por todos.

Fonte: António José Vinhas em “Jornal de Albergaria” (adaptado)

sábado, 10 de janeiro de 2015

Parceria entre Mealfood e Universidade de Aveiro na produção de pastéis de nata inovadores


A empresa Mealfood pediu a cientistas da Universidade de Aveiro para criarem pastel de nata que apenas precisassem de ir ao micro-ondas para ser aquecido. O segredo está na massa folhada, com uma pitada de ciência. (...)

A empresa quer ter os seus novos pastéis de nata Eatly nas prateleiras dos supermercados portugueses já em meados de 2015. E conta chegar na mesma altura a Angola, Moçambique, Macau e Inglaterra.


“Foi uma ideia que surgiu há mais de dois anos”, diz António Santos, um dos directores da Mealfood, ao Jornal PÚBLICO. A empresa, com cinco trabalhadores, nasceu no final de 2012 e está instalada no concelho de Albergaria-a-Velha [em Frossos], no distrito de Aveiro. O objectivo era usar o conhecimento de Francisco Santos, pasteleiro com experiência internacional e outro dos directores da empresa, para se começar a produzir os pastéis.

Hoje, existem pastéis de nata crus ou semi-crus à venda para os consumidores. Para ficarem prontos, estes pastéis têm de ser cozidos no forno durante 20 minutos, a mais de 200 graus. Como este mercado já estava preenchido, os responsáveis da Mealfood optaram por apostar num produto mais directo: um pastel que já estivesse cozido, que fosse depois ultracongelado e que no final, quando chegasse às mãos das pessoas, só tivesse de ser aquecido no microondas. O resultado final seria um pastel de nata “com a mesma frescura” do que um acabado de sair do forno, nas palavras de António Santos, pronto em apenas um minuto.


Para isso, os empresários resolveram contactar Manuel António Coimbra, bioquímico alimentar da Universidade de Aveiro. “Foi um desafio”, conta o cientista ao PÚBLICO. “A empresa queria um pastel de nata com as mesmas características físicas, visuais e sensoriais”, explica. (...)

A investigação foi realizada ao longo de seis meses. “Foram precisos muitos testes, foram precisas muitas horas”, diz António Santos, que não quer revelar quanto é que este investimento custou à empresa. O trabalho foi feito em conjunto pela equipa da Universidade de Aveiro, que incluiu as investigadoras Rita Bastos e Elisabete Coelho, e o pasteleiro Francisco Santos. (...)

O novo produto está agora à espera de uma patente portuguesa, que já foi pedida. Entretanto, existe um design de embalagem que leva seis pastéis. Quando chegarem ao mercado, só será preciso aquecê-los e comê-los — de preferência, com canela.
Fonte: Público  / UA / Eatly

sexta-feira, 28 de março de 2014

Frossos transformou-se numa vila quinhentista para celebrar os 500 anos da sua Carta de Foral (21, 22 e 23 de Março de 2014)


As comemorações dos 500 anos da Carta de Foral de Frossos arrancaram na noite de sexta com uma cerimónia solene na Igreja Matriz, em que a população pôde compreender a importância da data e da História de uma vila que já foi sede de concelho.

Tendo o foral manuelino sido atribuído à Ordem de Malta, António Feijó, cavaleiro desta ordem, explicou a sua hierarquia e evolução, desde a origem como organização militar há mais de 900 anos até à sua vertente hospitalária, que mantém hoje.


"Frossos – A Comenda e o Foral Manuelino"

De seguida, foi apresentado o livro "Frossos – A Comenda e o Foral Manuelino", das investigadoras Maria Alegria Marques e Paula Pinto Costa. Nesta obra, redigida para “a gente de Frossos”, as autoras fazem a contextualização histórica do período em que a Carta de Foral foi atribuído e explicam a importância do documento inserido na reforma administrativa que D. Manuel I introduziu no reino.

Maria Alegria Marques, na sua intervenção, louvou a determinação do povo de Frossos, que ousou levar as suas reivindicações ao rei através dos seus inquiridores, lutando sempre por uma maior justiça na localidade. Demonstrou, ainda, a sua admiração pelas pessoas que tiveram a clarividência de guardar cuidadosamente, ao longo de quase 200 anos, o antigo Foral depois de a partir do século XIX ele ter ficado obsoleto em termos administrativos. Se não fosse esta clarividência, um importante documento histórico poderia ter sido perdido para sempre, como aconteceu com outras Cartas de Foral em Portugal.


Feira Quinhentista

Ao longo do fim de semana de 21 a 23 de março, uma feira quinhentista tomou conta das ruas e os habitantes encarnaram as mais diversas personagens, fazendo desta celebração uma verdadeira festa da comunidade.

Após a abertura oficial da feira com um concerto pela Banda Velha União Sanjoanense, a comunidade encenou a atribuição do Foral, desde a sua redação na corte do Rei D. Manuel até à chegada a Frossos, que só aconteceu em 1516.


Cavaleiros irromperam pelas ruas e o arauto, colocando-se junto ao pelourinho, anunciou os privilégios e os deveres atribuídos àquela povoação e que vinham colocar um travão a certas injustiças cometidas pelos comendadores da Ordem de Malta que geriam o território.

O povo regozijou-se e, após o arauto anunciar que era tempo de folgar, a festa tomou conta da vila quinhentista. Nas bancas dos lavradores e artesãos, era possível comprar pão caseiro, doces, produtos hortícolas, mezinhas e até tamancos de madeira. Nas “tabernas” saudava-se o Foral com uns bons canecos de vinho, os arqueiros treinavam a sua pontaria e malabaristas, dançarinas e contadores de histórias concorriam entre si pela atenção do povo.

No largo do Pelourinho, os nobres manifestavam a sua alegria através de danças palacianas e, no dia seguinte, a “arraia-miúda” bailava junto ao Cruzeiro, arrastando os visitantes mais distraídos para uma dança de roda ao som de tambores e gaitas de foles.


Música

Para além da Banda Velha União Sanjoanense e da Banda Recreativa e Cultural União Pinheirense (que encerrou as comemorações no domingo), o público pôde apreciar outras formações locais – Escola de Gaitas do Clube de Nobrijo - e grupos de visita à vila, tais como o Duo Cardo-Roxo ou os Trabucos.


AlbergAR-TE e Companhia do Jogo

O Carro dos Loucos, com a sua trupe de saltimbancos, também irrompeu pelas ruas de Frossos, com as suas músicas provocadoras. Esta criação original da Companhia do Jogo envolveu vários jovens da comunidade, bem como munícipes de Idade Maior, demonstrando que a “loucura” é um estado de espírito bastante transversal. Já na área do teatro, destaque para a peça "Nhaque" ou sobre "Piolhos e Actores", também da Companhia do Jogo, que arrancou muitas gargalhadas ao público na noite de sábado.

Balanço

O balanço das comemorações não podia ser mais positivo. Os habitantes de Frossos apoderaram-se desta data significativa e tornaram a festa em algo único e original, envolvendo todas as suas colectividades. Mais de 300 pessoas trabalharam em estreita parceria com a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia de S. João de Loure e Frossos e a AlbergAR-TE – associação cultural que fez reavivar o ambiente do século XVI. Este trabalho colaborativo fez com que a população vivesse mais a SUA festa.(...)

Fonte: CMAAV (adaptado); Imagens: Grupo do facebook "Frossos - Comemoração dos 500 anos"

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Porfírio Dias da Conceição, empresário em Fortaleza (1925-2013)


Porfírio Dias da Conceição era natural de Frossos, onde nasceu a 2 de junho de 1925.

Ainda jovem emigrou para Fortaleza, estabelecendo-se no ramo de panificação. Em 10 de Janeiro de 1946 foi constituída a firma "J. Pinho & Companhia Ltda", encabeçada pelo seu pai  José Rodrigues de Pinho e Silva, que começou por gerir a Padaria Vitória, na Rua Ana Neri, em Porangabuçu.

O seu pai, José Rodrigues de Pinho e Silva, era cunhado de Manuel da Silva Praça, igualmente nascido em Frossos, em 1911,  que consta da "Cronologia Ilustrada de Fortaleza" por se ter estabelecido, em 1935, com a Padaria Globo na rua Padre Mororó em Fortaleza.

Após gerir a Padaria Vitória, Porfírio Dias da Conceição fundou, em 1959, com Manoel Valente, a Padaria Central, ainda hoje instalada no endereço de origem, na Avenida Treze de Maio, que continua a ser um referencial de qualidade na área da panificação em todo o Estado do Ceará.

Sempre foi uma figura muito actuante junto à Comunidade, tendo desempenhado inúmeros cargos de direcção  na Sociedade Beneficente Portuguesa Dois de Fevereiro.

Faleceu em Dezembro de 2013, deixando viúva a Sra. Maria de Lourdes Conceição Valente e dois filhos: Porfirio e Mário

Fontes: O Povo / Olaides Duarte Ferreira / Portal do Ceará / Sr. Porfírio Valente (filho)


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

António Santos, Padre (1835-1910)

António Augusto de Oliveira Santos nasceu em 29 de Junho de 1835 em Angeja, filho de António José dos Santos, que foi secretário da administração do concelho e escrivão de direito em Estarreja, e de sua mulher Ana Marques de Oliveira, moradores em Angeja.

Estudou em Aveiro e depois de ordenado padre foi durante longos anos administrador da "Casa de Oliveirinha", da família Côrte-Real, e dai passou para a "Quinta de Taboeira", da família Valente, de onde saiu para vir paroquiar para Angeja.


Aqui, paroquiou desde 1887 a 1895. Foi membro activo do Partido Progressista e dinamizador de tudo quanto acontecia na sua terra natal, colaborou em alguns jornais e revistas católicas, foi co-fundador da Philarmonica Angejense em 1867, da qual foi regente por diversas vezes e protector.

Para além de músico e cantor de bastante qualidade, o Padre António Santos foi também poeta e caricaturista e regente da Música Velha, em Aveiro, nos seus tempos mais novos.

Foi pároco em Frossos desde Janeiro de 1908 até à sua morte em Abril de 1910.

Fonte: Delfm Bismarck Ferreira in jornal "D' Angeja" (adaptado)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Brasão de armas do Cap. José Soares Aranha Brandão

Esta Pedra de Armas corresponde ao brasão atribuído por D. João V, em 12 de Junho de 1736, ao Cap. José Soares Aranha Brandão.

Um dos seus filhos, o Dr. José Soares Aranha de Lacerda Pereira de Albuquerque, casou com D. Ana Marcelina Rosa Magalhães Mourão Soares de Albergaria, de Frossos, onde viveu e armoriou o portão da "Casa dos Aranhas" com este brasão, e aí se manteve até ao início do século XX, altura em que extinta a descendência, esta foi vendida e demolida, sendo a Pedra de Armas então colocada na Fachada principal da Vila Maria, onde ainda hoje se encontra.

Esta casa é actualmente propriedade de D. Maria de Lemos Oliveira Melo.

O original da Carta de Brasão de Armas está na posse do Prof. Doutor Martim Eduardo Côrte-Real de Albuquerque, sobrinho-tetraneto do Dr. José Soares Aranha de Lacerda Pereira de Albuquerque.


Localização:

- Frossos
- Rua Comendador Augusto Martins Pereira, n.° 101
- Fachada principal da Vila Maria

Material:

- Calcário

Época:

- Século XVIII

Descrição Heráldica:

- Escudo francês esquartelado:

1º - Aranha, de azul, uma asna de vermelho perfilada de prata, carregada em chefe com um escudete de prata com uma banda de vermelho, sobrecarregada de três aranhas de negro; encontra-se a asna acompanhada por três flores de liz de ouro;

2º - Brandão, de azul, cinco brandões de ouro, acesos de sua cor;

3º - Henriques, de vermelho, um castelo de ouro, aberto, iluminado e lavrado de azul; mantelado de prata, dois leões de púrpura, armados e lampassados de azul, o da direita volvido;

4º - Soares, de vermelho, uma torre de prata. Elmo aberto e guarnecido de ouro. Paquife dos metais e cores das armas.

Timbre: o dos Aranha, que é uma das flores de liz do escudo. Diferença: uma brita de azul com trifólio de ouro.

Cap. José Soares Aranha Brandão

Capitão-mor dos Privilegiados da Ordem de Malta, Cavaleiro professo na Ordem de Cristo, Fidalgo da Casa Real e 2.° Senhor da "Casa dos Morgados do Alméu", em Macinhata da Seixa, onde existiu uma Pedra de Armas igual que hoje se necontra sobre um portão em Pinheiro da Bemposta.

Fonte: Dr. Delfim Bismarck Ferreira, Jornal de Albergaria (09-01-2002) (adaptado)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Forais e Carta de Couto (I)

Os forais eram cartas de instituição ou de reconhecimento dos concelhos e foram, durante largos séculos, principalmente os da Idade Média, instrumentos fundamentais na orientação da vida municipal.

Albergaria não teve Carta de Foral. Sendo terra doada a coroa não exercia direitos sobre ela.

FORAL DE ANGEJA - 1514


Em 15 de Agosto de 1514, o Rei D. Manuel I fez passar carta de foral à terra de Angeja e aos outros lugares seus anexos, de que tinha concedido os respectivos direitos, em 1509, a Diogo Moniz, filho do seu guarda-mor, Jorge Moniz, recentemente falecido.

O Foral de Angeja trata das seguintes terras: Assequins, Bemposta, Branca, Canelas, Casais de Grijó, Casais do Ribeiro, Contumil, Devesa, Fermelã, Figueiredo, Fonte Chã, Pinheiro (S. João de Loure), Salreu e Santiães.

A edição em livro conta com uma nota introdutória, o Foral de Angeja em fotografia, a transcrição do Foral Manuelino de Angeja, a Reclamação sobre o Foral de Angeja em fotografia, a transcrição da Reclamação, glossário e bibliografia.

A obra foi transcrita por Maria Alegria Marques, professora da Universidade de Coimbra, com 136 páginas e uma tiragem de mil exemplares numerados.

A cerimónia de apresentação da obra realizou-se no dia 5/08/2005 na Igreja Matriz de Angeja.

FORAL DE FROSSOS - 1514


O Foral da Vila de Frossos foi concedido por D. Manuel I em 22 de Março de 1514.

No foral, cujo original foi conservado ao longo dos anos pelas gentes de Frossos, encontram-se expressos alguns benefícios e privilégios de que a Ordem de Malta (a essa data Ordem dos Cavaleiros de Rodes) era titular.

"A presença da Ordem de Malta em Frossos remonta ao tempo da primeira sede desta Ordem Militar e Religiosa em Portugal e, também assim, ao tempo em que, conquistada mais uma “parcela” daquele que viria a ser o Portugal que hoje conhecemos, se tornava necessário defender e povoar a mesma. O rio Vouga constitui uma das primeiras linhas naturais de defesa, o limite de uma das primeiras “parcelas” de território que interessava defender e povoar".

Frossos revelou-se como uma das comendas estrategicamente melhor posicionadas para cumprir o desiderato da defesa na conquista do território português.

O Concelho de Frossos foi extinto em 1836, por integração no concelho de Angeja, passando depois ao concelho de Albergaria-a-Velha, em 1853.

O Dr. António Capão publicou, em 1984, o livro "Carta de Foral da Vila de Frossos".

FORAL DE PAUS - 1516


Atribuído em 1516 pelo Rei D. Manuel como forma de limitar as opressões que a Nobreza e o Clero exerciam sobre os povos das terras onde detinham senhorios.

“Foral de Paus-1516”, editado pela Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, é uma obra de luxo, em facsimile, encadernada, numa edição limitada e numerada de 1.000 exemplares. Inclui a fotografia do Foral de Paus, a sua transcrição, a apresentação do contexto histórico e político da época em que foi atribuído e um glossário.

A obra foi transcrita por Maria Alegria Marques, professora da Universidade de Coimbra.A cerimónia de apresentação da obra realizou-se, no dia 20 de Maio de 2006, na Capela de Nossa Senhora das Dores.

O original está na posse do Paço Ducal de Vila Viçosa que o adquiriu, em leilão, em Dezembro de 1983.

Fonte: Novos-Arruamentos

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Conceição Gonçalves publica "Longos são os caminhos” (2010)

Conceição Gonçalves nasceu a 1º de Janeiro de 1968 em Frossos, um pequeno lugar nas margens do Vouga, distrito de Aveiro, em Portugal. Reside actualmente no Luxemburgo, no centro da Europa, onde divide o tempo com a sua ocupação profissional, a família a leitura e a escrita.

Participa em vários sites de poesia e literatura, criou um site ligado ao “eterno feminino”. Participou em duas antologias de poesia “tu cá tu lá” e “Pecados Capitais”.

Conceição Gonçalves lançou no dia 30 de outubro o livro “Longos são os caminhos”.


"Longos são os caminhos" (2010)

Neste livro, a autora revela e partilha com os leitores as descobertas e reflexões que foi fazendo sobre si e sobre o sentido da sua vida desde o início da caminhada. (...)

Esta é a caminhada constante feita palavras de uma rapariga meiga, lutadora e esperançada, que ao longo de destes últimos vinte anos conduziram-na por caminhos que lhe trouxeram metamorfose e reinvenção, transformando-a numa mulher segura, determinada e livre. (...)

Todos os textos de Conceição Gonçalves podem ser encontrados no site Luso-poemas.

Fonte/Mais informações: Maria Catherine Rabello (adaptado)

terça-feira, 2 de março de 2010

Foral de Frossos foi cedido ao Arquivo Municipal

Com o objectivo de salvaguardar e difundir a Carta de Foral de Frossos, foi assinado, no dia 26 de Fevereiro, um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha e a Junta de Freguesia de Frossos, proprietária do documento em questão.

De acordo com o protocolo assinado, a Junta de Freguesia compromete-se a ceder o Foral Manuelino à guarda do Arquivo Municipal por um período de 30 anos, automaticamente renováveis por períodos de igual duração. Por seu lado, o Arquivo Municipal fará a gestão e a conservação da Carta de Foral, promovendo ainda a sua difusão e a consulta por parte de investigadores e interessados, mediante o cumprimento das normas expressas no Regulamento do Arquivo Municipal.

O Foral Novo, dado e assinado por D. Manuel I à então Sede de Concelho de Frossos, é de 1516.

Foi concertado e registado na Torre do Tombo por Fernão de Pina, encarregue do corregimento dos forais do reino por comissão régia e, actualmente, encontra-se encadernado com capas de tábua protegidas por pele do primeiro quartel do século XIX.

Fonte: CMAV (adaptado)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Requalificação da Pateira de Frossos


Por sugestão da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, acaba de ser lançado o concurso público de requalificação da Pateira de Frossos, no âmbito da intervenção da Polis Litoral Ria de Aveiro – Sociedade para a Requalificação e Valorização da Ria de Aveiro.

De acordo com a descrição do trabalho de concepção, o projecto destina-se a “requalificar e valorizar um dos principais sistemas lagunares adjacentes à Ria de Aveiro, a Pateira de Frossos, com vista à conservação dos seus valores naturais e promoção da sua vivência”.

Está ainda prevista a construção de percursos turísticos e ecológicos, concretamente pistas cicláveis e pedonais. O concurso é aberto, exclusivamente, a equipas projectistas constituídas por profissionais independentes e a empresas em nome individual ou societárias, habilitadas a exercerem a actividade de estudos e projectos de arquitectura e/ou arquitectura paisagista.

Fontes: Sandra Simões (Diário de Aveiro) / CMAV (Foto)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Licor de Frossos


A Junta de Freguesia de Frossos , Albergaria-a-Velha, registou, em 2007, a patente do "Licor de Frossos" de forma a poder integrá-lo no roteiro gastronómico da freguesia

A bebida, feita à base de ervas aromáticas, foi elaborada por Eufémia Ferreira, que, desde 2002, tem confeccionado licores de vários sabores. "Já fiz de limão, café, rosas, tangerina, laranja, hortelã, folha de figueira, alfarroba, entre outros".

O novo licor é feito à base de uma erva aromática utilizada na caldeirada de enguias. "Tentámos ver qual seria a aceitação das pessoas ao licor e no Domingo ao início da tarde já tinha esgotado", explicou, em 2006, o então presidente da Junta, João Coutinho, durante a “Feira Arte & Tradição”.

Vila de Malta

Vila de Malta, antigo nome dado a Frossos, é o nome do novo licor.

A ideia de confeccionar o novo licor surgiu quando colhiam a erva para o conhecido licor de Frossos. “Andávamos a colher a erva para o licor de Frossos e encontramos outra erva e decidimos experimentar”, explicou Eufémia Ferreira, artesã dos Licores d’Albergaria.

O nome do novo licor é Vila de Malta, nome dado a Frossos, no século XVI e, segundo a artesã, as pessoas estão a gostar e já começaram a comprar.

"Feira Arte & Tradição" (2006)

As vendas de produtos, que iam desde a arte-xávega, passando pelo modelismo, olaria e os trabalhos em couro, agradou, segundo João Coutinho a "todos os artesãos", tendo inclusivamente aparecido para expor na feira pessoas da freguesia que não estavam previstas. E foram exibidos diversos trabalhos em pintura pelo Núcleo de Arte do Vouga.



Fontes: Sandra Pinho, JN / O Aveiro / Sandra Carvalho, Beira Vouga

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Beira Vouga no "Liga dos Últimos" (RTP)

O programa da RTP "Liga dos Últimos", que se propõe mostrar o que valem as pequenas equipas de todo o país, esteve em Frossos, durante o jogo Beira Vouga - Eixense:









Fonte/Mais informações: Portal de Albergaria / RTP

Link: Video (cerca de 30' após o início do programa)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

As memórias de infância de Augusto de Castro (in prefácio a livro de Ricardo Souto - 1937)

O livro que o meu velho amigo Dr. Ricardo Souto acaba de me enviar em provas e para o qual, afectuosamente, deseja algumas palavras minhas de introdução, é sobretudo para mim uma evocação dos doces, frescos e cantantes vergeis do Vouga, em que meus primeiros anos decorreram.

Recordações de Infância (I)

O túnel de Angeja, a pateira de Frossos, as estradas e as tricanas, a ria, as fontes, os cômoros, os milharais ao vento, o ar lavado dos montes, os adros floridos, os pinhais e as eiras - todo o horizonte da minha infância e da minha adolescência revive, a meus olhos, nesta tarde pálida da Belgica em que escrevo. Oiço os rebanhos nos campos, revejo o milho doirado ao sol, contemplo de novo sobre as areias claras, as águas do Vouga que brincam com os salgueiros e as codornizes - e, de longe, à distância de tantos anos, eu vos bemdigo, oh bemfazejas saüdades! (...)

"Soutos da Barca"

Ricardo Souto, o autor deste livro, que tenho a honra de prefaciar, foi um dos amigos dessa minha remota infância e creio que é a este facto, para mim inolvidável, que devo o prazer de ligar, nesta obra, o meu nome ao seu. Meu Pai, cuja memória, querida e ilustre, para mim está ligada a esta região falava constantemente dos "Soutos da Barca". Os Soutos da Barca eram Ricardo Souto, então jovem e distinto médico e seu irmão, estreitamente afeiçoado à minha família, e que foi um eminente magistrado.

Do Porto para o Fontão

Nascido no Porto, tripeiro de origem, foi nas terras do Vouga que passei, posso dizer, a minha infância. De lá, espiritualmente, parti. Quando meus Pais vinham passar as férias do Natal, da Páscoa ou as férias grandes ao Fontão, a pouco mais de três quilómetros de Angeja, começava para mim a grande evasão rústica da aldeia que foi a primeira e a melhor escola do meu espírito. Se mais tarde, a vida me separou dessas primeiras afeições, nunca, na realidade, as esqueci.

Recordações de Infância (II)

Como as païsagens, as figuras que conheci nesse tempo vivem na minha memória como se as tivesse ainda visto ontem: o Padre Santos, alto e espaduado, bom como uma criança, a reger a charanga de Frossos com o seu grosso bengalão de marmeleiro; o Padre José Luiz, o "Padre Zézinho", que tinha e, felizmente, ainda hoje tem talento e graça às carradas; o Castanheira, o Laranjeira, grandes amigos de meu Pai, o Manuel Maria de Angeja, em cuja casa, durante a festa da Senhora das Neves, se comiam os melhores leitões assados da região; os Lemos de Alquerubim (para onde a vida os dispersou?) e tantos outros que povoam ainda hoje de recordações, de pitoresco e de estima o meu espírito.

Ilustres visitantes

Todos eles vinham - uns de longe, outros de perto - assistir à festa da Senhora do Carmo, na Capela da nossa casa - festa que, ao som das músicas ao desafio e dos morteiros - missa, arraial, fogo preso - se prolongava por três numerosos dias de danças e descantes.

Lá estiveram, o poeta João Lúcio, o grande cantor do Algarve, meu companheiro de Coimbra, morto pouco depois, Júlio Dantas, descido do seu Olympo de Lisboa e Carlos Malheiros Dias que lá começou o primeiro capítulo dum romance, nunca concluído, sobre as tricanas de Aveiro, as lindas tricanas cujo encanto fenício conta entre os mais belos tipos de beleza feminina do mundo.

Esse capitulo de Malheiro Dias, que nunca foi conhecido, que eu saiba, descrevia uma pescaria no Vouga e era uma obra prima. Onde pára hoje e porque não publicá-lo? (...)

Livros regionais

Os livros regionais não são frequentes em Portugal - é pena. Eles constituem um dos mais úteis e significativos géneros literários - depósitos muitas vezes preciosos, de conhecimentos, de investigações e de documentação para a história geral do País.

O livro do Dr. Ricardo Souto, vai figurar, com um brilho especial, nessa galeria de estudos e de aspectos nacionais. E eu sinto-me feliz de aqui deixar a minha homenagem ao autor, com o tributo de estima ao amigo, e a evocação, para mim sempre saudosa, das memórias e das perspectivas que estas páginas, entre tantas figuras e coisas vivas e mortas, ressuscitam no meu espírito fiel ao passado e diante dos meus olhos exilados.

Fonte: Prefácio de Augusto de Castro* no livro "Angeja e a Região do Baixo Vouga" de Ricardo Nogueira Souto (in Novos Arruamentos)


Augusto de Castro

Augusto de Castro foi político, escritor e diplomata e ainda director do jornal "Diário de Notícias". Era filho do Conselheiro Augusto Maria de Castro que possuía uma casa no Fontão. [A Quinta do Fontão].

Benemérito de Angeja, Augusto Maria de Castro era filho da nobre "Casa da Oliveirinha", tal como os Conselheiros José Luciano de Castro e Castro Matoso.

Texto integral: Novos Arruamentos