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terça-feira, 20 de agosto de 2019

VALART - de Albergaria-a-Nova para o mundo


A Valart - Metalúrgica Central do Vouga, Lda. foi fundada em 1978 em Albergaria-a-Nova, freguesia da Branca, por dois engenheiros, Valdemar Coutinho e Artur Martins, tendo-se dedicado inicialmente ao fabrico de caixas basculantes e cisternas e, posteriormente, alargado a sua actividade para o fabrico de Gruas hidráulicas industriais e florestais e viaturas polivalentes para bombeiros.

O Eng. Valdemar Coutinho, natural do concelho de Sever do Vouga, foi técnico da prestigiada Metalurgia Casal, em Aveiro, onde se destacou como professor da "Escola de Aprendizes", uma das pioneiras na formação profissional no nosso país, nas décadas de 60 e 70, e, mais recentemente, Presidente da Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA) durante 15 anos, sendo ainda Presidente da Assembleia Geral.


A Valart é o primeiro fabricante nacional certificado de Gruas Hidráulicas Industriais e Florestais e um dos poucos construtores em todo o Mundo de Semi-Reboques Porta-Contentores Marítimos, designados internacionalmente por SideLoaders (VALARTLIFTS).

A empresa canaliza mais de 90 % da sua facturação para o mercado internacional, o que é resultante da sua especialização na produção de equipamentos especiais de movimentação de cargas, destinados a um segmento de mercado muito especifico - os transportes.

A Valart tem actualmente três sócios, após a entrada no capital, e na direcção técnica da sociedade, da segunda geração da família Coutinho, com os filhos Sandra Coutinho e Flávio Coutinho.

Fontes: Site oficial / Sever do Vouga – o concelho e suas gentes / Relatório de estágio de Joana Vinhas Coelho / Acepi / Aicep / Portal d'Aveiro

 

sábado, 20 de abril de 2019

Da Moagem tradicional à Industrial no Concelho de Albergaria-a-Velha


Reportando-se às informações estatísticas de 1867, sobre indústrias e profissões, Gerardo A. Pery, refere a existência de 10.984 moinhos em todo o país.

O distrito de Aveiro tinha então 1273 moleiros, que trabalhavam nos 1251 "moinhos de água". O maior número foi registado na Feira (342) e em Macieira de Cambra (121). Destacando-se igualmente Águeda (83), Albergaria-a-Velha (69), Estarreja (68) e Vagos (65).

Recentemente, Armando Carvalho Ferreira e Delfim Bismark Ferreira inventariaram, no concelho de Albergaria-a-Velha, ruínas e vestígios de 354 moinhos. Este extraordinário número, que dá uma média de 2,27 moinhos por quilómetro quadrado, denuncia a preponderância da pequena exploração e atesta a persistência dos fenómenos económicos, sociais e culturais que os sustentaram.

Segundo o Inquérito Industrial de 1890, no concelho de Albergaria-a-Velha, havia 840 pares de mós de moinhos: 33 de laboração permanente, no rio Caima (freguesias da Branca e de Valmaior), com "118 rodas de milho e 11 de trigo", e 103 "moinhos de regato", com 188 "rodas de milho e 15 de trigo", nas restantes seis freguesias deste, que "laboram apenas seis meses".

Aníbal G. Ferreira Cabido refere, a propósito da moagem tradicional, no concelho de Albergaria-a-Velha, de 1910: "A indústria da moagem é caseira e exerce-se em moinhos de tipo ribeirinho para a grande maioria da população, sobretudo para a que se alimenta de pão de milho ou de centeio".

Francisco Augusto da Silva Vidal

Indústria Moageira

No início do Séc. XX surge um significativo número de (pequenas) unidades moageiras em todo o país. Segundo o Correio de Albergaria em meados de Maio de 1910, andava em construção, junto à avenida da estação do caminho-de-ferro "um edifício que se destina a uma fábrica de moagens que o nosso conterrâneo, Sr. Francisco Augusto da Silva Vidal, tenciona montar após a conclusão da nova casa". Aquele semanário via no empreendimento um engrandecimento considerável da terra, "que dia a dia progride de uma forma admirável, graças ao arrojo de alguns dos seus filhos que não vacilam em se arriscarem a empresas da natureza desta".

Em 6 de Julho de 1920 é criada a "Empresa União Industrial de Albergaria-a-Nova, Limitada", com um capital social de 55 000$00. Os seus "gerentes" eram dois proprietários» da freguesia da Branca [possivelmente Gerónimo Gonçalves da Costa e Adelino Augusto de Faria - que ainda eram sócios aquando da dissolução da Sociedade], mas o "gerente técnico", Francisco Rosa da Luz, referido como "industrial", era de Mortágua.


Estes indivíduos são indicados no Anuário Comercial de Portugal como "negociantes» de madeiras ou de cereais. O objecto social era igual ao de outras fábricas, que, a par da moagem, englobavam a serração de madeiras e o comércio de cereais. As razões destes procedimentos prendem-se, por certo, com as dificuldades dos anos da Guerra, nomeadamente com o encarecimento do carvão e do ferro e com a escassez de cereais panificáveis que provocam uma geral carestia.

Se inicialmente a conjuntura interna favorecera o desenvolvimento da moagem e a conjuntura externa, criada pela I Guerra Mundial, suscitou o aparecimento de maior número de moagens e a difusão de moderno equipamento técnico, a partir de 1924 abranda o movimento de criação de sociedades para a moagem de cereais pelo facto da capacidade das fábricas existentes ter ultrapassado as necessidades do consumo.

O trabalho dos moinhos, tradicionalmente explorados por acordos informais ou por contratos de arrendamento, foi objecto de constituição de sociedades no final da década de 20 do Século XX, tendo surgindo duas sociedades ditas "civis particulares" para a exploração de dois moinhos, na Branca e em S. João de Loure, ambas no concelho de Albergaria-a-Velha.

Fonte: "Empresas e Empresários das Indústrias Transformadoras, na sub-região da Ria de Aveiro, 1864-1931" de Manuel Ferreira Rodrigues (adaptado)

Imagens: Publicidade na Gazeta dos Caminhos de Ferro (1944 e 1946)

Nota: O Estudo de Manuel Ferreira Rodrigues não faz referência à Fábrica de Serração e Moagem e ao empresário Joaquim Domingues S. Bento contudo esta empresa foi constituída em 1920  (podendo inclusive ser resultante da criação da "Empresa União Industrial de Albergaria-a-Nova, Limitada")

Publicidade (1944) 


Publicidade (1958)

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Reconhecer a relevância da Caima na história de Portugal


A historiografia portuguesa desprezou a análise do papel da Caima na economia nacional. O trabalho desenvolvido por Jorge Custódio, Sara Costa Macedo e Susana Pacheco outorga à Caima o papel de destaque que merece na história de Portugal.

A possibilidade de estudar uma empresa que esteve presente em todos os momentos mais significativos da transformação da sociedade portuguesa desde o fim do século XIX é de uma grande relevância. A Caima começou a existir durante o reinado de D. Luís, cresceu durante a Primeira República, esteve sempre activa na I Guerra Mundial, na ditadura militar, na II Guerra Mundial, no 25 de Abril de 1974, na integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE) – agora União Europeia –, na adopção da moeda única e no fim do escudo.


De Albergaria (1888-1993) a Constância (1960-2018)

A fundação da Caima data de 17 de Maio de 1888. A Fábrica de Albergaria [mais concretamente em Carvalhal, na actual freguesia da Branca] está construída em meados de 1891. Para construir uma fábrica para produzir pasta de papel, por processo químico inovador, no interior de Portugal, nos finais do século XIX, foi necessário trazer o equipamento completo e uma equipa da Alemanha para montar a fábrica. “Imagine o que era constituir uma fábrica em Portugal, têxtil ou metalomecânica, para as quais a formação técnica era baixa nessa época e não existia mão-de-obra especializada. Quanto mais não seria quando esta unidade era uma indústria química à base de bissulfito de cálcio.”, diz Jorge Custódio, responsável pela coordenação do trabalho de investigação da Caima.

“Ao fazer a história desta empresa [a primeira fábrica de produção de pasta química em Portugal], estamos a falar da história da própria sociedade da região e do País”, afirma Sofia Costa Macedo.


Ponto de partida

O ponto de partida da investigação foi uma arca existente na empresa que tinha cerca de 150 documentos sobre a "The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited" [activa entre 1888-1921]. Para desenvolver o trabalho consultaram vários arquivos diferentes. Os existentes na fábrica de Constância e na fábrica de Albergaria – de que grande parte se encontra no arquivo municipal de Albergaria-a-Velha –, assim como arquivos estatais, municipais e distritais, entre os quais os do antigo Ministério das Obras Públicas e do Ministério da Economia, nos quais encontraram bastante informação.

Recorreram também a arquivos estrangeiros, nomeadamente ao National Archives, em Inglaterra. Foi em Londres que encontraram os estatutos originais da criação da "The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited", a informação mais antiga da Caima. Só de Inglaterra pesquisaram e trouxeram mais de 300 documentos.

Ao todo, encontraram mais informação do que esperavam. Informação que teve de ser analisada e validada para saber se era relevante para a investigação. No arquivo de Albergaria encontraram mais de 200 itens, com vários documentos integrados em cada item. São volumes de cartas. Só para se ter uma noção: num volume, um item possui 600 cartas.


Matriz científica e histórica

O responsável pelo projecto conta que vão escrever um livro de matriz científica. “Não é um discurso ideológico, é científico.”

Outro aspecto muito relevante deste trabalho foi dar uma dimensão humana à história. “Quem foram as pessoas, o seu papel, como se destacaram, que influência tiveram nas medidas adoptadas pela empresa e quais foram os seus resultados práticos para o negócio”, diz Sofia Costa Macedo. Um sentimento reforçado por Jorge Custódio, ao referir que este aspecto é “interessante e deu origem a mapas que vão estar na exposição e no livro, mostrando a universalidade da Caima”.

Uma mostra da universalidade da Caima foi a sua relação com o diário britânico The Daily Telegraph. Este importante jornal fundado em 1855, continua a ser um dos mais relevantes do Reino Unido e durante muito tempo utilizou papel produzido com pasta da Caima.


Tecnologia utilizada

“Encontrámos toda a tecnologia utilizada nas fábricas. No início, nunca pensei que fosse possível recriar uma fábrica como a de Albergaria que está em ruínas e saber que máquinas existiram”, explica Susana Pacheco. Os investigadores conseguiram encontrar diversas plantas de tecnologia, com as dimensões da época e a forma como se instalavam esses equipamentos. Quem foram os construtores, os tamanhos de cada peça e as máquinas em causa. “Há um grande conhecimento e detalhe de todo o processo evolutivo da tecnologia utilizada pela Caima”, diz Susana Pacheco.


Meios de divulgação (livro, exposição, conferências, arquivo digital)

O trabalho que os investigadores estão a desenvolver é a produção de um livro que conte a história da Caima, uma exposição para levar este conhecimento às pessoas e conferências temáticas a iniciar em Novembro. Desde o início do projecto a equipa pensou na importância de tratar e disponibilizar o arquivo do material encontrado. Uma ideia que acabou por ganhar eco dentro da própria Caima, abrindo a possibilidade de “se fazer a localização do arquivo digital numa drive onde consta tudo o que investigámos”, diz Jorge Custódio. Para o responsável deste ambicioso projecto, esta situação vai permitir que uma pessoa pesquise o que quiser nesse espaço, tendo em conta que toda a informação está tratada e organizada.

O livro será uma síntese de tudo o que foi analisado. “Vamos fazer análises correctas que contribuirão para um melhor conhecimento da Caima.” (...)


Percurso

1888 (17 de Maio) - Fundação da Sociedade The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Ltd. [com instalações industriais no concelho de Albergaria-a-Velha]

1891 - Inauguração da Fábrica de Pasta de Papel da The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Ltd., instalada mas margens do rio Caima, produzindo pasta pelo processo do bissulfito de cálcio a partir de madeira de pinheiro.

1892 - Exportação da pasta de papel da Caima para a fábrica Star Paper C.º, em Inglaterra.

1907 - Início da produção experimental de pasta de papel a partir de eucalipto, promovida pelo inovador E. D. Bergqvist, sobrinho do pioneiro sueco, Carl Ekman.

1921 - Inicio da comercialização da pasta de papel de eucalipto fabricada na Fábrica do Caima.

1922 (19 de Abril) - O nome da sociedade passa a ser Caima Pulp C.º, Ltd.

1945 - Data em que se deixou de fabricar, na fábrica do Caima, pasta de papel a partir do pinheiro.

1956 - Instalação da concentração de licor na fábrica de Albergaria.

1956 - A holding Eucalyptus Pulp Mills Ltd decide construir uma nova fábrica em Portugal, em Constância, Distrito de Santarém. O processo selecionado é bissulfito de cálcio.

1957 - Arranque da produção de pasta branqueada de eucalipto em Albergaria.

1959 - Reorganização da holding.

1960 - Construção da Fábrica de Constância, da Caima Pulp C.º, Ltd. Instalação das Caldeiras de Recuperação.

(...)

1973 - Alteração da designação social para Companhia da Celulose do Caima, S.A.R.L.

(...)

1992 - Alteração do processo da Fábrica de Albergaria para o fabrico da pasta pelo bissulfito de magnésio, como tinha já acontecido em Constância.

1993 - A laboração em Albergaria-a-Velha é suspensa de forma permanente.

1994 - As instalações da fábrica, no rio Caima, são adquiridas pela papeleira REFICEL – Sociedade e Recuperação de Fibras Celulósicas.

(...)

2002 - Constituição da Caima – Indústria de Celulose, S.A. e transformação da Companhia de Celulose do Caima em S.G.P.S.

(...)

2005 - Fundação da ALTRI, em resultado da reestruturação da Cofina, através de um spin-off dos activos industriais.

Fontes: Altrinews (adaptado) / Caima (percurso) / Facebook

terça-feira, 10 de julho de 2018

Metalusa - Fabrico e comercialização de soluções para a construção


A origem da Metalusa remonta aos anos 60 quando Fernando Abreu funda as Manufacturas Abreu (actual Cutbrick Tools), mas é, no início dos anos noventa, que é fundada a Metalo-Ibérica, sob a liderança de Alberto Cravo (genro de Fernando Abreu), que se irá dedicar ao fabrico e comercialização de equipamentos que visam promover a segurança e a produtividade nos trabalhos de construção civil e industria, nomeadamente andaimes multidimensionais, plataformas suspensas e estruturas especiais de engenharia.

A estratégia de crescimento da Metalusa foi orientada pela criação de filiais em países como Espanha (Metalo Ibérica SLU), França (Metalofrace), Marrocos (Patrimetal Maroc), Angola (Betadata), Moçambique (Axial), Chile (Sepco) e Reino Unido (Umetal UK). O mercado externo representa 85% da facturação da empresa e a presença da Metalusa nesses países surgiu como uma solução de recurso para combater a situação de crise, depois de, em 2008, terem visto a facturação descer 45%.

 

Em 2009 ocorre a cisão da Metalo-Ibérica, S.A. e incorporação dos seus activos produtivos na sociedade Metalusa, S.A. A partir deste momento a Metalusa fabrica os equipamentos e a Metalo-Ibérica S.A. cornercializa os mesmos equipamentos em Portugal e Espanha.

É igualmente efectuada a consolidação de todas as actividades desenvolvidas num Grupo Económico designado por "Grupo Patrilar, organizado em três áreas de actividade distintas: equipamentos, construção modular (Teketo e Modiko, ambas com sede em Aradas, Aveiro) e gestão imobiliária (Patrilar Imobiliária).

A Metalusa vence em 2011 o "Prémio Exportação e Internacionalização“ atribuído pelo jornal de Negócios e Banco BES.

O Grupo Patrilar iniciou em 2015 uma nova área de negócios de Produção Vinícola, na região da Bairrada, com a criação da PositiveWine e da Quatro Cravos.



Na época 2017-2018 a Metalusa patrocinou a equipa de ciclismo LA Alumínios-Metalusa-BlackJack liderada pelo albergariense Edgar Pinto.

O volume global de negócios do Grupo Patrilar atingiu em 2017 os 22 milhões de euros nas quatro áreas de negócios (Equipamentos. Construção Modular, Gestão Imobiliária e Produção Vinícola).


Fontes: Grupo Patrilar / Metaloibérica / Norgarante

domingo, 10 de dezembro de 2017

"Vou-me Despedir do Rio" evoca memórias de antigos trabalhadores da Fábrica do Caima


O CLDS 3G (Contrato Local de Desenvolvimento Social de 3ª geração) "Albergaria IntegraT"/Prave, em parceria com o Município de Albergaria-a-Velha, apresentou, no passado dia 30 de novembro, no Cineteatro Alba, a curta-metragem documental "Vou-me Despedir do Rio", baseada em histórias de vida de seniores da freguesia de Ribeira de Fráguas.

"Vou-me Despedir do Rio" é realizada por David Gomes e Pedro Cruz e visa resgatar as memórias dos antigos trabalhadores da Fábrica do Caima, bem como recordar o processo de produção do linho, que já teve um papel importante na economia local e constitui hoje uma tradição que é preciso preservar. A produção da curta-metragem está inserida na ação "Uma Vida Uma História", um projeto que visa contribuir para a construção da memória social do Concelho, representando as suas tradições e riquezas.




O documentário conta com a participação de vários seniores de Ribeira de Fráguas, que aceitaram partilhar episódios da sua vida para construir uma narrativa sobre o passado da sua terra. O projeto teve o apoio da Junta de Freguesia de Ribeira de Fráguas, do Rancho Folclórico de Ribeira de Fráguas e da Quinta do Caima.

A curta documental foi selecionada, entre 56 filmes de diferentes géneros, para entrar em competição na 23ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português que se realizou entre 27 de Novembro e 3 de Dezembro, em Coimbra, tendo-lhe sido atribuído uma Menção honrosa para melhor documentário.

Fonte: CMAAV

Trailer: Vimeo


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

História Económico-Social de Albergaria-a-Velha no século XX

Fábrica de Papel de Valmaior fundada em 1872
O Município de Albergaria-a-Velha teve uma forte presença na história da indústria em Portugal, nomeadamente a Fábrica do Caima (primeira fábrica de pasta de papel de eucalipto no mundo), a Fábrica de Papel de Valmaior (fornecia papel de impressão para a maior parte das publicações periódicas do país) e a Fábrica Alba (empresa de fundição e metalomecânica que deixou marcas е mobiliário e equipamento urbano em todo o país).

Fábrica do Caima fundada em 1888 pela Caima Pulp
Torna-se importante reconstruir a história económica e social do século XX, tendo em conta a indústria como factor de valorização do município com a criação de um livro que destaque as principais indústrias: Alba, Minas do Palhal, Fábrica de Papel de Valmaior, Ferreira & Companhia, Companhia de Celulose do Caima, como principal motor da actividade económica e desenvolvimento social do Concelho.

Minas e Metalurgia SARL(actual Palbit) fundada em 1916
Foi adjudicado à historiadora Raquel Cardeia Varela um serviço de investigação especializada e criação de um livro sobre a História económico-social de Albergaria-a-Velha no século XX.

Fonte: internet  (em Novos Arruamentos); Imagens adicionais: Dissertação de Luís Martins

Nota: Na nossa opinião o estudo deveria ser alargado ao século XIX pelo facto de algumas das principais empresas se terem iniciado nesse período.

Outros Estudos

"Chorographia industrial do Concelho de Albergaria (...)" de Aníbal G. Ferreira Cabido (1911)

"A indústria no distrito de Aveiro. Análise geográfica relativa ao eixo rodoviário principal (EN n.° 1), entre Malaposta e Albergaria-a-Nova" de Lucília de Jesus Caetano (1986)

"Empresas e Empresários das indústrias transformadoras, na sub-região da Ria de Aveiro, 1864-1931" de Manuel Ferreira Rodrigues (2010), com destaque para a Fábrica de papel de Valmaior (Capítulo 3 - 7.1.) e a Fundição Albergariense (Capítulo 5 - 5.2.2).

Alba fundada em 1921
Ferreira & Cª fundada em 1877
Minas do Palhal descobertas em 1744 por ingleses.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

CutBrik Tools - A melhor solução para os seus trabalhos em madeira

 

A história da CutBrik Tools remonta ao ano de 1962 quando Fernando Augusto Marques de Abreu, num espaço de 40 m2, com parcas condições e sem energia eléctrica, dá os primeiros passos na produção de serrotes.

Mas as dificuldades eram muitas pois Portugal não tinha tecnologia nem máquinas para produção destas ferramentas.

Sem baixar os braços, Fernando Abreu procurou saber como se fazia no estrangeiro, munindo-se de toda a informação e tecnologia. Nasce assim a Manufacturas Abreu (então como actividade empresarial em nome individual).


Na altura havia muitos condicionalismos industriais e o mercado estava monopolizado e eram raras as empresas que conseguiam vingar. Mas este contexto não assustou Fernando Abreu que trabalhando arduamente vence muitas contrariedades, conseguindo a primeira exportação para Marrocos em 1975.

A “abertura” a novos mercados deu um novo impulso à empresa. A credibilidade e reconhecimento da qualidade das suas serras e serrotes contribuíram para a fidelização de mercados como Espanha, França, Alemanha, Grécia, Inglaterra, entre outros.


Em 1999, a empresa ganha uma nova dimensão sendo criada uma sociedade anónima de nome Fernando Abreu, S.A., prestigiada e reconhecida em vários países do mundo. Em 2000 é criada a marca CutBrik Portugal. E em 2004 a empresa é deslocalizada da Cruzinha para a Zona Industrial de Albergaria-a-Velha.

Apostando sempre no crescimento, na inovação e na qualidade dos seus serviços, 85% da sua produção é absorvida por cerca de 40 países, que vão desde os Estados Unidos da América à China (Hong Kong), passando pela Europa, Médio Oriente e África.


Dando mais um passo na constante modernização, os administradores, Fernando Abreu e a sua filha Fernanda, decidem ser chegado o momento para revitalizarem a imagem institucional da empresa promovendo a alteração do nome da empresa para um nome pelo qual os clientes os identificavam, a marca dos seus produtos CutBrik. Assim a 31 de Janeiro de 2014, a Fernando Abreu S.A. transforma-se em CutBrik Tools, S.A.

A reestruturação teve também como objectivo dar um passo em frente, afirmando-se como uma empresa para o futuro, sempre na busca incessante de excelência no serviço ao cliente, na apresentação de produtos de qualidade, reconhecida, no desenvolvimento e na inovação de soluções cada vez mais eficientes, que passam do mais simples para uso doméstico, ao mais técnico para uso profissional.

Fontes: Guia Empresarial (JN) (adaptado) / Página Oficial

segunda-feira, 20 de março de 2017

ACUSTEKpro - líder em soluções de isolamento acústico


A Acustekpro foi fundada em 2005 em Valongo, Ermesinde, tendo sido deslocalizada para Albergaria-a-Velha, para o Lugar de Assilhó, em Fevereiro de 2007.

A empresa conta com uma larga experiência na realização de obras de isolamentos, bem como no desenvolvimento de produtos próprios, actuando em três áreas de negócios: isolamento acústico, soluções chave na mão para isolamentos e condicionamentos acústicos para indústria, construção civil e obras particulares.


Entre as suas principais obras é de destacar, entre outras, as seguintes: Hotel Pestana (na foto), Auditório Municipal de Grândola, Banco do Fomento de Angola, Estúdios TV Record em Portugal, Estúdios SIC em Matosinhos, Centro de Cultura de Coimbra, Conservatório de Música de Bragança, Padrão dos Descobrimentos (Insonorização).

A empresa colabora com empresas e arquitectos de referências como Mota Engil, Teixeira Duarte, Costa Lopes Arquitectos, JLCG (Arquitecto Carrilho da Graça).


Com uma aposta clara na detenção de toda a cadeia de valor, a Acustekpro projecta e fabrica os seus produtos na fábrica de Albergaria-a-Velha e instala-os posteriormente com recurso a mão-de-obra própria.

A Acustekpro tem o objectivo de ser, nos próximos dez anos, uma referência no campo da acústica a nível mundial, levando os seus projectos, criações e produtos a todos os cantos do globo, tornando assim, acessível a todos, um produto de qualidade superior, e acima de tudo, com a garantia de satisfação constante por parte do cliente.

Fontes: Página Oficial / Catálogo

 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Alba - Uma marca portuguesa no mundo" de Delfim Bismarck Ferreira e Pedro Martins Pereira


"Procurámos com este estudo trazer a público uma panorâmica geral da vida e obra do Comendador Augusto Martins Pereira e de seus filhos, bem como da indústria daquela que foi uma das principais marcas industriais portuguesas do século XX e início do XXI”, escrevem os autores na introdução.

A marca Alba, registada em 1929, teve ao longo de várias décadas uma grande difusão, quer em Portugal, quer nos países que constituíam o designado Império Ultramarino Português.

O seu fundador, Augusto Martins Pereira, lançou as bases daquela que foi talvez a principal marca portuguesa de utensílios domésticos, mobiliário urbano e acessórios fundidos para águas e saneamento do século passado.

A importância da marca Alba não se ficou somente pelos produtos fabricados. As instalações fabris foram uma verdadeira escola técnico-profissional, formando técnicos especializados em diversas áreas que, na altura, faltavam no mercado de trabalho.

A família Martins Pereira assumiu também um papel importante no desenvolvimento social, cultural e desportivo do Concelho, com destaque para a criação e apoio do Sport Clube Alba, a construção do Parque de Recreio e Desporto Alba e do Cineteatro Alba.

Fonte: CMAAV 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Manuel Valente dos Santos: um inventor branquense

A mostrar uma das suas invenções à Rainha Fabíola da Bélgica.
Primeiro de 7 filhos, Manuel Valente dos Santos nasceu a 21 de abril de 1920. (...) Filho de Francisco Santos e Benedita de Jesus, Manuel Valente dos Santos frequentou a escola da sua terra, a Branca, até 1933. Trabalhou na agricultura e nos transportes até 1942, 1943, altura em que foi fazer o serviço militar, em Lisboa.

Cumpriu o serviço militar nos Sapadores de Caminhos de Ferro. Posteriormente, Manuel Valente dos Santos arranjou trabalho no Instituto Pasteur em Lisboa graças á intervenção de um oficial, seu superior, onde foi colocado na secção de material cirúrgico e onde terá desenvolvido a sua vocação.

Numa altura em que a II Guerra Mundial estava no auge, escasseavam os instrumentos cirúrgicos, uma vez que os poucos que os produziam não chegavam para as necessidades. Os cirurgiões viam-se a braços com uma carência assustadora de tais materiais e Manuel Valente dos Santos propôs-se a produzi-los. Em oito meses familiarizou-se e apaixonou-se pelo seu novo trabalho.


Através da observação nas intervenções cirúrgicas em que esteve presente - nomeadamente com Décio Ferreira, grande especialista de cirurgia cardiológica - começou a aperfeiçoar utensílios já utilizados para lhes aumentar a eficiência. Além disso, criava, ele próprio, instrumentos, revelando uma intuição invulgar e que lhe mereceu, ao longo de toda a vida, rasgados elogios.

Posteriormente, Manuel Valente dos Santos foi convidado para ir trabalhar para a ADICO, em Avanca. Já após o seu casamento, em 1944 com Maria Glória Pereira e depois de ter três filhos, adquiriu uma fábrica, no Porto, em 1954 que, em 1956 foi transferida para Soutelo, a Fábrica MAVAS (que representava, precisamente, as iniciais do nome Manuel Valente Santos).

Foi, igualmente, em 1956 que Manuel Valente dos Santos participou no Congresso Mundial de Cirurgia Cardiotorácica, em Barcelona. Um dos primeiros hospitais a recorrer aos instrumentos inventados por Manuel Valente dos Santos foi o Hospital de Águeda dirigido pelo famoso cirurgião António Breda.


Em 1959, o inventor de Soutelo participou na Exposição Industrial – Comemoração do Milenário de Aveiro e do Bicentenário da sua Elevação a Cidade onde recebeu o Diploma de Medalha.

Ainda em 1959 participou na Exposição Nacional de Évora onde foi, também, distinguido pelos inventos apresentados.

Foi em 1960 que Manuel Valente dos Santos participou, pela primeira vez, no já IX Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas com onze inventos. Aqui, recebeu três Medalhas de Ouro, das quais, duas com felicitações do júri internacional, cinco Medalhas de Prata Dourada, duas Medalhas de Prata e uma de Bronze.


Para além destes prémios, Manuel Valente dos Santos recebeu, igualmente, uma Medalha, prémio atribuído ao melhor expositor de cada país. O dispositivo inventado por Manuel Valente dos Santos, um misturador para transfusão que arrecadou uma das medalhas douradas começou, desde logo, a ser utilizado nos grandes hospitais de Bruxelas.

De Bruxelas, Manuel Valente dos Santos levou, ainda, um convite para expor os seus trabalhos em Paris em Maio do mesmo ano e onde obteve mais uma Medalha de Ouro por todos os inventos apresentados.

Além de começar a ver as suas invenções a serem utilizadas por todo o mundo nas mãos de médicos e cirurgiões, estas foram, também, nomeadas não só na imprensa da altura como em livros, nomeadamente, no livro sobre cirurgia escrito por Charles Bailey.

Revista UPorto / Alumni
A MAVAS começou, assim, a receber muitas encomendas de hospitais estrangeiros, europeus e americanos. Como vantagem, Manuel Valente dos Santos tinha o facto de os seus “ferros” estarem patenteados o que lhe permitia o fornecimento exclusivo daqueles materiais. (...)

Contudo, de salientar que Manuel Valente dos Santos sempre teve um talento especial para tornar a vida mais fácil com o recurso a alguns instrumentos. Já muito jovem teria criado uma caneta-pistola, isto é, transformou uma caneta de tinta permanente, munida de alavanca lateral numa pistola que resultou de tal forma que poderia ter ferido, inadvertidamente, o irmão que havia chamado para o ajudar. Mas não se ficou por aqui!

Manuel Valente dos Santos construiu um aparelho para servir à mesa sem o auxílio de uma empregada para o efeito. É um aparelho que permite transportar e posicionar as travessas com os alimentos em frente às pessoas que estão sentadas à dita mesa e que pode ser comandado à distância tendo este mecanismo sido apresentado no X Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas.


Assim, em março de 1961, Manuel Valente dos Santos participou no X Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas com 14 inventos. Desta feita, o inventor Manuel recebeu Diploma de Medalha de Ouro com felicitações do júri, mais oito Medalhas de Ouro e de Prata Dourada, três de Prata e três de Bronze.

Posteriormente a esta participação, Manuel Valente dos Santos recebeu, em sua casa, Paul Quintim, Presidente do Salão Internacional de Inventores, curioso de conhecer o local onde os inventos ganhavam corpo. Ainda em 1961, Manuel Valente dos Santos participou no I Salão de Inventores, em Lisboa onde recebeu o 1º prémio com Diploma e Medalha de ouro.

Foi, também, em 1961 que, juntamente com o seu filho mais velho, Carlos Santos construiu um barco com a particularidade de ter sido o primeiro barco feito de fibra de vidro em Portugal. Contudo acabou por desistir da ideia de levar este trabalho em frente, por não lhe cederem alvará.


Em 1962, Manuel Valente dos Santos participou no XII Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas onde recebeu quinze medalhas, seis das quais de ouro, quatro delas com felicitações do júri. Nesse ano, o inventor da Branca privou com várias figuras importantes da época que mostraram interesse pelo seu trabalho, nomeadamente, a Rainha Fabiola, da Bélgica.

Em 1967 veio a conhecimento público que Manuel Valente dos Santos estaria a trabalhar numa invenção para extração de tumores cerebrais que teve, posteriormente grande sucesso a nível mundial. Esta descoberta foi, ainda, alvo de uma tese realizada pelo neurocirurgião, Celso Cruz.

Apesar dos louros e felicitações que foi recebendo, a falta de apoios, em Portugal, acabou por travar as viagens de Manuel Valente dos Santos a estas exposições uma vez que se tornavam viagens bastante dispendiosas e que ficavam a cargo, na sua totalidade, do inventor do Soutelo. Contudo, Manuel Valente dos Santos não deixou de ser abordado por cirurgiões, hospitais e outras instituições como a Cruz Vermelha belga interessados nos seus trabalhos e a que algumas vezes não conseguia dar resposta pois a produção que detinha não o permitia.

Site Portuguese American Historical & Research Foundation

Site do Museu Maximiano de Lemos
Em 1968, Manuel Valente dos Santos rumou aos EUA para participar no Congresso de Urologia e Cirurgia, em Miami. Aconselhado por médicos e amigos resolveu ficar. A primeira barreira com que se deparou foi a língua, que não conhecia ficando dependente de tradutores que, muitas vezes, deixavam que se perdesse o verdadeiro sentido do que era dito. Mas não foi só a língua. A economia, o mundo empresarial, o dólar funcionavam de forma diferente daquilo que Manuel Valente dos Santos, demasiado bom e honesto, conhecia.

Durante a sua estadia nunca deixou de assistir a muitas operações ao coração. Passou por fábricas de aparelhagem cirúrgica como a de Castle Selar Weck, pelos hospitais de Nova Iorque, Boston, Miami, Florida, Rochester, entre tantos outros.

Manuel Valente dos Santos inventou um novo aparelho cirúrgico para operações ao cancro do recto nos EUA. Em 1974, a fábrica em Portugal, a MAVAS foi fechada. Após ter trabalhado para uma grande indústria de instrumentos hospitalares, uma fábrica em Long Island, Nova Iorque, entre 1975 e 1978, Manuel Valente dos Santos trabalhou para uma subsidiária da mesma na Carolina do Norte para onde foi treinar o pessoal.



Posteriormente, a internacional Stryker, do estado de Michigan tornou-se sua cliente quando Manuel Valente dos Santos teve a sua própria fábrica em Newark, Nova Jérsia, Estados Unidos onde trabalhou sozinho durante muito tempo e depois com um primo que levou para lá e a quem ensinou a arte.

É extremamente vasta a lista de instrumentos inventados por Manuel Valente dos Santos, desde uma mesa para a colheita de sangue de transfusões, instrumento para suturação de vasos, chave de parafusos para cirurgia óssea, pinças das mais complicadas para utilização nas mais diversas operações cirúrgicas, até uma cadeira para uma criança sem braços que foi criada e adaptada para que a criança pudesse desenhar com os pés.

Em 1988, Manuel Valente dos Santos voltou a participar no Salão Mundial de Inventores, de Bruxelas onde recebeu vinte e uma Medalhas de Ouro correspondentes a vinte inventos destinados a cirurgia de alto risco sendo que o Suction basket forceps, instrumento usado para operações ao joelho, ao menisco recebeu duas medalhas.

Manuel Valente dos Santos recebeu, igualmente, a taça do Burgomestre de Bruxelas, a Medalha de Honra da Comuna de Saint-Josse-Ten-Noode que representa a homenagem da população de Bruxelas ao inventor estrangeiro presente com maior prestígio e recebeu ainda as insígnias de inventor de mérito atribuída pelos serviços à causa de progresso e apoio às invenções.


Em 1989, passados 21 anos, o inventor do Soutelo voltou ao seu país. Manuel Valente dos Santos sentiu-se, muitas vezes, frustrado porque não existiam produtores, não havia quem produzisse no estrangeiro. E, consequentemente, o material que Manuel Valente dos Santos fazia acabou, deixou de se produzir. Foram, no entanto, reproduzidas algumas réplicas. Viveu a sua reforma a trabalhar, despreocupado numa oficina que entretanto construiu, em Aveiro.

Medalhas de ouro, diplomas e insígnias que Manuel Valente dos Santos recebeu no último Salão Internacional de Inventores em 1988. Definido como uma pessoa exigente que dava bastante importância às pequenas grandes coisas, uma pessoa que valorizava o respeito e estava sempre disponível a ajudar quem precisasse, Manuel Valente dos Santos foi sempre caraterizado como uma pessoa modesta e humilde, com um enorme espírito criativo que lhe permitiu desenhar e construir instrumentos com tanto de quantidade quanto de perfeição.

Manuel Valente dos Santos entregou a sua vida à invenção de material cirúrgico que possibilitou a revolução do equipamento utilizado pela medicina.

Fonte: Correio de Albergaria (adaptado)


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