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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Loja Nova (1891-1963)

Joaquim Ribeiro Silva

Lucília de Jesus Caetano, na sua obra “A indústria no distrito de Aveiro”, faz referência à exposição realizada no Palácio de Cristal, no Porto, com início a 18 de Novembro de 1891, onde estiveram expostas bolachas produzidas pela Fábrica Fidelidade, do Concelho de Albergaria-a-Velha, pertencente a Joaquim Ribeiro e Silva, fundada um ano antes na cidade do Porto e posteriormente transferida para o nosso concelho por motivos pessoais e económicos.

Joaquim Ribeiro e Silva, natural do Beco, Macinhata do Vouga, no Concelho de Águeda, instalou, então, na Rua de Santo António, em Albergaria-a-Velha, uma pequena fábrica de bolachas e biscoitos, a "Loja Nova" (que substituiu a "Fidelidade" e, posteriormente, a "Provinciana"), que atingiu grande fama na região.



Foi a mais famosa fábrica artesanal de doçaria, em Albergaria-a-Velha e na região, pela excelência dos seus fabricos entre os quais se contavam os folares da páscoa, as raivas, os biscoitos, como nenhuns outros houve por estas bandas.

Os seus produtos, de grande qualidade, eram equiparados aos melhores de Coimbra e Porto, e por esse motivo eram expedidos para todo o país.

Mesmo depois do proprietário ter transferido residência para o Porto, os seus familiares, nomeadamente duas das suas filhas, Alice e Rosa, aqui mantiveram a sua produção de escala mais regional por mais alguns anos.

A última das irmãs proprietárias, D. Rosa Emília, faleceu em Janeiro de 1963.

D. Rosa Emília

A tradição de confeccionar este género de produtos conseguiu manter-se viva ao longo dos anos, graças inicialmente à “Casa Turco” e actualmente a D. Margarida Ferreira (conhecida por D. Margarida Coutinho), herdeira das receitas destes afamados doces regionais.

Fontes: Dr. Albuquerque Pinho / "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de D. Bismarck Ferreira e R. Vigário (incluindo fotos) / “A indústria no distrito de Aveiro” de Lucília Jesus Caetano


sábado, 10 de janeiro de 2015

Parceria entre Mealfood e Universidade de Aveiro na produção de pastéis de nata inovadores


A empresa Mealfood pediu a cientistas da Universidade de Aveiro para criarem pastel de nata que apenas precisassem de ir ao micro-ondas para ser aquecido. O segredo está na massa folhada, com uma pitada de ciência. (...)

A empresa quer ter os seus novos pastéis de nata Eatly nas prateleiras dos supermercados portugueses já em meados de 2015. E conta chegar na mesma altura a Angola, Moçambique, Macau e Inglaterra.


“Foi uma ideia que surgiu há mais de dois anos”, diz António Santos, um dos directores da Mealfood, ao Jornal PÚBLICO. A empresa, com cinco trabalhadores, nasceu no final de 2012 e está instalada no concelho de Albergaria-a-Velha [em Frossos], no distrito de Aveiro. O objectivo era usar o conhecimento de Francisco Santos, pasteleiro com experiência internacional e outro dos directores da empresa, para se começar a produzir os pastéis.

Hoje, existem pastéis de nata crus ou semi-crus à venda para os consumidores. Para ficarem prontos, estes pastéis têm de ser cozidos no forno durante 20 minutos, a mais de 200 graus. Como este mercado já estava preenchido, os responsáveis da Mealfood optaram por apostar num produto mais directo: um pastel que já estivesse cozido, que fosse depois ultracongelado e que no final, quando chegasse às mãos das pessoas, só tivesse de ser aquecido no microondas. O resultado final seria um pastel de nata “com a mesma frescura” do que um acabado de sair do forno, nas palavras de António Santos, pronto em apenas um minuto.


Para isso, os empresários resolveram contactar Manuel António Coimbra, bioquímico alimentar da Universidade de Aveiro. “Foi um desafio”, conta o cientista ao PÚBLICO. “A empresa queria um pastel de nata com as mesmas características físicas, visuais e sensoriais”, explica. (...)

A investigação foi realizada ao longo de seis meses. “Foram precisos muitos testes, foram precisas muitas horas”, diz António Santos, que não quer revelar quanto é que este investimento custou à empresa. O trabalho foi feito em conjunto pela equipa da Universidade de Aveiro, que incluiu as investigadoras Rita Bastos e Elisabete Coelho, e o pasteleiro Francisco Santos. (...)

O novo produto está agora à espera de uma patente portuguesa, que já foi pedida. Entretanto, existe um design de embalagem que leva seis pastéis. Quando chegarem ao mercado, só será preciso aquecê-los e comê-los — de preferência, com canela.
Fonte: Público  / UA / Eatly

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Fábricas Metalúrgicas Alba: "Esta empresa foi um estado-providência" (Jornal Público)



Desenhou e produziu os bancos de jardim que decoram o país. Fabricou postes de iluminação em ferro fundido, ferros de engomar, louça de alumínio, caixas de correio. Construiu hospitais, cineteatros, um bairro social. Abriu refeitórios para dar sopa aos pobres. Criou um clube de futebol e trouxe ao mundo um carro de competição genuinamente português. Alba, a metalúrgica de Albergaria-a-Velha, transformou uma região, “albalizou” o império. A fábrica fechou, mas a marca resiste e já tem um prémio internacional de design.

Quando Augusto Martins Pereira chegava à empresa e comentava logo pela manhã que tinha passado a noite a puxar pela cabeça, os funcionários mais próximos sabiam que um novo produto estava a caminho, que não tardaria a surgir no papel e a ganhar forma. Havia muito respeito pelo patrão que tinha mão para o desenho, olho para o negócio, cabeça para surpreender o mercado, pernas para tirar o tapete à concorrência e um coração generoso que entendia e tentava resolver as dificuldades dos seus trabalhadores.(...)


Augusto Martins Pereira, o fundador

Martins Pereira, fundador da metalúrgica Alba, instalada em Albergaria-a-Velha em 1921, colocou a empresa nas páginas da história industrial portuguesa com uma visão inovadora para a época. A sua curta passagem por Boston e o curso de fundição que aí frequentou tiveram repercussões no meio empresarial português. O empresário não facilitava na hora de defender as suas ideias e lançava mãos à obra sempre que achava que era o momento certo para anunciar o que a sua fundição andava a produzir.

Em Janeiro de 1929, Martins Pereira escolhia o Grémio Recreativo Albergariense, frequentado por muitas famílias da região, para partilhar uma das suas últimas invenções. A sua “cozinha moderna” foi um êxito. Um fogão em ferro fundido de três bicos, portátil, não muito pesado, que com a chama de um simples fogareiro de pressão a petróleo permitia confeccionar três pratos em simultâneo em apenas meia hora. Pouco tempo e pouco consumo para aquela época. O seu inovador sistema de cozinha valeu-lhe um contrato de exportação para os Estados Unidos.


Nessa altura, a Alba já fabricava esmagadores para uvas, autoclismos, prensas completas para bagaço e acabava de montar uma nova secção de niquelagem para o fabrico de ferros de engomar aquecidos por uma pequena lâmpada de petróleo. Mais uma revolução na colecção de peças domésticas e que iria entrar por muitos lares portugueses.

O empresário, que foi agraciado com a comenda de Mérito Industrial e a quem Salazar tirava o chapéu pela pujança económica — chegando inclusive a dar instruções à sua equipa ministerial para que apoiasse o comendador no que fosse necessário —, não era apenas um homem de negócios. Visionário nos produtos que colocava no mercado, estava atento ao que se passava à sua volta numa época em que não havia pão em muitas mesas. (...)


O fundador da Alba sabia que tinha de inovar para conquistar o seu espaço, mesmo liderando uma das mais completas fundições de ferro cinzento do país. Antes de chegar a Albergaria, as suas mãos já tinham passado por várias fundições. Conhecia os seus segredos. Aos dez anos, estava em Lisboa com o pai na Companhia das Águas de Lisboa, como ajudante na fundição onde o seu tio era mestre. Passou por várias fundições de Lisboa e da Covilhã, trabalhou nas minas do Braçal e de S. Brás de Alportel.

Viajou para Boston. Dois anos intensos nos Estados Unidos. Tinha então 20 anos e trabalhava em fundições de dia e tirava um curso da arte à noite. Aprendeu muito nesse tempo, adquiriu o gosto pela simetria que transparece nos desenhos feitos a lápis ou nos portões de ferro que protegem a sua casa moderna para os anos 20 do século passado, com grande piscina, extenso jardim, que mandou construir perto da Alba.


No regresso dos Estados Unidos monta uma fundição de sinos nos Açores, negócio que acabaria por vender alguns anos mais tarde. Faz novamente as malas e regressa às origens. Aos 36 anos, está em Albergaria, onde cria a Fundição Lisbonense (em 1921), alterando pouco depois o nome para Fundição Albergariense. Em 1925, envolve-se na criação da metalúrgica Oliva em São João da Madeira — outra das fundições mais importantes do país. Pedem-lhe para ficar na sociedade com exclusividade de 15 anos, mas não aceita.

Em 1929, nascia a marca Alba, um ano depois de se ter conseguido estabelecer como comerciante em nome individual. A fundição Alba estava pronta para vingar no mercado com um logótipo arredondado que terá saído das mãos do próprio empresário.


José António Laranjeira foi responsável pela fundição

Em 1957, José António Laranjeira tinha 26 anos, estudava Engenharia Mecânica no Instituto Técnico de Lisboa e chegava à Alba como estagiário. Tinha família em Albergaria e parecia-lhe que aquela empresa poderia ser o local indicado para testar a teoria que ia absorvendo na universidade. Não se enganou e, de repente, os conceitos de eficiência e produtividade fizeram todo o sentido. Voltaria à Alba depois do curso concluído e seria, durante 12 anos, o responsável pela fundição da empresa. O empresário Martins Pereira mostrou-lhe que era preciso acompanhar todo o processo de execução de um produto, desde a ordem que saía do gabinete à entrada para a máquina.

O jovem Laranjeira ficava fascinado com a constante procura de soluções. E reparava com admiração e orgulho no trabalho social promovido pelo patrão. “Matou a fome a muita gente e proibiu a mendicidade quando foi presidente da câmara e como provedor da Misericórdia”, recorda à Revista 2.

As tabuletas com os avisos que proibiam andar de mão estendida a pedir esmolas eram feitas na fundição. “Avançava com a obra social sem garantias nenhumas de apoio oficial”, adianta. As condições dadas aos trabalhadores também lhe ficaram na memória: bom refeitório, balneário com cacifos individuais, um centro cultural e recreativo, uma banda de música, um rancho folclórico, livros para os filhos dos operários, um clube de futebol, o jornal Beira Vouga.


O agora octogenário não esquece muita coisa que se passou naquela fábrica. “A Alba distinguia-se porque tinha uma concepção de ferramentas fora de série. No meu tempo usou, e terá sido a primeira em Portugal a fazê-lo, a fundição em carapaça”, recorda Laranjeira. Uma técnica avançada para a época que recorria à areia com resina, matéria-prima mais cara do que a habitual areia verde que recorrentemente era utilizada e que permitia descartar o uso das caixas de moldes e assim acelerar a produção com menos mão-de-obra.

Foi também a primeira a produzir carcaças de alumínio para motores eléctricos pelo processo de vazamento em coquilha por gravidade. A inovação, a capacidade de resposta e a qualidade da “pele” das peças de ferro fundido abriram-lhe muitas portas e a Alba passou a ser procurada por várias indústrias — papeleiras, empresas de transportes ferroviários, construção e reparação naval, motores eléctricos e motores para motociclos.


“O senhor comendador tinha uma particularidade: gostava de pensar.” Laranjeira guarda um documento escrito pelo antigo patrão com recomendações para determinados trabalhos. Martins Pereira avisava pelo próprio punho: “Recomendamos por isso a todos os nossos operários que aproveitem todo o tempo, sem fazerem esforço excessivo que lhes prejudique a saúde, e que evitem passos e operações inúteis, procurando por todos os meios simplificar a maneira de trabalhar, para que todo o aproveitamento seja maior e melhor e com o qual todos vão lucrar.”

Aquelas palavras ficaram guardadas na memória e o engenheiro Laranjeira abre com elas um texto que escreveu sobre o fundador da Alba para a Revista da Fundição da Associação Portuguesa de Fundição, no terceiro trimestre de 1997. “O espírito deste homem era impressionante. Tinha ideias, escrevia, reflectia, não guardava as coisas para ele.” E todos aprendiam. Preocupava-se com a formação dos operários, ensinava a ler desenhos, pagava as despesas dos cursos industriais que os funcionários frequentavam.

A empresa prosperava, as encomendas não paravam de chegar, os bancos de jardim, que começaram a ser fabricados em 1943, eram requisitados por praticamente todas as autarquias do país, a louça de alumínio era um sucesso, as colunas de iluminação andavam a ser cobiçadas por muitos centros históricos.


Artur Dias Moreira dava vida aos moldes

Trabalho não faltava e o trabalho da fundição era duro. Artur Dias Moreira tem 75 anos e tem-nos marcado nas mãos que pareciam maiores do que o corpo quando era preciso dar vida aos moldes. Aos 14 anos, trabalhava na Alba, ajudava no que fosse preciso. Foi fundidor, chegou a encarregado de obra grande.

Era o trabalhador número 528. Conhecia todos os cantos da fábrica, acompanhava a transformação da areia do mar que era enxuta num queimador, subia e descia por um depósito, entrava numa máquina, passava por um processo de mistura, saía para a moldação, e em 15 minutos era cimento. Artur sabia que ali se faziam produtos importantes. “Foi uma vida, gostei muito de trabalhar na Alba. Era a melhor fundição do país nos anos 40 e 50”, afirma.

Não esquece o dia em que teve de marcar passo na tropa frente a um hotel da Figueira da Foz. “Fiquei numa alegria quando olhei e vi que o meu patrão estava lá”, conta emocionado. “Era um homem com todo o respeito, mas era preciso cuidado com a brincadeira. Passava sempre pela fundição para dar uma vista de olhos.” Tem saudades desse tempo e evita passar à porta da Alba. “Podia estar a dar o pão a ganhar a muitos operários.” (...)


Orlando Silva Marques, contabilista

Orlando Silva Marques conhece o Cineteatro Alba de olhos fechados. Era contabilista na Alba e para ganhar mais uns trocos foi trabalhar para a bilheteira em 1962. Não era muito difícil a sala esgotar. Orlando lembra-se dos preços daquele tempo: “Onze escudos para o balcão lá em cima, cinco escudos para a plateia à frente e oito escudos e 50 centavos para a plateia de trás.” Às vezes, batiam-lhe à porta de casa para assegurar entradas antes que voassem, como foi o caso de Um Zero à Esquerda, de Laura Alves.

Orlando entrou na Alba com um curso técnico comercial para se candidatar à vaga aberta na contabilidade industrial. Tinha 23 anos e ali ficou 42. “Os tempos eram melhores, trabalhava-se bem.” Os tempos eram ainda os das máquinas de escrever e de muitos cálculos de puxar pela cabeça. Partilhava o escritório com mais 20 colegas. A fábrica tinha muitas encomendas e isso reflectia-se na contabilidade. “Era a empresa de maior importância na zona.” (...)


Henriqueta Pires, a menina dos telefones

Henriqueta Pires tinha 17 anos quando entrou na Alba. Estava muito nervosa, sabia que tinha de passar pela aprovação do comendador. “Estava sentadinha a um canto para ser apresentada ao senhor Martins Pereira. Ele chegou, levantei-me e ele perguntou: ‘Esta é que é a menina do telefone?’” Ficou na metalúrgica até fazer 60 anos de vida, hoje tem 83 e mora ainda numa das 12 casas que o fundador mandou construir para os quadros da empresa — e que mais tarde seriam colocadas à venda.

Parece uma casinha de bonecas, tão bem cuidada, jardim delicadamente tratado com muros feitos de arbustos aparados ao milímetro. Pertinho da fundição, a paredes meias com o terreno que circunda a casa que foi do patrão. “Era uma excelente pessoa, muito amigo dos pobres”, recorda.

À primeira hora da manhã, encontrava-o na empresa para comandar o barco. Henriqueta atendia chamadas de todo o lado no seu primeiro e único emprego. Repetia vezes sem conta “Alba 6” — o número de telefone atribuído à empresa, ainda apenas com um dígito. “Era um corrupio, chamadas de todo o país e até do estrangeiro, até da Guiné vieram cá uns senhores”, lembra. Teve de aprender a pronunciar nomes esquisitos de empresas internacionais, a anotar todos os recados. “Conhecia toda a gente e não conhecia ninguém.” (...)


José de Almeida, electricista e desportista

O antigo electricista José de Almeida, de 82 anos, tem saudades da Alba. Entrou na empresa com 14 anos, saiu com 68. Os dias da fundição eram intensos e não havia mãos a medir. “Não davam vazão à louça de alumínio.” Lembra-se ainda da grande obra da barragem de Castelo de Bode. “A Alba fez uma torneira com 1,20 metros de diâmetro. Não havia nada que não se fizesse em ferro.”

José Almeida também ajudou para que a instalação eléctrica do cineteatro ficasse como deve ser. Foi ainda jogador e capitão do clube de futebol que a fundição criou e que montava arraiais no Campo das Laranjeiras, não muito longe da fábrica. A costela humanista da fundição alargava-se ao desporto, não para acumular vitórias, mas para promover o exercício físico e o convívio. “Tínhamos uma equipa a disputar o nacional só com futebolistas cá da terra”, recorda o ex-operário, ex-jogador, ex-capitão.

José Almeida lembra o companheiro João Castanheira, colega de campo, colega de trabalho, homem de mil ofícios, que morreu recentemente. “Era sapateiro, roupeiro, jogador, treinador, lavava a roupa, e era fundidor.” (...)


Pedro Martins Pereira, bisneto que continua a preservar a marca

Pedro passava as férias na fábrica do bisavô. Ganhava 25 tostões por dia e preferia passar o tempo na carpintaria. “Fazia coisas em madeira, um material mais humano do que o aço.” Mas, quando as suas mãos moldavam o ferro, nasciam coisas como um ovo metálico para apanhar camarões. Chegou também a recuperar um barco à vela. Além da postura do bisavô, da sua costela empresarial e veia altruísta, Pedro não esquece a aventura do avô Américo e do tio-avô Albérico que no final da II Guerra Mundial entraram de carro em Londres para comprar um navio que ia para a sucata. Fernando Pessa estava na BBC e entrevistou os dois aventureiros portugueses que meteram o carro no navio e voltaram a Portugal com toneladas de sucata pelo mar.

A relação afectiva não lhe permite fechar a Alba numa gaveta. Pedro cresceu ali, foi chefe de fundição e director técnico. Comprou a casa do bisavô bem perto da antiga fundição que um dia tenciona recuperar. “O meu bisavô era muito criativo, era um visionário.”

O relançamento da empresa está a ser trabalhado de forma contínua desde 2011. Pedro, engenheiro metalúrgico, é dono da Larus, empresa de mobiliário urbano. O know-how da Larus acaba por ser imprescindível na recuperação da Alba. “Um dos aspectos mais fortes, mais interessantes, mais consistentes da marca é que tem uma imagem sustentável que não se inventa. Ou existe ou não existe. E ela tem tanta energia, tem um grande potencial de se recuperar”, refere Pedro Martins Pereira.

Fonte: Sara Dias Oliveira (em Revista 2 do Jornal Público)(adaptado/extracto)

Fotos: Nelson Garrido

quinta-feira, 24 de abril de 2014

"Alba, uma marca ao serviço da comunidade" em documentário


"Alba, uma marca ao serviço da comunidade" é o nome do documentário que o Cineteatro Alba vai exibir na noite de 29 de abril, pelas 21h00, e que constitui uma obra imprescindível para conhecer um período importante da História recente de Albergaria-a-Velha.

Este documentário retrata a história fascinante da empresa e da marca Alba, um caso exemplar e pioneiro no panorama da indústria portuguesa. É um percurso centenário, norteado por um espírito empresarial inovador, aventureiro, solidário e humanista, colocando o sucesso ao serviço da comunidade, tornando-se assim factor de agregação de uma região e evitando a exclusão social.


A Fábrica Metalúrgica Alba está intimamente ligada à vida dos concelhos de Albergaria-a-Velha e de Sever do Vouga – desde o princípio do século XX – pela sua notável acção económica, social, cultural e desportiva. Relaciona-se também com a identidade colectiva nacional, através das peças domésticas e do mobiliário urbano que inundaram o nosso quotidiano a partir dos anos 20 e que também se projectaram além-fronteiras.

A concepção e construção integral – motor incluído – de um automóvel de competição genuinamente português é um feito histórico que tem sido pouco divulgado e que aqui merece o devido realce. As gravações que foram efectuadas com o carro Alba marcam, também, a última vez em que nele andou António Augusto Martins Pereira, o seu inventor.

Alba, uma marca ao serviço da comunidade constitui uma justa homenagem ao verdadeiro mentor do projecto Alba – Comendador Augusto Martins Pereira – e às várias gerações da família que lhe deram sequência, nomeadamente António Augusto Martins Pereira, seu neto, que faleceu em Janeiro de 2013 e cujo depoimento foi gravado poucos meses antes da sua morte.

Fonte: CMAAV

Mais informações 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Fábrica Alba: Localização estratégica e publicidade


Embora tenha sido fugaz a sua permanência [de Augusto Martins Pereira] nos EUA, ela repercutiu-se em Albergaria-a-Velha, não só a metodologia de trabalho e técnicas de fundição, mas também o design gráfico da marca.

Design gráfico da marca

Pressupõe-se que o Comendador Martins Pereira tenha traçado o logótipo da “ALBA” inspirado no símbolo da ASTM (American Society for Testing and Materials).



Com o símbolo ALBA a Fábrica Metalúrgica Augusto Martins Pereira tornou-se conhecida em todo o país. A denominação reunia as três primeiras e última letra da palavra ALBERGARIA, ou coloca-se também a hipótese de ALUMÍNIOS DE ALBERGARIA – ALBA.

De inspiração fortemente americana, a publicidade empresarial era fundamental para o desenvolvimento dos negócios. Não só o design da marca ALBA estava definido mas também o uso da publicidade gratuita e a localização da empresa em local estratégico (num aproveitamento das vias de comunicação) para o escoamento fácil dos produtos.

A implementação da unidade fabril junto da antiga estrada real e mais tarde da Nacional 1 torna-se, assim, imprescindível para o progresso empresarial. (...)


Publicidade

A publicidade foi o maior aliado da expansão do produto final a par da inquestionável beleza e singularidade da imagem do logótipo. O crescimento económico nacional, a publicidade em catálogo com recurso a slogans “Alba garantia de bom fabrico”, a participação em feiras, realização de exposições, localização estratégica da empresa e qualidade do produto proporcionaram, inquestionavelmente, o progresso empresarial.

Em 1934, a ALBA obtém a Medalha de Ouro na Exposição Industrial Portuguesa que se realizou em Lisboa. Este facto mostrou no mundo empresarial a qualidade da produção e perspectivou novos objectivos para a empresa. (...)


A acção concertada de gestão do Comendador e dos seus vendedores, da qualidade e pertinência do material criado foram sem dúvida os vectores para a manutenção de topo de venda dos produtos de qualidade.


A presença do Comendador em várias exposições: Ponta Delgada, Lisboa, Aveiro, entre outras traduziu-se na projecção da marca. A emissão de catálogos e apresentação minuciosa dos pormenores técnicos fazia parte do marketing empresarial. Era frequente surgir a informação: “ALBA” “ Fundições de ferro e ligas não ferrosas” a par da enumeração dos artigos produzidos. (...)



Escritório de Lisboa

A ALBA abre escritórios em Lisboa, na Rua dos Correeiros, 40-2º-E, sendo a gestão da responsabilidade de Albérico Martins Pereira, filho mais novo do Comendador.


África

No sentido da expansão comercial, em 1953 Albérico parte para Angola para aí estudar na companhia de técnicos, já da ALBA, a construção de uma fábrica de fundição, tornando-se administrador do Alumínio Português (Angola).

Estabelece então parceria com a Lupral – Lusalite Previdente de Angola, maior consumidor de material complementar para equipamentos. (...)


Nota curiosa é o facto de, na Exposição Mundial, Expo 98, em Lisboa, o pavilhão de Angola apresentar na sua decoração o ferro de engomar da fábrica Alba.

Fonte: "A fábrica Alba e os seus fundadores - História e Património" de Dra. Nélia Oliveira (adaptado)



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Fabricas de louça de Angeja

Bernardino Rodrigues Bastos é o oleiro do lado
direito (quadro de Eduarda Lapa "Oleiros de Angeja" de 1920)
A 1ª fábrica de Olaria de Angeja foi fundada no séc. XIX, na Barca (no espaço ao lado da Casa dos Leitões), por Francisco Correia Vidinha e Rosa Rodrigues Ferreira (naturais de Ovar)

Bernardino Rodrigues Bastos e a sua esposa Balbina Rodrigues Ferreira foram os fundadores da 2ª fábrica de Olaria em Angeja, na Alameda da Várzea. 

Manuel Correia Vidinha (filho dos fundadores da 1ª fábrica) e Gracinda Marques, passaram a ser os proprietários de Fábrica de Louça Vermelha, nos anos vinte, altura em que também um outro irmão, José Correia Vidinha, era proprietário da olaria existente na Biscaia (Albergaria-a-Velha).


Durante mais de cinco décadas, a fábrica de louça de Angeja, como era conhecida, fabricou toda a variedade de louça de barro vermelho necessária às lides domesticas vindo a encerrar por falta de mão-de-obra e dificuldades de laboração provocadas pelo encharcamento das instalações, após a eliminação da vala de escoamento paralela à Várzea, na construção do edifício dos CTT.

Ainda que encerrada possui alvará para laboração. Será que não haveria forma de se preservar essa industria artesanal, tão na moda, para servir também o interesse publico? Senão outros, os das crianças e escolas com projectos alternativos.

Fontes/Mais informações: Jornal D'Angeja nº 32, Fevereiro 2007 (adaptado) / Página do facebook "História de Angeja"

Curiosidade: Excerto do livro "Trepadeira branca" de Oliveira Santos (de 1955)

"E a travessa de barro vidrado, comprada na olaria de Angeja, cheiínha de cabeças de nabos com bacalhau, mais a caneca do verdasco a girar de mão em mão — e as castanhas assadas no borralho, entre as pernas da panela maior"


Manuel Oliveira Santos, jornalista do distrito de Aveiro, que foi director do "Voz do Povo", de Oliveirinha, do semanário "O Vigilante" e da revista de transportes e turismo "Rodoviária".

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Fábricas de cerâmica do concelho de Albergaria-a-Velha (1910)


O fabrico de telha e de louça era uma actividade tradicional no concelho desde tempos remotos. A cerâmica viria a ter alguma notoriedade em Albergaria-a-Velha com o surgimento da fábrica da olaria da Biscaia, situada na “Quinta da Biscaia”, com actividade pelo menos desde 1890, altura em que empregava nove pessoas.

No final daquele século “as fábricas de louça expedem também grande parte dos seus produtos para todo o distrito e principalmente para o de Viseu”, conforme refere um relatório da época.

Em 1905, o panorama da indústria de cerâmica no concelho de Albergaria-a-Velha era pouco mais diversificado, desenvolvendo-se nas freguesias de Albergaria-a-Velha, Alquerubim, Angeja e Ribeira de Fráguas.

Albergaria-a-Velha

 (…) era na Fábrica da Biscaia que existia uma fábrica de louça vermelha ordinária, sem vidrado, sendo o barro extraído junto à fábrica. (…) Nesta época tinha apenas sete operários, um mestre, que era o dono José Correia Vidinha, um rodista, dois amassadores, dois rapazes e uma mulher. (…)

Essas peças eram então, maioritariamente, cântaros, barris para água, panelas, alguidares e tijolos, os quais eram vendidos em 1905 aos seguintes preços: cântaros – 100 reis, barris – 60 reis, panelas – 80 reis, alguidares – 120 reis e cada milheiro de tijolo – 3$500 reis, sendo a sua produção anual e cerca de 900$000 reis. (…)

Para além de cerâmica para uso doméstico e rural, esta unidade industrial de pequena dimensão viria, mais tarde, a produzir igualmente cerâmica decorativa, alguma dela vidrada, bastante afamada na região.

Alquerubim

Duas pequenas unidades de fabrico telha ordinária, ambas em Paus, onde dois industriais tinham sete fornos de cozer telha que alugavam às pessoas que fabricavam a telha, recebendo em troca 1/6 da telha cozida ou seu equivalente em dinheiro (…)

Angeja

Em 1910 existia “uma pequena unidade sediada na Barca, (que) fabricava louça vermelha ordinária, sem vidrado. Produziam anualmente cerca de 270 milheiros de telhas, que vendiam na própria freguesia e nas vizinhas a 3$500 reis cada milheiro, rondando o seu rendimento anual os 980$000 reis.

Esta 1ª fábrica de Olaria de Angeja (da Barca) foi fundada no séc. XIX por Francisco Correia Vidinha e Rosa Rodrigues Ferreira (naturais de Ovar).

Estes, eram também os pais de Manuel Vidinha, o qual anos mais tarde acabaria por comprar a 2ª fábrica de Olaria de Angeja (Várzea).

Ribeira de Fráguas

Uma pequena unidade de fabrico e telha ordinária, situada em Telhadela, onde um industrial utilizava o mesmo sistema dos de Alquerubim, ou seja, alugava o forno nas mesmas condições.

Produzia anualmente cerca de 70 milheiros de telhas, que vendiam igualmente na própria freguesia e nas vizinhas a 3$500 reis cada milheiro, num valor aproximado de 245$000 reis anuais.

Nestas duas freguesias a laboração era sazonal, apenas nos meses e Maio a Agosto.

Fontes: “Albergaria-a-Velha 1910 – da Monarquia à República” / Luís Altino (em História de Angeja)

Curiosidade

Fortunato Freire Themudo refere, no seu "Estudo sobre o estado actual da indústria cerâmica na 2ª circunscripção dos serviços técnicos da indústria", que “o fabrico é feito da seguinte forma: cavado o barro é muito amassado com enxadas e depois partido aos bocados segundo os objectos que se desejam fabricar, sendo depois muito batido com um rolo de ferro"

Fonte: Tese de Isabel Maria Granja Fernandes 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Synfiber Confecções (1988-2006)


A Synfiber konfeksjon foi fundada em 1963 em Oslo, na Noruega. Em 1985 começa a trabalhar com a Fábrica de Confecções Albergaria, localizada na Rua de Santo António, nº 22-3, no centro de Albergaria-a-Velha.

A Fábrica de Confecções Albergaria é, entretanto, deslocalizada, em 1987, para a Zona Industrial de Albergaria-a-Velha, dando origem em Abril de 1988 à Synfiber Confecções, Lda., quando a empresa portuguesa foi adquirida pela Synfiber Konfeksjon, absorvendo grande parte dos seus activos e trabalhadores e especializando-se no fabrico de fatos de trabalho.

A Synfiber começou com cerca de 80 empregados em 1988, tendo chegado a dar trabalho a 300 operárias, sendo considerada a empresa com maior número de trabalhadores no concelho de Albergaria-a-Velha e a maior empregadora de mão-de-obra feminina da zona Centro.


Os empresários, de origem norueguesa, não escondiam a satisfação pela aposta feita na Synfiber, que trabalhava principalmente para o mercado de exportação, para países como Inglaterra, Itália, Espanha, Áustria, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Noruega, mas em meados da década de 90 começaram os primeiros problemas, originados pela concorrência dos mercados asiáticos, tendo sido feitos acordos de rescisão que reduziram o número de trabalhadoras para cerca de 150 postos de trabalho.

A falta de encomendas e a concorrência asiática agravaram-se no início do século XXI, tendo sido essas as razões apontadas pela Synfiber para o encerramento total da fábrica em 2006.

Dos 144 trabalhadores que permaneciam na empresa, 138 eram mulheres, muitas com 20 e mais anos de serviço, que transitaram da antiga Fábrica de Confecções de Albergaria-a-Velha.

Fontes: Jacinto Martins / Diário de Aveiro / Notícias de Aveiro / Synfiber konfeksjon

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Minas de Telhadela


Fazendo jus ao importante papel que desempenhou na exploração mineira da região, Diederich Mathias Feuerheerd viria a descobrir também, em 1854, a mina de Telhadela, situada nas freguesias de S. Tiago da Ribeira de Fráguas e de S. Vicente da Branca, no concelho de Albergaria-a-Velha.

A mina obteve diploma de descobrimento legal, em 19 de Abril de 1859, e alvará de concessão definitiva em 2 de Abril de 1861, numa altura em que Mathias Feuerheerd havia já cedido os direitos sobre a concessão a seu filho Hermann Lourenço Feuerheerd.

Em 2 de Dezembro de 1865, constituía-se, em Lisboa, a Companhia das Minas de Telhadela, que viu aprovados os seus estatutos por Decreto de 7 de Novembro de 1865 e instituída a transmissão de propriedade mineira, em 20 de Fevereiro de 1866.



As minas de Telhadela iniciaram a sua exploração em 1866, produziam cobre, prata e há quem diga que também algum ouro. A exploração mineira é ancestral na freguesia, tendo sido no século XIX que ela se intensificou, designadamente as minas do Coval da Mó e Volta de Telhadela, nas quais se extraía cobre e chumbo. A mina era inicialmente formada pela concessão da Volta e Lomba, vindo, mais tarde, a juntar-se-lhe as concessões de Esperança e de Samuel.


Iniciados os trabalhos de exploração junto à povoação de Telhadela, nas margens do rio Caima, desde logo se reconheceu a necessidade de aumentar o campo de lavra, na direcção em que se estendiam os filões mais importantes. Em 25 de Outubro de 1867, o engenheiro da companhia, Arménio Breithaupt, registava a mina da Esperança, a Norte, e em 28 de Outubro de 1868 a de Samuel, a Oeste, cedendo depois à companhia esses manifestos. As concessões definitivas seriam obtidas em 1 de Março de 1875. Os minérios aqui explorados foram a calcopirite, a galena e blenda e a niquelina.

O dinamismo revelado no andamento dos trabalhos durante os primeiros anos de laboração e as boas condições de transporte, em que a mina se encontrava – próxima da estrada que ligava o Palhal à estação de caminho -de-ferro de Estarreja –, faziam augurar um futuro promissor para esta concessão.


Após a constituição da sociedade anónima Companhia das Minas de Telhadela, as pesquisas e o desmonte do minério conheceram um significativo incremento. Foram instalados aparelhos de concentração e de lavagem, a respectiva oficina de preparação mecânica dos minérios e um conjunto avultado de infra-estruturas de apoio à extracção e transporte.

Os trabalhos de investigação e desmonte produziram, no ano de 1869, 226.741 toneladas de cobre e 6.609 de niquel, sendo o mineral, na sua totalidade, exportado para Inglaterra. Apesar do incremento verificado na exploração durante os primeiros anos, a baixa do preço dos metais e o empobrecimento gradual do jazigo, levaram à paralisação definitiva dos trabalhos, no final da década de 80 do século XIX.

Fontes: Francisco Vitorino (Estruturas empresariais e investimento estrangeiro nas minas do distrito de Aveiro: o caso das Minas do Vale do Vouga) (adaptado) / wikipedia

Imagens: Nuno Jesus / internet

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Minas do Palhal

Estruturas da mina
As minas do Palhal foram descobertas em 1744 por ingleses. Diz a tradição que continham vestígios de indústria metalúrgica, do tempo dos mouros.

Em 1769 foram abandonadas devido a uma cheia do Caima. Em meados do século XIX passaram a ser exploradas pela Companhia Lusitana de Mineração. Produziam cobre, galena de chumbo, blenda, níquel, cobalto e alguma prata. Os seus poços eram de grande profundidade, as galerias extensas e os filões chegavam a atingir um metro de espessura.

Velho edifício

A 12 de Outubro 1847, onze anos depois da publicação da legislação setembrista que pôs termo ao monopólio régio sobre o sector, era concedida a Sebastião de Gargamala (cidadão espanhol) a mina de Cobre do Palhal, no concelho de Albergaria-a-Velha. (…)

Para proceder aos investimentos necessários aos seus empreendimentos [Palhal e S. João do Deserto, em Aljustrel] , associou-se a José Ferreira Pinto Basto a quem viria a ceder, decorridos seis anos, os seus direitos sobre a mina do Palhal.

Entrada da mina

Sebastião Gargamala requereu licença para lavrar este jazigo que, alegadamente, se encontrava abandonado desde meados do século XVIII, em 3 de Abril de 1846, tendo-lhe sido concedida a licença de exploração a 9 de Abril de 1847 e a concessão definitiva a 12 de Outubro do mesmo ano.

A cedência dos direitos de exploração a Pinto Basto terá ocorrido a 20 de outubro de 1853, tendo este obtido a aprovação da transmissão e a concessão provisória a 13 de Abril de 1858. A 3 de Maio do ano seguinte era-lhe atribuída a concessão definitiva, tendo a respectiva área sido ampliada em 4 de Outubro de 1871.

Casa dos Mineiros

Durante alguns anos a mina foi explorada pela sociedade anónima The Lusitanian Mining Company, constituída por Pinto Basto associado a capitais ingleses, como arrendatária, tendo adquirido a propriedade da concessão em de 6 de Março de 1879.

Em 4 de Agosto de 1883 a propriedade da concessão foi adquirida pela sociedade anónima, de capitais ingleses, The Palhal Mining Company, cuja transmissão foi aprovada por alvará de 23 de Junho de 1884.

Poço da mina

Depois de S. Domingos, era a mina do Palhal a única que exportava minério para Inglaterra - 1.098 toneladas com lei média de 15 %, equivalentes a 165 toneladas de cobre, para o ano económico de 1860-1861. Bem longe de S. Domingos, que por sua vez exportara 51.572 toneladas de minério equivalentes a 2.062 toneladas de cobre, à razão de 4 % desse metal.

Entre os minérios de cobre aqui extraídos, o explorado em maior quantidade foi a calcopirite, associado a minérios de chumbo e de zinco, como a galena e a blenda, sulfuretos bastante argentíferos. O pessoal empregado nesta mina – com orientação técnica e metodologia de lavra de influência inglesa – rondava, em 1887, as 123 pessoas, distribuídas pela administração, trabalhos subterrâneos e superficiais e tratamento mecânico.

Ponte em ruína

Segundo Neves Cabral, em 1858 trabalhavam na mina cerca de 300 pessoas, incluindo o trabalho de carreiros que faziam o transporte.

As condições de exploração da mina pareciam ser, no último quartel do século XIX, bastante promissoras, pois encontrava-se ligada por uma estrada de MacAdam à estrada do Porto e, daí, à estação de caminho-de-ferro de Estarreja.

Fonte: Francisco Vitorino (Estruturas empresariais e investimento estrangeiro nas minas do distrito de Aveiro: o caso das Minas do Vale do Vouga)

Fotos: Luigi Chiappino