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sábado, 20 de abril de 2019

Da Moagem tradicional à Industrial no Concelho de Albergaria-a-Velha


Reportando-se às informações estatísticas de 1867, sobre indústrias e profissões, Gerardo A. Pery, refere a existência de 10.984 moinhos em todo o país.

O distrito de Aveiro tinha então 1273 moleiros, que trabalhavam nos 1251 "moinhos de água". O maior número foi registado na Feira (342) e em Macieira de Cambra (121). Destacando-se igualmente Águeda (83), Albergaria-a-Velha (69), Estarreja (68) e Vagos (65).

Recentemente, Armando Carvalho Ferreira e Delfim Bismark Ferreira inventariaram, no concelho de Albergaria-a-Velha, ruínas e vestígios de 354 moinhos. Este extraordinário número, que dá uma média de 2,27 moinhos por quilómetro quadrado, denuncia a preponderância da pequena exploração e atesta a persistência dos fenómenos económicos, sociais e culturais que os sustentaram.

Segundo o Inquérito Industrial de 1890, no concelho de Albergaria-a-Velha, havia 840 pares de mós de moinhos: 33 de laboração permanente, no rio Caima (freguesias da Branca e de Valmaior), com "118 rodas de milho e 11 de trigo", e 103 "moinhos de regato", com 188 "rodas de milho e 15 de trigo", nas restantes seis freguesias deste, que "laboram apenas seis meses".

Aníbal G. Ferreira Cabido refere, a propósito da moagem tradicional, no concelho de Albergaria-a-Velha, de 1910: "A indústria da moagem é caseira e exerce-se em moinhos de tipo ribeirinho para a grande maioria da população, sobretudo para a que se alimenta de pão de milho ou de centeio".

Francisco Augusto da Silva Vidal

Indústria Moageira

No início do Séc. XX surge um significativo número de (pequenas) unidades moageiras em todo o país. Segundo o Correio de Albergaria em meados de Maio de 1910, andava em construção, junto à avenida da estação do caminho-de-ferro "um edifício que se destina a uma fábrica de moagens que o nosso conterrâneo, Sr. Francisco Augusto da Silva Vidal, tenciona montar após a conclusão da nova casa". Aquele semanário via no empreendimento um engrandecimento considerável da terra, "que dia a dia progride de uma forma admirável, graças ao arrojo de alguns dos seus filhos que não vacilam em se arriscarem a empresas da natureza desta".

Em 6 de Julho de 1920 é criada a "Empresa União Industrial de Albergaria-a-Nova, Limitada", com um capital social de 55 000$00. Os seus "gerentes" eram dois proprietários» da freguesia da Branca [possivelmente Gerónimo Gonçalves da Costa e Adelino Augusto de Faria - que ainda eram sócios aquando da dissolução da Sociedade], mas o "gerente técnico", Francisco Rosa da Luz, referido como "industrial", era de Mortágua.


Estes indivíduos são indicados no Anuário Comercial de Portugal como "negociantes» de madeiras ou de cereais. O objecto social era igual ao de outras fábricas, que, a par da moagem, englobavam a serração de madeiras e o comércio de cereais. As razões destes procedimentos prendem-se, por certo, com as dificuldades dos anos da Guerra, nomeadamente com o encarecimento do carvão e do ferro e com a escassez de cereais panificáveis que provocam uma geral carestia.

Se inicialmente a conjuntura interna favorecera o desenvolvimento da moagem e a conjuntura externa, criada pela I Guerra Mundial, suscitou o aparecimento de maior número de moagens e a difusão de moderno equipamento técnico, a partir de 1924 abranda o movimento de criação de sociedades para a moagem de cereais pelo facto da capacidade das fábricas existentes ter ultrapassado as necessidades do consumo.

O trabalho dos moinhos, tradicionalmente explorados por acordos informais ou por contratos de arrendamento, foi objecto de constituição de sociedades no final da década de 20 do Século XX, tendo surgindo duas sociedades ditas "civis particulares" para a exploração de dois moinhos, na Branca e em S. João de Loure, ambas no concelho de Albergaria-a-Velha.

Fonte: "Empresas e Empresários das Indústrias Transformadoras, na sub-região da Ria de Aveiro, 1864-1931" de Manuel Ferreira Rodrigues (adaptado)

Imagens: Publicidade na Gazeta dos Caminhos de Ferro (1944 e 1946)

Nota: O Estudo de Manuel Ferreira Rodrigues não faz referência à Fábrica de Serração e Moagem e ao empresário Joaquim Domingues S. Bento contudo esta empresa foi constituída em 1920  (podendo inclusive ser resultante da criação da "Empresa União Industrial de Albergaria-a-Nova, Limitada")

Publicidade (1944) 


Publicidade (1958)

quarta-feira, 20 de março de 2019

Moinhos da Quinta da Ribeira (Ribeira de Fráguas)


Conjunto de dois moinhos de rodizio, também designados por Moinhos da Quinta da Ribeira, cada qual com um único casal de mós accionado pelas águas do Rio Filveda, cuja construção remonta, pelo menos, ao século XIX.

São ambos moinhos de consortes, ou de herdeiros, originalmente pertencentes a várias famílias de Ribeira de Fráguas, pequenos e médios lavradores que no passado o utilizavam de forma regular e mediante uma escala de horas previamente acordada.


Mais recentemente foram adquiridos e recuperados pelo Rancho Folclórico da Ribeira de Fráguas, integrando-se num aprazível parque de lazer propriedade desta associação local.

A jusante deste moinho encontra-se o Moinho de Baixo, também ele merecedor de uma visita e excelente pretexto para um agradável passeio ao longo das margens do rio, apreciando a beleza deste espaço natural.

Coordenadas GPS: N 40º 44´38.64” W 8º 26´19.07”



Descrição

Conjunto de dois moinhos de rodízio, cada um com um casal de mós, recentemente recuperados. Estes moinhos integram-se num circuito pedonal de grande beleza paisagística ao longo das margens do rio Fílveda, com ligação ao Moinho de Baixo e a parque de lazer envolvente.

Morada

Margem esquerda do Rio Fílveda - Ribeira de Fráguas

Como chegar

Tomando como ponto de referência a Junta de Freguesia de Ribeira de Fráguas, seguir a mesma estrada para nascente, ao longo do vale do Rio Fílveda. Poucas centenas de metros depois, após o parque de merendas da Junta de Freguesia local, poderá visualizar as margens do Rio Fílveda do lado direito da estrada, encontrando-se os moinhos na margem oposta. Acesso ao mesmo por via pedonal.

GPS: N 40º 44 ́38.64" O 8º 26 ́19.07"
Telefone 234529300 - Geral CM Albergaria-a-Velha
964852743 - Sandra Figueiredo
969587596 - Nuno Jesus
E-mail turismo@cm-albergaria.pt

ranchoribeira@gmail.com

Proprietário

Rancho Folclórico da Ribeira de Fráguas

Para visitar (todo o ano)

Mediante marcação. Contactar antecipadamente os serviços de Turismo da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha ou o RanchoFolclórico da Ribeira de Fráguas.

Fontes: Rota dos Moinhos / Moinhos de Portugal (pág. 49) / Portal das Viagens

 

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Rota dos Moinhos - Moinho do Porto de Riba (Soutelo)


Moinho de rodízio com dois casais de mós accionados pelas águas do Rio Jardim, cuja construção remonta, pelo menos, ao século XIX. O Rio Jardim nasce no concelho de Albergaria-a-Velha, desaguando no Esteiro de Canelas, já no Baixo Vouga Lagunar.

Este é um moinho de consortes ou de herdeiros, originalmente pertencente a várias famílias da aldeia, pequenos e médios lavradores, que no passado o utilizavam de forma regular e mediante uma escala de horas previamente acordada.


Mais recentemente, foi adquirido e recuperado pela APPACDM, integrando-se num aprazível parque de lazer propriedade desta associação local.

Nas imediações deste moinho, curtia-se o linho ficando este submerso em poços que eram abastecidos pelas águas desperdiçadas da levada, compartilhados pelos habitantes da aldeia.


Além da moagem do milho, aqui também se moía a “brença”, nome por que são conhecidos os “cachuços” (caroços) mais pequenos do milho que eram recolhidos à saída do escarlador, à qual se juntava depois o milho e a aveia, sendo o conjunto mais uma vez moído para a alimentação dos animais de criação.

Finalmente, tendo em conta a proximidade dos campos do Baixo Vouga, esta também é uma terra de produtores de arroz, o qual era por vezes descascado neste moinho, utilizando-se para tal uma forra de cortiça entre as suas mós.


Descrição

Moinho de rodízio com dois casais de mós, sendo um deles para moagem de cereal e o outro adaptado a descasque de arroz cultivado no Baixo Vouga.

Morada

Lugar de Porto de Riba, na margem direita do Rio Jardim.

Como chegar

Tomando a estrada que liga o IC2 / N1 na povoação de Albergaria-a-Nova à N 109 emSalreu, encontra poucos quilómetros depois a povoação de Soutelo. Depois de entrar napovoação, corte à esquerda na segunda transversal, junto a um snack-bar. Siga em frente até chegar a uma curva apertada à direita, de onde parte um caminho de terra batida para aesquerda, o qual deve tomar para chegar ao moinho na margem do Rio Jardim.

GPS: N 40º 44 30.75" O 8º 30 ́56.67"


Telefone: 234529300- Geral CM Albergaria-a-Velha
964852743-Sandra Figueiredo
918795674-Isabel Fonseca (APPACDM)

E-mail: turismo@cm-albergaria.pt  appacdm.albergaria@gmail.com

Proprietário

APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) de Albergaria-a-Velha

Para visitar (todo o ano)

Mediante marcação. Contactar antecipadamente os serviços de Turismo da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha ou a APPACDM.

Fontes: Rota dos Moinhos / Ribeirinhas TV (07-04-2014) / Moinhos de Portugal


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Rota dos Moinhos - Moinhos da Freirôa


Para além de ser um dos moinhos de maiores dimensões, o núcleo de moinhos de rodízio da Freirôa é também um dos mais antigos existente nas margens do Rio Caima, no concelho de Albergaria-a-Velha, remontando, pelo menos, ao início do século XIX.

No auge da sua actividade, o núcleo era composto por 14 casais de mós distribuídas por várias casas de moinho e anexos. Estes últimos usados como arrecadações e currais, que tanto podiam guardar os sacos de grão ou de farinha, como servir para abrigar os animais que eram utilizados como meio de transporte pelos moleiros. Trata-se por isso de um complexo moageiro de características ímpares a nível regional.


Graças ao empenho e dedicação de alguns dos seus proprietários, foi possível a partir de 2003 iniciar um lento processo de recuperação de todo este património. A iniciativa partiu do Sr. António Marques Almeida, residente nas Frias, o qual se empenhou a fundo na reabilitação das casas de que é proprietário.

No ano de 2005 coube a vez a outro dos proprietários, Sr. Firmino Ribeiro Valente, residente no Sobreiro, proceder ao início da recuperação da parte do conjunto que lhe pertence.

2006

Durante o ano de 2006 foram dados grandes passos com vista à recuperação de todo este complexo moageiro. Outro dos proprietários, Sr. José de Almeida, residente no Fontão, um dos últimos moleiros em actividade no nosso concelho e na nossa região, deu início à recuperação da sua parte.

Posteriormente, outro dos proprietários dos moinhos da Freirôa, Sr. Joaquim Almeida, residente em Salreu, iniciou também os trabalhos com vista à recuperação da sua parte. Os rodízios dos moinhos foram executados segundo os métodos tradicionais, um dos quais pelo Sr. José de Almeida, um dos proprietários, e outro pelo Sr. Augusto Santa, moleiro de Canelas que no passado também moeu em outro dos moinhos do rio Caima.


Coordenadas GPS: N 40º 43´25.46” W 8º 28´03.51”

Local: Margem direita do Rio Caima - Branca

Acesso: O acesso a este núcleo molinológico deve fazer-se preferencialmente a pé, de bicicleta ou em veículo com tracção, pois terá de percorrer alguns caminhos florestais que partem das imediações do Santuário da Nossa Senhora do Socorro, em Albergaria-a-Velha, tomando o troço principal do antigo Caminho dos Moleiros em direção ao vale do Rio Caima.

Moleiros: José Almeida e Firmino Oliveira.

Proprietários: José Almeida, Firmino Oliveira, Joaquim Almeida e António Almeida.

Fontes: Rota dos Moinhos / Geocaching / Moinhos de Portugal  (AF) /  Moinhos Abertos

Alguns dos proprietários dos moinhos em 2007  (AF)

 

domingo, 10 de abril de 2016

Rota dos Moinhos - Moinho do Ti Miguel


Moinho de rodízio com três casais de mós accionados pelas águas do Ribeira do Fontão, sendo que actualmente somente dois se encontram em funcionamento, e cuja construção remonta, pelo menos, ao século XIX.

Trata-se de moinho pertencente a moleiro profissional, facto que se pode comprovar pelo número de casais de mós e pela casa de moleiro adjacente.


Neste lugar e ao longo de cerca de 5 km da Ribeira do Fontão que atravessa esta freguesia, existem vestígios e registo da existência de 21 moinhos de rodízio, a esmagadora maioria de média dimensão (entre 3 e 6 casais de mós), o que caracteriza aquela que foi uma das mais importantes comunidades de moleiros e padeiras desta região.

Daqui partia um dos principais troços do Caminho dos Moleiros que servia de ligação aos moinhos de utilização sazonal no Rio Caima. O pão e as padas, as regueifas e o pão doce, base da alimentação ou iguaria de outros tempos, entregues de porta em porta ao raiar da aurora, comercializados em feiras, mercados e romarias, continuam a ser confecionados com a farinha destes moinhos.


Coordenadas GPS: N 40º 40´11.00” O 8º 31´22.31”

Local: Lugar da Azenha, Fontão – Angeja

Acesso: caminhada em ambiente natural até ao moinho.

Características do moinho: 1 moinho; 2 casais de mós.

Envolvente: Adjacente a antiga habitação de moleiro e enquadrado em ambiente natural – Floresta e margens da Ribeira do Fontão.

Proprietário: Joaquim Almeida

Duração da visita ao moinho: 20 a 30 minutos.

Fontes: Rota dos Moinhos / Moinhos de Portugal

          

domingo, 10 de janeiro de 2016

Rota dos Moinhos - Moinho do Maia


O lugar do Fial foi em tempos uma importante terra de moinhos e moleiros e é actualmente o local do concelho de Albergaria-a-Velha com o maior número destes engenhos em funcionamento. Exemplo disso é este Moinho do Maia, em tempos conhecido como o Moinho do Tupinho, tendo em conta o nome do seu actual e anterior proprietário.

A sua construção remonta, pelo menos, ao século XIX. Actualmente composto por um único casal de mós, dos três que outrora apresentava, possui casa de moleiro adjacente com um interessante forno tradicional. Refira-se que os trabalhos de recuperação do engenho de moagem deste moinho estiveram a cargo de um artesão local, mestre nas técnicas tradicionais utilizadas desde sempre na construção destes engenhos, ele próprio igualmente residente no Fial, onde também é proprietário de um pequeno moinho de lavrador.

Esses antigos saberes de como trabalhar a madeira, na construção de rodízios e moegas, ou de como picar e afinar as mós para que estas voltem a exercer a sua função, são conhecimentos valorizados e preservados na Rota dos Moinhos.


Coordenadas GPS: N 40º 37´58.72” O 8º 30´43.62”

Local: Fial de Baixo – Alquerubim

Acesso: muito fácil.

Características do moinho: 1 moinho; 1 casal de mós.

Envolvente: Adjacente a antiga habitação de moleiros e enquadrado em ambiente rural.

Proprietário: Luís Fernandes Maia

Duração da visita ao moinho: 15 a 25 minutos.

Fonte: Rota dos Moinhos

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Município da Europa com mais moinhos é português (jornal "Público", 01-06-2014)


Em Albergaria-a-Velha, na região de Aveiro, existem um total de 356 moinhos. Oito estão devidamente recuperados e dão corpo a uma rota. Em breve, serão mais 10 a estar ao alcance do público.

Sendo um município com fortes tradições no fabrico do pão – a sua regueifa é extremamente conhecida -, Albergaria-a-Velha é um local onde não faltam moinhos, moleiros e padeiros. Segundo um inventário realizado no ano passado, por dois investigadores, este concelho da região de Aveiro conta com um total de 356 moinhos - essencialmente de água. É verdade que nem todos se encontram no melhor estado de conservação, mas essa realidade tem vindo a mudar em virtude da aposta que o município está a fazer na sua recuperação e divulgação, com a criação da Rota dos Moinhos. Para já, há oito moinhos para visitar – devidamente requalificados e sinalizados -, mas em breve esse número irá aumentar, uma vez que estão mais 10 engenhos a ser alvo de obras de recuperação.

Contas feitas, “este será o município da Europa com mais moinhos”, atesta Delfim Bismarck, historiador que desenvolveu o inventário, em parceria com Armando Carvalho Ferreira, e que desde Outubro do ano passado – após as eleições autárquicas – passou a assumir o cargo de vereador da Cultura na autarquia local. Perante esta quantidade expressiva de moinhos no seu território, Albergaria-a-Velha em boa hora decidiu assumir a aposta na valorização deste património edificado, na perspectiva de este ser “um produto turístico diferenciador”, vinca Delfim Bismarck. A palavra de ordem, agora, é proteger e requalificar o máximo de moinhos que for possível. “O PDM [Plano Director Municipal] tem previsto um parque molinológico, único no país, criando ali uma zona protegida”, assevera o vereador da Cultura.


A trabalhar há mais de 100 anos

A Rota de Albergaria-a-Velha é constituída pelos moinhos do Regatinho, da Quinta da Ribeira, de Baixo, do Porto de Riba, da Freirôa, do Chão do Ribeiro, do Ti Miguel e do Maia, que estão espalhados por vários locais do concelho. Entre estes engenhos já devidamente recuperados encontram-se alguns verdadeiros “tesouros”, seja pela história que têm para contar – os moinhos do Regatinho, por exemplo, estão a trabalhar há mais de 100 anos sem parar -, seja pela paisagem natural dos locais onde estão edificados. A grande maioria destas estruturas encontra-se implantada ao longo do Rio Caima, mas também podemos encontrar vários moinhos ao longo dos rios Fílveda e Jardim, e nas ribeiras de Albergaria-a-Velha, Fontão, Frias, Fial e Mouquim.

Os engenhos foram edificados nos séculos XVIII e XIX, com recurso a materiais de construção locais, e eram usados para a moagem do milho e do trigo, na certeza de que alguns destes moinhos eram também usados para o descasque do arroz produzido na região de Aveiro (Baixo Vouga). No Moinho do Porto de Riba, essa actividade de descasque do arroz ainda se mantém, a par com a moagem do milho. “No caso do arroz, a mó tem uma placa de cortiça para evitar que se parta o grão”, explica Isabel Fonseca, “moleira” de serviço neste engenho que é actualmente propriedade da APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) de Albergaria-a-Velha.

Em finais de 2011, a colectividade sediada em Soutelo passou a ser proprietária do Moinho por doação de um particular. Depois só precisou de colocar mãos à obra. “Estava tudo degradado, a precisar de obras, e cheio de silvas, mas conseguimos envolver os colaboradores da associação nesta tarefa”, relata Isabel Fonseca. As obras foram sendo feitas aos poucos, consoante as disponibilidades, “graças à ajuda de todos”, evidencia a dirigente da APPACDM. “As pessoas aqui do lugar sempre estiveram muito ligadas aos moinhos. Quase todas as famílias tinham de recorrer a eles para moer o milho”, desvenda Isabel Fonseca, para explicar esta “onda de solidariedade” que se gerou em torno do Moinho do Porto de Riba.


Engenhos de uso comunitário

Segundo reza a história, muitos dos moinhos eram de diversos proprietários e eram utilizados de acordo com um horário previamente acordado entre todos os utilizadores. Era o caso da avó de Isabel Fonseca. “Lembro-me de, em criança, ir com ela aos moinhos”, testemunha esta dirigente associativa que, agora, é também “moleira”, ainda que apenas nas horas vagas. “Aprendi alguma coisa com um moleiro para conseguir ter o moinho a funcionar, mas volta e meia tenho de recorrer à ajuda dele”, confessa.

A APPACDM não é a única colectividade do concelho a “abraçar” esta causa de defesa dos moinhos de Albergaria-a-Velha. Também o Rancho Folclórico de Ribeira de Fráguas assumiu a tarefa de recuperar o Moinho de Baixo e está já a requalificar um segundo moinho.

Além de terem encetado as obras de restauro dos moinhos, tanto as associações como os proprietários particulares têm, agora, também de responsabilizar-se pela abertura dos engenhos durante as tardes de domingo. A cada fim-de-semana, os visitantes de Albergaria-a-Velha têm sempre a garantia de encontrar um moinho de portas abertas (mediante uma escala que está disponível no Serviço de Turismo da câmara de Albergaria-aVelha).

Fonte: Maria José Santana (Jornal Público

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Recuperação do Moinho do "Ti Miguel" no Fontão (2010)


O restauro do velho moinho, situado no fundo do vale de Azenhas do Fontão, surgiu por iniciativa de Joaquim Almeida, neto do “Ti Miguel”, o antigo proprietário e “patrono” desse velho moinho de água, não com o objectivo de se dedicar à moagem mas “por carolice”.

Como também nasci nisto, o moinho está no sangue”, diz Joaquim Almeida, até porque “nos dias de hoje já não compensa moer temos outras actividades”. O actual proprietário do Moinho do Ti Miguel sublinha que a recuperação obedeceu às “normas de antigamente”, ainda que o número de “casais de mós” (pares de mós: a de baixo e a de cima) tenha sido reduzido de quatro para dois, o que mesmo assim dá “para manter viva esta tradição dos moinhos e dos moleiros no Fontão”, que era a actividade dos seus antepassados e familiares.

Assinatura do protocolo (Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha) (2009) (AF)
 Antigamente, e como afiança Joaquim Almeida, neste moinho, que “era um moinho alveiro e três rodas normais”, com quatro rodas e os respectivos pares de mós, “moía-se de tudo: trigo, milho e, inclusive, descascava-se arroz. Fazia-se aqui o que normalmente se fazia em todos os moinhos de antigamente”.

Ao lado do moinho e do tanque de água que abastece as rodas do moinho, erguem-se as ruínas da antiga casa de habitação do “Ti Miguel”, imóvel que Joaquim Almeida também pretende restaurar, de acordo com a construção original, ainda que “não haja subsídios de lado nenhum para restaurar estes imóveis”.
 

Na Ribeira do Fontão já só restam dois ou três moinhos ainda a funcionar, o resto está degradado, realça Joaquim Almeida, que possui um levantamento de todos os moinhos que existiam ao longo desse curso de água.

Para montante, ainda havia pelo menos mais dois “casais de mós”, um dos quais foi destruído e o outro é “do Dr. Jorge França”.

Para além destes moinhos, Joaquim Almeida possui outros, que também pertenceram a familiares, situados nas margens do Rio Caima, na Freirôa.



Ainda há moinhos na Cova do Fontão 

Na Cova do Fontão, lugar situado no fundo de um vale, a “meio caminho” entre a estrada principal e o lugar da Azenha do Fontão, a jusante do moinho do “Ti Miguel”, ainda existem alguns moinhos, incluindo os do Sr. José, junto à recuperada “Quinta do Moinho”, que Joaquim Almeida pensa serem os únicos que ainda funcionam como antigamente, uma vez que “ele ainda é moleiro a tempo inteiro, é a sua profissão. Ainda mói para fora”.

Para recuperar o seu moinho, Joaquim Almeida teve de recorrer a “algumas pessoas de idade que ainda vão fazendo alguma coisa nesta área. Já não são muitos, mas os que há vão fazendo isto com muito gosto e dedicação”. Como Joaquim Almeida nasceu no seio de uma família de moleiros, também sabe fazer alguns trabalhos de restauro de rodas e de picagem de mós.

Esquema de Azenhas

Foi assinado em Maio de 2009 o protocolo de entrega de um valioso documento à guarda do Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha. Trata-se de um esquema representando os açudes, as levadas e os moinhos então existentes ao longo da Ribeira do Fontão, com a sua localização, proprietários, moleiros e número de rodas (casais de mós), o qual nos ajuda a traçar o retrato do que seria esta comunidade no inicio do século XX.

Este importante e raro documento, que se presume datado do início do século XX, terá pertencido a Miguel da Silva, proprietário e moleiro de um dos moinhos aí referenciados. Actualmente encontrava-se na posse de sua filha, Maria Alice Santos da Silva (mãe de Joaquim de Almeida), moleira, residente na freguesia de Salreu, concelho de Estarreja.

Fontes/Mais informações: Cardoso Ferreira em Correio do Vouga  / Moinhos de Portal.no.sapo (Armando Ferreira) / Cagaréus.blogspot / Moinhos do Fontão (curta metragem)
  
 

sábado, 5 de abril de 2014

Inauguração da Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha


No fim de semana de 5 e 6 de abril, a Câmara Municipal vai celebrar o Dia Nacional dos Moinhos com a inauguração da Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha, um percurso turístico que engloba dez engenhos restaurados, onde é possível apreciar como se moía o cereal no passado e conhecer as histórias dos antigos moleiros.


Pelas 14h00, no dia 5 de abril, vai ter lugar a sessão oficial de inauguração da Rota dos Moinhos no Arquivo Municipal. Nesta cerimónia serão celebrados protocolos para a integração de dois moinhos - Moinho de Baixo (Rancho Folclórico da Ribeira de Fráguas) e Moinho do Porto de Riba (APPACDM) – seguindo-se a inauguração da Exposição Fotográfica “Moinhos de Albergaria-a-Velha”, composta por imagens dos fotógrafos do Albergariótipos – núcleo de fotografia do Clube de Albergaria.

Às 15h00, em frente ao Edifício dos Paços do Município, partirão autocarros para um percurso por três núcleos de moinhos da Rota: Moinho do Maia (Fial de Baixo), Moinho do Ti Miguel (Fontão) e Moinho do Chão do Ribeiro (Mouquim). As visitas aos moinhos de autocarro são gratuitas, mas carecem de inscrição prévia pelo endereço electrónico turismo@cm-albergaria.pt.


No domingo, logo pelas 9h30, será dinamizado um percurso pedestre aos Moinhos da Freirôa, no Rio Caima. Autocarros partirão do Edifício dos Paços do Município até ao estradão florestal junto à Senhora do Socorro. A partir daqui, os participantes poderão percorrer troços do antigo Caminho dos Moleiros que, no passado, era uma das vias mais utilizadas na região.

À tarde, pelas 14h00, serão efectuadas visitas a outros moinhos da Rota, desta vez, ao Moinho do Porto de Riba (Soutelo), ao Moinho de Baixo (Ribeira de Fráguas) e aos Moinhos do Regatinho (Vilarinho de S. Roque). Nos vários locais, para além de conhecer o núcleo molinológico, os visitantes poderão participar em inúmeras actividades promovidas pelas colectividades da terra - workshops de broa de milho e pão doce, recriações etnográficas, exposições, não faltando, igualmente, a música tradicional.

Fonte: CMAAV (via "Novos Arruamentos")

Imagens/Mais informações: Armando Ferreira (Moinhos de Portugal) / Glorybox




Dia Nacional dos Moinhos 2014

05/sábado/14h00

14h00 – Sessão Oficial de Inauguração da Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha, no Arquivo Municipal
14h30 – Inauguração da Exposição Fotográfica Moinhos de Albergaria-a-Velha, no Arquivo Municipal
15h00 – Visita a três núcleos de moinhos da Rota: Moinho do Maia (Fial de Baixo); Moinho do Ti Miguel (Fontão); e Moinho do Chão do Ribeiro (Mouquim)


06/domingo/09h30

09h30 – Percurso Pedestre aos Moinhos da Freirôa
14h00 – Visita a três núcleos de moinhos da Rota: Moinho do Porto de Riba (Soutelo); Moinho de Baixo (Ribeira de Fráguas); e Moinhos do Regatinho (Vilarinho de S. Roque).

Moinhos abrangidos pelo protocolo

Moinho do Ti Miguel (Azenha – Angeja); Moinho do Maia (Fial de Baixo – Alquerubim); Moinho da Quingosta (Regatinho – Vilarinho de S. Roque); Moinhos da Freirôa (Rio Caima – Branca); Moinho do Chão da Ribeira (Mouquim – Valmaior); e o Moinho do Silva (Regatinho – Vilarinho de S. Roque).




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha


No âmbito da criação da Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha, que visa disponibilizar um produto turístico e cultural que alie a preservação e a valorização deste património a um maior conhecimento das gentes e História do Município por parte de residentes e visitantes, a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha celebrou protocolos de parceria com os proprietários de vários moinhos espalhados por cinco freguesias do Município.

Com esta colaboração pretende-se articular e potenciar os recursos e possibilidades dos parceiros, particularmente no que diz respeito à uniformidade e potenciação do património molinológico integrado na Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha. O protocolo de parceria é válido por cinco anos, sendo renovado automaticamente se não houver oposição à sua renovação.

Moinho do Maia (GB)

Moinhos abrangidos pelo protocolo

Moinho do Ti Miguel (Azenha – Angeja);
Moinho do Maia (Fial de Baixo – Alquerubim);
Moinho da Quingosta (Regatinho – Vilarinho de S. Roque);
Moinhos da Freirôa (Rio Caima – Branca);
Moinho do Chão do Ribeiro (Mouquim – Valmaior); e:
Moinho do Silva (Regatinho – Vilarinho de S. Roque).

Moinho da Cova do Fontão (GB)
 O papel da Câmara como dinamizador da Rota dos Moinhos

De acordo com o protocolo, a Câmara Municipal compromete-se a conceber, em conjunto com os agentes locais, um Guia de Boas Práticas para a reabilitação urbana dos moinhos e dos elementos a ele pertencentes; fornecer apoio técnico nas intervenções de recuperação, restauro e acessibilidades; desenvolver um projecto de difusão da informação de carácter patrimonial e turístico; desenvolver uma marca comercial para a farinha de moagem tradicional com respectiva embalagem; e desenvolver um conjunto de material publicitário sobre a Rota dos Moinhos e dos seus produtos subsidiários (farinha, pão, doçaria,…), bem como promover eventos para a divulgação deste património.


O papel dos proprietários no âmbito deste protocolo

(...) os proprietários dos moinhos deverão abrir os mesmos e colocá-los em funcionamento para as visitas do público em geral uma vez por mês ou aquando da realização de eventos e iniciativas de divulgação e promoção do património de Albergaria-a-Velha.

Os proprietários comprometem-se, ainda, a autorizar a colocação de sinalética e de suporte comunicacional da Rota dos Moinhos, a efectuar a venda da farinha produzida artesanalmente através de embalagens uniformizadas concebidas para o efeito e a efectuar todas as reparações ou alterações dos moinhos de acordo com o Guia de Boas Práticas.

Moinho do Maia (AF)

Sandra Figueiredo, técnica responsável pelo desenvolvimento do projecto, considera que o trabalho de parceria com os proprietários é muito proveitoso, pois são estes que possuem “a arte e o amor aos moinhos, são eles que têm as histórias e os saberes que podem transmitir aos visitantes”.

Na verdade, a Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha vai muito para além da simples promoção do património edificado; o fundamental é preservar o património imaterial, as tradições, as vivências, e quem melhor que os donos dos moinhos, muitos deles moleiros ou descendentes de moleiros, para transmitir o saber, adquirido através de pais e avós, às novas gerações.

Moinho da Cova do Fontão (GB)
Importância do projecto para a economia local

(...) A Câmara Municipal irá trabalhar toda a parte da publicitação e divulgação da Rota (flyers, cartazes, internet, sinalética,...) para atrair novos visitantes a Albergaria-a-Velha, que, por sua vez, levam a farinha de moagem tradicional e outros produtos associados; a receita será para os proprietários que poderão, depois, reinvestir em melhorar as condições dos moinhos”.

A receptividade dos proprietários dos moinhos a este projecto tem sido muito positiva e Sandra Figueiredo acredita que mais irão aderir no futuro. “Existem outros proprietários a requalificar os moinhos para entrar na Rota e tem existido uma dinâmica e partilha muito importante que fará a consolidação e sucesso deste projecto”.
Chão do Ribeiro (AF)

Para Armando Ferreira, a Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha constitui uma forma de preservar os saberes e tradições, aliando-os ao turismo e ao desenvolvimento local. O moinho, para muitos, simboliza o passado e é posto de lado; por isso, é fundamental mostrar o seu valor. “Há saberes que não se devem perder, mas não se pode só copiar! É preciso transformar o que existe numa perspetiva de modernidade e futuro”, defende Armando Ferreira.

Fonte: adaptado de CMAAV 

Fotos: Glorybox / Carlos Lopes / Armando Ferreira / Localvisão TV