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sábado, 10 de dezembro de 2016

Manuel Valente dos Santos Conde (1882-1968), Padre


Natural de Salreu, nasceu a 28 de Outubro de 1882 e faleceu na freguesia da Branca a 15 de Outubro de 1968. Foi nomeado para o Serviço Sacerdotal da Igreja da Branca a 26 de Agosto de 1920 e aqui permaneceu durante quase meio século.

O Padre Conde promoveu a realização de várias obras na Paróquia, que ainda hoje são recordadas, como é o caso das obras de restauro da Igreja e Capelas da Freguesia e início da construção de nova Residência Paroquial, durante a década de 30, e Electrificação da Igreja Matriz, Iluminação da Torre e Construção do Salão Paroquial, durante as décadas de 40 e 50. E nos anos 60 adquiriram-se os painéis da Via Sacra e fez-se um novo púlpito.


Foi um dos grandes impulsionadores da Banda da Música Amigos da Branca (actualmente mais conhecida por ARMAB), sendo Vice-Presidente da Assembleia Geral durante cerca de duas décadas.

Foi um dos priores que mais marcou a freguesia da Branca e que está bem patente na memória dos branquenses, tendo sido mandado erigir um busto em sua homenagem.


Fonte: "Auranca e a Vila da Branca" de Nélia Maria Martins Almeia Oliveira (adaptado)

Imagens: Arquivo de Albergaria (Foto Gomes, 1935) / Que Cena / Blog Doutra Vida

Opinião menos abonatória dos Protestantes

Manuel Conde - por alcunha, o "Ferrugem" - nado e baptizado na vizinha freguesia de Salreu -, era o pároco da freguesia da Branca desde há muitos anos. Corria-lhe nas veias o sangue de "inquisidores" e "cruzados". Embora conhecido como homem duro, o povo seguia-o.

Sem se descuidar, pegou em Lutero e Henrique VIII, no comunismo e maçonaria e levou-os todos para o púlpito. Transformou-os em munições e dali os atirava "raivosamente" na manhã de cada Domingo. Os protestantes foram identificados com todos estes nomes e vistos como inimigos de Deus e da "Santa Madre Igreja Católica Romana".

Fonte: Irmãos.net (adaptado)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Arte Cristã em Albergaria-a-Velha - Site criado pelos professores e alunos de EMRC (AEAAV) 2015-2016


Os alunos de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) da Escola Secundária de Albergaria-a-Velha, desenvolveram um site com arte cristã do concelho.

A iniciativa surgiu como trabalho de projecto no âmbito do estudo da Unidade Lectiva "A Arte Cristã" proposta pelo programa da disciplina neste ciclo de ensino.

Em declarações ao EDUCRIS o professor de EMRC Luís Manuel, congratulou-se com "o empenho dos alunos na descoberta da arte cristã presente no concelho de Albergaria-a-Velha" e pela oportunidade dos discentes [alunos] "desenvolverem competências informáticas e de estudo em autonomia".

A proposta consta do próprio manual da disciplina e permite um contacto concreto "com o património cultural, religioso e artístico" das localidades onde os docentes aplicam esta Unidade lectiva.

Fonte: Educris

Coordenação dos professores Isabel Santos e Luís Silva (lista de autores)

Exemplos (infelizmente ainda não disponibilizaram imagens de Frossos):

Albergaria-a-Velha


Alquerubim


Angeja


Branca


Ribeira de Fráguas


São João de Loure


Valmaior
 

Link para a página

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Património Religioso da Paróquia de Santa Cruz de Albergaria-a-Velha























Fonte: "Património Religioso - Inventários da Paróquia de Santa Cruz de Albergaria-a-Velha" (Revista "Albergue" nº1, Hugo Calão) (online

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Ildemaro dos Santos Marques e o lançamento da Igreja de Deus Pentecostal em Portugal (1965-1974)


Ildemaro dos Santos, natural do concelho de Albergaria-a-Velha, converteu-se à Igreja de Deus Pentecostal (fundada em 1840 nos E.U.A.) na Venezuela e casou com Elizabeth, a filha de Missionários Porto-riquenhos aí emigrados.

Em 1965 foi enviado de Porto Rico para Portugal para estabelecer a Igreja de Deus Pentecostal, em Vale Maior, concelho de Albergaria-a-Velha.

Numa acta que mais tarde foi entregue na Secretaria da Igreja, consta que Ildemaro dos Santos efectuou, no mês de Fevereiro de 1965, uma série de conferências acerca do plano da Salvação, na aldeia de Vale Maior, e que começou a reunir-se em casa de seu pai, irmão Manuel Marques, com quatro crentes já baptizados.

Mais tarde conseguiram um local para Casa de Oração, próximo da Fábrica do papel do Prado, lugar da Ponte Velha, cuja inauguração ocorreu a 16 de Maio de 1965.

Posteriormente inaugurou outra Casa de Oração em Albergaria-a-Velha. A obra estava a desenvolver-se e no mês de Agosto de 1971 alugou um local para Casa de Oração, em Vila Nova de Gaia, localidade onde já vivia, na rua Leote do Rego, 194 em Coimbrões.

Um ano mais tarde foi inaugurada uma segunda Casa de Oração em Vila Nova de Gaia, sita à rua 14 de Outubro.

No período em que Ildemaro dos Santos esteve em Portugal (1965-1974), foram estabelecidas duas Igrejas na cidade de Lisboa: uma na rua do Embaixador, outra na Bica. Ambas eram pastoreadas por José da Fonseca Marques.

Fontes: IDPMI / Facebook

Ildemaro (16 anos) com os pais e irmãs

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Coro Paroquial Litúrgico da Paróquia de Albergaria-a-Velha


Embora o Grupo Coral Paroquial Litúrgico de Albergaria-a-Velha tenha existência anterior, este é objecto de uma profunda reestruturação em 1999. É nesta data que António Mendes, o actual Director,  assume também a sua coordenação. O Grupo adopta a designação genérica de Coro Paroquial Litúrgico de Albergaria-a-Velha.

A sua formação conta actualmente com 30 coralistas, inseridos numa estrutura organizacional bem definida e que conta, também desde 1999, com a importante colaboração da Odete Teixeira como responsável máxima.

O Coro Paroquial Litúrgico de Albergaria-a-Velha assenta numa estrutura e numa organização que lhe permite usufruir do profundo reconhecimento que lhe é conferido pela Comunidade Cristã de Albergaria-a-Velha, sempre generosa nos seus gestos

Face ao nível de exigência do seu director, António Mendes e também ao empenho dos coralistas, o Grupo passou a ter outra visibilidade e começou a ser solicitado para outras localidades do país, para assim dinamizarem algumas das suas festividades religiosas.



O grupo tem-se empenhado em animar algumas celebrações realizadas, quer no Lar da Misericórdia de Albergaria, quer na Casa de saúde de Santo António. Isto sem esquecer a participação, no primeiro domingo de cada mês, nas Celebrações Marianas levadas a cabo na Capela do santuário de Nossa Senhora do Socorro.



Fonte/Mais informações: Paróquia de Albergaria 

sábado, 10 de agosto de 2013

Exposição "Memória: História, Arte e Fé" comemora os 400 anos da paróquia de Angeja


No âmbito das comemorações dos 400 anos da Igreja Matriz de Angeja, está patente, até ao dia 29 de agosto, a exposição "Memória: História, Arte e Fé", concebida por José Silva e Luís Altino.

A fé, como elemento indissociável do ser humano, não pode ser ignorada no processo de fazer a História, que espelha as vivências de uma comunidade. Esta exposição tem como objectivo apresentar os momentos históricos mais significativos da vida paroquial, os instantes de fé de um povo que em mais de quatro séculos já deixou importantes marcas no património construído, na cultura e na arte desenvolvidas.


Ao longo de mais de uma centena de placares expostos na Igreja Matriz, o visitante pode conhecer a cronologia dos momentos mais marcantes de Angeja e que ilustram a vivência da sua fé. Para além de pormenores artísticos e arquitectónicos da Igreja, há uma mostra de paramentos, alfaias e alguns livros e documentos que ilustram o passado da comunidade.

Destaque, ainda, para uma secção dedicada às Invasões Francesas e à Guerra dos Trauliteiros e a revelação de imagens de um importante fresco que terá mais de 500 anos e que se presume representar o casamento de Santa Ana e de São Joaquim.


Para além de conceber a exposição "Memória: História, Arte e Fé", José Silva e Luís Altino, dois dedicados estudiosos da sua terra, estão a realizar um trabalho de investigação sobre o Associativismo em Angeja, a ser publicado no âmbito dos 500 anos do Foral da Vila. José Silva está, ainda, a trabalhar na obra "Topónimos e Outras Histórias da Vila de Angeja".

Fonte: CMAAV 

Videos: (1) (2)




terça-feira, 20 de março de 2012

Padre Raul Domingues da Cruz (1909-1986)

Nasceu no Sobreiro, freguesia de Albergaria-a-Velha, a 21 de Janeiro de 1909, filho de José Domingues da Cruz e de D. Rosa Dias Pereira.

Fez os seus estudos primários na sede do Concelho e ingressou no Seminário do Porto. Foi ordenado Sacerdote pelo Bispo do Porto, D. António Augusto de Castro Meireles, a 6 de Agosto de 1933. A missa nova foi celebrada em Fátima, a 17 de Agosto de 1933.

De Agosto a Outubro de 1933 é encarregue interinamente da paróquia de Valmaior, sendo nomeado pároco da Ribeira de Fráguas em 31 de Outubro do mesmo ano, onde permaneceu até 1986.


Notabilizou-se pela força que dedicou na construção da nova igreja após o incêndio que destruiu a anterior, no dia 3 de Maio de 1953.

É nas dificuldades que se revela a têmpera dos homens, e o Padre Raul conseguiu-o. Entre outras iniciativa, enviou uma carta aos seus colegas padres:

“Não lanço mão de sorteios (…) Estamos todos saturados deles. Apelo antes para a compreensão e generosidade daqueles que sabem calcular bem o infortúnio dum padre que dum momento para o outro vê a sua igreja reduzida a um montão de brasas e de cinzas.”


Foi o grande mentor do Cortejo da Telha, no qual cada paroquiano participava com uma telha para a igreja.

Foi grande animador dos Cursos para Ministros, dos Cursos para Catequistas e dos Cursos de Formação de Leigos para Ministros Extraordinários de Comunhão e de muitas outras jornadas do apostolado.

Foi Vereador da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha entre 1946 e 1950, escrivão da Junta de Freguesia de 1942 a 1956 e Professor da Disciplina de Religião e Moral.


Curiosidade: foi um dos primeiros homens da Ribeira de Fráguas a possuir máquina fotográfica.

Veio a falecer em 21 de Maio de 1986 no lugar onde nasceu [Sobreiro].

Fonte: Adaptado de "Ribeira de Fráguas - a sua História" de Dra. Nélia Oliveira e Nuno Jesus; Fotos: Colaboração de Nuno Jesus

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

António Santos, Padre (1835-1910)

António Augusto de Oliveira Santos nasceu em 29 de Junho de 1835 em Angeja, filho de António José dos Santos, que foi secretário da administração do concelho e escrivão de direito em Estarreja, e de sua mulher Ana Marques de Oliveira, moradores em Angeja.

Estudou em Aveiro e depois de ordenado padre foi durante longos anos administrador da "Casa de Oliveirinha", da família Côrte-Real, e dai passou para a "Quinta de Taboeira", da família Valente, de onde saiu para vir paroquiar para Angeja.


Aqui, paroquiou desde 1887 a 1895. Foi membro activo do Partido Progressista e dinamizador de tudo quanto acontecia na sua terra natal, colaborou em alguns jornais e revistas católicas, foi co-fundador da Philarmonica Angejense em 1867, da qual foi regente por diversas vezes e protector.

Para além de músico e cantor de bastante qualidade, o Padre António Santos foi também poeta e caricaturista e regente da Música Velha, em Aveiro, nos seus tempos mais novos.

Foi pároco em Frossos desde Janeiro de 1908 até à sua morte em Abril de 1910.

Fonte: Delfm Bismarck Ferreira in jornal "D' Angeja" (adaptado)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Senhora do Socorro - Poema de António Correia d’Oliveira


Numa paisagem forte e excepcional,
Aonde cabe bem toda a beleza
Desta terra a que chamam Portugal
E eu chamo o coração da Natureza,

Nos primeiros arrancos em que a terra
Fugindo do mar, que é pesadelo de águas,
Torna de novo a si e se faz Serra,
E se revolta em pinheirais e fráguas,

E no alto dum serro, ao mar fronteiro,
Ante a montanha séria, foi erguida
A mais linda capela que um romeiro
Pode ver, na romagem desta vida:


Pode ver a encimar o airoso monte
Que do mar para a serra se encaminha,
Como deusa pagã que fosse à fonte
E levasse à cabeça a cantarinha…

Senhora do Socorro: à tua roda
Que verde devoção de pinheirais!
Os pinheirais que rezam, sabem toda
A Fé das grandes coisas imortais,

As verdes legiões que tu dominas
De toda a altura, e que parecem,
Não árvores agrestes, pequeninas
Roseiras que ajoelham, e florescem…


A um lado, ao sol, o mar, tão claro e ardente
(A névoa é o fumo duma onda a arder),
E o mar, que toca o céu, parece à gente
Que se ergue mais em si, para te ver.

Doutro lado, a montanha imensa e augusta,
A fortaleza altíssima de Deus
Nessa guerra de amor que à terra custa
Verde sangue que sobe e brada aos céus.

E em toda a imensidade azul e branca
A névoa e o sol que dão também batalha,
E são gritos de luz que o sol arranca,
E desmaios da névoa que se espalha…

Olhai! Olhai: O céu, a serra, o mar…
Aqui não há doenças nem fraquezas:
Todo o remédio está somente em olhar
Neste Hospital das almas Portuguesas.

Fonte: "Monte do socorro"

Imagens: Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha

terça-feira, 26 de abril de 2011

Altar da Igreja



(Postal da primeira metade do século XX)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

São Martinho de Soure (? - 1145)

A Branca foi berço de São Martinho de Soure, um grande mártir religioso que viveu no tempo de D. Afonso Henriques.

D. Martinho foi oferecido, ainda jovem, pelos seus pais, Aires Manuel e Árgio, à dependência do bispo D. Maurício, que terá ficado na sua casa (em Fradelos, actual freguesia da Branca, concelho de Albergaria-a-Velha) quando passou por Auranca a caminho de Coimbra.

Conforme em sua Vita se diz: Fuit itaque progenitus in vico qui dicitur Auranca, qui, ut fertur, ab urbe Colimbriensium XXVIº distat miliario. Na tradução de Aires do Nascimento (1998, p. 229): “Nasceu ele, pois, numa aldeia chamada A-Branca que, como é sabido, dista vinte e seis milhas da cidade de Coimbra”.

As milhas aqui indicadas não correspondem às romanas de 1480 m, mas às francesas de 2222 m, que teriam sido introduzidas na região de Coimbra no tempo do conde D. Henrique. S. Martinho de Soure morreu em 1145 e a sua Vita terá sido escrita, por Salvado, no mosteiro de Santa Cruz por volta de 1150.

Soure

Envolto em lenda e mistério, o herói da reconquista cristã e do povoamento de Soure, Martinho Árias ou S. Martinho de Soure, na invocação popular, apesar de não ser natural de Soure, foi para essa localidade quando já era cónego da Sé de Coimbra, com seu irmão Mendo, também eclesiástico do mesmo cabido.

Supõe-se que, após a investido muçulmana e a destruição do castelo de Soure, Martinho Árias foi encarregado de ali restaurar a igreja e de prestar assistência religiosa aos moradores. Esta missão tornava-se ingrata e perigosa porque Soure se situava no limite do território cristão e a população era composta de cristãos e de mouros, que coexistiam na diversidade dos seus cultos e costumes.

Segundo o cronista, em 1144, o governador de Santarém Abu-Zakaharia ocupou Soure, que destruiu e levou cativa parte da população para Santarém, com excepção de Martinho Árias, que foi conduzido a Córdova, onde viria a morrer anos mais tarde (em cativeiro).

Fontes/Mais informações: Escolas de Soure / Leitura.Gulbenkian / Igespar (pág.11) / "Auranca e a Vila da Branca: perspectivas" de Nélia Maria Martins de Almeida Oliveira / wikipedia

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nossa Senhora do Socorro (Brochura 1950) (II)

2. O Presente. (1950)

Ergueu-se a capela e fez-se a sua inauguração com o entusiasmo que brotava da fé intensa dos que viveram dias de tamanha amargura e anseio, crentes no milagre da Virgem. Havia que prosseguir nas manifestações em honra da Senhora do Socorro, a cuja intercessão recorriam, de ora avante, todos os que vivessem horas aflitivas, para que a sua dor se debelasse.

Nos anos seguintes e em número sempre crescente, os devotos acudiam em romagem de piedoso agradecimento pelas mercês recebidas e trazendo as dádivas em cumprimento de promessas.

Começou então a conhecer-se o Bico do Monte, ficando-se surpreso com o vastíssimo panorama que dele se desfrutava, fosse qual fosse a direcção para onde se alongasse a vista.

Panorama

Ao poente, os pequenos montes de sal de Aveiro, com a brancura da pureza das almas recolhidas em silêncio, – o Farol da Barra, – as águas do mar, brilhando ao dardejar do sol, estendiam-se pelo horizonte sem limites, até nos darem a sensação de que terminavam onde começava de erguer-se a cúpula do céu. Os canais, a ria com os seus minúsculos barquitos, de velas brancas que o vento inflava e as praias e povoações, parece que não era a inveja pela grandeza com que a Providência nos dotou.

A sul, a dois quilómetros, notavam-se os contornos da nossa vila, os seus edifícios e uma ou outra janela aberta, donde se desprendia o sorriso duma mulher graciosa e quem sabe se o adejar dum lenço em saudação correspondida. Saudação à Virgem.

Distante, destaca-se o Buçaco, mais para nascente o Caramulo, depois as serranias das Talhadas, as do Arestal e mais e mais até chegarmos às planícies do norte, cobertas de pinheirais, eucaliptos em densas matas, intercaladas de povoações caiadas de branco.

O panorama é vasto e tarde despertamos da muda contemplação em que nos extasiamos horas seguidas.

A belíssima poesia do grande poeta Correia de Oliveira e que aqui vai publicada, condensa, magistralmente, o conjunto de maravilhas que podemos encontrar no Bico do Monte.

O que se fez

As encostas do Monte, ali à mão, estavam cobertas de mato agreste, brotando, dentre ele, um outro pinheirito raquítico.

Manteve-se esse estado por largos anos, sendo necessário que houvesse o primeiro impulso para sair do ponto morto em que caíra.

Rasgou-se uma avenida de acesso, – abriu-se uma pequena ruela na encosta para que os veículos mais facilmente alcançassem o ponto cimeiro, – alargou-se o recinto da capela com custosas obras de ampliação e muralhas de suporte, – construiu-se uma escadaria a pequena distância da capela, – estendeu-se muito mais e alargou-se, a estrada ou Avenida destinada ao percurso da procissão, – plantaram-se árvores e cobriu-se o monte de eucaliptos e pinheiros.

Alguma coisa se fez, mas é tudo pouco.

Costumes

As procissões eram francamente concorridas e a elas nem a população da vila assistia, reservando-se para o arraial da tarde.

No dia seguinte, segunda-feira, era a festa dos moleiros, que o tomavam de sua conta para comezainas fartas.

Em 1915 e 1916 esses costumes modificaram-se, passando os albergarienses a reservar para si, especialmente, a segunda-feira, dia em que a vila se despovoa para se deslocarem ao Bico do Monte, com grandes cestos de víveres, em que predomina o leitão regional.

Também a procissão e as cerimónias religiosas na capela, tomaram, com o Padre Matos, um notável incremento, a ponto tal que o cimo do monte e a capela não comportam os romeiros de longe e que constituem multidão, acrescidos de gente da vila, que se acostumou já a assistir à procissão, em que tomam parte centenas de anjos, todos vindos de promessas à Virgem e em que os cânticos entoados por tão grande mole de crentes, a revelar a sua fé em Deus e afirmarem a sua confiança extrema na bondade divina, sempre propensa ao perdão e ao bem das almas.

A procissão é emocionante, especialmente o adeus à Virgem, que sensibiliza profundamente os mais indiferentes.

Por vezes é tanta gente que constitui a procissão que não é possível estabelecer a ordem, como seria necessário.


Estado de conservação(1950)

Compreende-se a necessidade de se manterem no melhor estado de conservação todas as estradas de ligação ao Monte do Socorro, permitindo que, em qualquer época, seja visitado e admirado. Consideramos isso indispensável.

Miradouro de observação

Acrescentaremos esta nota: - o Estado Maior do nosso Exército mandou construir sobre a capela um pequeno miradouro de observação, reconhecendo, assim, que estava em presença dum magnífico ponto estratégico.

Fonte: António de Pinho, Agosto de 1950 (adaptado; nossos intertítulos)

(Texto integral em "Monte do Socorro" / Página dos Escuteiros) (*)

Fotos: CMAV, Junta de Freguesia

(*) Inclui 3ª parte: "O futuro"