sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Major Silvério Marques Pereira de Campos (1920-1996)

Natural de Valmaior, Albergaria-a-Velha, o Maestro Silvério Marques Pereira de Campos foi muito jovem para Lisboa e aqui fez a maior parte da sua carreira artística na Banda de Música da Guarda Nacional Republicana (G.N.R.), onde percorreu a hierarquia de furriel a tenente chefe de Banda de Música, tendo sido mais tarde colaborador extraordinário do Dicionário de Música de Tomás Borba e Fernando Lopes Graça.

Angola

Em 1960 foi colocado em Angola, tendo dirigido a Banda de Música do Regimento de Infantaria de Luanda e a Orquestra de Salão do Instituto de Angola, sendo ainda professor de Harmonia e Composição na Academia de Música de Luanda, cuja estruturação se lhe deve. Foi nesta cidade que o Maestro Silvério de Campos criou, desinteressadamente, a Banda da Casa Pia de Luanda composta por brancos, negros e mestiços, de idades compreendidas entre os 8 e os 13 anos.

Regresso a Portugal Continental

Regressando a Lisboa em 1962, ingressa novamente na Banda de Música da G.N.R. com a qual se desloca à Holanda em 1963 para tomar parte nos Festivais de Música da NATO, onde dirige conjuntamente as Bandas de Portugal, Holanda, Itália, Áustria e França (…)

De novo em Tomar – pois já ali servira em 1959/60 – volta a dirigir, de 1964 a 1967, a Banda do Regimento de Infantaria 15, acumulando com as funções de Inspector das Fanfarras da Força Aérea.

Clube Ferroviário de Portugal (C.P.)

É à frente da Banda do Clube Ferroviário de Portugal (C.P.) que em Junho de 1969 se desloca à Alemanha onde realiza uma audição no Palácio de Música dos Mestres Cantores de Nuremberga, a maior honra que um dirigente pode ter, regendo em conjunto todas as bandas das empresas Ferroviárias da Europa ali representadas.

Festival de Bandas Militares

É ainda sob a direcção do Major Silvério Campos que actuaram no Estádio do Restelo em Junho de 1978, no I Festival de Bandas Militares, em Évora, no IV Festival e finalmente no V Festival, em Lisboa em Agosto de 1982, as Bandas da Armada, Exército, Força Aérea, Guarda Nacional Republicana, Guarda Fiscal e Polícia de Segurança Pública, num total de 500 elementos.


Banda de Música da Polícia de Segurança Pública

Em Janeiro de 1979, por ter atingido o limite de idade no respectivo posto, deixa as funções que exercia na Força Aérea. Ingressando na P.S.P., onde consegue, dos seus chefes, a oficialização da Banda de Música na Polícia de Segurança Pública (…), ficando com um Quadro Orgânico modelar entre as Bandas Militares Portuguesas, com o efectivo de 114 elementos.

Colectividades Amadoras

A par da sua função artístico-militar, o Maestro Silvério de Campos dedicou uma intensa actividade a favor da música no meio amador do nosso País, tendo prestado a sua colaboração a [ínumeras] Filarmónicas (…)

Devido à sua excepcional actividade em prol de tantas Colectividades de amadores, em 17 de Dezembro de 1978, a Federação das Colectividades de Cultura e Recreio concedeu-lhe o Diploma e Medalha de “Instrução e Arte”, insígnia esta, que desde a sua criação em 1954, foi atribuída pela segunda vez a uma Individualidade por relevantes serviços prestados à causa da Música.

Condecorações Militares

- Das Campanhas de Ultramar
- De Assiduidade, de Prata, 2 Estrelas
- De Comportamento Exemplar Ouro;
- De Mérito Militar de 3ª Classe;
- De Mérito Militar de 2ª Classe;
- De Serviços Distintos;
- De Cavaleiro da Ordem de Aviz;
- De Mérito Cultural;
- De Cavaleiro da Ordem do Santo Sepulcro


Fonte: Banda de Música da Polícia da Segurança Pública (P.S.P.) (adaptado)

Actuação em Valmaior

Em 31 de Outubro de 1982, dirigiu a Banda de Música da Polícia de Segurança Pública no acto de inauguração da sede da Junta de Freguesia de Valmaior.



Nota: O Major Silvério Campos faleceu em Lisboa, no dia 9 de Junho de 1996.

2 comentários:

Delfim disse...

Um resumo biográfico está no livro "Valmaior ao longo dos séculos".
Obrigado.

DB

Martins Raposo disse...

Foi o Major Silvério M. Pereira de Campos que fez o meu exame musical em 1960 para entrada na Banda do RInº 15, em Tomar.
Era então o Maestro da referida Banda com posto de Alferes e com ele tive o privilégio de trabalhar em Angola. Retenho da sua imagem, uma pessoa de grande humanismo e elevados conhecimentos na Arte Musical. Foi um dos melhores Maestros em termos imparcialidade, bom senso e justiça social na ligação aos seus subordinados,que não distinguia as patentes, mas sim as pessoas pelas suas qualidades profissionais e humanas.
Foi um Bom Chefe e um Bom Amigo!
Martins Raposo