sábado, 10 de fevereiro de 2018

Obras de Manuel Henrique Pinto (1853-1912) sobre Angeja e o Rio Vouga

Manuel Henrique Pinto e José Malhoa são dois pintores do primeiro naturalismo português, um menos conhecido e outro mais conhecido, os quais desenvolveram uma estreita amizade e companheirismo, que se manifesta nas suas obras.

Conheceram-se na Academia de Belas-Artes de Lisboa, tendo ambos pertencido e exposto na Sociedade Promotora de Belas-Artes, com o “Grupo do Leão”, no Grémio Artístico, na Sociedade Nacional de Belas-Artes e em diversos certames internacionais. 

Quadro de Columbano Bordalo Pinheiro retratando o Grupo do Leão

Durante o ano de 1883 viajaram entre Aveiro e Figueiró dos Vinhos (a convite do escultor Simões de Almeida) onde pintaram diversos quadros a óleo.

"Henrique Pinto e Malhoa terão ido juntos até Figueiró no tal Verão de 1883, no seguimento de uma longa jornada pelo Vale do Vouga, possivelmente já no regresso a Lisboa, e sabemos que a convite ou por indicação de José Simões d’Almeida Júnior, antigo professor de ambos"

"Esta ligação entre os dois pintores, irá perdurar até ao fim da vida de Pinto, trabalhando frequentemente em conjunto, com uma afinidade e proximidade de temas e imagens, demasiado evidente para ser ignorada."

Obras de José Malhoa

34 - “O Vouga em Angeja”, 36 - “O Cojo em Aveiro”,  41 - “No Cojo (Aveiro)", 47 - "Margens do Vouga" e 48 - “O Vouga próximo a Angeja” são alguns desses quadros.

"O Vouga em Angeja" de José Malhoa
Mais informações sobre "O Vouga em Angeja" de José Malhoa.

Obras de Manuel Henrique Pinto

Os Catálogos das Exposições de Arte Moderna do Grupo do Leão incluem reproduções (em fac-simile) de dois quadros de Manuel Henrique Pinto:

61 - "Margens do Vouga" e 62 - “O Vouga próximo a Angeja”



Fontes/Mais informações: Catálogos Ilustrados das Exposições de Arte Moderna do Grupo Leão / Blog "Lisboa e o Tejo" / Página do Facebook sobre Manuel Henrique Pinto / Nuno Saldanha  (Livro "José Malhoa - Tradição e Modernidade" e Tese) / Aires B. Henriques (1-Blog "O Ribeiro de Pera") (2 - O Figueiroense) / Luís Borges da Gama (neto de M.H. Pinto) / wikipedia / Conferência Profª Dra Sandra Leandro / "Dei o teu nome às estrelas" (livro de Rui Conceição Silva sobre a chegada dos pintores a Figueiró dos Vinhos) / Provocando uma teima / Tese de António Trinidad Munoz / Flickr

Imagem de "O Vouga em Angeja" gentilmente cedida por Manuel de Bragança (editora Scribe)


Obras de José Malhoa
Obras de Manuel Henrique Pinto

sábado, 20 de janeiro de 2018

Habitação social em Albegaria-a-Velha

Bairro das Lameirinhas
A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha concluiu em 2015 a requalificação de vários fogos de habitação social, no Bairro das Lameirinhas, no Bairro Napoleão e num prédio no lugar dos Açores. Ao todo, foram cinco habitações intervencionadas para realojamento de famílias carenciadas.

A autarquia albergariense era proprietária de 70 fogos de habitação social, todos na freguesia de Albergaria-a-Velha e Valmaior, e mais cinco em Alquerubim, no complexo de Quinta D’Alque, que estão atribuídos em regime de renda apoiada.

No Bairro das Lameirinhas, o maior conjunto de habitação social do concelho de Albergaria-a-Velha, situado no centro da Cidade, um apartamento no rés do chão, T3, foi requalificado e passou a dispor de uma rampa de acesso para pessoas com mobilidade reduzida e uma casa de banho com as mesmas condições. Um outro apartamento de tipologia T3 foi alvo de reparações, que consistiram em pinturas gerais, substituição de pisos, substituição de circuitos eléctricos e equipamentos de casa de banho e cozinha. A Câmara Municipal é proprietária de 32 fogos no Bairro das Lameirinhas, que é constituído por 88 de tipologias T1 a T4 duplex.

Bairro Napoleão (Alto da Assilhó)
O Bairro Napoleão, junto à Irmandade da Misericórdia de Albergaria-a-Velha, é dos mais antigos do concelho, tendo sido construído para suprir a demolição de um grupo de casas que deram lugar à escola industrial, depois ciclo preparatório. São 12 casas, de dois andares, de tipologia T3, e quatro de rés do chão. A autarquia procedeu a uma intervenção em dois dos fogos que se encontravam devolutos, que consistiu em pinturas, reparação de caixilharia e soalhos, substituição de circuito eléctrico, equipamento sanitário e cozinha.

O Bairro das Lameirinhas é um conjunto habitacional construído pelo antigo Fundo de Fomento de Habitação, que passou para o município Albergariense em 2003. Os restantes fogos de habitação social da Câmara Municipal, na Rua Eugénio Ribeiro, na Rua das Flores, no lugar dos Açores e o Bairro Napoleão são os fogos do designado “Legado Napoleão”. Trata-se de Napoleão Luiz Ferreira Leão, um benemérito albergariense a viver em Moçambique, que doou à autarquia, em 1922, um fundo para construção de casas de Habitação Social.

Fonte: Região de Águeda (adaptado); Imagens: Google maps


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Misericórdia de Albergaria-a-Velha


Fundada em 1923, a Irmandade da Misericórdia de Albergaria-a-Velha passou a gerir na década de 1930 o Hospital de Albergaria-a-Velha localizado em Assilhó, na então vila e freguesia de Albergaria-a-Velha, o qual mais tarde seria demolido.

Em 1947 a Misericórdia, tendo como Provedor o Comendador Augusto Martins Pereira e com a ajuda de muitos benfeitores, construiu a “Cozinha e Sopa dos Pobres” - inaugurada em 18 de Abril de 1948.

Em 21 de Junho de 1948 teve inicio a construção do novo Hospital, no mesmo local do velho Hospital que entrou em funcionamento em 1951, tendo sido somente inaugurado a 3 de Maio de 1953.


Em 1954, ainda no mandato do Comendador Augusto Martins Pereira, ficou concluída a primeira fase da construção de um Bairro de 26 moradias para as classes mais pobres, comparticipadas pelo Estado e subsidiadas pelo Legado Napoleão. Em Janeiro de 1957 estavam já concluídas e ocupadas as 50 casas. Actualmente restam apenas 8 habitações em posse da Misericórdia.

Em 1974 o Hospital foi intervencionado pelo Estado, pelo que a Instituição esteve sem actividade até 1989, data em que deram entrada os primeiros utentes para o Lar de Terceira Idade, entretanto construído nas traseiras do Hospital, que entretanto fora desactivado, sendo nessa altura Provedor António Augusto Martins Pereira (neto do Comendador).

No sentido de dar resposta à população, a Misericórdia construiu o Serviço de Medicina Física e de Reabilitação inaugurado em Setembro de 2004.

A 15 de Março de 2011, com a comparticipação do PARES foi inaugurado um novo Lar com as seguintes respostas sociais: Lar, SAD (Serviço de Apoio Domiciliário) e Centro de Dia.

Actualmente a Misericórdia ocupa todo o edifício hospitalar, dispondo de dois Lares de Terceira Idade (com capacidade total de 112 utentes), Serviço de Apoio Domiciliário (com capacidade de 75 utentes), Centro de Dia (com capacidade de 30 utentes) e Serviço de Medicina Física e de Reabilitação.

Fontes: Misericórdia de Albergaria-a-Velha (adaptado) / CMAAV

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

João Ferreira Pinto (1895-1961)


João Pinto, comerciante, artista e professor de liceu, nasceu em Albergaria-a-Velha, no Largo Rainha D. Teresa, nos finais do século XIX e aqui decorreu toda a sua vida. Feitos os primeiros estudos, seguindo a tradição familiar, ingressou na morna vida comercial do marasmo albergariense. Mas o seu espírito era o de um artista que, noutro meio, estaria fadado para voos diferentes. Muito jovem ainda, envolveu-se nos grupos culturais da vila e fez parte da Filarmónica, onde aprendeu música e de que veio a ser, mais tarde, regente. Ainda fez parte do grupo "Os Modestos", começando aí a sua faceta teatral.

Na segunda década do século XX é um dos fundadores e o principal animador do grupo "Pró-Albergaria", uma sociedade dramática e musical que vai ter grande projecção cultural, animando serões em Albergaria e povoações vizinhas e mesmo nos concelhos limítrofes. Ele é maestro, compositor e também notável intérprete e ensaiador teatral.

Em 1925 era director da Empresa do Cine-Teatro que ergueu a primeira, bela mas inacabada, casa de espectáculos que houve na vila. Funda então o "Orfeon de Albergaria" de que é regente e ensaiador, distinguindo-se de novo em festas e saraus. Tocava vários instrumentos musicais, mas era sobretudo excelente executante de violoncelo.

Entretanto foi colaborador assíduo, quer em prosa quer em verso, dos periódicos locais, nomeadamente do "Jornal de Albergaria", "Gazeta de Albergaria", "A Gazeta" e "Beira-Vouga", tendo-se distinguido especialmente nas gazetilhas nas quais ironicamente gozava os pequenos "faits divers" da vida local, assinando "Tojon Pião".

Foi co-fundador da Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha (1925), secretário da Assembleia Geral do Sport Clube Alba (1941), Vogal da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia de Albergaria-a-Velha (1954) e proprietário de uma tabacaria e livraria.

Era ainda pintor e paisagista, usando especialmente o carvão, processo então em moda. Foi professor de Desenho dos alunos do Colégio de Santa Cruz, o primeiro que existiu em Albergaria, entre 1927 e 1935 e posteriormente no recém-fundado Colégio de Albergaria.

Era um espírito alegre, crítico e sadio, cheio de bonomia, que viveu metade da sua vida honrada e modestamente como correspondente bancário, esquecido do seu valor que podia ter voado bem mais alto.

Faleceu em 20 de Junho de 1961 em Albergaria-a-Velha.

Fontes: "Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha" de António Homem de Albuquerque Pinho / "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de D. Bismarck Ferreira e R. Vigário

domingo, 10 de dezembro de 2017

"Vou-me Despedir do Rio" evoca memórias de antigos trabalhadores da Fábrica do Caima


O CLDS 3G (Contrato Local de Desenvolvimento Social de 3ª geração) "Albergaria IntegraT"/Prave, em parceria com o Município de Albergaria-a-Velha, apresentou, no passado dia 30 de novembro, no Cineteatro Alba, a curta-metragem documental "Vou-me Despedir do Rio", baseada em histórias de vida de seniores da freguesia de Ribeira de Fráguas.

"Vou-me Despedir do Rio" é realizada por David Gomes e Pedro Cruz e visa resgatar as memórias dos antigos trabalhadores da Fábrica do Caima, bem como recordar o processo de produção do linho, que já teve um papel importante na economia local e constitui hoje uma tradição que é preciso preservar. A produção da curta-metragem está inserida na ação "Uma Vida Uma História", um projeto que visa contribuir para a construção da memória social do Concelho, representando as suas tradições e riquezas.




O documentário conta com a participação de vários seniores de Ribeira de Fráguas, que aceitaram partilhar episódios da sua vida para construir uma narrativa sobre o passado da sua terra. O projeto teve o apoio da Junta de Freguesia de Ribeira de Fráguas, do Rancho Folclórico de Ribeira de Fráguas e da Quinta do Caima.

A curta documental foi selecionada, entre 56 filmes de diferentes géneros, para entrar em competição na 23ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português que se realizou entre 27 de Novembro e 3 de Dezembro, em Coimbra, tendo-lhe sido atribuído uma Menção honrosa para melhor documentário.

Fonte: CMAAV

Trailer: Vimeo


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Arquivo Municipal - doações e depósitos



O Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha comemorou o seu nono aniversário no dia 21 de novembro, aproveitando para celebrar vários protocolos de doação e cedência com doze munícipes e entidades locais.

Entre o material cedido, é possível destacar fotografias do século XX de Albergaria-a-Velha, negativos em vidro e película com paisagens de Angeja dos séculos XIX e XX [utilizadas nos postais de Angeja], a brochura inaugural do Cine-teatro Alba de 1950, documentação da Quinta do Fontão, de 1816 a 1935, e a encadernação de “O Arauto de Osseloa”.


Ao longo de 2017 o Arquivo Municipal tem dado continuidade à sua missão de tratar e disponibilizar a mais diversa documentação do Concelho ao público, em especial, através do seu portal, que já conta com 2055 utilizadores, que fizeram mais de 54 mil consultas desde a sua criação. Neste ano, foi concluído o trabalho de descrição das actas da Câmara Municipal dos séculos XIX e XX, bem como a inserção de todos os processos de obras particulares e vistorias incorporadas no Arquivo, de 1948 a 1996.

Em relação ao espólio fotográfico da Foto Gomes, constituído por 200 mil chapas em vidro e película, é de salientar o registo de mais de 120 mil chapas até à década de 1970. O processo de identificação das várias fotografias está a ser desenvolvido em parceria com os utentes da Misericórdia de Albergaria-a-Velha, tendo o projeto colaborativo sido reconhecido como uma boa prática pela Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas.


O Arquivo Municipal está a proceder a um trabalho de inventariação das famílias Albergarienses através da compilação e cruzamento de diversos registos – registos paroquiais de batismos, casamentos e óbitos; registos de passaporte; encomendas de fotografias da Casa Foto Gomes; registos de velocípedes, motociclos e cartas de condução; fichas de funcionários da Fábrica Alba – de forma a poder construir um historial das pessoas e famílias que viveram em Albergaria-a-Velha.

O munícipe poderá recolher diversos dados sobre os seus antepassados, estabelecer relações entre as pessoas e saber “por onde andaram” os familiares, caso tenham emigrado. “O projecto do Arquivo Municipal é único no País, não existe mais nenhum com esta dimensão em termos de quantidade e variedade dos registos levantados”, salientou Delfim Bismarck.

Fonte: CMAAV (adaptado)

sábado, 11 de novembro de 2017

Inauguração da estátua da Rainha D. Teresa e outras iniciativas no âmbito das comemorações dos 900 anos de Albergaria-a-Velha


No mês em que se celebram os 900 anos de Albergaria-a-Velha, a Câmara Municipal inaugura a estátua da Rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques e fundadora do território através da Carta de Couto de Osseloa de 1117.

A estátua da Rainha D. Teresa é uma obra do artista Hélder Bandarra, membro fundador do AveiroArte - Círculo Experimental de Artistas Plásticos de Aveiro e autor da estátua Princesa Santa Joana, que se encontra junto do Museu de Aveiro.

A estátua foi executada em bronze e tem dois metros de altura, estando colocada sobre uma base de um metro e 90 centímetros.


No âmbito das comemorações dos 900 anos de Albergaria-a-Velha, a Câmara Municipal apresentou, pelas 15h30, o inteiro postal comemorativo da data e, pelas 16h30, foi inaugurada, na Biblioteca Municipal, a exposição documental “Das Origens a Osseloa”.

A mostra reúne, pela primeira vez, os achados arqueológicos das escavações efetuadas nas Mamoas do Taco, no Monte de São Julião e em Cristelo, que constituem provas materiais dos povoamentos humanos anteriores à Carta de Couto de Osseloa.


A seguir à exposição foi apresentado o quarto número da Revista Albergue, uma publicação anual que promove a inventariação, preservação, valorização e divulgação da História e do Património do Concelho de Albergaria-a-Velha. Na edição de 2017, o leitor pode encontrar artigos que versam sobre arte sacra, demografia, genealogia e património natural, entre outros, destacando-se dois textos relativos às origens do território – “Os Marnéis – A Família de Gonçalo Eriz Fundador de Albergaria-a-Velha em 1117”, de Delfim Bismarck Ferreira e “As Singularidades da Carta de Couto de Osseloa (1117)”, de Maria Alegria Marques.


Em novembro, o programa das comemorações dos 900 anos de Albergaria-a-Velha inclui ainda a peça de teatro “Osseloa”, a 18 de novembro, e a “Gala Lírica” da Orquestra Filarmonia das Beiras, com Carlos Guilherme e Isabel Alcobia, na noite de 25.

Fontes: Terranova (adaptado) / Município de Albergaria-a-Velha


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

História Económico-Social de Albergaria-a-Velha no século XX

Fábrica de Papel de Valmaior fundada em 1872
O Município de Albergaria-a-Velha teve uma forte presença na história da indústria em Portugal, nomeadamente a Fábrica do Caima (primeira fábrica de pasta de papel de eucalipto no mundo), a Fábrica de Papel de Valmaior (fornecia papel de impressão para a maior parte das publicações periódicas do país) e a Fábrica Alba (empresa de fundição e metalomecânica que deixou marcas е mobiliário e equipamento urbano em todo o país).

Fábrica do Caima fundada em 1888 pela Caima Pulp
Torna-se importante reconstruir a história económica e social do século XX, tendo em conta a indústria como factor de valorização do município com a criação de um livro que destaque as principais indústrias: Alba, Minas do Palhal, Fábrica de Papel de Valmaior, Ferreira & Companhia, Companhia de Celulose do Caima, como principal motor da actividade económica e desenvolvimento social do Concelho.

Minas e Metalurgia SARL(actual Palbit) fundada em 1916
Foi adjudicado à historiadora Raquel Cardeia Varela um serviço de investigação especializada e criação de um livro sobre a História económico-social de Albergaria-a-Velha no século XX.

Fonte: internet  (em Novos Arruamentos); Imagens adicionais: Dissertação de Luís Martins

Nota: Na nossa opinião o estudo deveria ser alargado ao século XIX pelo facto de algumas das principais empresas se terem iniciado nesse período.

Outros Estudos

"Chorographia industrial do Concelho de Albergaria (...)" de Aníbal G. Ferreira Cabido (1911)

"A indústria no distrito de Aveiro. Análise geográfica relativa ao eixo rodoviário principal (EN n.° 1), entre Malaposta e Albergaria-a-Nova" de Lucília de Jesus Caetano (1986)

"Empresas e Empresários das indústrias transformadoras, na sub-região da Ria de Aveiro, 1864-1931" de Manuel Ferreira Rodrigues (2010), com destaque para a Fábrica de papel de Valmaior (Capítulo 3 - 7.1.) e a Fundição Albergariense (Capítulo 5 - 5.2.2).

Alba fundada em 1921
Ferreira & Cª fundada em 1877
Minas do Palhal descobertas em 1744 por ingleses.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Arte da Azulejaria na Capela de Nossa Senhora do Amparo (Sobreiro)


Por vezes, o bordado é transposto para a arte da azulejaria, como se vê na capela de Nossa Senhora do Amparo, em Albergaria-a-Velha, datada do século XVII (...)

Traz no centro um rótulo com a Virgem e o Menino, envolto em rica decoração à maneira dos bordados indianos, com hastes florais e pavões, motivos também associados tradicionalmente à Virgem.

Fonte: Artigo "O Império dos Mil Anos e a arte do “tempo barroco” (...)" de Jaelson Bitran Trindade (Brasil)

Extracto da foto


Capela de Nossa Senhora do Amparo (Sobreiro, Portugal)

Frontal de altar. Trata-se de uma capela particular.

Azulejo do século XVII.

Fotógrafo: João Miguel dos Santos Simões.

Data de produção da fotografia original: 1960-1970

Imagem arquivada na Biblioteca Digitile (Azulejaria e Cerâmica online) e no Biblarte (Flickr)  (Biblioteca de Arte / Art Library da Fundação Calouste Gulbenkian)


Mais informações sobre a capela

Na saída da povoação e dependente duma casa particular está a capela de Nossa Senhora do Amparo que, segundo Patrício Theodoro Álvares Ferreira, remontará ao séc. XVII. Esta capela tem aparência de ter sido ampliada no comprimento. É de realçar a frontaria baixa mas equilibrada, a porta de verga direita e de cornija, os postigos ao lado, a sineirita no vértice e um magnífico frontal de azulejos do séc. XVII.

São do séc. XVII e de fabrico de Lisboa, policromos, do tipo de tecidos; a frontaleira e os sebastos reproduzem os volumosos bordados a ouro, desenhando enrolamentos de encanto; o pano central contém a Virgem com o menino dentro dum rótulo recortado; os dois laterais, os bordados indianos de hastes florais e grandes aves; cercam o conjunto azulejos de ângulo, com o tema de rendas.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

José Armando da Silva Ferreira, advogado (1933-2013)


José Armando da Silva Ferreira nasceu a 19 de Agosto de 1933 em Albergaria -a-Velha, filho de Ezequiel da Silva e de Esmeralda da Silva Ferreira.

Frequentou os Seminários dos Olivais e de Évora, abandonando quando estava para ser ordenado sacerdote para se casar em 1963 com Mana Aida Coelho de Lemos da Silva Ferreira.
Licenciou-se pela Faculdade de Direito de Lisboa, em 17 de Outubro de 1967, começando por ser Inspector do Instituto Nacional de Trabalho. Inscreveu-se como Advogado em 25 de Agosto de 1969, passando a exercer em Lisboa.


Silva Ferreira escreveu o Manual de Direito do Trabalho III Volume, publicado em 1972 pela FDL (Faculdade de Direito de Lisboa) e foi Administrador das Galerias RITZ , em Lisboa, em 1973.

Ainda no período pré-revolucionário foi advogado do editor Romeu de Melo no âmbito do famoso  caso das “Três Marias”, no processo relativo à obra “Novas Cartas Portuguesas”, a qual logo após publicação foi considerada deletéria [nociva] ao regime e proibida pela censura. Os textos foram considerados “imorais” e “pornográficos” pois retratavam mulheres livres, que questionavam a sua identidade e expressavam o desejo de aceder a novas ideias sociais e religiosas, em tom de revelação, com várias vozes narrativas”. O processo acabaria suspenso e as autoras absolvidas somente após o 25 de Abril de '1974.

Ao fundo à esquerda
Após o 25 do Abril, Silva Ferreira integra o movimento ligado às artes e à política, fazendo parte do seu núcleo de amigos: Sousa Tavares, Natália Correia, Amadeu Dias, Paiva de Carvalho, Carvalho Fernandes, José Drago, entre outros. No Verão Quente foi sequestrado na Praça de Londres, em Lisboa, por um grupo de manifestantes. O seu nome constava na célebre lista do Campo Pequeno de Otelo Saraiva de Carvalho.

Em 1975, com Adelino da Palma Carlos, colabora e elabora normas constitucionais na área do Direito de Trabalho que viriam a constar do texto de1976 da Constituição. Como advogado da IPM – Indústria Portuguesa de Munições foi, por diversas vezes, ameaçado pelas FP 25. Nos anos 80 foi advogado do Prof. Dr. Virgílio Borges no gigantesco processo que a Câmara Municipal de Cascais lhe moveu sobre a implantação do maior painel solar fotovoltaico que veio a ser aprovado e implantado.

Foi também advogado da RENA e da Alitalia, bem como de importantes clientes internacionais. Presidente da Assembleia Geral da ENGIL e da Air Liquide e Vogal do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem de Advogados (no triénio 1984-1986).

Foi administrador do Legado Napoleão, por indicação da Câmara Municipal, do qual se afastou no final dos anos 90 por divergências com a autarquia presidida pelo Dr. Rui Marques.

Exerceu advocacia até Dezembro de 2005, altura em que se aposentou e transferiu residência para Albergaria-a-Velha onde faleceu em 19 de Abril de 2013.

Fonte: Correio de Albergaria (Adaptado)

domingo, 10 de setembro de 2017

"Nasci com a Trovoada" - Documentário sobre a vida do cineasta Manuel Guimarães


O Cineteatro Alba apresentou no passado dia 1 de setembro, pelas 21h00, "Nasci com a Trovoada – Autobiografia Póstuma de um Cineasta", documentário sobre a vida e obra do Albergariense Manuel Guimarães (nascido em Valmaior onde seu pai era sócio-gerente da Fábrica de Papel do Prado).

"Nasci com a Trovoada" era um projecto de filme autobiográfico que Manuel Guimarães não chegou a realizar, mas que agora foi concretizado por Leonor Areal. O documentário baseia-se integralmente em materiais de arquivo: filmes, fotografias, artigos de jornal, cartas e diários. Manuel Guimarães é a voz de narrador que nos conduz através da sua vida e obra. Em diálogo com fragmentos dos seus filmes, esta "autobiografia póstuma" assume-se como uma outra ficção.

Na sessão, que contou com a presença da realizadora, foi ainda exibido a curta-metragem “A Terra de o Homem” (1969), de Manuel Guimarães, recentemente recuperado.




Manuel Guimarães (1915-1975)

Manuel Guimarães nasceu em 1915, em Valmaior, e foi o principal cineasta neorrealista do cinema português. Os seus filmes revelam um olhar original sobre a sociedade portuguesa, escolhendo personagens consideradas marginais, tais como saltimbancos, pescadores, vadios, prostitutas, estivadores, jornaleiros. Nelas se espelha uma arte de sonhar, aliada a uma ética da resistência e à capacidade de sacrifício que nunca abandona a esperança.

Manuel Guimarães sofreu amargamente às mãos da censura e viveu alguns períodos de grande dificuldade, sobrevivendo com alguns documentários e diversos trabalhos plásticos. A morte apanhou-o a meio da montagem do seu filme-testamento "Cântico Final", em 1975.

Fonte: CMAAV

Mais informações: Blog Nasci com a Trovoada / Blog Manuel Guimarães

Trailer



 Sinopse do Indie.lisboa

Manuel Guimarães é um dos mais importantes cineastas portugueses mas, ao longo dos anos, o seu trabalho foi sendo esquecido. O único realizador neo-realista do cinema nacional deixou uma obra sem igual, onde retratou duramente a sociedade do Estado Novo e, por isso mesmo, foi vítima da censura. Em 2015, comemoraram-se os cem anos do seu nascimento e a realizadora Leonor Areal (curadora da exposição e retrospectiva Manuel Guimarães – Sonhador Indómito) faz, em Nasci com a Trovoada, a sua homenagem a um artista atormentado, “sempre cheio de dúvidas e de aflições".  

Cinemateca 
 
 

domingo, 20 de agosto de 2017

Ligações do Partido Comunista a Albergaria-a-Velha durante o Estado Novo (anos 40)


António Gomes da Silva/"Russo", que era alfaiate e usava o nome de "Rocha" para as actividades partidárias, fazia parte do comité local de Espinho, sendo um dos diversos delegados da organização comunista que entregavam propaganda e desenvolviam essa organização em Ovar, Águeda e Albergaria-a-Velha. Para o desenvolvimento da organização contactou com Augusto de Lemos Henriques Ribeiro Pinheiro (conhecido como "Augusto da Cadeia").

"Augusto da Cadeia" era carcereiro da comarca de Albergaria-a-Velha e responsável por um "grupo" desta localidade. Por intermédio de Luís da Silva e Costa, conheceu outro que lhe dava os jornais comunistas e depois este apresentou-lhe o António das Neves Martins de Barros, a quem passou a entregar o material de propaganda.

Álvaro Correia Leite/"Barito", que trabalhava na Fundição de Albergaria-a-Velha [Fábricas Alba ?], fazia parte de uma célula comunista, conjuntamente com Germano Gomes Pinho/"Germano Serrano".


Em Dezembro de 1943 são presos membros do partido comunista nos concelhos de Ovar, Albergaria-a-Velha e Águeda.

Leandro Gomes Ferreira, ajudante de notário, afirmou no Auto de perguntas de 14 de Dezembro de 1943 (Processo PVDE nº 278/43) que era democrático e que considerava que no regime actual não existia liberdade de palavra ou religião. Tinha estado filiado no tempo da democracia no Partido Republicano Português e há cerca de 6 meses conhecera "Augusto da Cadeia" que lhe entregava os jornais que lia e rasgava, assim como lhe dava dinheiro, mas apenas o fazia por caridade porque não era comunista.

António Bernardino Tavares/"Rodas" também recebeu jornais por intermédio de "Augusto da Cadeia" e deu-lhe dinheiro mas afirmou que "não tem ideal político", embora soubesse que ele pertencia à "organização subversiva".

Henrique Marques Alexandre, médico veterinário, negou qualquer ligação ao partido comunista e confirmou que apenas recebe os jornais que "Augusto da Cadeia" lhe vende e dá dinheiro à organização comunista por caridade.

José António Lopez Novelle, comerciante, de Orense-Espanha, residente em Albergaria-a-Velha, detido para averiguação de "actividades subversivas", nos interrogatórios responde que vivia em Portugal há trinta anos e que há oito meses Augusto de Lemos Henrique Pinheiro/"Augusto da Cadeia" lhe entregou alguns jornais Avante e, embora tivesse contribuído com algum dinheiro, para auxílio das famílias dos presos políticos, não era comunista.

Fonte: adaptado de tese de Maria Filomena Rocha Lopes sobre "O Sindicalismo português entre 1933 e 1974 (em "Novos Arruamentos")

Texto integral (tese)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Memórias da Feira dos 26 de Angeja


Angeja "tem feira a vinte e seis do mês, cada anno, dura meyo dia” (Memórias Paroquiais de 1758)

Realiza-se no Largo Marquês de Angeja (conhecido por Largo da Feira), onde existe um crucifixo e um chafariz com bebedoiro para animais. Feira aberta, mas paga Imposto de terreiro.

Transacciona-se gado vacum e porcino, e algumas vezes lanígero. Gado de cornos, segundo nos informaram, entraram hoje na feira 300 cabeças; porcos 150; de lanígeros, nesta feira, não se deu conta.
Curiosidade: A pessoa de sobretudo preto é D. Leonor Ribeiro aos 18 anos, quando Sr. Manoel Souto (emigrado no Brasil)  a conheceu e se apaixonou (*)

O gado é trazido à soga [corda], pelos produtores-lavradores de Fermelã, Cacia, Frossos, etc„ e, naturalmente, de Angeja. Os compradores são lavradores da região e os negociantes (marchantes e talhantes) vêm de Cantanhede, Paredes, Penafiel, Avanca, Estarreja, Figueira da Foz, etc. (em número de 30), e transportam o gado em camionetes.


Ainda se usa o alborque - "regar” com uns copos (geralmente vinho branco) o negócio feito, despesa paga pelo vendedor, em honra do comprador e dos que o ajudaram a rematar o negócio (os negociantes por vezes fazem cambão [combinam preços]). Há para o efeito uma taberna no local, aberta nos dias de feira.


Pare além de negócio de gado, indubitavelmente o mas vultoso em notas, há uma variedade infinita de artigos à venda:

* utensílios da lavoura, máquinas de sulfatar, moto-serras, semeadores de batata e de milho, arrendadores, etc.; correame [correias] para o gado, como piaçás, brochas (correia que liga a canga ao pescoço da vaca), tamoeiros [peças para carros de bois], passadeiras, etc.;
* utensílios de cozinha, desde garfos, facas e colheres, aos alguidares, tachos e panelas; artigos em folha zincada e de flandres; funis, regadores, púcaros, almudes (de 20 litros), lampiões, candeias de curral, etc., etc.;
* em vestuário o calçado, é um louvar-a-Deus de tendas, de barracas, de carrinhas, carros e carretas;
* cofinhos para o gado (antigamente de baracinha [cordel], agora do arame);
* peneiras, tamancos, pipos, pipas e dornas, melões e maçãs, enxadas, ferros de engomar à brasa, foicinhas, martelos, fogareiros, louças, pão do Fontão (muito saboroso) e tremoços (bem apaladados), regueifas, plásticos (ui, Jesus, o que vai pr'aí de plásticos), objectos de barro (caçoilas e púcaros, tarros e tarrelos), cordas de plástico e adibais [cordas compridas] de sisal, esteiras (em desuso, a malta agora quer é edredons e alcatifas!), aventais (os de serguilha tiveram a sua época!), blusas, casacos e bonés, galrichos, cestos de vime — o fim do mundo!

E pó! E música (altíssimo-falantes)! E propagandistas da banha-de-cobra! Vá lá, já não se vê os estropiados que andavam mendigando de feira em feira … hoje tudo fuma cigarro feito e de filtro!

No dia da feira o negócio local anima-se. Esta feira é o melhor ex-libris de Angeja.



Fonte: Bartolomeu Conde em Jornal "O Aveiro" (em "Novos Arruamentos")

(*) Imagem utilizada no cartaz da feira de 2015 (mais informações: Cristina Souto Rigotti)

A organização da feira foi retomada em 2014, tendo agora periodicidade anual