quarta-feira, 20 de março de 2019

Grupo Desportivo e Recreativo de Soutelo

Fundado em 21 de Fevereiro de 1989, começou por se chamar Souto-Alba, por ser composto maioritariamente por atletas de Soutelo (Branca) e Albergaria-a-Velha. No início, na altura dos jogos de futebol entre solteiros e casados, utilizavam o campo de Palmaz, em Oliveira de Azeméis.

Depois, o Salazar Gomes lançou a ideia de se formar uma colectividade e participar nos campeonatos promovidos pelo INATEL. Nessa altura, no início da década de 90, já jogavam no Campo do Beira Vouga, em Frossos. Fizeram 4 ou 5 épocas mas acabaram por desistir devido aos custos. Tinham de requisitar os serviços da GNT, fazer marcação do campo, levar lenha para a cadeira ... era muito dispendioso. Os apoios eram muito poucos e acabaram por desistir.


Começaram, então, a participar nos torneios de Futebol de Cinco. E, logo de seguida, criaram a equipa de Cicloturismo, já com a denominação de Grupo Desportivo e Recreativo de Soutelo.  Organizaram várias Voltas ao Concelho de Albergaria-a-Velha, trazendo participantes de vários pontos do país, e participaram em vários eventos nacionais, como a Rota do Vinho do Porto, Oliveira de Azeméis, Fátima, Circuito de Moimenta da Beira, Leiria, entre outros.

Entretanto a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha construiu o Campo Desportivo na Branca. Esteve 3 anos sem utilização e, ao fim desse tempo, o Presidente da Autarquia, Dr. Rui Marques, desafiou o Grupo Desportivo e Recreativo de Soutelo a ocupar o espaço e arrancar com o futebol de formação na freguesia da Branca.


 O clube organiza anualmente o Torneio de Futebol Infantil da Vila da Branca, este ano já na 16ª edição, em que participam entre 24 e 28 equipas nacionais repartidas por 2 dias.

O futebol de veteranos surgiu da iniciativa de alguns pais, tendo o clube já participado, por duas ocasiões, no Torneio Internacional de Albufeira, obtendo um 4º e um 3º lugar.


Fonte: Jornal de Albergaria (adaptado)

domingo, 10 de março de 2019

Carlos Luiz Ferreira (1882-1947)


Carlos Luiz Ferreira, proprietário e autarca, nasceu em Pinheiro da Bemposta. Filho do Dr. Manuel Luiz Ferreira Junior, natural de Albergaria-a-Velha, proprietário e presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, e de sua esposa Henriqueta Augusta Luiz Ferreira, natural de Oliveira do Bairro, moradores inicialmente em Bemposta e depois na Casa da Fonte em Albergaria-a-Velha.

Carlos formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi subdelegado do Procurador Régio (1905), vereador da Câmara Municipal (1906-1909) e Presidente da Câmara Municipal (1919) e Administrador do Concelho (1908-1010).

Foi igualmente escrivão do 1º ofício da comarca de Albergaria-a-Velha (1910-1014) e Advogado.

Foi o fundador da Quinta das Cruzes (que actualmente é propriedade do Dr. Rui Marques) na Rua das Cruzes também conhecida por Quinta do Dr. Carlos ou Quinta dos Luizes.

Fonte: "Albergaria-a-Velha 1910 ..." de Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Marques Vigário (adaptado)

Agradecimento: Ana Ferreira (bisneta), Delfim Bismarck, Óscar Fernandes (em grupo "Famílias de Albergaria") 
 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Associação de Solidariedade Social de Alquerubim (ASSA)


A Associação de Solidariedade Social de Alquerubim (ASSA), com sede na Quinta do Alque, em Fontes, freguesia de Alquerubim, é uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) fundada em 1994, por escritura pública de 30 de junho, subscrita por um grupo de 42 Alquerubinenses.

Tendo por objecto social o Apoio social à família nomeadamente a crianças, jovens e idosos, bem como a promoção social e comunitária à população da freguesia de Alquerubim e seus limítrofes, começou por disponibilizar um Centro de Convívio, tendo nos anos seguintes encetado as valências de centro de actividades de tempos livres (CATL), creche e jardim de infância que funcionaram em instalações provisórias cedidas pela Junta de Freguesia de Alquerubim.


Além dessas actividades, a ASSA possui, hoje em dia, as valências de Centro de dia, estrutura residencial para idosos, serviço de apoio domiciliário e atendimento social em instalações próprias, na Quinta de Alque, executadas em duas fases, a inauguração da 1ª fases foi em 2002 e a 2ª fase em 2009 (estrutura residencial para idosos).

A ASSA tem-se afirmado no contexto local e regional como uma entidade de referência na prestação de serviços para a comunidade, tendo sido a primeira IPSS do Concelho de Albergaria-a-Velha a  obter a Certificação da Qualidade de acordo com a norma ISO: 9001:2008.


É pratica da ASSA, o uso rigoroso dos escassos recursos económicos disponíveis, tendo promovido diversas acções de eficiência nos consumos hídricos e energéticos, bem como a criação de uma horta para autoconsumo, a utilização de painéis solares para aquecimento de água (AQS) e a produção de energia eléctrica por painéis fotovoltaicos, de modo a disponibilizar recursos para os nossos utentes.

Fonte: ASSA (adaptado)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

100 anos da Monarquia do Norte (1919-2019) - Lembranças duma Campanha do Vouga

Oficiais do batalhão comandado pelo Autor deste texto (Belisário Pimenta)

Nos dias tristes e pesados deste último inverno (...) muitas vezes me surgia à memória um outro inverno mau em que sucessos graves da nossa vida política me levaram a suportar as suas inclemências. (...) as evocações iam para o Vouga (...) junto do qual exerci, modestamente e ignoradamente, funções militares em ocasião bem desagradável para a nossa história contemporânea. (...)

(...) o Caima, perpendicularmente, forma uma linha de defesa da crista que sobe de Albergaria para o norte e intercepta a estrada de Viseu a leste desta última vila. (...) embora o atravessem com mais pontes, parece ser a linha natural de separação entre as regiões que constituem as zonas de influência do objectivo principal Coimbra-Lisboa e do objectivo menor que é o Porto.

Por tudo isto, os primeiros actos foram o que foram: do norte, a intenção de chegar depressa ao Vouga; do sul, a resolução rápida de manter, dentro do possível mas custasse o que custasse, as passagens do rio.

Aspecto da Região do Vouga
Foi, de começo, uma defesa simples, quase elementar; a surpresa dos sucessos do Porto, dias antes, não dera tempo a preparação de resposta eficaz. E foi em Esgueira, no cruzamento das duas estradas que correm para o Vouga, que me estabeleci e assumi o comando das poucas forças de que, no momento, se dispunha.

Eram elas: uma companhia de Infantaria 24, saída do quartel de Aveiro que vigiava e defendia a estrada para Eixo; outra, constituída pelo pessoal do 3.º batalhão daquele regimento (o de Ovar) postou-se na de Angeja; e a de Infantaria 23 que tinha ido comigo, ficou como reserva em Esgueira; a bateria incompleta de artilharia, instalou-se num pinhal adiante desta povoação para bater as pontes a norte de Cacia.

Assim se passaram dois dias, em vigilância aturada, em pesquisa dos movimentos contrários e na expectativa desagradável de qualquer surpresa que se não pudesse evitar − até que, em 24 de Janeiro, ao mesmo tempo que se sabia que as forças contrárias se aproximavam de Albergaria e de Salreu, em colunas separadas, começaram a chegar reforços e, por consequência, a intensificar-se a defesa que tão precária era.

Casa de São João Loure que serviu de quartel general dos republicanos

Uma destas forças chegadas foi para a margem direita do Vouga com missão de vigiar e inquietar a coluna monárquica que vinha na direcção de Albergaria; e outra força que possuía duas metralhadoras ligeiras, foi defender a ponte de São João de Loure.

As que já estavam, isto é, as duas companhias de infantaria 24 que eu comandava, foram para Cacia, uma para o apeadeiro e ponte do caminho de ferro; a outra para a estrada e ponte de Angeja; ambas com missão de defender estas passagens do rio e de manter vigilância contínua na margem esquerda desde o esteiro até Tabueira onde começava a vigilância da força da ponte de Loure. (...)

Em 26, já instalado, desde manhã, em Cacia, numa casa de pescadores ao cimo do lugar, tive conhecimento de que alguma cavalaria das forças revoltadas entrara em Angeja e uma companhia de 200 homens de infantaria estava a caminho desta vila; e na manhã seguinte, em que caiu pesado nevoeiro sobre o vale, sentiu-se na outra margem rodar uma coluna de artilharia. (...)

Oficiais que participaram nas operações do Vale do Vouga (IP)

Quase a seguir, surgiram as primeiras forças de infantaria do outro lado da ponte de madeira com intenção aparente de a transporem − mas o fogo da companhia que a guardava não deixou continuar o avanço e forçou aquelas a abrigarem-se convenientemente.

Começou, então, o tiroteio, que foi constante durante o dia entre as duas infantarias dum e outro lado da ponte, com mais intensidade de lá do que de cá, onde havia ordem de economizar munições; a artilharia contrária fez cerca de 40 tiros, espaçados, sem resultado além de uma ou outra árvore derrancada nos altos de Cacia. (...)

No dia seguinte, 28, a situação manteve-se quase na mesma; o fogo começou muito cedo, ainda de noite, com intensidade por vezes; a divisão de artilharia adversa que se via bem, no alto de Angeja, fez cerca de 30 tiros, vagarosos, mas mais certeiros do que na véspera: um deu na estrada, a 50 metros aquém da ponte de madeira; outro no encontro da ponte do caminho de ferro que ficou levemente danificada  (...)

Ponte de Angeja de madeira

A cheia do Vouga crescia a olhos vistos; os barcos (que, previdentemente, se tinham recolhido quase todos à margem esquerda, dias antes) teriam difícil manobra por a corrente ser impetuosa; a ponte de madeira era alvo bem visível e de fácil referência; e as tropas contrárias continuavam postadas na margem oposta, a pequena distância, e mais ou menos abrigadas.

Qualquer movimento feito de cá, teria que ser, pois, a descoberto − e por muito ardil que se empregasse sê-lo-ia com êxito?

O problema não era, por consequência, somente de ordem militar. E a chuva continuava, miúda, densa, com aspecto, por vezes, de nevoeiro cerrado; nada se via para pouco mais além da outra margem − e o ataque que se começou, nas alturas de Frossos, e de que se ouvia o tiroteio, continuava indeciso.
Alto de Angeja onde estiveram instalados os revoltosos

Mandei, contudo, tentar o conserto da ponte de madeira; mas mal o trabalho começou, veio uma granada rebentar sobre o ajuntamento com razoável pontaria. (...)

(...) fizeram-se dois reconhecimentos: um, constituído por pequenas forças de infantaria e de marinheiros, seguiu oculto pela linha férrea e, através dos esteiros, chegou às portas de Angeja; outro, formado por pequena patrulha de infantaria, atravessou o rio em barco, escondido pela ponte de madeira e conseguiu furtar-se às vistas das forças da margem direita até quase ao fim do chamado túnel de Angeja (...)

O combate, na margem direita, manteve-se indeciso, não conseguiu o objectivo determinado; a noite caía e o comandante do destacamento, conforme novo plano, mandou seguir para Loure uma das companhias (a que estava no apeadeiro de Cacia) e deu-me nova missão que eu fui receber na noite de 29 para 30, ao Quartel do comando em Loure, enquanto nas ruas e estradas caíam as maiores bátegas de água que é dado ouvir nestes climas considerados amenos.

Margem direita do Vouga - Pateira de Frossos

Recebi, nessa noite de 29 para 30 de Janeiro, a missão de, no dia seguinte, ainda com o lusco-fusco, fazer aparecer a leste de Frossos, na altura da estrada Loure-Albergaria, três companhias de infantaria: uma do regimento n.º 5, outra, mista, dos regimentos 28 e 35; e outra (que mantive em reserva) do regimento 24 que viera, de noite, de Cacia.

O aparecimento destas forças, ao romper da manhã, conjugado com o ataque de frente, feito pelas forças que, à minha esquerda, deveriam seguir na direcção sul-norte, ao longo da estrada S. João de Loure-Angeja, tinha o objectivo de simular o corte de comunicações com as forças monárquicas que operavam pelas alturas de Albergaria e o possível flanqueamento das posições de Angeja. (...)

À direita, para os lados de Albergaria, o outro destacamento ocupou novas posições à frente e avançava com segurança. O êxito do movimento acentuava-se e as deslocações iam-se fazendo − quando recebi ordem para retirar e reunir as minhas forças na povoação do Eirol, na margem esquerda do Vouga. (...)

Ponte da Rata, Eirol (concelho de Aveiro)

Desci a S. João de Loure, atravessei a ponte, cortei à esquerda pela E. N. n.º 45 e subi pela calçada estreita e em curvas para essa pitoresca povoação do Eirol, assente em terras altas que dominam o vale e a passagem sobre o Águeda que eu ia encarregado de defender. (...)

No dia seguinte, já os campos se alegravam com o sol quase às soltas no céu com poucas nuvens, recebi a comunicação de que a nossa cavalaria, ao explorar a margem direita, na direcção de Angeja, verificara a saída das tropas contrárias desta vila e a sua marcha normal para o norte, na direcção de Estarreja.

Estávamos, pois, de novo, senhores da margem direita; e na tarde desse dia 31 entrei com o meu batalhão em Angeja e tomei as posições de apoio a outro batalhão já nessa altura em postos avançados na linha Fermelã-Sobreiro (...)


Durante os nove dias que se seguiram, o batalhão fez o serviço de postos avançados, de apoio ou de reserva, consoante a escala, na região ao norte de Angeja; lançou reconhecimentos pelos quais se concluía que os adversários tinham muito pouca gente na povoação de Salreu e só em Estarreja tinham maior número.

Nestes nove dias, o comando superior das forças em operações esteve a organizar melhor os dois destacamentos que operavam ao longo das estradas Aveiro-Ovar e Águeda-Oliveira de Azeméis − e por isso se chamavam vulgarmente os destacamentos de Aveiro e de Albergaria.

Era já o caminho (como teria dito o ilustre comandante Rocha e Cunha) para o estado positivo.

Em 9 de Fevereiro, à noite, planeou-se o ataque a Salreu como base para atacar Estarreja que se julgava ser (como, de facto, foi) o último reduto da resistência adversa.

Exposição sobre "Monarquia do Norte" em Estarreja
O plano era simples: o 1.º batalhão do destacamento seguiria pela estrada Angeja-Estarreja; eu, apoiando a minha-esquerda na direita desta unidade, seguiria pela estrada Angeja-Albergaria até ao Sobreiro onde transporia a linha dos postos avançados para realizar a marcha na direcção norte, com o fim de ocupar a linha determinada pelos lugares de Soutelo-Campinos de Salreu e obrigação de estabelecer ligação constante à direita com o destacamento n.º 2 (Albergaria).

Realmente, na manhã de 10, nevoenta, com prenúncios de chuva, começou-se a marcha, algum tanto demorada por deficiências técnicas da sua preparação (...) pela tarde, cerca das 15 horas e meia, depois de várias peripécias sem importância para o conjunto, conseguiu-se alcançar o objectivo, e, até, na direita, ultrapassá-lo um pouco, por engano, nas alturas da povoação do Soutelo. (...)

A vila de Estarreja era, naquela zona, o último reduto da resistência; as forças adversas retiraram para o norte e a acção perdeu todo o interesse, porque a retirada era patente e a reviravolta no Porto, em 13 de Fevereiro, veio rematar a contenda. A 16 do mesmo mês, as forças reunidas entraram no Porto entre aclamações e músicas.

Fonte: Extractos de Artigo de Belisário Pimenta (1936) (em site "Arquivo do Distrito de Aveiro")

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Albergaria-a-Velha assinala o centenário da Monarquia do Norte com palestra na Biblioteca Municipal


O Município de Albergaria-a-Velha organizou no dia 28 de janeiro, na Biblioteca Municipal, a palestra "Centenário da Monarquia do Norte ou Traulitânia em Albergaria-a-Velha". Com início às 18h30, a iniciativa contou com intervenções dos historiadores Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Marques Vigário.

A Monarquia do Norte foi uma contra-revolução ocorrida na cidade do Porto, a 19 de janeiro de 1919, pelas juntas militares favoráveis à restauração da Monarquia em Portugal.

Depois do assassínio do presidente Sidónio Pais em dezembro de 1918, o país esteve à beira de uma guerra civil, com monárquicos e republicanos a lutarem entre si para a tomada do poder.

No Porto, os apoiantes da Monarquia criaram uma Junta Governativa e começaram logo a legislar para demonstrar a sua legitimidade e “apagar a República”.

De 20 a 28 de janeiro de 1919, em Albergaria-a-Velha, hasteou-se a bandeira monárquica, havendo registo de diversos confrontos em Angeja, Frossos e São João de Loure.

A Monarquia do Norte só durou até 13 de fevereiro.

Em Lisboa, depois de tomarem conhecimento da contra-revolução, os republicanos enviaram tropas para o norte e, em menos de um mês, esmagaram a revolta. Foi o fim da última grande manifestação em defesa da Monarquia que decorreu em Portugal.

Fonte: CMAAV 


Em Albergaria-a-Velha, a instabilidade também era regra; de 1911 a 1919, houve 28 Administradores do Concelho (representantes do Governo) e 13 Presidentes de Câmara.

Na noite de 19 de janeiro de 1919, correu o boato de que a Monarquia tinha sido restaurada no Porto e, na manhã seguinte, foi hasteada a bandeira monárquica no Edifício dos Paços do Concelho. Foi o início dos confrontos entre republicanos e monárquicos, com colunas militares das duas facções a virem de toda a região e a transformarem o Concelho – nomeadamente as margens do Rio Vouga, entre Angeja e S. João de Loure – num campo de batalha.

Pontes destruídas, populações em fuga e uma grande confusão geral pautaram a semana. No mesmo dia, hasteava-se a bandeira monárquica, para logo depois ela ser substituída pela republicana. Mas apesar do cenário de guerra, só faleceram dois Albergarienses, sendo os outros mortos militares vindos do exterior.

Fonte: CMAV (adaptado)

sábado, 19 de janeiro de 2019

100 anos da Monarquia do Norte (1919-2019)


A Monarquia do Norte foi uma contra-revolução ocorrida na cidade do Porto, em 19 de Janeiro de 1919, pelas juntas militares favoráveis à restauração da monarquia em Portugal em plena 1ª Republica portuguesa. Durante este breve período, também apelidado de "Monarquia do Quarteirão" por só ter durado 25 dias (de 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro), foi instalado um governo provisório no Porto, encabeçado pelo militar exilado Paiva Couceiro.

A Monarquia do Norte ficou também conhecida como “Reino da Traulitânia” ou “Guerra dos Trauliteiros”, forma como eram apelidadas as milícias monárquicas, pela facção republicana.

A Coluna Militar Mista do Sul, comandada pelo tenente-coronel de Artilharia João Carlos da Cunha Corte-Real Machado partiu do Porto a 22 de Janeiro e proclamou a Monarquia em Ovar (23 de Janeiro), Estarreja e Albergaria-a-Velha (24 de Janeiro), sendo travada às portas de Águeda, exaurida de reforços, munições, calçado e pitança.(…)


Vitoriosos em Lisboa, os republicanos e o Governo da República apertaram o cerco, mobilizando voluntários civis e colunas militares comandadas pelos generais Abel Hipólito e Alberto Mimoso da Costa Ilharco em marcha forçada com destino ao Norte do País. Depois de fugazes escaramuças e recontros, em especial em Águeda e em Angeja, a breve Guerra Civil iria terminar com a derrota da hoste monárquica, com numerosos actos de valentia de parte a parte.


 No rio Vouga situou-se a zona de fronteira entre monárquicos e republicanos, ficando Estarreja ocupada por tropas partidárias da monarquia de 24 de Janeiro a 11 de Fevereiro. Durante parte desse período esteve sediado em Estarreja um centro regional de operações militares e um quartel general, mantendo-se cortadas as ligações com o sul, nomeadamente Aveiro.


Os republicanos reocuparam Estarreja (11 de Fevereiro) e Oliveira de Azeméis e Ovar (12 de Fevereiro), e os combates prosseguiam ainda na Ponte de Entre-os-Rios e Paços de Ferreira. Apesar dos últimos esforços na frente de batalha em Lamego e no Vouga de Paiva Couceiro, esforçado paladino dos seus ideais, com tão parcos meios e sem bocado de pão para trincar pela soldadesca, a defesa da Monarquia e do Porto era caso de extrema complexidade, percebeu de salto que a causa estava perdida. A manta era curta, destapava os pés quando cobria a cabeça.

No norte, no Porto, a revolta só terminou a 13 de Fevereiro. Neste dia, após combates em todo o litoral centro, nomeadamente em Angeja, a guerra civil termina com a entrada dos exércitos republicanos no Porto.

Fontes: Jofre de Lima Monteiro Alves / wikipedia  / Imagens: Revista Ilustração Portuguesa / Gbliss 


Entrevista a Couceiro Costa, Ministro da Justiça do Governo Republicano

O moral das tropas é o mais animador que pode ser. É elevado e a vontade de todos é marchar, marchar sobre os insurrectos. Dificilmente são contidos na sua ânsia de castigar os aventureiros do Norte [...]

Visitei todos os quartéis-generais e postos avançados. Enfim, toda a frente desde Angeja até ao Caima. A zona de operações está dividida em dois sectores, a saber: Angeja e Albergaria-a-Velha [...]

Hoje, a República, que simboliza a Pátria, está arreigada no espírito do povo a tal ponto que dentro em breve, talvez até mais breve do que julga, todo o território da República estará livre dos aventureiros monárquicos.

Fonte: Jornal "A Capital" (12-01-1919)(1)


Trauliteiros em Angeja

Na madrugada de domingo, dia 30 de Janeiro, as tropas avançadas dos monárquicos entram na vila, segundo relatos da época, arrancando das esquinas das ruas, todas as placas de toponímia com denominações republicanas que iam encontrando. Concentram-se na Praça da Republica, de onde partem para tomar várias posições estratégicas. Alguns edifícios particulares são ocupados.

Muito embora não existam registos, diz-se que na hoje denominada Casa do Alambique esteve o próprio Paiva Couceiro, aquando da sua visita a esta zona.

A zona (Marridas) onde se realizará este evento, foi a zona onde se posicionaram algumas das Forças Republicanas e de onde foram feitos alguns ataques às forças inimigas, que tinham entrado na Vila.

Na Afeiteira outro dos limites da freguesia foram travados duros e violentos combates, ali os monárquicos sofrem algumas baixas, entre elas, o Major Taborda que tinha familiares nesta região, uma espada e um revólver que se julga ter pertencido a um oficial, foram ali recolhidos após o combate por um popular, encontrando-se hoje perfeitamente preservados.

Fonte: Geocaching "Trauliteiros em Angeja"


Pessoas ligadas a Albergaria-a-Velha

O Dr. Francisco António de Miranda (1863-1934) foi um dos mais destacados aderentes da "Monarquia do Norte" no nosso Concelho, tendo inclusive sido nomeado Administrador do Concelho neste período.

O Major Taborda (Antero Eduardo Taborda de Azevedo e Costa), natural de Penamacor e casado com uma albergariense, a D. Aida de Sousa e Melo, integrou a expedição monárquica de Janeiro de 1919 denominada “Monarquia do Norte”, tendo sido assassinado a tiro no dia 29 de Janeiro de 1919, em Angeja, por ferimentos recebidos em combate, quando comandava uma coluna militar.

Fontes: ""Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha" de António Homem de Albuquerque Pinho / "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Vigário (adaptado)
  
 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

M.C. Rios: três gerações, a mesma filosofia

 

A M.C. Rios foi fundada em 1974 por Manuel da Costa Rios, tendo como objectivo a distribuição de bens para alimentação animal e produtos para a agricultura.

Começou por ser uma pequena empresa na freguesia de Pinheiro da Bemposta. Decorridos 6 anos, inaugurou as instalações na zona Industrial de Albergaria-a-Velha (onde se localiza a actual sede da Tractolitoral).

A necessidade imperiosa de espaço e crescimento, aliada a dedicação e esforço, levou à construção das actuais instalações que foram inauguradas em 26 de Outubro de 1998.


A M.C. Rios é hoje reconhecida como uma empresa líder no sector agropecuário, responsável pelo fabrico e distribuição, para Portugal continental e ilhas, de rações para animais e comercialização de produtos e ferramentas para a agricultura.

Representa também o sector dos combustíveis, sendo proprietária de um posto de abastecimento aberto ao público, fazendo distribuição junto dos agricultores (tanto rodoviário como agrícola).

O grupo foi, ao longo dos anos, ajustando-se às necessidades do mercado, integrando três empresas que actuam em áreas distintas mas complementares: a Tractolitoral, a Hiperlitoral e a Agririos.


A Tractolitoral foi fundada em 2000, e dedica-se ao  comércio e reparação de todo o tipo de tractores e máquinas agrícolas. O serviço de assistência pós-venda é garantido, através da sua oficina e técnicos especializados. Possui também uma loja de venda ao público de peças e acessórios para máquinas e tractores.

A Hiperlitoral dispõe de duas lojas. A primeira é contígua à M.C. RIOS, S.A. e a segunda está presente, desde fevereiro de 2018, em Brufe, Famalicão. A sua criação teve como objectivo chegar ao público em geral, através da venda de diversos produtos para agricultura, construção e jardinagem, sendo de destacar a a Hiperlitoral, marca própria marca de alimentação animal (Rações e Misturas de Cereais).

A Agririos dedica-se ao comércio de alimentação para animais domésticos, sendo representante da marca HappyOne e Rufia e detentora da marca Camponesa (rações, misturas e produtos simples para animais).

Fontes: Revista "Portugal Inovador" / Site

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Albérico Martins Pereira (1952-1993)


Nasceu em 4 de Dezembro de 1912 na Rua do Negrão, freguesia de São Pedro, em Ponta Delgada, Açores, durante a vivência de seus pais naquele arquipélago. Passa a infância em Ponta Delgada, até que no início de 1921 se instala com seus pais em Albergaria-a-Velha, onde passam a residir, aí se instalando com a Fundição Lisbonense.

Depois de uma vida de "bon vivant" e de ter estudado na École Superieur de Fonderie, em Paris, de 1936 a 1938, sem concluir qualquer grau académico, Albérico Martins Pereira regressa a Albergaria-a-Velha para começar a colaborar mais na empresa.

A Alba está em franca expansão e os irmãos Américo e Albérico deslocam-se a Londres logo após o final da Guerra (1945) para adquirirem sucata, onde são entrevistados por Fernando Pessa. No ano seguinte, a 15 de Dezembro de 1946, torna-se director do jornal Beira Vouga, propriedade de seu pai, onde se manteria até 13 de Agosto de 1953.


Em Dezembro de 1947, a imprensa local noticia que Albérico Martins Pereira havia seguido, em viagem comercial, para Espanha, França, Suíça e Itália, o que acontecia com alguma frequência.
No entanto, após a morte de seu irmão (Setembro de 1949), Albérico passa de facto a ser o braço direito de seu pai, não apenas desdobrando-se em contactos com os poderes oficiais, mas também em tudo o que diz respeito com a indústria. Foi assim durante toda a década de 50. [Foi igualmente responsável pela gestão dos escritórios em Lisboa, na Rua dos Correeiros].

Casou em 1960, em Nossa Senhora de Fátima, Lisboa, com D. Maria Helena Velhinho, natural de Lagos. Ao longo dos anos, teve ainda tempo para desempenhar diversos cargos, sempre em defesa dos interesses do concelho de Albergaria-a-Velha. Foi vice-presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, presidente da Assembleia Geral da Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, presidente da Casa da Comarca de Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga, em Lisboa, entre outros.

(…) Faleceu em 1 de Novembro de 1993 em Lisboa, deixando dois filhos: Alexandra e Augusto.

Fonte: "Alba-Uma Marca Portuguesa no Mundo" de Delfim Bismarck Ferreira e Pedro Martins Pereira 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Exposição "O Património Azulejar de Albergaria-a-Velha – Conhecer, Inventariar, Salvaguardar"


A Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha tem patente, durante o mês de Dezembro, a exposição fotográfica "O Património Azulejar de Albergaria-a-Velha – Conhecer, Inventariar, Salvaguardar", de Cláudia Emanuel.
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Nos meados do século XIX os emigrantes vindos do Brasil trazem, com eles, a moda e o uso do nosso azulejo português, agora colocado nas fachadas dos imóveis. De pequeno quadrado de barro, protector das humidades, rapidamente passou a elemento decorativo dos imóveis, quer do seu interior, quer das suas fachadas, mas também fontanários, alminhas e outras construções.


O Concelho de Albergaria-a-Velha é um espaço privilegiado de análise, tendo em nota o número elevado de imóveis com decoração azulejar que dá cor e brilho às suas ruas.

Com muitas habitações antigas a serem alvo de abandono, torna-se necessário apresentar contributos para a preservação dos elementos azulejares. A divulgação do património azulejar é um desses contributos, na medida em que o conhecimento propicia a conservação e a valorização dos objectos, ou saberes, que se herdam.


Durante os últimos meses, uma equipa liderada por Cláudia Emanuel, doutoranda em Estudos do Património, elaborou uma recolha fotográfica dos imóveis com decoração azulejar, de modo a divulgar ao público o património azulejar do Concelho.

Para além das fachadas foram ainda inventariados os fontanários, alminhas, cartelas, registos de santos, entre outros. São estas fotografias que agora são divulgadas na Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha, e que podem ser admiradas até 31 de Dezembro.

Fontes: CMAAV  (adaptado) / Facebook




Outros links de interesse

Digitile (Gulbenkian)
Blog "As Fontes da minha vida"

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Reconhecer a relevância da Caima na história de Portugal


A historiografia portuguesa desprezou a análise do papel da Caima na economia nacional. O trabalho desenvolvido por Jorge Custódio, Sara Costa Macedo e Susana Pacheco outorga à Caima o papel de destaque que merece na história de Portugal.

A possibilidade de estudar uma empresa que esteve presente em todos os momentos mais significativos da transformação da sociedade portuguesa desde o fim do século XIX é de uma grande relevância. A Caima começou a existir durante o reinado de D. Luís, cresceu durante a Primeira República, esteve sempre activa na I Guerra Mundial, na ditadura militar, na II Guerra Mundial, no 25 de Abril de 1974, na integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE) – agora União Europeia –, na adopção da moeda única e no fim do escudo.


De Albergaria (1888-1993) a Constância (1960-2018)

A fundação da Caima data de 17 de Maio de 1888. A Fábrica de Albergaria [mais concretamente em Carvalhal, na actual freguesia da Branca] está construída em meados de 1891. Para construir uma fábrica para produzir pasta de papel, por processo químico inovador, no interior de Portugal, nos finais do século XIX, foi necessário trazer o equipamento completo e uma equipa da Alemanha para montar a fábrica. “Imagine o que era constituir uma fábrica em Portugal, têxtil ou metalomecânica, para as quais a formação técnica era baixa nessa época e não existia mão-de-obra especializada. Quanto mais não seria quando esta unidade era uma indústria química à base de bissulfito de cálcio.”, diz Jorge Custódio, responsável pela coordenação do trabalho de investigação da Caima.

“Ao fazer a história desta empresa [a primeira fábrica de produção de pasta química em Portugal], estamos a falar da história da própria sociedade da região e do País”, afirma Sofia Costa Macedo.


Ponto de partida

O ponto de partida da investigação foi uma arca existente na empresa que tinha cerca de 150 documentos sobre a "The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited" [activa entre 1888-1921]. Para desenvolver o trabalho consultaram vários arquivos diferentes. Os existentes na fábrica de Constância e na fábrica de Albergaria – de que grande parte se encontra no arquivo municipal de Albergaria-a-Velha –, assim como arquivos estatais, municipais e distritais, entre os quais os do antigo Ministério das Obras Públicas e do Ministério da Economia, nos quais encontraram bastante informação.

Recorreram também a arquivos estrangeiros, nomeadamente ao National Archives, em Inglaterra. Foi em Londres que encontraram os estatutos originais da criação da "The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited", a informação mais antiga da Caima. Só de Inglaterra pesquisaram e trouxeram mais de 300 documentos.

Ao todo, encontraram mais informação do que esperavam. Informação que teve de ser analisada e validada para saber se era relevante para a investigação. No arquivo de Albergaria encontraram mais de 200 itens, com vários documentos integrados em cada item. São volumes de cartas. Só para se ter uma noção: num volume, um item possui 600 cartas.


Matriz científica e histórica

O responsável pelo projecto conta que vão escrever um livro de matriz científica. “Não é um discurso ideológico, é científico.”

Outro aspecto muito relevante deste trabalho foi dar uma dimensão humana à história. “Quem foram as pessoas, o seu papel, como se destacaram, que influência tiveram nas medidas adoptadas pela empresa e quais foram os seus resultados práticos para o negócio”, diz Sofia Costa Macedo. Um sentimento reforçado por Jorge Custódio, ao referir que este aspecto é “interessante e deu origem a mapas que vão estar na exposição e no livro, mostrando a universalidade da Caima”.

Uma mostra da universalidade da Caima foi a sua relação com o diário britânico The Daily Telegraph. Este importante jornal fundado em 1855, continua a ser um dos mais relevantes do Reino Unido e durante muito tempo utilizou papel produzido com pasta da Caima.


Tecnologia utilizada

“Encontrámos toda a tecnologia utilizada nas fábricas. No início, nunca pensei que fosse possível recriar uma fábrica como a de Albergaria que está em ruínas e saber que máquinas existiram”, explica Susana Pacheco. Os investigadores conseguiram encontrar diversas plantas de tecnologia, com as dimensões da época e a forma como se instalavam esses equipamentos. Quem foram os construtores, os tamanhos de cada peça e as máquinas em causa. “Há um grande conhecimento e detalhe de todo o processo evolutivo da tecnologia utilizada pela Caima”, diz Susana Pacheco.


Meios de divulgação (livro, exposição, conferências, arquivo digital)

O trabalho que os investigadores estão a desenvolver é a produção de um livro que conte a história da Caima, uma exposição para levar este conhecimento às pessoas e conferências temáticas a iniciar em Novembro. Desde o início do projecto a equipa pensou na importância de tratar e disponibilizar o arquivo do material encontrado. Uma ideia que acabou por ganhar eco dentro da própria Caima, abrindo a possibilidade de “se fazer a localização do arquivo digital numa drive onde consta tudo o que investigámos”, diz Jorge Custódio. Para o responsável deste ambicioso projecto, esta situação vai permitir que uma pessoa pesquise o que quiser nesse espaço, tendo em conta que toda a informação está tratada e organizada.

O livro será uma síntese de tudo o que foi analisado. “Vamos fazer análises correctas que contribuirão para um melhor conhecimento da Caima.” (...)


Percurso

1888 (17 de Maio) - Fundação da Sociedade The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Ltd. [com instalações industriais no concelho de Albergaria-a-Velha]

1891 - Inauguração da Fábrica de Pasta de Papel da The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Ltd., instalada mas margens do rio Caima, produzindo pasta pelo processo do bissulfito de cálcio a partir de madeira de pinheiro.

1892 - Exportação da pasta de papel da Caima para a fábrica Star Paper C.º, em Inglaterra.

1907 - Início da produção experimental de pasta de papel a partir de eucalipto, promovida pelo inovador E. D. Bergqvist, sobrinho do pioneiro sueco, Carl Ekman.

1921 - Inicio da comercialização da pasta de papel de eucalipto fabricada na Fábrica do Caima.

1922 (19 de Abril) - O nome da sociedade passa a ser Caima Pulp C.º, Ltd.

1945 - Data em que se deixou de fabricar, na fábrica do Caima, pasta de papel a partir do pinheiro.

1956 - Instalação da concentração de licor na fábrica de Albergaria.

1956 - A holding Eucalyptus Pulp Mills Ltd decide construir uma nova fábrica em Portugal, em Constância, Distrito de Santarém. O processo selecionado é bissulfito de cálcio.

1957 - Arranque da produção de pasta branqueada de eucalipto em Albergaria.

1959 - Reorganização da holding.

1960 - Construção da Fábrica de Constância, da Caima Pulp C.º, Ltd. Instalação das Caldeiras de Recuperação.

(...)

1973 - Alteração da designação social para Companhia da Celulose do Caima, S.A.R.L.

(...)

1992 - Alteração do processo da Fábrica de Albergaria para o fabrico da pasta pelo bissulfito de magnésio, como tinha já acontecido em Constância.

1993 - A laboração em Albergaria-a-Velha é suspensa de forma permanente.

1994 - As instalações da fábrica, no rio Caima, são adquiridas pela papeleira REFICEL – Sociedade e Recuperação de Fibras Celulósicas.

(...)

2002 - Constituição da Caima – Indústria de Celulose, S.A. e transformação da Companhia de Celulose do Caima em S.G.P.S.

(...)

2005 - Fundação da ALTRI, em resultado da reestruturação da Cofina, através de um spin-off dos activos industriais.

Fontes: Altrinews (adaptado) / Caima (percurso) / Facebook

sábado, 10 de novembro de 2018

Demolição da antiga taberna do Raúl



(...) concluíram-se na passada quinta-feira os trabalhos de demolição da casa que todos conhecíamos como a taberna do Raúl do Cubo. Este estabelecimento comercial foi, no seu auge, uma das mais conhecidas e frequentadas casas de pasto da região. Situado no lugar do Cubo, no limite norte da freguesia e sobre a margem direita do Vouga, observava-se das suas pequenas janelas o espreguiçar do rio ao longo da praia dos Tesos para depois, seguir viagem por Angeja, rumo à ria de Aveiro.

Durante dezenas de anos, ali trabalharam e geriram o seu negócio o Sr. Raul da Silva Amaro e a Sra. Maria sua esposa. Serviam-se refeições, petiscos, vinho, cerveja. Eram muito apreciados, entre outros, rojões à lavrador, o peixe frito pescado no rio e na pateira de Frossos, e, como iguaria, os ruivacos.

Naquela casa - paragem “obrigatória” de operários, camponeses, proprietários, pequenos industriais e negociantes – se fecharam muitos negócios entre os frequentadores: Fosse a venda de pinhais, o cevado, a vaca ou vitela, etc...


Além da boa fama granjeada na região, esta taberna contribuiu para o desenvolvimento da economia local, uma vez que dava emprego a algumas pessoas e muito do peixe de água doce ali consumido, era adquirido à comunidade de pescadores residente no Cubo.

Com a cessação de actividade por parte do Sr. Raúl, o negócio foi trespassado uma vez, outra e outra vez. Nunca mais voltou a ser o mesmo!... E, de mão em mão, acabou por se transformar numa casa de alterne. Até que, há vários anos atrás, foram encerradas as portas, para nunca mais se abrirem.

A degradação evidente do edifício, o eminente estado de ruína, o local de implantação em zona protegida, e a fealdade e má qualidade arquitectónica determinaram o seu fim na tarde do dia 8/11/2018. Como em tudo na vida há um princípio, um meio e um fim!

Estiveram bem as autoridades que procederam ou determinaram a demolição preventiva. Continuem!

Fonte: Francélio Vouguense - Frossos (em facebook)