terça-feira, 10 de setembro de 2019

4 gerações de empresários de panificação com origem em Frossos


Uma instituição familiar que resistiu às mudanças dos anos graças aos ensinamentos passados de pai para filho. Essa história começa em 1944, quando o bisavô dos actuais proprietários, o português José Rodrigues Pinho e Silva [natural de Frossos] rompe com os padrões da época e funda a então Padaria Vitória, primeiro nome da organização, no bairro  Porangabussu, área actualmente conhecida como bairro Rodolfo Teófilo.

Segundo o livro "O Alvorecer da Indústria de Panificação e das no Mundo e no Ceará", de João Neto Brandão [natural de Aveiro, sobrinho de Pelágio de Oliveira], o empresário decide não abrir o negócio no Centro de Fortaleza, local que fervia economicamente na década de 40.


A aposta em um bairro mais distante da área central foi vista como audaciosa pelos colegas da época (...). Dando continuidade ao empreendimento, Porfírio Dias da Conceição, o seu filho de apenas 20 anos, assume na década de 50 [padaria] Vitória, modernizando-a e fundando mais duas padarias.

Surge em 1958, então, a padaria Moderna no bairro Jóquei Clube e em seguida em 1963 a a panificadora Central 1 no bairro bairro de Fátima. Em 1981, a família chegou a possuir a panificadora Central 2 também localizada no bairro Rodrigo Teófilo, todas na capital. O nome da empresa muda oficialmente para Central.


Mário e Victor, que são primos e filhos dos irmãos e empresários Mário Sérgio Valente da Conceição e Porfírio Valente da Conceição, também herdaram dos pais o gosto pela panificação (...)

"Eu lembro claramente de nós na infância e principalmente na adolescência indo visitar as panificadoras deles nas férias ou no fim de semana e já tentando ajudar no que era possível (...)" 

Fonte: Revista Ceará Pão

A padaria Vitória de J. Pinho & Cia. Ltda. abre suas portas no dia 10 de janeiro de 1946. A firma era encabeçada pelo português José Rodrigues Pinho e Silva pai de Porfírio Dias da Conceição e cunhado de Manuel da Silva Praça.

Os bisnetos Vitor Valente e Mário Sérgio Linhares são a 4ª geração de empresários de panificação.

(Outras fontes: familysearch, Gazeta de Albergaria e Revista Ceará Pão / Rodolfo Teófilo )

terça-feira, 20 de agosto de 2019

VALART - de Albergaria-a-Nova para o mundo


A Valart - Metalúrgica Central do Vouga, Lda. foi fundada em 1978 em Albergaria-a-Nova, freguesia da Branca, por dois engenheiros, Valdemar Coutinho e Artur Martins, tendo-se dedicado inicialmente ao fabrico de caixas basculantes e cisternas e, posteriormente, alargado a sua actividade para o fabrico de Gruas hidráulicas industriais e florestais e viaturas polivalentes para bombeiros.

O Eng. Valdemar Coutinho, natural do concelho de Sever do Vouga, foi técnico da prestigiada Metalurgia Casal, em Aveiro, onde se destacou como professor da "Escola de Aprendizes", uma das pioneiras na formação profissional no nosso país, nas décadas de 60 e 70, e, mais recentemente, Presidente da Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA) durante 15 anos, sendo ainda Presidente da Assembleia Geral.


A Valart é o primeiro fabricante nacional certificado de Gruas Hidráulicas Industriais e Florestais e um dos poucos construtores em todo o Mundo de Semi-Reboques Porta-Contentores Marítimos, designados internacionalmente por SideLoaders (VALARTLIFTS).

A empresa canaliza mais de 90 % da sua facturação para o mercado internacional, o que é resultante da sua especialização na produção de equipamentos especiais de movimentação de cargas, destinados a um segmento de mercado muito especifico - os transportes.

A Valart tem actualmente três sócios, após a entrada no capital, e na direcção técnica da sociedade, da segunda geração da família Coutinho, com os filhos Sandra Coutinho e Flávio Coutinho.

Fontes: Site oficial / Sever do Vouga – o concelho e suas gentes / Relatório de estágio de Joana Vinhas Coelho / Acepi / Aicep / Portal d'Aveiro

 

sábado, 10 de agosto de 2019

Farmácias de Albergaria-a-Velha do século XX


No início do século XX existiam três farmacêuticos em Albergaria-a-Velha: Francisco Marques de Lemos e João Pedro Ferreira, ambos em Albergaria-a-Velha, e António Augusto Pinto, que fundou a Farmácia Pinto em Esgueira, a qual foi deslocalizada para a Rua da Ponte, em Angeja, após o seu casamento com D. Leocádia Paes Pinto em 1902, e posteriormente trespassada para João Pereira Serrano, em Abril de 1907, sendo alterada a designação para Farmácia Serrano.

Farmácia Lemos & Filha

A principal farmácia na primeira metade do século XX era a "Farmácia Lemos", de Francisco Marques de Lemos, conhecido por "Francisquinho da Botica", que se situava na Rua de Santo António. Posteriormente passou a designar-se por "Pharmacia Lemos & Filha", contando então com a colaboração activa da sua filha, Aurora Pereira de Lemos (*).

(*) Extracto de artigo do Dr. Vasco Lemos Mourisca: "Eu era pequenito e vivia com meu avô materno e minhas tias ali na extinta Farmácia Lemos & Filha, na Rua de Santo António"

Após o falecimento de Francisco Marques de Lemos, em 21 de Janeiro de 1937, a "Farmácia Lemos & Filha" passou a ser detida por duas das filhas, sendo conhecida como Farmácia da D. Aurora. Aí trabalhou o Arménio (conhecido por Méninho), tendo sido encerrado na década de 60 (ou início da década de 70) - mas apenas foi dissolvida oficialmente em 2008.


João Pedro Ferreira

João Pedro Ferreira exercia a sua actividade de boticário de forma mais livre, tendo uma pequena botica também na Rua de Santo António. Por esse motivo, o rés-do-chão do Palacete da Boa Vista (Torreão) foi construído com o propósito de aí vir a ser instalada uma farmácia, cujo mobiliário foi projectado pelo autor de todo o projecto e viria a ser executado por José Gomes Soares.

Em Abril de 1904, João Pedro Ferreira escreveu ao amigo de João Patrício Álvares Ferreira, informando-o da recusa em aceitar a botica no rés-do-chão do palacete, contrariando o que anteriormente haviam combinado.

Joaquim Pedro Alcântara

Joaquim Alcântara, natural de Bragança, casou em 1915 com D. Etelvina de Almeida Miranda, de Assilhó, Albergaria-a-Velha, tendo aqui aberto a Farmácia Alcântara. Foi depois farmacêutico em Lisboa e, mais tarde, inspector de farmácias.

É mencionado no jornal "Democracia do Vouga" de 1915, conjuntamente com Francisco Marques de Lemos e João Pedro Ferreira. Uma notícia de 1930 refere: "Também já partiu para Lisboa o nosso amigo Joaquim Pedro Alcântara, conceituado farmacêutico que aqui esteve de visita à sua esposa [D. Etelvina Alcântara]".

Farmácia Aliança


Nos anos 30 do século XX, a farmácia Aliança pertencia e era dirigida tecnicamente por Alberto Cândido (que era igualmente proprietário da Farmácia Central em Vagos).

Arlindo da Silva Loureiro, residente na Palhaça, é, há largos anos, o Proprietário, gerente e Técnico de Farmácia, com mais de 50 dedicados a esta profissão. A actvidade era exercida em nome individual, na rua da Pereira, em Angeja, tendo sido constituída a sociedade unipessoal Arlindo Loureiro, Unipessoal, Lda. já no século XXI (em 2017). 

Farmácia Monteiro


A Farmácia Monteiro foi fundada pela Dra. Maria Celeste Monteiro, esposa do Dr. Flausino Fernandes Correia, que a dirigiu durante meio século, o mesmo tempo que o marido exerceu abnegadamente a Medicina.

A Farmácia Monteiro localizava-se próximo do Jardim junto à Casa Miguel Henriques, sendo alguns dos principais colaboradores o Sr. Sebastião Rezende e Manuel Alho, que ainda na década de 80 transitaram para a Farmácia Ferreira Janeiro (agora junto ao Palácio da Justiça) com os apelidos dos "proprietários" da antiga Farmácia Janeiro.

Farmácia Janeiro


A Dra. Maria Adelaide Martins Ferreira Janeiro e o marido Joaquim Janeiro, ambos farmacêuticos, naturais de Monsanto e Coimbra, respectivamente, radicaram-se em Albergaria-a-Velha na década de 50, onde viriam a fundar a Farmácia Janeiro.
   
Possivelmente terá havido trespasse do alvará da Farmácia Lemos & Filha para a Farmácia Janeiro, pois há quem se recorde da Dra. Adelaide e do marido, Dr. Joaquim Janeiro, nessa farmácia, ainda na Rua de Santo António antes de ser construído o edifício onde se instalou a Farmácia Janeiro (na Rua do Hospital onde ainda hoje funciona a Farmácia Martins Ferreira).


Outros farmacêuticos e farmácias

O livro "Auranca e a Vila da Branca", de Nélia Maria Martins Almeida Oliveira, refere a existência de uma farmácia, então denominada botica, que funcionou no Souto da Branca no mesmo edifício dos correios. Em 1916 já existia conforme constava do livro de assentos da Quinta das Cavadas.

O livro "Angeja-Vila do Baixo Vouga", de António Homem de Albuquerque Pinho, apenas faz uma breve referência à "Farmácia e Perfumaria Confiança" por constar de um anúncio do jornal "O Despertar de Angeja" da década de 20, não sendo referidas as Farmácias do início do Século XX (Farmácia Pinto e Farmácia Serrão).

A Farmácia Nova já existia na década de 60, inicialmente em Albergaria-a-Nova e actualmente nas Lajinhas, na Branca, sendo de propriedade da Herança Indivisa de Ana Natália Natália Pereira, sócia e directora do Colégio de Albergaria.

Por outro lado, a Farmácia Confiança [que não terá ligação à farmácia que existiu em Angeja], que funciona no Edifício Sr. dos Aflitos na Branca, foi pertencente ao Dr. António Pais durante 26 anos, sendo actualmente detida por Pedro Sousa Pais, Unipessoal, Lda. (sociedade constituída em Fevereiro de 2019).


A Farmácia Vouga foi constituída em 1994, continuando a funcionar em Frossos na Rua José Pinho Gonçalves.

A Farmácia Oliveira começou por ser exercida como actividade em nome individual pela Dra. Catarina Maria Martins Oliveira, natural da Branca, então residente em Ribeira de Fráguas.


A farmácia foi deslocalizada de Ribeira de Fráguas para o centro de Albergaria-a-Velha em 2008, tendo-se tornado, nos últimos anos, uma das principais farmácias de Albergaria-a-Velha, beneficiando da sua proximidade relativamente ao Centro de Saúde, sendo constituída como sociedade unipessoal em 2016.

A Farmácia Ferreira funciona na rua Major Geraldo em Alquerubim, enquanto que a Farmácia Vida se localiza em Estrada de Lalhe em São João de Loure.

[agradecemos informações adicionais relativamente à actividade das farmácias no séc. XX]

Fontes: "Albergaria-a-Velha 1910 - da Monarquia à República" de Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Marques Vigário / Centro de documentação farmacêutica / Grupo do Facebook "Famílias de Albergaria"/ Alberto Robaleiro / Carina Martins Gomes (Farmácia Confiança)

sábado, 20 de julho de 2019

Maria Helena Matos - de Angeja para Moçambique ...

Maria Helena Matos e o marido António Matos Ferreira

Maria Helena Matos nasceu em Angeja, a 22 de Dezembro de 1935. Aos 17 anos vai com a família para Moçambique. Esteve no Chibuto, depois Lourenço Marques onde conhece os pais de Maria Rueff. Estes vivem na Beira e tempos depois querendo trabalhar, decide afastar-se da família e ruma à Beira. Fica em casa dos pais de Maria Rueff e cuida dos irmãos dela. Depois consegue fazer uns programas para a Rádio PAX para a locução de Eugénio Corte Real.

Na casa dos Rueff vem a conhecer António de Matos Ferreira, nascido em Cantanhede a 16 de Abril de 1942, que vai fazer o serviço militar a Moçambique, na Força Aérea, e que começa a fazer um programa na Rádio PAX, "Alvorada Musical". Quatro anos depois vão para Lourenço Marques. Em 1965 montam a Agência de Publicidade Arco-Íris, que começa com uma campanha publicitária para a Gazcidla.


Iniciam programas no RCM (Rádio Clube de Moçambique) como o "Paralelo 26", "Tempo de Juventude" e "Parada de Malucos", em que o radialista Luís Arriaga também faz locução. Vão lançar vários discos novidades como "Amor Novo" de Luís Rego. Têm concursos de quadras à cidade em que dois dos mais ferozes concorrentes são Maria José Arriaga e João Gouveia que disputam normalmente os primeiros lugares. Têm também a "Caravela da Saudade", programa que inclui pedidos e mensagens das tropas.

Tornam-se empresários, contratam artistas Sul Africanos para vir cantar a Lourenço Marques, como o caso de Cornelia e Gene Rockwell, no cinema S.Miguel. A Banda Diplomática preenche a 1ª parte e os uniformes são patrocinados por eles. Helena é muito dinâmica e não para quieta. Tem a ambição de querer fazer mais e melhor e promover o meio musical moçambicano.

O logotipo da LM discos no canto superior esquerdo

Em 1971 decidem avançar com uma editora discográfica, fazem contratos com a Movieplay e outras editoras para serem suas distribuidoras, lançam o sêlo (etiqueta)  LM discos, cujo logótipo é desenhado por João Pedro Gouveia. Dos discos lançados contam-se um excelente álbum dos Osibisa, os EPs da Pandilha e muitos outros artistas.

Dos locais, o 1º single de Amélia Muge, com o tema "Natal", um lindíssimo e excelente trabalho, da autoria de Reinaldo Pereira e Raul Baza, um single de Zito e o lançamento de novos grupos como os Adagio Vocal, que tiveram bastante sucesso com "Mamana Joana", e Zé Luís e Midda com "Sargaceiro". No fado também lançaram Carlos Macedo, Américo Fernandes e Alves Salgado.



Além da Etiqueta LM (de Lena Matos ou Lourenço Marques, como era mais conhecida) tinham ainda o sêlo Afro Som. Os rótulos dos primeiros discos tiveram de ser colados à mão devido a dificuldades de prensagem iniciai. Depois tiveram que ir prensar os discos à África do Sul por causa dos impostos exagerados que eram cobrados aos discos. Uma edição tinha normalmente 500 exemplares. Muitas capas foram desenhadas por António Matos, como os discos de Amélia Muge e dos Adágio.

Após o 25 de Abril as dificuldades de negócio multiplicam-se e acabam por ter que vir para Portugal sem que as dezenas de empresas que lhes deviam lhes pagasse e sem conseguirem trazer nada. Ficou um armazém com mais de 20 mil discos de mais de duas centenas de artistas.

O casal, ainda em Moçambique, com uma das filhas

"Em Portugal passámos as passas do Algarve, bastantes dificuldades nunca desistindo" diz Lena. "Como por aqui as coisas não melhoravam, consegui convencer o meu marido a irmos para a Suíça" continua Lena, "estivemos por lá 22 anos, ainda trabalhei na casa de um milionário como Governanta durante 4 anos, mas o António também trabalhava nas fábricas dele e foi subindo até ter posições de chefia. Tinha que viajar muito. Deixei de trabalhar e acompanhava-o".

"Depois viemos para Coimbra onde tinha uma casa. Vendi-a e comprei aqui na Lousã. Na Suíça o António começou a dedicar-se muito a sério à pintura e chegou a fazer exposições em vários Países como a França, Espanha e Alemanha. (...) [E, hoje em dia,] tem feitos muitas exposições desde Cascais ao Norte mas especialmente aqui na zona de Coimbra".

Fonte: Onda pop (João Pedro Gouveia) (adaptado)

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Quinta do Caima - Casa de Hóspedes e Casa Velha


A Quinta do Caima foi o local escolhido para instalar a primeira unidade fabril de celulose do Caima, a The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited. Fundada em 1888, a empresa adquiriu os terrenos da Quinta do Caima, uma grande extensão de terras entre as freguesias de Branca e Ribeira de Fráguas, em Novembro de 1889.

Foi aí que instalou a sua fábrica de pasta de papel, conhecida como Fábrica do Caima, ou Companhia de Celulose do Caima, que se tornou a mais importante unidade fabril do género em Portugal, sendo igualmente construídos casas para o director, o engenheiro Erik Daniel Bergqvist, de nacionalidade sueca, e uma Casa de Hóspedes.


Casa de Hóspedes

A Casa de Hóspedes foi construída entre os finais do século XIX e inícios do século XX nas imediações da Fábrica do Caima, que procedia ao fabrico de pasta de papel. A moradia servia para albergar os técnicos especializados estrangeiros e os sócios da Fábrica do Caima que residiam no Porto ou fora do país, quando estes se deslocassem à unidade em trabalho.

O edifício integra-se no espaço da quinta, onde foram edificadas outras treze habitações, destinadas a vários empregados da fábrica (Casa do Motorista, Casa dos Montadores, Casa do Electricista, etc.), formando um complexo habitacional, rodeado por uma área de bosque murada.

De planta rectangular, a casa divide-se em dois pisos, com fachadas rasgadas por janelas. No frontispício foi edificada uma escadaria de cimento, que permite o acesso externo ao piso superior. Interiormente, está despojada de qualquer elemento decorativo.

Categoria de Protecção - Classificado como MIM - Monumento de Interesse Municipal
Edital n.º 846/2016, DR, 2.ª série, n.º 175, de 12-09-2016


Casa Velha

A Casa Velha era o mais importante edifício habitacional da quinta, servindo para albergar, durante décadas, o director da mesma. O edifício integra-se no espaço da quinta, onde foram edificadas outras treze habitações, destinadas a vários colaboradores da fábrica.

O imóvel sofreu obras de remodelação em 1939, durante as quais se instalou um inovador sistema de caldeiras e radiadores a água.

De planta rectangular irregular, o imóvel servia de habitação ao director da fábrica e respectiva família, dividindo-se em dois pisos, com alçados marcados pela abertura de janelas e corpo central destacando-se através do remate em empena triangular, recriando os modelos de casas de campo inglesas.

No conjunto, de linhas despojadas, destaca-se o telheiro alpendrado, em madeira, que precede a entrada principal da casa, e uma bay window no alçado posterior da casa; esta fenestração, de tipologia tipicamente anglo-saxónica, ornamentava originalmente a fachada lateral esquerda.

Categoria de Proteção - Classificado como MIM - Monumento de Interesse Municipal
Edital n.º 845/2016, DR, 2.ª série, n.º 175, de 12-09-201

Fontes: DGCP (1)(2) / CMAAV (1)(2) / Remax

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Linha de Caminho de Ferro do Vale do Vouga

Em 1907 concluíram-se os estudos para os primeiros 50 km de traçado [para a construção e exploração da Linha do Vale do Vouga], que prosseguiram até Albergaria-a-Velha e até ao Rio Vouga, após terem sido submetidos à aprovação do Governo.

Os jornais locais noticiaram, no espaço de um mês, três possíveis localizações para o futuro entroncamento da Linha do Vale do Vouga com o Ramal de Aveiro: o 1º perto do cemitério de Albergaria-a-Velha, o 2º em Sernada e o 3º no Carvoeiro.


No início do ano de 1908 foi desenhada a planta de pormenor do eixo ferroviário entre Albergaria-a-Velha e o Rio Vouga, ao mesmo tempo que começaram as obras no mesmo troço, coincidindo com a crescente chegada de trabalhadores e suas famílias, provocando o aumento na procura de alojamento. Existia também já uma grande quantidade de materiais de construção reunidos numa área conhecida como Vale do Minhoto, com vista ao início da abertura de várias trincheiras e de um túnel.

A 11 de junho de 1908, o Correio d’Albergaria noticiou a aprovação oficial pelo Conselho Superior de Obras Públicas e Minas da construção do 2º troço da Linha do Vale do Vouga, entre Oliveira de Azeméis e Jafafe, sem, contudo, estarem aprovadas as expropriações a fazer. De qualquer modo, o processo das expropriações já decorria em Albergaria-a-Velha desde abril desse mesmo ano.


No início de julho surgem problemas relacionados com as expropriações na área da estação de Albergaria. As oficinas originalmente projectadas para essa localização são mudadas para Jafafe ou para Sernada, onde o preço dos terrenos era menor.

Coloca-se, inclusive, a hipótese de construir apenas um apeadeiro em Albergaria, já que certos proprietários só aceitavam vender os seus terrenos por 6 vezes o valor real. Continua ao longo desse mês a indecisão acerca da localização exacta da estação de Albergaria e da sua avenida de acesso.


No início do mês de setembro avançou-se relativamente às expropriações, tendo sido assinado, no dia 10, o Decreto que aprovava a planta parcelar de expropriações a realizar em Albergaria-a-Velha e nas aldeias limítrofes. No início de outubro foi submetida à aprovação do Governo a expropriação de 42 parcelas de terreno na freguesia de Albergaria-a-Velha. Algumas expropriações foram decididas judicialmente.

No início de 1909 começa a abrandar a construção da Linha do Vale do Vouga, principalmente no troço entre a Branca (sede de freguesia a Norte do concelho de Albergaria-a-Velha) e Albergaria-a-Velha. Em Albergaria-a-Nova e mesmo na sede de concelho ainda restam muitos terrenos por expropriar. Contudo, obras de arte como a estação de Albergaria-a-Velha continuam a ser construídas a bom ritmo.


No início do mês de março, a 1ª página do Correio d’Albergaria informa que a Companhia de Caminho-de-Ferro do Vale do Vouga pretende iniciar a exploração comercial de passageiros do troço Oliveira de Azeméis – Albergaria-a-Nova (Mocho), até então apenas com serviços de mercadorias.

Para mediar os conflitos entre os proprietários e a Companhia, a Comissão Municipal de Albergaria-a-Velha promove a criação de um “grupo de distintos cidadãos”.

Horário de 1913

Em setembro, numa discussão na Câmara dos Deputados, o Deputado Rocha e Melo protesta contra a Companhia do Vale do Vouga, baseando-se numa cláusula do contrato que obrigava a Companhia a concluir a totalidade dos 176 km da Linha em três anos: entre 6 de fevereiro de 1907 e 6 de fevereiro de 1911. A cerca de quatro meses do fim do prazo, a Companhia apenas teria concluído e aberto à exploração cerca de 52 km.

A 21 de outubro alguns engenheiros franceses, com o aval da companhia, assumiram as negociações com os proprietários, resolvendo-se o processo em quatro dias.

Estava assim concluído o impasse que impedia que as obras continuassem. Iniciaram-se as demolições no centro de Albergaria-a-Velha, assim como a construção da avenida de acesso à estação.
Década de 30 (foto partilhada por Dr. Mário Jorge)
É já no fim de novembro de 1909 que se inicia uma polémica na vila de Albergaria-a-Velha, na sequência da informação sobre o facto do traçado da Linha atravessar a estrada distrital nº70, que ligava Albergaria-a-Velha ao sul do concelho e a Aveiro.

Segundo o projecto, a Companhia encontrava-se obrigada a construir um pontão, contudo iniciou a construção de um desvio da estrada sem que tenha sido aprovada ou até projectada qualquer alteração ao traçado.

Isto desagradou à população que realizou uma grande manifestação no dia 12 de dezembro, que segundo os jornais locais juntou uma grande multidão em frente ao edifício da Comissão Municipal.

Com a pressão deste levantamento popular, até ao fim de 1909, a construção do desvio dessa estrada distrital foi suspensa, tendo-se iniciado a construção de um pontão de madeira.

Década de 30 (foto partilhada por Eng. Duarte Machado)

O ano de 1910 começou com a informação da chegada da máquina balastreira ao local da estação de Albergaria-a-Velha. Todas as obras de arte nesse troço estavam concluídas, com a excepção do edifício da estação de Albergaria-a-Velha.

A 10 de fevereiro é inaugurado oficialmente o troço Albergaria-a-Nova – Albergaria-a-Velha. Depois de anos de impasse, a Linha do Vale do Vouga chegava finalmente ao fim do seu eixo Norte – Sul.


Procedeu-se, então, à conclusão do edifício da estação de Albergaria-a-Velha, que recebeu a designação de “Albergaria-Valmaior” por parte da Companhia do Vale do Vouga, designação, que além de ser considerada ofensiva pelos habitantes de Albergaria, é geograficamente errada, pois a estação localiza-se bem no centro da vila de Albergaria.

Em setembro de 1910, o comboio chegava a Sernada, então um local de considerado paradisíaco, visto que “a alta sociedade albergariense” aí se deslocava para realizar picnics.

Inauguração da Estação de Albergaria-a-Velha (1910)

Comissão Organizadora das Comemorações do 50º Aniversário do Caminho de Ferro do Vale do Vouga


Com ligações a Albergaria-a-Velha e Branca: Adelino Soares Ferreira e Joaquim Moreira Vinhas (os dois primeiros sentados, a contar da esquerda); Silvino Soares Ferreira (3º em pé a contar da esquerda) e Manuel Francisco Arede (1º em pé a contar da esquerda).

Joaquim Moreira Vinhas (natural de Guetim, Espinho, mas radicado em Albergaria-a-Velha) é pai de José Vinhas e das professoras Lídia e Clara.

Manuel Francisco Arede (de Açores, Valmaior) foi o grande dinamizador da construção do cemitério português de Richebourg l'Avoué para os antigos combatentes da 1ª Guerra mundial.

Silvino Soares Ferreira foi chefe da Estação da CP da Branca e mais tarde empresário - Produtos Flexicol.

Joaquim Moreira Vinhas foi o autor da "Monografia do Vale do Vouga" lançada por ocasião do 75º aniversário (1908-1983).

Comemorações do 75º aniversário do Vale do Vouga (1908-1983)


Fonte: "O Crescimento, o Apogeu e o Declínio de Sernada do Vouga" de João Miguel Ferreira Tomás (adaptado)

Informações adicionais: Correio d' Albergaria / Gazeta do Caminho de Ferro / Grupo de facebook "Famílias de Albergaria"/ wikipedia

segunda-feira, 10 de junho de 2019

De "São João de Loure à Ajuda" no Romance "As Lides do Talaya" de Paulo da Costa Ferreira


O romance histórico "As Lides do Talaya - Roteiro biográfico de um Portugal setecentista", da autoria de Paulo da Costa Ferreira, fala de João Dias Talaya, que nasceu em Lisboa, e era filho de António Dias Talaya e sobrinho de Manuel Dias Talaya, ambos naturais de São João de Loure.

Lançado em 2014, trata-se de uma biografia contextualizada acerca do fundador da Academia dos Obsequiosos, o capitão e bacharel João Dias Talaya Sottomaior.

O 1º capítulo do livro é intitulado "De São João de Loure à Ajuda".

António Dias Talaya afirmou-se nos negócios, tendo em 24 de Outubro de 1758 constituído uma sociedade de construção civil destinada a assumir a empreitada da ampliação do Palácio da Junqueira, por conta do seu proprietário, D. Francisco Saldanha, Patriarca de Lisboa.

O irmão Manuel Dias Talaya (ou Tallaia) era jardineiro no Palácio do Conde de Aveiras (actual Palácio de Belém), num Jardim inspirado no Palácio de Versailles. O autor realça que um Jardineiro de elite do Século XIX poderia auferir um salário de aproximadamente o triplo do salário de um Professor.

 Fonte:  "As Lides do Talaya" de Paulo da Costa Ferreira (2014)



Simão Dias Talaia, natural da Ajuda, filho de Manuel Dias Talaya, foi mordomo do Culto do Cabo

segunda-feira, 20 de maio de 2019

AHMA - Associação Humanitária Mão Amiga


A Associação Humanitária Mão Amiga, também conhecida pela sua sigla AHMA, foi constituída em 1998, tendo surgido da preocupação e da necessidade sentida por um grupo de cidadãos ligados ao trabalho com crianças, com destaque para o Dr. Torres e Menezes, desde o seu início Presidente da Direcção, de promover e defender o superior interesse das crianças, combatendo a problemática da negligência e dos maus tratos infantis no concelho de Albergaria-a-Velha e áreas limítrofes.

A missão da AHMA começou em 2000 com a construção do Centro de Acolhimento Temporário (CAT "O Aconchego"), e simultaneamente o desenvolvimento de respostas de creche e jardim-de-infância, e após o desenvolvimento do projecto Ser Criança, em 2004 nasceu o CAFAP "Raio de Sol ... para Todos".

Assinatura do Protocolo com a Segurança Social (1999)

Actualmente a Associação é constituída por quatro respostas sociais: um Centro de Acolhimento Temporário ("O Aconchego" no lugar da Salgueira – Assilhó), uma Creche e um Jardim de Infância ("Lápis de Cor" na rua Primeiro de Dezembro, nº 56, Albergaria-a-Velha, e na Rua das Flores, em Assilhó) e um Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP “Raio de Sol ... para Todos” na Av. Bernardino Máximo Albuquerque, nº35).

Centro de Acolhimento Temporário "O Aconchego"


Começou por funcionar numa habitação degradada propriedade do Município de Albergaria-a-Velha, que foi remodelada como o apoio de diversas empresas sediadas no concelho de Aveiro, Águeda e Albergaria-a-Velha. Para equipar a moradia, a AHMA teve o apoio da comunidade portuguesa de Bruxelas, com a oferta de um valor monetário resultante das actividades realizadas no Dia de Portugal.

Em 2002 a AHMA obteve o "estatuto" de Unidade de Emergência Infantil concedido pelo Instituto para a Emergência Infantil, na pessoa da Dra. Maria Barroso.


Através de uma candidatura no âmbito do III Quadro Comunitário de Apoio – POEFDS, em 2006, foi dado início à construção de raiz de novas instalações, num terreno situado no lugar da Salgueira, Assilhó, Albergaria-a-Velha, que tinha sido doado por um particular à Instituição. Foi uma obra executada em 12 meses, que obrigou a um grande esforço financeiro da Instituição, para além do envolvimento de todos os seus membros.

Em 05 de Dezembro de 2008, é homologado um novo Acordo Atípico de Cooperação com vista ao acolhimento de 20 crianças com idade compreendida entre os 0 e 10 anos de idade. O referido acordo veio substituir o anteriormente celebrado no ano de 2000 e cessar o Protocolo existente para acolher 2 crianças em situação de Emergência Infantil.

Creche "Lápis de Cor"


Até ao ano de 2005, a Creche “Lápis e Cor” funcionou na Rua 1º Dezembro, nº 55, em Albergaria-a-Velha, numa moradia alugada e com um Acordo de Cooperação celebrado com o Centro Regional da Segurança Social do Centro – Serviço Sub-Regional de Aveiro para 25 crianças.

Em 2004, no âmbito de uma candidatura ao III Quadro Comunitário de Apoio – POEFDS e, num terreno cedido com direito de superfície pelo Município de Albergaria-a-Velha, na Rua das Flores, Assilhó, Albergaria-a-Velha, dá início à construção de novas instalações, por um prazo de 18 meses.

Em Novembro de 2005, passa a funcionar nas novas instalações ao abrigo de um novo Protocolo celebrado com o Centro Regional de Segurança Social, desta vez para 80 crianças com idade compreendida entre 4 meses e os 4 anos.

Jardim "Lápis e Cor"


"O Jardim “Lápis e Cor” funciona desde Setembro de 2000 na Rua 1º Dezembro, nº 55, em Albergaria-a-Velha, numa habitação alugada.

Inicialmente com uma sala para 22 crianças e mais tarde com a construção de 2 salas realizadas à custa da Instituição, foram criadas condições para o alargamento do Acordo de Cooperação celebrado com o Centro Regional da Segurança Social do Centro – Serviços Sub-Regional de Aveiro, em Agosto de 2001, para a frequência de 44 crianças com idade compreendida entre os 4 anos e os 6 anos.

Centro de Apoio Familiar e Acolhimento Parental "Raio de Sol … para todos"


O CAFAP trabalha com as famílias de crianças que se encontram numa situação de risco ou de perigo, por negligência ou maus tratos, com vista a evitar a institucionalização e promover a reunificação familiar, tendo como objectivo principal o fortalecimento das famílias e o bem-estar das crianças.

Para concretizar os objectivos a que se propõe o CAFAP tem ao dispor dos seus utentes serviços como programas de Educação Parental e programas de interacção familiar adequados a cada agregado; um Banco de Recursos (Banco Alimentar, Banco de papas, Banco de Leites, Banco de Fraldas e artigos de Puericultura, Banco de Roupa e Equipamentos Domésticos), consultas de Psicologia e de Terapia da Fala, abertos a toda a comunidade.

Fonte: Site oficial (adaptado)