terça-feira, 20 de setembro de 2016

Manuel Valente dos Santos: um inventor branquense

A mostrar uma das suas invenções à Rainha Fabíola da Bélgica.
Primeiro de 7 filhos, Manuel Valente dos Santos nasceu a 21 de abril de 1920. (...) Filho de Francisco Santos e Benedita de Jesus, Manuel Valente dos Santos frequentou a escola da sua terra, a Branca, até 1933. Trabalhou na agricultura e nos transportes até 1942, 1943, altura em que foi fazer o serviço militar, em Lisboa.

Cumpriu o serviço militar nos Sapadores de Caminhos de Ferro. Posteriormente, Manuel Valente dos Santos arranjou trabalho no Instituto Pasteur em Lisboa graças á intervenção de um oficial, seu superior, onde foi colocado na secção de material cirúrgico e onde terá desenvolvido a sua vocação.

Numa altura em que a II Guerra Mundial estava no auge, escasseavam os instrumentos cirúrgicos, uma vez que os poucos que os produziam não chegavam para as necessidades. Os cirurgiões viam-se a braços com uma carência assustadora de tais materiais e Manuel Valente dos Santos propôs-se a produzi-los. Em oito meses familiarizou-se e apaixonou-se pelo seu novo trabalho.


Através da observação nas intervenções cirúrgicas em que esteve presente - nomeadamente com Décio Ferreira, grande especialista de cirurgia cardiológica - começou a aperfeiçoar utensílios já utilizados para lhes aumentar a eficiência. Além disso, criava, ele próprio, instrumentos, revelando uma intuição invulgar e que lhe mereceu, ao longo de toda a vida, rasgados elogios.

Posteriormente, Manuel Valente dos Santos foi convidado para ir trabalhar para a ADICO, em Avanca. Já após o seu casamento, em 1944 com Maria Glória Pereira e depois de ter três filhos, adquiriu uma fábrica, no Porto, em 1954 que, em 1956 foi transferida para Soutelo, a Fábrica MAVAS (que representava, precisamente, as iniciais do nome Manuel Valente Santos).

Foi, igualmente, em 1956 que Manuel Valente dos Santos participou no Congresso Mundial de Cirurgia Cardiotorácica, em Barcelona. Um dos primeiros hospitais a recorrer aos instrumentos inventados por Manuel Valente dos Santos foi o Hospital de Águeda dirigido pelo famoso cirurgião António Breda.


Em 1959, o inventor de Soutelo participou na Exposição Industrial – Comemoração do Milenário de Aveiro e do Bicentenário da sua Elevação a Cidade onde recebeu o Diploma de Medalha.

Ainda em 1959 participou na Exposição Nacional de Évora onde foi, também, distinguido pelos inventos apresentados.

Foi em 1960 que Manuel Valente dos Santos participou, pela primeira vez, no já IX Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas com onze inventos. Aqui, recebeu três Medalhas de Ouro, das quais, duas com felicitações do júri internacional, cinco Medalhas de Prata Dourada, duas Medalhas de Prata e uma de Bronze.


Para além destes prémios, Manuel Valente dos Santos recebeu, igualmente, uma Medalha, prémio atribuído ao melhor expositor de cada país. O dispositivo inventado por Manuel Valente dos Santos, um misturador para transfusão que arrecadou uma das medalhas douradas começou, desde logo, a ser utilizado nos grandes hospitais de Bruxelas.

De Bruxelas, Manuel Valente dos Santos levou, ainda, um convite para expor os seus trabalhos em Paris em Maio do mesmo ano e onde obteve mais uma Medalha de Ouro por todos os inventos apresentados.

Além de começar a ver as suas invenções a serem utilizadas por todo o mundo nas mãos de médicos e cirurgiões, estas foram, também, nomeadas não só na imprensa da altura como em livros, nomeadamente, no livro sobre cirurgia escrito por Charles Bailey.

Revista UPorto / Alumni
A MAVAS começou, assim, a receber muitas encomendas de hospitais estrangeiros, europeus e americanos. Como vantagem, Manuel Valente dos Santos tinha o facto de os seus “ferros” estarem patenteados o que lhe permitia o fornecimento exclusivo daqueles materiais. (...)

Contudo, de salientar que Manuel Valente dos Santos sempre teve um talento especial para tornar a vida mais fácil com o recurso a alguns instrumentos. Já muito jovem teria criado uma caneta-pistola, isto é, transformou uma caneta de tinta permanente, munida de alavanca lateral numa pistola que resultou de tal forma que poderia ter ferido, inadvertidamente, o irmão que havia chamado para o ajudar. Mas não se ficou por aqui!

Manuel Valente dos Santos construiu um aparelho para servir à mesa sem o auxílio de uma empregada para o efeito. É um aparelho que permite transportar e posicionar as travessas com os alimentos em frente às pessoas que estão sentadas à dita mesa e que pode ser comandado à distância tendo este mecanismo sido apresentado no X Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas.


Assim, em março de 1961, Manuel Valente dos Santos participou no X Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas com 14 inventos. Desta feita, o inventor Manuel recebeu Diploma de Medalha de Ouro com felicitações do júri, mais oito Medalhas de Ouro e de Prata Dourada, três de Prata e três de Bronze.

Posteriormente a esta participação, Manuel Valente dos Santos recebeu, em sua casa, Paul Quintim, Presidente do Salão Internacional de Inventores, curioso de conhecer o local onde os inventos ganhavam corpo. Ainda em 1961, Manuel Valente dos Santos participou no I Salão de Inventores, em Lisboa onde recebeu o 1º prémio com Diploma e Medalha de ouro.

Foi, também, em 1961 que, juntamente com o seu filho mais velho, Carlos Santos construiu um barco com a particularidade de ter sido o primeiro barco feito de fibra de vidro em Portugal. Contudo acabou por desistir da ideia de levar este trabalho em frente, por não lhe cederem alvará.


Em 1962, Manuel Valente dos Santos participou no XII Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas onde recebeu quinze medalhas, seis das quais de ouro, quatro delas com felicitações do júri. Nesse ano, o inventor da Branca privou com várias figuras importantes da época que mostraram interesse pelo seu trabalho, nomeadamente, a Rainha Fabiola, da Bélgica.

Em 1967 veio a conhecimento público que Manuel Valente dos Santos estaria a trabalhar numa invenção para extração de tumores cerebrais que teve, posteriormente grande sucesso a nível mundial. Esta descoberta foi, ainda, alvo de uma tese realizada pelo neurocirurgião, Celso Cruz.

Apesar dos louros e felicitações que foi recebendo, a falta de apoios, em Portugal, acabou por travar as viagens de Manuel Valente dos Santos a estas exposições uma vez que se tornavam viagens bastante dispendiosas e que ficavam a cargo, na sua totalidade, do inventor do Soutelo. Contudo, Manuel Valente dos Santos não deixou de ser abordado por cirurgiões, hospitais e outras instituições como a Cruz Vermelha belga interessados nos seus trabalhos e a que algumas vezes não conseguia dar resposta pois a produção que detinha não o permitia.

Site Portuguese American Historical & Research Foundation

Site do Museu Maximiano de Lemos
Em 1968, Manuel Valente dos Santos rumou aos EUA para participar no Congresso de Urologia e Cirurgia, em Miami. Aconselhado por médicos e amigos resolveu ficar. A primeira barreira com que se deparou foi a língua, que não conhecia ficando dependente de tradutores que, muitas vezes, deixavam que se perdesse o verdadeiro sentido do que era dito. Mas não foi só a língua. A economia, o mundo empresarial, o dólar funcionavam de forma diferente daquilo que Manuel Valente dos Santos, demasiado bom e honesto, conhecia.

Durante a sua estadia nunca deixou de assistir a muitas operações ao coração. Passou por fábricas de aparelhagem cirúrgica como a de Castle Selar Weck, pelos hospitais de Nova Iorque, Boston, Miami, Florida, Rochester, entre tantos outros.

Manuel Valente dos Santos inventou um novo aparelho cirúrgico para operações ao cancro do recto nos EUA. Em 1974, a fábrica em Portugal, a MAVAS foi fechada. Após ter trabalhado para uma grande indústria de instrumentos hospitalares, uma fábrica em Long Island, Nova Iorque, entre 1975 e 1978, Manuel Valente dos Santos trabalhou para uma subsidiária da mesma na Carolina do Norte para onde foi treinar o pessoal.



Posteriormente, a internacional Stryker, do estado de Michigan tornou-se sua cliente quando Manuel Valente dos Santos teve a sua própria fábrica em Newark, Nova Jérsia, Estados Unidos onde trabalhou sozinho durante muito tempo e depois com um primo que levou para lá e a quem ensinou a arte.

É extremamente vasta a lista de instrumentos inventados por Manuel Valente dos Santos, desde uma mesa para a colheita de sangue de transfusões, instrumento para suturação de vasos, chave de parafusos para cirurgia óssea, pinças das mais complicadas para utilização nas mais diversas operações cirúrgicas, até uma cadeira para uma criança sem braços que foi criada e adaptada para que a criança pudesse desenhar com os pés.

Em 1988, Manuel Valente dos Santos voltou a participar no Salão Mundial de Inventores, de Bruxelas onde recebeu vinte e uma Medalhas de Ouro correspondentes a vinte inventos destinados a cirurgia de alto risco sendo que o Suction basket forceps, instrumento usado para operações ao joelho, ao menisco recebeu duas medalhas.

Manuel Valente dos Santos recebeu, igualmente, a taça do Burgomestre de Bruxelas, a Medalha de Honra da Comuna de Saint-Josse-Ten-Noode que representa a homenagem da população de Bruxelas ao inventor estrangeiro presente com maior prestígio e recebeu ainda as insígnias de inventor de mérito atribuída pelos serviços à causa de progresso e apoio às invenções.


Em 1989, passados 21 anos, o inventor do Soutelo voltou ao seu país. Manuel Valente dos Santos sentiu-se, muitas vezes, frustrado porque não existiam produtores, não havia quem produzisse no estrangeiro. E, consequentemente, o material que Manuel Valente dos Santos fazia acabou, deixou de se produzir. Foram, no entanto, reproduzidas algumas réplicas. Viveu a sua reforma a trabalhar, despreocupado numa oficina que entretanto construiu, em Aveiro.

Medalhas de ouro, diplomas e insígnias que Manuel Valente dos Santos recebeu no último Salão Internacional de Inventores em 1988. Definido como uma pessoa exigente que dava bastante importância às pequenas grandes coisas, uma pessoa que valorizava o respeito e estava sempre disponível a ajudar quem precisasse, Manuel Valente dos Santos foi sempre caraterizado como uma pessoa modesta e humilde, com um enorme espírito criativo que lhe permitiu desenhar e construir instrumentos com tanto de quantidade quanto de perfeição.

Manuel Valente dos Santos entregou a sua vida à invenção de material cirúrgico que possibilitou a revolução do equipamento utilizado pela medicina.

Fonte: Correio de Albergaria (adaptado)


Mais informações

sábado, 10 de setembro de 2016

As primeiras ruas calcetadas em Albergaria-a-Velha (1820)

 
Terminada há cerca de dois meses a invasão das tropas francesas a Albergaria-a-Velha e sua região, com os resultados dramáticos sobejamente conhecidos, logo a população de Albergaria-a-Velha requereu à Câmara de Aveiro, a quem então esta freguesia pertencia, o arranjo da sua fonte e a calcetagem das principais ruas da vila. Para isso, solicitavam que o rendimento proveniente das sobras das sizas da Vintena de Albergaria-a-Velha, bem como através da aplicação de um imposto sobre a transacção de cada quartilho de vinho que se vendesse na mesma vintena servissem para tal fim.

A Câmara de Aveiro aprovou a pretensão dos Albergarienses, deliberando que assim fosse durante o período de doze anos.

O livro de Actas da Câmara Municipal de Aveiro, n.° 9 (1804-1817), a folhas 176-177, relata assim o sucedido [extracto]:

"que os Moradores do dito lugar fizerão a Sua Alteza Real em que pertendem licença para se mandarem calçar as ruas principais do seu Lugar, e compor a sua Fonte fazendose a dispeza pelas sobras das Sizas que ouver na Vintena do dito Lugar e por hum real imposto em cada quartilho de vinho que se vender na mesma Vintena, ficando assim abolida a aplicação que já tinhão aquelas sobras, e Real para os Partidos dos Médicos, e Cirurgioens desta Cidade, em cuja Reprezentação manda Sua Alteza Real ouvir esta Camara, Nobreza, e Povo averiguando a nececidade das obras, e de donde poderão sahir com mais suavidade as dispezas dellas, a que responderão as mesmas Pessoas da Nobreza, e Povo uniformemente, que o seu requerimento hera de grande utilidade, e que nenhum outro mais avia por onde se pudesem fazer as mencionadas obras, e calçadas afirmando em tudo o mesmo Requerimento; com o que se formarão elles offeciaes da Camara paresendolhes contudo ser bastante o espaço de doze annos para a fatura das obras com atençaão ao que poderão produziras mesmas Sobras das Sizas, e Real avendo-o assim por bem S. A. R.. e por mais não aver asignarao com os mesmos da Nobreza, e Povo: António José das Neves o escrevi Bento Abranches, Gravito e Guimaraens."

É um facto que durante os doze anos foram arrecadados os impostos enunciados e que as obras decorreram dentro do prazo previsto.

Assim, em 1820 foram inauguradas as duas primeiras ruas calcetadas no lugar de Albergaria-a-Velha: uma parte da Estrada Real que ligava Lisboa a Porto que por esse facto viria ser designada por Rua da Calçada [e mais tarde por Rua de Santo António], e a uma parte de outra Estrada Real (que ligava Aveiro a Viseu), denominada Rua de Campinho [posteriormente Rua Engº Duarte Pacheco].

Fonte: Jornal de Albergaria / artigo do Dr. Delfim Bismarck (adaptado)

sábado, 20 de agosto de 2016

Casa do Mouro


Casa setecentista de planta rectangular de único volume. [Número IPA Antigo: PT020102010006]

Descrição

Planta rectangular, volume único com cobertura em telhado de 4 águas.

Edifício de 2 pisos com fachada principal, dividida em 2 panos por pilastras toscanas.

Existência de 4 vãos em cada piso, tendo o 1º quatro portas simples de verga curva com cornija saliente que se ligam, três delas, às bacias das janelas de sacada do 2º piso; estas têm verga curva e guarda de grade em ferro; a outra janela é de avental, pouco desenvolvido, recortando-se a simular duas aletas opostas, ladeada por duas mísulas para suporte de floreiras.

No pano da direita, abre-se amplo portão com verga recta encimada por cornija sobrepujada por aletas com volutas deitadas enquadrando pedra rectangular ao centro, já sem brasão; encimando-a foi colocada posteriormente uma pequena janela rectangular simples ao nível do 2º piso.

A fachada lateral é flanqueada por pilastras idênticas, definindo dois panos: o primitivo, com 3 vãos em cada piso, e um acrescento lateral, à esquerda, com 2 janelas rectangulares simples, uma em cada piso; no 1º pano, três portas simples de verga curva, encimadas por janelas de peito também com verga curva, sendo a do meio com guarda peito de grade em ferro e as laterais de avental, pouco desenvolvido, recortando-se a simular duas aletas opostas, ambas enquadradas por duas mísulas para suporte de floreiras.

Friso e cornija corrida com beirado saliente rematam ambas as fachadas.


Acessos

Entroncamento das antigas saídas de Albergaria-a-Velha para N. (Porto) e para O. (Aveiro); Rua Doutor Alexandre de Albuquerque, n.º 1
 
Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, no ângulo de ruas, adossada a casas de 1 e de 2 pisos.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Residencial: casa residencial e comercial [Café Triângulo]

Propriedade

Privada: pessoa singular


Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 18, finais - construção; séc. 19 / 20 - acrescentos laterais às fachadas com vãos rectangulares simples.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Granito (cantarias), telha marselha, ferro (guardas), madeira (caixilhos, alumínio (caixilhos do piso térreo)

Bibliografia

GONÇALVES, A. N., Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro, Zona Sul, VI, Lisboa, 1959, p. 54; FERREIRA, Delfim Bismarck, Casa e Capela de Santo António em Albergaria-a-Velha - Século XVIII, Porto, 1999

Fonte: SIPA (Paulo Dórdio/1997)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Heliroma Plásticos, S.A.


Fundada em 1996 em Arrifana (Santa Maria da Feira), a Heliroma dedica-se à produção de tubos plásticos, tendo-se tornado rapidamente num dos fabricantes líderes na produção de sistemas de tubagens de plástico em Portugal para instalação de água, aquecimento e climatização, entre outros.

A empresa deslocalizou-se em 1998 para a Zona Industrial de Albergaria-a-Velha, apostando no fabrico de produtos de maior valor acrescentado, que exigem tecnologia mais sofisticada, como é o caso de um sistema de tubagem plástico em polipropileno (PP-R), que se mantém como a sua base de crescimento contínuo.


A Heliroma oferece actualmente uma gama de produção mais vasta, onde se destacam também os tubos em polietileno (PEX, tipo “a” e “b”) e o tubo em multicamada (Pert-Al-Pert e Pex-Al-Pex)

Tendo como objectivo bem definido tornar-se uma referência internacional ao nível de sistemas de tubagem em plástico, aa Heliroma conseguiu, em apenas dois anos, afirmar-se em Espanha como um dos principais players e ocupar hoje um lugar de liderança que lhe permitiu avançar para um projecto de internacionalização da marca mais ambicioso.


Numa primeira fase foi feita uma abordagem ao mercado europeu e, posteriormente, ao do Médio Oriente.

Actualmente, é uma empresa com actividades globais e com presença em mais de duas dezenas de países, sendo líder de mercado em alguns deles.


Em 2010 obteve uma facturação de cerca de nove milhões de euros – dos quais aproximadamente 70 por cento respeitam à exportação – e o crescimento médio da empresa nos últimos anos tem sido contínuo.

A Heliroma efectuou igualmente significativos investimentos, divididos pela construção de instalações, aquisição de novos equipamentos de tecnologia de ponta, formação contínua e certificação de todos os produtos do seu leque de produção, para abraçar projectos de outras dimensões ao nível da exportação.

Fontes: Revista Portugal Global (Aicep) / Página oficial / Pinto & Cruz / Youtube

 
 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Alunos do Agrupamento da Branca lançam livro “Albergaria, uma viagem fantástica”


O projecto "Estórias da História" resulta de um desafio do Município de Albergaria-a-Velha aos alunos dos agrupamentos concelhios para estudarem e trabalharem a monografia “Albergaria-a-Velha, Oito Séculos do Passado ao Futuro”, de António Albuquerque Pinho. A obra, dedicada à evolução política e administrativa do território Albergariense, é a mais importante e completa narração historiográfica de Albergaria-a-Velha.

No Agrupamento de Escolas da Branca, 15 turmas do 2.º e 3.º Ciclo aceitaram o desafio e após o seu estudo começaram a escrever uma nova história a várias mãos, num exercício de escrita criativa.

Cada turma ficou responsável por uma secção, completando o texto que a turma anterior tinha redigido. O resultado é agora publicado em livro, com o título “Albergaria, uma viagem fantástica”, uma obra coletiva assinada pelos alunos das turmas do 5.º até ao 9.º ano e Vocacional. Tem 88 páginas, conta com prefácio de Elisa Sá Costa, ilustrações de Rui Henriques e tem o preço simbólico de 2,5 euros.


A autora de literatura infantojuvenil escreve no prefácio que “Albergaria, uma viagem fantástica” é “escrito por crianças e jovens para si próprios e para os seus pares, assumindo por isso um particular interesse.

(...) [o] livro reúne o esforço de muitos alunos e professores que souberam organizar-se para, com a participação de todos, fazer uma viagem no tempo e deslocar-se até às mais remotas memórias que encontraram sobre as terras que hoje constituem o Concelho de Albergaria-a-Velha”.

A fantástica narração dos alunos começa quando uma máquina do tempo os transporta para uma viagem mágica ao passado, permitindo-lhes conviver com as figuras da história de Albergaria-a-Velha, assumindo igualmente o papel de protagonistas.


Apresentação no Cine-Teatro Alba

Os alunos do Agrupamento de Escola da Branca subiram ao palco do Cineteatro Alba, no passado mês de maio, no âmbito da iniciativa “Estórias da Nossa História”, um projeto do Programa Municipal de Educação, que levou os jovens a interpretarem, de forma criativa e lúdica, a História do Concelho.

O evento teve a parceria do Conservatório de Música da Jobra e da Muda'TE – Companhia de Artes Performativas da Jobra, que apresentaram várias encenações com música de época, incluindo uma performance de música e dança barroca e uma apresentação musical pela Orquestra da Jobra.

Fontes: CMAAV / Aveiro 123

domingo, 10 de julho de 2016

Festival “Talabrigae Ex Libris” em Soutelo, Branca


O Parque de Porto de Riba, em Soutelo, Branca, foi palco do primeiro Festival Romano “Talabrigae Ex Libris” nos dias 24, 25 e 26 de junho. O evento organizado pela APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Albergaria-a-Velha teve por objectivo fomentar o gosto pela cultura clássica e valorizar o seu legado na sociedade actual.

O tema central do Festival foi o assalto à Aldeia Lusitana, onde os soldados romanos batalharan pela conquista de Talabriga. Ao longo dos três dias, os visitantes puderam conhecer o quotidiano do acampamento e a preparação para o ataque. Desde o recrutamento de homens até ao assalto final, passando pelas emboscadas e pela tomada de prisioneiros.


Para além da campanha militar, o “Talabrigae Ex Libris” procurou mostrar como os habitantes do Império Romano ocupavam os seus dias há dois mil anos, tendo sido incluídas lutas de gladiadores, oferendas aos deuses, uma ida às termas, bem como demonstrações dos ofícios da época.

Num espaço superior a 1 hectare, foi construído um forum, um arco de triunfo, um anfiteatro, umas termas, uma albergaria, uma aldeia celta, um cais, uma torre de vigia, entre outras, onde decorreram as recriações e demais actividades.


O programa incluiu ainda a apresentação das peças de teatro clássico “Rei Édipo”, de Sófocles, e “Anfitrião”, de Plauto. As duas peças foram precedidas pelo desfile de bacantes “Do Caos ao Cosmos”.

O Festival “Talabrigae Ex Libris” contou com o apoio do Município de Albergaria-a-Velha, da Junta de Freguesia da Branca, da Universidade de Aveiro, do Turismo Centro de Portugal e do “Albergaria Integra’T” – Contrato Local de Desenvolvimento Social.


As diversas recriações históricas e animação de rua foram dinamizadas pela Muda’te – Companhia de Artes Performativas da Jobra, pela AlbergAR-TE – associação cultural e pela Viv’Arte – Companhia de Teatro.

Talábriga

Talábriga é uma importante cidade romana, referenciada na literatura da época, como estando situada entre Douro e Vouga. Vários historiadores e arqueólogos, desde o início do século XX, têm situado a cidade na Freguesia da Branca, muito possivelmente na aldeia de Cristelo. Contudo, os vestígios de ocupação romana encontrados em escavações na década de 1980 foram inconclusivos. A localização de Talabriga permanece um mistério.

A ideia desta iniciativa, organizada pela APPACDM de Albergaria-a-Velha, surgiu no decorrer de outro evento no espaço do Porto Riba, pelas características envolventes e pela importância do legado romano no nosso concelho em especial no Lugar de Cristelo e no Monte de S. Julião.

Fontes: CMAAV / Ribeirinhas.TV / Albergariótipos / Página oficial do Festival / Correio de Albergaria

segunda-feira, 20 de junho de 2016

José Azevedo Gonçalves, comendador (1947-1996)


Natural de Frossos, era emigrante desde 1961 depois de ter passado clandestino por Paris. Metz foi o ponto de passagem, mas cedo foi encaminhado para o Grão-Ducado do Luxemburgo.
No Luxemburgo passou 14 anos, bem penosos, a trabalhar, desde servente até mestre de Construção Civil, após ter tirado um curso de Desenho.

Após Gilsdorf, onde explorou o seu primeiro estabelecimento comercial, transitou para Diekirch, e de um velho estabelecimento consegue erguer um centro de relevo hoteleiro na Rua da Gare, nº 33, onde a ementa privilegiava o Leitão, o Cozido à portuguesa e a Chanfana.

Foi-lhe atribuída a Comenda da Ordem do Infante no mandato do General Ramalho Eanes. Mas não gostava que o tratassem por “Sr. Comendador”. Ele era apenas o “Zé Gonçalves”, um emigrante de sucesso, respeitado e querido por todos.

Fonte: António José Vinhas em “Jornal de Albergaria” (adaptado)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Comemoração dos 500 anos do Foral de Paus


A vila de Paus, na freguesia de Alquerubim, recuou até à época do Renascimento, entre os dias 2 e 5 de junho, para celebrar os 500 anos da atribuição do foral, pelo rei D. Manuel I.

O evento, com organização do Município de Albergaria-a-Velha, Junta de Freguesia de Alquerubim e AlbergAR-TE, foi realizado no Largo de Nossa Senhora das Dores, incluindo uma feira quinhentista, recriações históricas, desfiles e animação de rua com contadores de histórias, gaiteiros e malabaristas, entre outras atracções.


Ao longo de três dias, os visitantes puderam conhecer os ofícios do fim da Idade Média, comprar artesanato ou saborear petiscos nas tabernas. A animação de rua contou com gaiteiros e tambores, malabaristas, contadores de histórias, músicos, cavaleiros, uma bailarina oriental e cuspidores de fogo.

Os habitantes locais assumiram o papel de diversas personagens da Nobreza, do Clero e do Povo, participando nas várias actividades e interagindo com os visitantes.


As comemorações incluíram a presença da comitiva do Foral, sendo encenada a entrega do documento régio ao povo de Paus.

A investigadora Maria Alegria Marques, que coordenou a edição da obra “Foral de Paus – 1516”, efectuou uma contextualização do documento manuelino, que concedeu vários privilégios à vila de Paus, tornando-a sede de concelho.


Enquadramento histórico

O rei D. Manuel atribuiu o Foral a Paus, um território que é mais ou menos coincidente com a actual freguesia de Alquerubim, no dia 2 de junho de 1516. Paus, que era um lugar na margem direita do rio Vouga com dezenas de pessoas, passou a ser vila e sede de concelho.

O reconhecimento real da vila de Paus permitiu o seu crescimento populacional e a legitimação de um conjunto de regras comummente aceites, como a gestão das águas, a utilização das pastagens e dos matos, entre outras, além de fixar uma ordem administrativa no território. A vila de Paus perdeu importância com o passar dos anos e acabou por ser integrada na recém criada freguesia de Alquerubim, com a fundação do Concelho de Albergaria-a-Velha, em 1835

Fonte: CMAAV (adaptado) / Facebook



 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Margarida Ramos de Carvalho, professora (1934-2016)


Maria Margarida Ribeiro Martins Ramos de Carvalho nasceu em Paus a 8 de Outubro de 1934. Filha de José Correia Martins, proprietário, e de Ofélia Matoso Ribeiro Martins, professora primária de Paus, na freguesia de Alquerubim, tendo lecionado na escola mandada construir pelos seus progenitores.

Licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas, em Coimbra, no ano de 1957, tendo contraído  matrimónio no ano seguinte com o arquitecto Francisco Ramos de Carvalho, com quem teve dois filhos.

Lecionou a disciplina de Filosofia na actual Escola Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra, tendo posteriormente lecionado na Escola Secundária de Anadia e na Escola Secundária Dom Duarte em Coimbra.

Foi dirigente do Partido Socialista desde 1974, exercendo o cargo de deputada na Assembleia da República e de vice-presidente do Conselho da Comunicação Social, bem como deputada da Assembleia Municipal de Coimbra.

Fazia actualmente parte da Direcção da Orquestra Clássica do Centro, da qual foi co-fundadora.

Apesar de residir em Coimbra desde a década de 50 foi sepultada em Alquerubim.

Fontes/Mais informações: Correio de Albergaria / Diário "As Beiras" / Campeão das Províncias

terça-feira, 10 de maio de 2016

CEDIARA – Associação Centro de Dia de Ribeira de Fráguas


Nasceu no papel em 1995, com a aprovação dos estatutos, mas foi apenas 11 anos depois que a CEDIARA – Associação Centro de Dia de Ribeira de Fráguas iniciou atividade, com a abertura de um Centro de Convívio em instalações provisórias cedidas no Centro Pastoral de Santa Ana.

Dois anos volvidos, em outubro de 2008, a instituição mudou-se para instalações próprias onde à resposta inicial de Centro de Convívio se juntaram todas as outras, à exceção da Saúde Mental para a qual só estabeleceu acordo de cooperação em 2014.


Com direção técnica de Susana Henriques, a instituição oferece resposta de Creche, de Centro de Dia, de Centro de Convívio, de SAD e de Saúde Mental, para além de promover campos de férias, nas férias escolares, para as crianças em idade escolar da freguesia de Ribeira de Fráguas.

A CEDIARA obteve o Prémio Instituição de Referência na Promoção do Envelhecimento Ativo, em 2012, e foi eleita melhor instituição de 2013, através dos Prémios Acção Social Socialgest que visam premiar organizações e pessoas que se destacam no sector social e desenvolvimento comunitário.

A associação presidida por Albino Silva, antigo docente da Escola Secundária de Albergaria-a-Velha, realiza um trabalho inovador junto dos idosos que acolhe, sempre com o enfoque no envelhecimento ativo e na intergeracionalidade


Jogos e materiais de reabilitação geriátrica

Para melhor alcançar os objetivos traçados, a equipa técnica da Cediara deu asas à imaginação e, perante a falta de instrumentos que facilitassem a sua prossecução, deitaram mãos à obra e criaram-nos de raiz. É assim que nascem os jogos e materiais de reabilitação geriátrica, como as Roletas da Memória ou os Bingos Seniores.

Começaram por fazer umas roletas, inicialmente em cartolina, mas aperceberam-se que eram um pouco viciantes e sedentárias, na medida em que não davam para mudar os números nem as equações, e pensaram avançar para umas que fossem mais dinâmicas. Foram assim criadas as Roletas da Memória, que também estão a ser comercializadas através da empresa Replicar Social.


Actividades de Interação social

A Cediara é responsável por dinamizar muitos convívios interinstitucionais ao longo do ano. Começa em abril ou maio com as Olimpíadas Seniores, em que utentes de outras instituições são desafiados a disputar de uma forma saudável os jogos a concurso.

No princípio de junho é realizado o concurso Miss & Mister Sénior, um exercício de muita criatividade, com várias categorias a concurso como Simpatia, Atitude, Boa Forma e as 1ª e 2ª damas de honor. O júri é sempre composto por elementos das entidades parceiras, um elemento da estética, outro da moda e uma figura pública, normalmente um cantor.


No concurso "O Meu Ídolo" o objetivo é que cada instituição represente um ídolo, e na Festa do Mundo cada instituição representa um país e no final há sempre um lanche partilhado em que cada instituição traz um produto do país que está a representar.

E no final do ano é promovido a Arca de Noé, no qual se efetua uma representação real da Bíblia.


Missão Sorriso

A CEDIARA foi premiada pela Missão Sorriso no âmbito do Projeto “Pequenos Corações, Grandes Movimentos”, que previa a criação de um espaço infantil, no qual as crianças mais isoladas da freguesia, com idades entre 1 e 5 anos, possam conviver com os seus pares, desenvolvendo as suas competências pessoais e sociais, para que possam atingir bons níveis de desempenho.



Projecto "Idade XXL"

Os projectos não se restringem aos meninos de creche, que têm atividades semanais fixas, mas também com outras entidades escolares, como o Colégio de Albergaria, no qual se destacam as seguintes iniciativa: o «Gerações com Vida», em que cada idoso tem um aluno do 6º Ano com o qual se corresponde por carta; o «Young Volun Team», em parceira com o Colégio e a CGD, e que é um projeto de voluntariado com jovens do 11º ano, em que é sinalizado o sonhos dos  utentes e depois os jovens equacionam a forma de os realizar; e ainda o «Senhores Sabedoria», que já vem de 2007, em que os utentes vão às escolas dar aulas de história e de cidadania, muitas vezes contadas na primeira pessoa.

O Projeto “Idade XXL”, que se baseia em três subprojectos: “Gerações com Vida”, “Concretização de Sonhos” e “Senhores Sabedoria”, foi premiado com o segundo lugar no Prémio AGIR da REN.

O cantor Nel Monteiro colabora activamente com a instituição

Outros projectos

A CEDIARA está constantemente a avançar com novos projectos, nomeadamente com um projeto da Wiiterapi, com a Nintendo, que concedeu à associação o papel de instituição-piloto no País para desenvolverem esta terapia. E apresentaram igualmente uma candidatura ao REN no âmbito do Prémio de Envelhecimento Ativo. E ainda tem  um outro projeto-piloto  no âmbito da Neuróbica”.

Fontes/Mais informações: Pedro Vasco Oliveira ( em solidariedade.pt )  / Correio de Albergaria (1)(2) / Jornal Beira Vouga

Galta Interattiva