domingo, 20 de novembro de 2016

Casa da Criança de Albergaria-a-Velha (Creche de Albergaria-a-Velha)


A Casa da Criança foi construída em terreno que pertencia a duas entidades: uma parte era pertença do Professor João Gomes, do Porto, que o doou à J.P.B.L. (Junta da Província da Beira Litoral), em 1953, e a outra da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, que teve o mesmo procedimento. Este foi o ano durante o qual a mesma entrou em funcionamento, tendo a sua inauguração oficial acontecido em Maio.

O financiamento foi comparticipado pelo já habitual subsídio do Fundo do Desemprego e para a sua construção contribuiu decisivamente, para além de Bissaya Barreto, a acção do Comendador Augusto Martins Pereira, filantropo e mentor da conhecida Fábrica Alba que também tomou “a seu cargo o pagamento das despesas a efectuar com as diversas reparações do edifício”, no ano de 1957.


A análise de fotografias tiradas no dia da inauguração permite perceber que o edifício não seguia pelo menos fielmente, a proposta funcional e formal de Luís Benavente. Ainda assim, é de relevar a notória (e habitual) intenção de pelo menos introduzir o azulejo enquanto elemento primordial em termos decorativos e simbólicos (nos pilares e em vários painéis), para além do seu uso enquanto material principal de revestimento.

É também absolutamente perceptível a vontade de equipar diversos espaços, nomeadamente o gabinete médico, o refeitório e o vestiário, com mobiliário de desenho moderno/hospitalar, com linhas extremamente depuradas e privilegiando a estrutura metálica tubular. Naquele tempo, estes conceitos (moderno e hospitalar) tornavam-se, sob alguns aspectos, praticamente sinónimos, e o mobiliário era, sem dúvida, um deles.


Apesar de, por exemplo, a expressão formal do volume edificado e um certo excesso decorativo no seu interior, revelarem uma concepção arquitectónica sem especiais referências à Arquitectura Moderna, a escolha e desenho dos móveis continha em si um desejo de apetrechar modernamente o edifício, tirando daí também dividendos ao nível do estatuto de um estabelecimento que certamente queria transparecer um carácter higiénico, sanitário, limpo, novo, contemporâneo, ou seja, moderno. 

Rede de casas da criança na Província da Beira Litoral


Quando, em 1937, o Estado Novo extinguiu a educação pré-escolar pública, Bissaya Barreto concebeu e planeou uma rede de casas da criança na Província da Beira Litoral. De um total de 18 Casas da Criança, três foram criadas nos anos de 1930 (em Estarreja, Vila Nova de Ourém e em Santa Clara, em Coimbra); cinco nos anos de 1940 (Loreto e Olivais, em Coimbra, Castanheira de Pera, Figueira da Foz e Luso) e dez na década de 1950 (Alvaiázere, Mealhada, Águeda, Pombal, Albergaria-a-Velha, Condeixa-a-Nova, Coja, Pedrógão Grande e Mira).

As Casas da Criança e/ou Parques Infantis, como vulgarmente eram conhecidos, acolhiam crianças até aos sete anos de idade, filhos de trabalhadores e tinham “orientação de educadoras devidamente preparadas que lhes dão as primeiras noções que servem de pedestal à sua formação, para, na vida prática, prestarem provas da sua preparação, para os diferentes cargos a desempenhar”.


Sete Casas da Criança funcionavam em edifício próprio, construído para o efeito ou adaptado. No que respeita às infraestruturas, todas tinham água canalizada, esgoto ou fossa, eletricidade e aquecimento. Apenas a de Alvaiázere não tinha aquecimento. O projeto de arquitetura apresentava o mesmo padrão, os materiais utilizados e a decoração tipo obedecia a uma mesma linha de construção.

Estas instituições incluíam um átrio, sala de espera para doentes a aguardar consulta e um consultório, um salão para as aulas das crianças, creche com berços para os pequenitos, um vestíbulo, instalações sanitárias, cozinha, sala de jantar, dois recreios e jardim. Este tipo de equipamento foi o mais numeroso e descentralizado.


Foram formadas enfermeiras puericultoras visitadoras de infância e assistentes sociais, algumas das quais vieram a assumir funções de regente e de assistente social nas Casas da Criança, Colónias, Dispensários e Hospitais e Instituto Maternal, substituindo o pessoal não qualificado, até então em funções em alguns destes serviços (1).

(1) Casa da Criança de Albergaria a Velha (1953-1954): cursos de Enfermeira Puericultora e Visitadora de Infância (EPVI) Maria Isabel dos Santos Figueiredo e Maria Margarida Coreia Tavares.

Fontes: “Arquitectura hospitalar e assistencial promovida por Bissaya Barreto” de Ricardo Jerónimo Pedroso de Azevedo e Silva / “Bissaya Barreto e a política assistencial da Junta da Província da Beira Litoral” de Alcina Martins e Maria Rosa Tomé

Colaboração: Fotos digitalizadas por Eng. Duarte Machado

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Apresentação da edição nº 3 da revista “Albergue” (05-11-2016)


O terceiro número da revista “Albergue – História e Património do Concelho de Albergaria-a-Velha”,  que promove a investigação, preservação, valorização e divulgação do património concelhio, conta com 16 artigos de diversos investigadores locais e nacionais, bem como a contribuição de um autor brasileiro.

Os artigos publicados abordam variados temas, como a arte sacra, o cinema, a emigração, a política e a religião, abarcando não só o património edificado, mas também o natural, o imaterial e o geológico.


“Manuel Guimarães – O Cinema ou a Vida”, de Leonor Areal,  “Património Natural do Município de Albergaria-a-Velha: Rios de descoberta – A biodiversidade do rio Fílveda”, dos investigadores da Universidade de Aveiro, Milene Matos, Inês Silva e Nuno Lopes-Pinto, e “As Mamoas do Taco (Albergaria-a-Velha) – Recuperação e Valorização Patrimonial”, de Pedro Sobral de Carvalho e Vera Caetano são alguns dos artigos que podem ser encontrados neste mais recente número da revista Albergue.

Pela primeira surge um artigo de um investigador estrangeiro, o brasileiro Wanderlei de Oliveira Menezes, com um estudo biográfico intitulado “A trajectória de José Álvares Ferreira (1737-1810) – Um albergariense e a carreira da magistratura no Reino e Ultramar Português”.

A revista apresenta uma rubrica nova, “Notas soltas”, dedicada a referências sobre Albergaria e a sua região, no domínio da Cartografia, bem como uma referência final, bibliográfica, sobre os artigos publicados nos números anteriores.


Capa

A imagem de capa é um retrato a óleo de Bernardino Máximo de Albuquerque existente no Salão Nobre dos Paços do Município, sendo uma forma de homenagear aquele que foi provavelmente o principal autarca Albergariense de todos os tempos, e que marcou a viragem do século XIX para o século XX, bem como a transição da Monarquia para a República, e que dá o nome à principal Avenida do Concelho, que liga os Paços do Concelho ao antigo Hospital.

O autarca, natural de Silva Escura, concelho de Sever do Vouga, é citado em dois artigos, um sobre a Casa do Outeiro ou da Rua de Cima em Albergaria-a-Velha, que era de sua propriedade, e outro sobre o período de anexação do Concelho de Sever do Vouga por Albergaria-a-Velha (1895-1898), em que ele era o Presidente da Câmara.


Três primeiros números da Revista Albergue

Delfim Bismarck esclareceu que no conjunto dos três números da revista Albergue, são apresentados artigos de 33 autores, num total de 38 artigos e 899 páginas publicadas, com 625 imagens distintas do Concelho.


Futuras edições

Estão em preparação duas obras sobre a participação dos Albergarienses na I Guerra Mundial (1914-1918) e na “Guerra do Ultramar” (1961-1974).

Fontes: CMAAV / Ribeirinhas  TV (Video) / Facebook

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Natália de Jesus preserva a tradição das esteiras de bunho de Frossos


Em meados do século XX, as esteiras de bunho eram o “ganha-pão” de muitos habitantes de Frossos.

Natália de Jesus tem 73 anos e trabalha o bunho desde os 13 anos, tendo aprendido a fazer esteiras de bunho com a sua mãe. Em 1975, quando se casou, deixou a actividade de esteireira, para se dedicar à agricultura.

Em 2004 decidiu voltar a fazer as esteiras em bunho. Natália de Jesus possui um terreno na zona lagunar da Pateira de Frossos, onde recolhe o bunho, que depois é selecionado e seco.


Esta actividade não é muito lucrativa, pois ocupa muito tempo, desde cortar, limpar, estender, trazer para o palheiro e depois dobrá-lo, pelo que o seu objectivo é essencialmente mostrar como se fazia antigamente.

As esteiras são feitas em casa num tear de pedras, ou “Burro” (por ter 4 pernas), cuja particularidade é ter pedras nas pontas dos fios que entrelaçam o bunho.

A artesã é presença habitual em feiras, exposições e certames e gosta de trabalhar ao vivo para difundir o saber, a tradição e a identidade cultural da terra onde nasceu.

 

Bunho

O bunho (Schoenoplectus lacustris) é uma erva nativa da Europa, comum em áreas húmidas e alagadiças. O bunho era predominante em zonas ribeirinhas de Portugal, podendo medir até 3 metros de altura. A apanha era feita à mão, com o auxílio de uma gadanha, para preservar as suas potencialidades.

Em relação a outras regiões do distrito de Aveiro, Albergaria-a-Velha tinha a vantagem dos seus terrenos terem grande abundância desta erva.


Finalidades

Antigamente os colchões eram de palha e as camas de ferro. A esteira era colocada por baixo do colchão para não o deixar estragar.

Mas as esteiras tinham outras finalidades. Havia esteiras maiores que serviam para tapar o milho ou o feijão que se encontravam nas eiras; esteiras para colocar no chão da cozinha; e esteiras mais vulgares para quando morria alguém, pois era usual as pessoas saírem da cama e irem para cima de uma esteira.

No concelho de Albergaria-a-Velha não era tão habitual a venda para servir de acondicionamento de produtos. Natália de Jesus apenas vendeu para as fábricas ALBA, durante alguns anos, para embalar prensas e bancos. Na região de Veiros (Murtosa) é que essa prática era mais comum.

Actualmente, as esteiras são utilizadas como decoração, sendo vendidas no mercado tradicional.


Certificação

A produção tradicional de esteiras de bunho foi recentemente certificada pelo IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional.

O processo de certificação junto do IEFP teve início após a participação de Natália de Jesus na oficina “Apoios ao Artesanato”, que decorreu em maio, na Incubadora de Empresas de Albergaria-a-Velha. A equipa do CLDS Albergaria Integra'T, que organizou a acção, preparou toda a documentação inerente ao processo e, em Setembro, a artesã de Frossos foi a primeira participante da oficina a ver a sua actividade certificada.

Fontes: Localvisão / CMAAV

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Arte Cristã em Albergaria-a-Velha - Site criado pelos professores e alunos de EMRC (AEAAV) 2015-2016


Os alunos de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) da Escola Secundária de Albergaria-a-Velha, desenvolveram um site com arte cristã do concelho.

A iniciativa surgiu como trabalho de projecto no âmbito do estudo da Unidade Lectiva "A Arte Cristã" proposta pelo programa da disciplina neste ciclo de ensino.

Em declarações ao EDUCRIS o professor de EMRC Luís Manuel, congratulou-se com "o empenho dos alunos na descoberta da arte cristã presente no concelho de Albergaria-a-Velha" e pela oportunidade dos discentes [alunos] "desenvolverem competências informáticas e de estudo em autonomia".

A proposta consta do próprio manual da disciplina e permite um contacto concreto "com o património cultural, religioso e artístico" das localidades onde os docentes aplicam esta Unidade lectiva.

Fonte: Educris

Coordenação dos professores Isabel Santos e Luís Silva (lista de autores)

Exemplos (infelizmente ainda não disponibilizaram imagens de Frossos):

Albergaria-a-Velha


Alquerubim


Angeja


Branca


Ribeira de Fráguas


São João de Loure


Valmaior
 

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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Manuel Valente dos Santos: um inventor branquense

A mostrar uma das suas invenções à Rainha Fabíola da Bélgica.
Primeiro de 7 filhos, Manuel Valente dos Santos nasceu a 21 de abril de 1920. (...) Filho de Francisco Santos e Benedita de Jesus, Manuel Valente dos Santos frequentou a escola da sua terra, a Branca, até 1933. Trabalhou na agricultura e nos transportes até 1942, 1943, altura em que foi fazer o serviço militar, em Lisboa.

Cumpriu o serviço militar nos Sapadores de Caminhos de Ferro. Posteriormente, Manuel Valente dos Santos arranjou trabalho no Instituto Pasteur em Lisboa graças á intervenção de um oficial, seu superior, onde foi colocado na secção de material cirúrgico e onde terá desenvolvido a sua vocação.

Numa altura em que a II Guerra Mundial estava no auge, escasseavam os instrumentos cirúrgicos, uma vez que os poucos que os produziam não chegavam para as necessidades. Os cirurgiões viam-se a braços com uma carência assustadora de tais materiais e Manuel Valente dos Santos propôs-se a produzi-los. Em oito meses familiarizou-se e apaixonou-se pelo seu novo trabalho.


Através da observação nas intervenções cirúrgicas em que esteve presente - nomeadamente com Décio Ferreira, grande especialista de cirurgia cardiológica - começou a aperfeiçoar utensílios já utilizados para lhes aumentar a eficiência. Além disso, criava, ele próprio, instrumentos, revelando uma intuição invulgar e que lhe mereceu, ao longo de toda a vida, rasgados elogios.

Posteriormente, Manuel Valente dos Santos foi convidado para ir trabalhar para a ADICO, em Avanca. Já após o seu casamento, em 1944 com Maria Glória Pereira e depois de ter três filhos, adquiriu uma fábrica, no Porto, em 1954 que, em 1956 foi transferida para Soutelo, a Fábrica MAVAS (que representava, precisamente, as iniciais do nome Manuel Valente Santos).

Foi, igualmente, em 1956 que Manuel Valente dos Santos participou no Congresso Mundial de Cirurgia Cardiotorácica, em Barcelona. Um dos primeiros hospitais a recorrer aos instrumentos inventados por Manuel Valente dos Santos foi o Hospital de Águeda dirigido pelo famoso cirurgião António Breda.


Em 1959, o inventor de Soutelo participou na Exposição Industrial – Comemoração do Milenário de Aveiro e do Bicentenário da sua Elevação a Cidade onde recebeu o Diploma de Medalha.

Ainda em 1959 participou na Exposição Nacional de Évora onde foi, também, distinguido pelos inventos apresentados.

Foi em 1960 que Manuel Valente dos Santos participou, pela primeira vez, no já IX Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas com onze inventos. Aqui, recebeu três Medalhas de Ouro, das quais, duas com felicitações do júri internacional, cinco Medalhas de Prata Dourada, duas Medalhas de Prata e uma de Bronze.


Para além destes prémios, Manuel Valente dos Santos recebeu, igualmente, uma Medalha, prémio atribuído ao melhor expositor de cada país. O dispositivo inventado por Manuel Valente dos Santos, um misturador para transfusão que arrecadou uma das medalhas douradas começou, desde logo, a ser utilizado nos grandes hospitais de Bruxelas.

De Bruxelas, Manuel Valente dos Santos levou, ainda, um convite para expor os seus trabalhos em Paris em Maio do mesmo ano e onde obteve mais uma Medalha de Ouro por todos os inventos apresentados.

Além de começar a ver as suas invenções a serem utilizadas por todo o mundo nas mãos de médicos e cirurgiões, estas foram, também, nomeadas não só na imprensa da altura como em livros, nomeadamente, no livro sobre cirurgia escrito por Charles Bailey.

Revista UPorto / Alumni
A MAVAS começou, assim, a receber muitas encomendas de hospitais estrangeiros, europeus e americanos. Como vantagem, Manuel Valente dos Santos tinha o facto de os seus “ferros” estarem patenteados o que lhe permitia o fornecimento exclusivo daqueles materiais. (...)

Contudo, de salientar que Manuel Valente dos Santos sempre teve um talento especial para tornar a vida mais fácil com o recurso a alguns instrumentos. Já muito jovem teria criado uma caneta-pistola, isto é, transformou uma caneta de tinta permanente, munida de alavanca lateral numa pistola que resultou de tal forma que poderia ter ferido, inadvertidamente, o irmão que havia chamado para o ajudar. Mas não se ficou por aqui!

Manuel Valente dos Santos construiu um aparelho para servir à mesa sem o auxílio de uma empregada para o efeito. É um aparelho que permite transportar e posicionar as travessas com os alimentos em frente às pessoas que estão sentadas à dita mesa e que pode ser comandado à distância tendo este mecanismo sido apresentado no X Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas.


Assim, em março de 1961, Manuel Valente dos Santos participou no X Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas com 14 inventos. Desta feita, o inventor Manuel recebeu Diploma de Medalha de Ouro com felicitações do júri, mais oito Medalhas de Ouro e de Prata Dourada, três de Prata e três de Bronze.

Posteriormente a esta participação, Manuel Valente dos Santos recebeu, em sua casa, Paul Quintim, Presidente do Salão Internacional de Inventores, curioso de conhecer o local onde os inventos ganhavam corpo. Ainda em 1961, Manuel Valente dos Santos participou no I Salão de Inventores, em Lisboa onde recebeu o 1º prémio com Diploma e Medalha de ouro.

Foi, também, em 1961 que, juntamente com o seu filho mais velho, Carlos Santos construiu um barco com a particularidade de ter sido o primeiro barco feito de fibra de vidro em Portugal. Contudo acabou por desistir da ideia de levar este trabalho em frente, por não lhe cederem alvará.


Em 1962, Manuel Valente dos Santos participou no XII Salão Internacional de Inventores, em Bruxelas onde recebeu quinze medalhas, seis das quais de ouro, quatro delas com felicitações do júri. Nesse ano, o inventor da Branca privou com várias figuras importantes da época que mostraram interesse pelo seu trabalho, nomeadamente, a Rainha Fabiola, da Bélgica.

Em 1967 veio a conhecimento público que Manuel Valente dos Santos estaria a trabalhar numa invenção para extração de tumores cerebrais que teve, posteriormente grande sucesso a nível mundial. Esta descoberta foi, ainda, alvo de uma tese realizada pelo neurocirurgião, Celso Cruz.

Apesar dos louros e felicitações que foi recebendo, a falta de apoios, em Portugal, acabou por travar as viagens de Manuel Valente dos Santos a estas exposições uma vez que se tornavam viagens bastante dispendiosas e que ficavam a cargo, na sua totalidade, do inventor do Soutelo. Contudo, Manuel Valente dos Santos não deixou de ser abordado por cirurgiões, hospitais e outras instituições como a Cruz Vermelha belga interessados nos seus trabalhos e a que algumas vezes não conseguia dar resposta pois a produção que detinha não o permitia.

Site Portuguese American Historical & Research Foundation

Site do Museu Maximiano de Lemos
Em 1968, Manuel Valente dos Santos rumou aos EUA para participar no Congresso de Urologia e Cirurgia, em Miami. Aconselhado por médicos e amigos resolveu ficar. A primeira barreira com que se deparou foi a língua, que não conhecia ficando dependente de tradutores que, muitas vezes, deixavam que se perdesse o verdadeiro sentido do que era dito. Mas não foi só a língua. A economia, o mundo empresarial, o dólar funcionavam de forma diferente daquilo que Manuel Valente dos Santos, demasiado bom e honesto, conhecia.

Durante a sua estadia nunca deixou de assistir a muitas operações ao coração. Passou por fábricas de aparelhagem cirúrgica como a de Castle Selar Weck, pelos hospitais de Nova Iorque, Boston, Miami, Florida, Rochester, entre tantos outros.

Manuel Valente dos Santos inventou um novo aparelho cirúrgico para operações ao cancro do recto nos EUA. Em 1974, a fábrica em Portugal, a MAVAS foi fechada. Após ter trabalhado para uma grande indústria de instrumentos hospitalares, uma fábrica em Long Island, Nova Iorque, entre 1975 e 1978, Manuel Valente dos Santos trabalhou para uma subsidiária da mesma na Carolina do Norte para onde foi treinar o pessoal.



Posteriormente, a internacional Stryker, do estado de Michigan tornou-se sua cliente quando Manuel Valente dos Santos teve a sua própria fábrica em Newark, Nova Jérsia, Estados Unidos onde trabalhou sozinho durante muito tempo e depois com um primo que levou para lá e a quem ensinou a arte.

É extremamente vasta a lista de instrumentos inventados por Manuel Valente dos Santos, desde uma mesa para a colheita de sangue de transfusões, instrumento para suturação de vasos, chave de parafusos para cirurgia óssea, pinças das mais complicadas para utilização nas mais diversas operações cirúrgicas, até uma cadeira para uma criança sem braços que foi criada e adaptada para que a criança pudesse desenhar com os pés.

Em 1988, Manuel Valente dos Santos voltou a participar no Salão Mundial de Inventores, de Bruxelas onde recebeu vinte e uma Medalhas de Ouro correspondentes a vinte inventos destinados a cirurgia de alto risco sendo que o Suction basket forceps, instrumento usado para operações ao joelho, ao menisco recebeu duas medalhas.

Manuel Valente dos Santos recebeu, igualmente, a taça do Burgomestre de Bruxelas, a Medalha de Honra da Comuna de Saint-Josse-Ten-Noode que representa a homenagem da população de Bruxelas ao inventor estrangeiro presente com maior prestígio e recebeu ainda as insígnias de inventor de mérito atribuída pelos serviços à causa de progresso e apoio às invenções.


Em 1989, passados 21 anos, o inventor do Soutelo voltou ao seu país. Manuel Valente dos Santos sentiu-se, muitas vezes, frustrado porque não existiam produtores, não havia quem produzisse no estrangeiro. E, consequentemente, o material que Manuel Valente dos Santos fazia acabou, deixou de se produzir. Foram, no entanto, reproduzidas algumas réplicas. Viveu a sua reforma a trabalhar, despreocupado numa oficina que entretanto construiu, em Aveiro.

Medalhas de ouro, diplomas e insígnias que Manuel Valente dos Santos recebeu no último Salão Internacional de Inventores em 1988. Definido como uma pessoa exigente que dava bastante importância às pequenas grandes coisas, uma pessoa que valorizava o respeito e estava sempre disponível a ajudar quem precisasse, Manuel Valente dos Santos foi sempre caraterizado como uma pessoa modesta e humilde, com um enorme espírito criativo que lhe permitiu desenhar e construir instrumentos com tanto de quantidade quanto de perfeição.

Manuel Valente dos Santos entregou a sua vida à invenção de material cirúrgico que possibilitou a revolução do equipamento utilizado pela medicina.

Fonte: Correio de Albergaria (adaptado)


Mais informações

sábado, 10 de setembro de 2016

As primeiras ruas calcetadas em Albergaria-a-Velha (1820)

 
Terminada há cerca de dois meses a invasão das tropas francesas a Albergaria-a-Velha e sua região, com os resultados dramáticos sobejamente conhecidos, logo a população de Albergaria-a-Velha requereu à Câmara de Aveiro, a quem então esta freguesia pertencia, o arranjo da sua fonte e a calcetagem das principais ruas da vila. Para isso, solicitavam que o rendimento proveniente das sobras das sizas da Vintena de Albergaria-a-Velha, bem como através da aplicação de um imposto sobre a transacção de cada quartilho de vinho que se vendesse na mesma vintena servissem para tal fim.

A Câmara de Aveiro aprovou a pretensão dos Albergarienses, deliberando que assim fosse durante o período de doze anos.

O livro de Actas da Câmara Municipal de Aveiro, n.° 9 (1804-1817), a folhas 176-177, relata assim o sucedido [extracto]:

"que os Moradores do dito lugar fizerão a Sua Alteza Real em que pertendem licença para se mandarem calçar as ruas principais do seu Lugar, e compor a sua Fonte fazendose a dispeza pelas sobras das Sizas que ouver na Vintena do dito Lugar e por hum real imposto em cada quartilho de vinho que se vender na mesma Vintena, ficando assim abolida a aplicação que já tinhão aquelas sobras, e Real para os Partidos dos Médicos, e Cirurgioens desta Cidade, em cuja Reprezentação manda Sua Alteza Real ouvir esta Camara, Nobreza, e Povo averiguando a nececidade das obras, e de donde poderão sahir com mais suavidade as dispezas dellas, a que responderão as mesmas Pessoas da Nobreza, e Povo uniformemente, que o seu requerimento hera de grande utilidade, e que nenhum outro mais avia por onde se pudesem fazer as mencionadas obras, e calçadas afirmando em tudo o mesmo Requerimento; com o que se formarão elles offeciaes da Camara paresendolhes contudo ser bastante o espaço de doze annos para a fatura das obras com atençaão ao que poderão produziras mesmas Sobras das Sizas, e Real avendo-o assim por bem S. A. R.. e por mais não aver asignarao com os mesmos da Nobreza, e Povo: António José das Neves o escrevi Bento Abranches, Gravito e Guimaraens."

É um facto que durante os doze anos foram arrecadados os impostos enunciados e que as obras decorreram dentro do prazo previsto.

Assim, em 1820 foram inauguradas as duas primeiras ruas calcetadas no lugar de Albergaria-a-Velha: uma parte da Estrada Real que ligava Lisboa a Porto que por esse facto viria ser designada por Rua da Calçada [e mais tarde por Rua de Santo António], e a uma parte de outra Estrada Real (que ligava Aveiro a Viseu), denominada Rua de Campinho [posteriormente Rua Engº Duarte Pacheco].

Fonte: Jornal de Albergaria / artigo do Dr. Delfim Bismarck (adaptado)

sábado, 20 de agosto de 2016

Casa do Mouro


Casa setecentista de planta rectangular de único volume. [Número IPA Antigo: PT020102010006]

Descrição

Planta rectangular, volume único com cobertura em telhado de 4 águas.

Edifício de 2 pisos com fachada principal, dividida em 2 panos por pilastras toscanas.

Existência de 4 vãos em cada piso, tendo o 1º quatro portas simples de verga curva com cornija saliente que se ligam, três delas, às bacias das janelas de sacada do 2º piso; estas têm verga curva e guarda de grade em ferro; a outra janela é de avental, pouco desenvolvido, recortando-se a simular duas aletas opostas, ladeada por duas mísulas para suporte de floreiras.

No pano da direita, abre-se amplo portão com verga recta encimada por cornija sobrepujada por aletas com volutas deitadas enquadrando pedra rectangular ao centro, já sem brasão; encimando-a foi colocada posteriormente uma pequena janela rectangular simples ao nível do 2º piso.

A fachada lateral é flanqueada por pilastras idênticas, definindo dois panos: o primitivo, com 3 vãos em cada piso, e um acrescento lateral, à esquerda, com 2 janelas rectangulares simples, uma em cada piso; no 1º pano, três portas simples de verga curva, encimadas por janelas de peito também com verga curva, sendo a do meio com guarda peito de grade em ferro e as laterais de avental, pouco desenvolvido, recortando-se a simular duas aletas opostas, ambas enquadradas por duas mísulas para suporte de floreiras.

Friso e cornija corrida com beirado saliente rematam ambas as fachadas.


Acessos

Entroncamento das antigas saídas de Albergaria-a-Velha para N. (Porto) e para O. (Aveiro); Rua Doutor Alexandre de Albuquerque, n.º 1
 
Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, no ângulo de ruas, adossada a casas de 1 e de 2 pisos.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Residencial: casa residencial e comercial [Café Triângulo]

Propriedade

Privada: pessoa singular


Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 18, finais - construção; séc. 19 / 20 - acrescentos laterais às fachadas com vãos rectangulares simples.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Granito (cantarias), telha marselha, ferro (guardas), madeira (caixilhos, alumínio (caixilhos do piso térreo)

Bibliografia

GONÇALVES, A. N., Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro, Zona Sul, VI, Lisboa, 1959, p. 54; FERREIRA, Delfim Bismarck, Casa e Capela de Santo António em Albergaria-a-Velha - Século XVIII, Porto, 1999

Fonte: SIPA (Paulo Dórdio/1997)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Heliroma Plásticos, S.A.


Fundada em 1996 em Arrifana (Santa Maria da Feira), a Heliroma dedica-se à produção de tubos plásticos, tendo-se tornado rapidamente num dos fabricantes líderes na produção de sistemas de tubagens de plástico em Portugal para instalação de água, aquecimento e climatização, entre outros.

A empresa deslocalizou-se em 1998 para a Zona Industrial de Albergaria-a-Velha, apostando no fabrico de produtos de maior valor acrescentado, que exigem tecnologia mais sofisticada, como é o caso de um sistema de tubagem plástico em polipropileno (PP-R), que se mantém como a sua base de crescimento contínuo.


A Heliroma oferece actualmente uma gama de produção mais vasta, onde se destacam também os tubos em polietileno (PEX, tipo “a” e “b”) e o tubo em multicamada (Pert-Al-Pert e Pex-Al-Pex)

Tendo como objectivo bem definido tornar-se uma referência internacional ao nível de sistemas de tubagem em plástico, aa Heliroma conseguiu, em apenas dois anos, afirmar-se em Espanha como um dos principais players e ocupar hoje um lugar de liderança que lhe permitiu avançar para um projecto de internacionalização da marca mais ambicioso.


Numa primeira fase foi feita uma abordagem ao mercado europeu e, posteriormente, ao do Médio Oriente.

Actualmente, é uma empresa com actividades globais e com presença em mais de duas dezenas de países, sendo líder de mercado em alguns deles.


Em 2010 obteve uma facturação de cerca de nove milhões de euros – dos quais aproximadamente 70 por cento respeitam à exportação – e o crescimento médio da empresa nos últimos anos tem sido contínuo.

A Heliroma efectuou igualmente significativos investimentos, divididos pela construção de instalações, aquisição de novos equipamentos de tecnologia de ponta, formação contínua e certificação de todos os produtos do seu leque de produção, para abraçar projectos de outras dimensões ao nível da exportação.

Fontes: Revista Portugal Global (Aicep) / Página oficial / Pinto & Cruz / Youtube

 
 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Alunos do Agrupamento da Branca lançam livro “Albergaria, uma viagem fantástica”


O projecto "Estórias da História" resulta de um desafio do Município de Albergaria-a-Velha aos alunos dos agrupamentos concelhios para estudarem e trabalharem a monografia “Albergaria-a-Velha, Oito Séculos do Passado ao Futuro”, de António Albuquerque Pinho. A obra, dedicada à evolução política e administrativa do território Albergariense, é a mais importante e completa narração historiográfica de Albergaria-a-Velha.

No Agrupamento de Escolas da Branca, 15 turmas do 2.º e 3.º Ciclo aceitaram o desafio e após o seu estudo começaram a escrever uma nova história a várias mãos, num exercício de escrita criativa.

Cada turma ficou responsável por uma secção, completando o texto que a turma anterior tinha redigido. O resultado é agora publicado em livro, com o título “Albergaria, uma viagem fantástica”, uma obra coletiva assinada pelos alunos das turmas do 5.º até ao 9.º ano e Vocacional. Tem 88 páginas, conta com prefácio de Elisa Sá Costa, ilustrações de Rui Henriques e tem o preço simbólico de 2,5 euros.


A autora de literatura infantojuvenil escreve no prefácio que “Albergaria, uma viagem fantástica” é “escrito por crianças e jovens para si próprios e para os seus pares, assumindo por isso um particular interesse.

(...) [o] livro reúne o esforço de muitos alunos e professores que souberam organizar-se para, com a participação de todos, fazer uma viagem no tempo e deslocar-se até às mais remotas memórias que encontraram sobre as terras que hoje constituem o Concelho de Albergaria-a-Velha”.

A fantástica narração dos alunos começa quando uma máquina do tempo os transporta para uma viagem mágica ao passado, permitindo-lhes conviver com as figuras da história de Albergaria-a-Velha, assumindo igualmente o papel de protagonistas.


Apresentação no Cine-Teatro Alba

Os alunos do Agrupamento de Escola da Branca subiram ao palco do Cineteatro Alba, no passado mês de maio, no âmbito da iniciativa “Estórias da Nossa História”, um projeto do Programa Municipal de Educação, que levou os jovens a interpretarem, de forma criativa e lúdica, a História do Concelho.

O evento teve a parceria do Conservatório de Música da Jobra e da Muda'TE – Companhia de Artes Performativas da Jobra, que apresentaram várias encenações com música de época, incluindo uma performance de música e dança barroca e uma apresentação musical pela Orquestra da Jobra.

Fontes: CMAAV / Aveiro 123