quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Memórias da Feira dos 26 de Angeja


Angeja "tem feira a vinte e seis do mês, cada anno, dura meyo dia” (Memórias Paroquiais de 1758)

Realiza-se no Largo Marquês de Angeja (conhecido por Largo da Feira), onde existe um crucifixo e um chafariz com bebedoiro para animais. Feira aberta, mas paga Imposto de terreiro.

Transacciona-se gado vacum e porcino, e algumas vezes lanígero. Gado de cornos, segundo nos informaram, entraram hoje na feira 300 cabeças; porcos 150; de lanígeros, nesta feira, não se deu conta.
Curiosidade: A pessoa de sobretudo preto é D. Leonor Ribeiro aos 18 anos, quando Sr. Manoel Souto (emigrado no Brasil)  a conheceu e se apaixonou (*)

O gado é trazido à soga [corda], pelos produtores-lavradores de Fermelã, Cacia, Frossos, etc„ e, naturalmente, de Angeja. Os compradores são lavradores da região e os negociantes (marchantes e talhantes) vêm de Cantanhede, Paredes, Penafiel, Avanca, Estarreja, Figueira da Foz, etc. (em número de 30), e transportam o gado em camionetes.


Ainda se usa o alborque - "regar” com uns copos (geralmente vinho branco) o negócio feito, despesa paga pelo vendedor, em honra do comprador e dos que o ajudaram a rematar o negócio (os negociantes por vezes fazem cambão [combinam preços]). Há para o efeito uma taberna no local, aberta nos dias de feira.


Pare além de negócio de gado, indubitavelmente o mas vultoso em notas, há uma variedade infinita de artigos à venda:

* utensílios da lavoura, máquinas de sulfatar, moto-serras, semeadores de batata e de milho, arrendadores, etc.; correame [correias] para o gado, como piaçás, brochas (correia que liga a canga ao pescoço da vaca), tamoeiros [peças para carros de bois], passadeiras, etc.;
* utensílios de cozinha, desde garfos, facas e colheres, aos alguidares, tachos e panelas; artigos em folha zincada e de flandres; funis, regadores, púcaros, almudes (de 20 litros), lampiões, candeias de curral, etc., etc.;
* em vestuário o calçado, é um louvar-a-Deus de tendas, de barracas, de carrinhas, carros e carretas;
* cofinhos para o gado (antigamente de baracinha [cordel], agora do arame);
* peneiras, tamancos, pipos, pipas e dornas, melões e maçãs, enxadas, ferros de engomar à brasa, foicinhas, martelos, fogareiros, louças, pão do Fontão (muito saboroso) e tremoços (bem apaladados), regueifas, plásticos (ui, Jesus, o que vai pr'aí de plásticos), objectos de barro (caçoilas e púcaros, tarros e tarrelos), cordas de plástico e adibais [cordas compridas] de sisal, esteiras (em desuso, a malta agora quer é edredons e alcatifas!), aventais (os de serguilha tiveram a sua época!), blusas, casacos e bonés, galrichos, cestos de vime — o fim do mundo!

E pó! E música (altíssimo-falantes)! E propagandistas da banha-de-cobra! Vá lá, já não se vê os estropiados que andavam mendigando de feira em feira … hoje tudo fuma cigarro feito e de filtro!

No dia da feira o negócio local anima-se. Esta feira é o melhor ex-libris de Angeja.



Fonte: Bartolomeu Conde em Jornal "O Aveiro" (em "Novos Arruamentos")

(*) Imagem utilizada no cartaz da feira de 2015 (mais informações: Cristina Souto Rigotti)

A organização da feira foi retomada em 2014, tendo agora periodicidade anual



quinta-feira, 20 de julho de 2017

Joaquim Nunes Alves, empresário em Belém do Pará (1912-2010)


Joaquim Nunes Alves nasceu no lugar do Sobreiro, em Albergaria-a-Velha, em 29 de Maio de 1912, filho de António Nunes Alves e Gracinda Santiago Alves. Fez seus primeiros estudos em Albergaria-a-Velha e depois no Porto.

Saiu de Portugal ainda jovem, com 18 anos, para Belém, "chamado" pelo seu irmão mais velho, Augusto Nunes Alves, que já se encontrava aí emigrado. Nessa cidade concluiu o curso de Contabilidade e fez outros nas áreas de Comércio (no então Grémio Literário Português) e de Administração de Empresas.

Deixou em Portugal a mãe, Gracinda (o pai tinha falecido em 1914), e os irmãos Laura, João, funcionário da Fundição Alba, e José Nunes Alves, que foi Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha na década de 70.


Joaquim iniciou sua vida profissional como simples empregado da firma Silva Santos & Cia., da qual já era sócio seu irmão Augusto Nunes Alves, mas foi progredindo nas lides comerciais até se tornar sócio principal da referida firma,  alterando-lhe a razão social para Cosmorama Indústria e Comércio Ltda., com a admissão de seu sobrinho João Pedro e antigos colaboradores, no crescimento de uma empresa da qual foi Director-Presidente e sócio maioritário.

Foi igualmente fundador da Espelhorama Ltda. e da Vidrorama Ltda., que conseguiu fazer crescer ao longo de muitos desafios e dificuldades de todos os tipos.

Além de Industrial, Comerciante e Pecuarista, era conhecido também por sua dedicação às causas sociais, tendo presidido à Benemérita Sociedade Beneficente Portuguesa do Pará durante quatro mandatos. Dirigiu igualmente a Federação Brasileira de Hospitais e foi Conselheiro e Director da Fundação do Bem Estar Social, bem como presidiu à Consanpa, Fadesp e Cinbesa.  


Foi Presidente da Associação Comercial do Pará e do Rotary Club de Belém e dirigente da Assembleia Paraense, Pará Clube, Tuna Luso Brasileira e antigo Automóvel Clube. E integrou igualmente a comissão de festejos para Nossa Senhora de Nazaré por vários anos.

Pelo seu empreendimento empresarial recebeu as Comendas da Ordem da Benemerência concedida pelo Estado Português, Ordem do Mérito Grão Pará (com grau de Comendador, concedida pelo Governo do Estado do Pará) e o título de Cidadão de Belém.

Foi ainda agraciado como Comerciante do Ano, pela Associação Comercial do Pará, e recebeu várias medalhas e diplomas de Honra ao Mérito, concedidas pela Câmara Municipal de Belém, e recebeu a Palma Universitária da UFPA.

Faleceu no dia 3 de maio de 2010 em Belém, poucas semanas antes de completar 98 anos.

Fontes:  Who's who in Brazil / Portal ORM / Revista da Academia Paraense de Letras / Blog de J.A.Rodrigues / Personagens do Comércio / Familiares (*)

(*) Agradecimento especial: Profª Laura Maria (filha), Dra. Marcela Tostes (neta) e restante família

Casa do Sobreiro

(mais fotos ... )

segunda-feira, 10 de julho de 2017

CutBrik Tools - A melhor solução para os seus trabalhos em madeira

 

A história da CutBrik Tools remonta ao ano de 1962 quando Fernando Augusto Marques de Abreu, num espaço de 40 m2, com parcas condições e sem energia eléctrica, dá os primeiros passos na produção de serrotes.

Mas as dificuldades eram muitas pois Portugal não tinha tecnologia nem máquinas para produção destas ferramentas.

Sem baixar os braços, Fernando Abreu procurou saber como se fazia no estrangeiro, munindo-se de toda a informação e tecnologia. Nasce assim a Manufacturas Abreu (então como actividade empresarial em nome individual).


Na altura havia muitos condicionalismos industriais e o mercado estava monopolizado e eram raras as empresas que conseguiam vingar. Mas este contexto não assustou Fernando Abreu que trabalhando arduamente vence muitas contrariedades, conseguindo a primeira exportação para Marrocos em 1975.

A “abertura” a novos mercados deu um novo impulso à empresa. A credibilidade e reconhecimento da qualidade das suas serras e serrotes contribuíram para a fidelização de mercados como Espanha, França, Alemanha, Grécia, Inglaterra, entre outros.


Em 1999, a empresa ganha uma nova dimensão sendo criada uma sociedade anónima de nome Fernando Abreu, S.A., prestigiada e reconhecida em vários países do mundo. Em 2000 é criada a marca CutBrik Portugal. E em 2004 a empresa é deslocalizada da Cruzinha para a Zona Industrial de Albergaria-a-Velha.

Apostando sempre no crescimento, na inovação e na qualidade dos seus serviços, 85% da sua produção é absorvida por cerca de 40 países, que vão desde os Estados Unidos da América à China (Hong Kong), passando pela Europa, Médio Oriente e África.


Dando mais um passo na constante modernização, os administradores, Fernando Abreu e a sua filha Fernanda, decidem ser chegado o momento para revitalizarem a imagem institucional da empresa promovendo a alteração do nome da empresa para um nome pelo qual os clientes os identificavam, a marca dos seus produtos CutBrik. Assim a 31 de Janeiro de 2014, a Fernando Abreu S.A. transforma-se em CutBrik Tools, S.A.

A reestruturação teve também como objectivo dar um passo em frente, afirmando-se como uma empresa para o futuro, sempre na busca incessante de excelência no serviço ao cliente, na apresentação de produtos de qualidade, reconhecida, no desenvolvimento e na inovação de soluções cada vez mais eficientes, que passam do mais simples para uso doméstico, ao mais técnico para uso profissional.

Fontes: Guia Empresarial (JN) (adaptado) / Página Oficial

terça-feira, 20 de junho de 2017

Dos vestígios do passado ao património arqueológico (II)






Fonte: Artigo de António Manuel S. P Silva em "Revista Albergue"

sábado, 10 de junho de 2017

Francisco Dias de Oliveira, familiar do Santo Ofício (1722-1812)


Francisco Dias D’Oliveira, 1º Senhor da “Casa do Mouro”, filho de Miguel Dias D’Oliveira e de D. Maria João, nasceu em 24 de Setembro de 1722 em Albergaria-a-Velha, onde foi baptizado na Igreja Paroquial em 29 do mesmo mês pelo Padre Cura Manuel Álvares Ferreira, tendo por padrinhos: José Gonçalves e D. Isabel Marques, filha de Rafael Ferreira Torrão.

Emigrou para o Rio de Janeiro ainda novo, onde com seu irmão José Dias D’Oliveira adquiriu grande fortuna, ao serem proprietários de uma companhia de navegação, possuindo duas corvetas “Nossa Senhora da Conceição” e “Santa Rita”, com as quais negociavam entre Santa Cruz e Angola.

Regressou a Portugal no início da década de 60, vindo casar a Albergaria-a-Velha, em 1768, com sua prima em 3º e 4º grau D. Maria Joana Álvares Ferreira, filha dos 2ºs Senhores da “Casa do Outeiro ou da Rua de Cima” Vicente Ferreira e de D. Dionísia Josefa Álvares Ferreira.

Fez parte da Companhia de Jesus e foi nomeado Familiar do Santo Ofício por carta passada em 29 de Janeiro de 1762, onde é chamado “Homem de negócio”.

Faleceu em 9 de Julho de 1812 em Albergaria-a-Velha, sendo sepultado no dia seguinte dentro da Igreja Paroquial, deixando seis filhos.

Fonte: Delfim Bismarck Ferreira (em marforum)

Mais informações: "Casa e Capela de Santo António em Albergaria-a-Velha" de Delfim Bismarck Ferreira e Revista Albergue

Imagem: extracto de retrato a óleo da autoria de Giorgio Martini (capa da edição nº 2 da Revista Albergue)

sábado, 20 de maio de 2017

Dos vestígios do passado ao património arqueológico (I)


O inventário mais completo destas expressões funerárias pré-históricas em Albergaria-a-Velha deve-se a Fernando Augusto Pereira da Silva e está incluído no repertório do megalitismo a Sul do Douro (bacias do Vouga e do Alto Paiva) que constitui o primeiro volume da sua tese de doutoramento, que se mantém inédita.

Este investigador registou doze monumentos megalíticos no concelho, quatro deles já destruídos à data (1996):

- as mamoas 1, 2 e 3 do Taco, freguesia de Albergaria-a-Velha e Valmaior, referidas por Leite de Vasconcelos (1912), tendo entretanto a mamoa 2 sido destruída;

- as mamoas 1 e 2 da Senhora do Socorro, na mesma freguesia, visitadas por Fernando Silva em 1982 e que foram “pouco tempo depois destruídas”;

- a mamoa das Arrôtas, Cavada Nova ou Açores, monumento registado por Leite de Vasconcelos em 1912 e actualmente classificado como Bem patrimonial de Interesse Público;

- a mamoa 1 de Cabeço de Mouros, Telhadela;

- as mamoínhas 1 e 2 de Beduído (Albergaria-a-Velha e Valmaior);

- a mamoa de São Julião, dentro do povoado do mesmo nome, na freguesia da Branca;

- a mamoa Negra ou da Areia, em Angeja, achava-se já destruída;

- a mamoa do Cabeço ou Monte Redondo, também chamada do Boi ou Cova da Moura, em Alquerubim, tinha visto o seu tumulus arrasado mas conservava ainda esteios da câmara funerária original.


De todos estes monumentos funerários apenas a Mamoa de Açores, que se encontra classificada, e as sepulturas 1 e 3 do Taco estão cartografadas na Carta de Património do Plano Director Municipal, enquanto no Portal do Arqueólogo se registam tão somente as mamoas 1 a 3 do Taco, a mamoa de Açores e a das Arrotas, entendidas erroneamente como distintas. Não obstante, há informações e até objectos relacionados com outros monumentos megalíticos, destruídos nas últimas décadas.

Fonte: António Manuel S. P Silva em "Revista Albergue" (adaptado)

Imagem inicial: Espólio arqueológico da Mamoa 3 do Taco, Albergaria-a-Velha. Reprod. de Pereira da Silva (1992)

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Pintura de antiga casa de António Domingues Pinto

 
Pintura do início do século XX retratando o actual "Solar das Camélias". Antiga casa de António Domingues Pinto, ainda com o torreão.

Foto gentilmente cedida pelo seu neto, Arthur Domingues Pinto Jr.

Fonte: Telhadela - História e Património

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Armando Vidal, músico e maestro


Armando Vidal nasceu em Albergaria-a-Velha em 23-01-1947. Iniciou muito cedo os seus estudos musicais, concluindo no Conservatório Regional de Aveiro o Curso Superior de Piano com grande distinção. Como bolseiro da Fundação Gulbenkian fez estudos de aperfeiçoamento com os professores Croner de Vasconcellos, Karl Engel, Paul von Schillawsky, Melina Rebelo e Lígia Ebo.

Fez uma carreira de pianista colaborando com grandes nomes nacionais e internacionais do canto, sobretudo no campo da Ópera, uma vez que foi Maestro assistente durante largos anos no Teatro Nacional de S. Carlos. Começou por se apresentar com o barítono Oliveira Lopes em concertos, tendo gravado para a RDP e RTP vários ciclos de Schubert, Schumann, Beethoven.


Tocou em Portugal, Madeira, Açores, Macau, Angola, Marrocos, Espanha, França, Bélgica, Alemanha e Roménia, com os mais reputados cantores portugueses de várias gerações. Acompanhou em concerto nomes como Elsa Saque, Joy Bogen, Mara Zampieri, Fiorenza Cossotto, Ivo Vinco, Carlo Bergonzi.

Dirige orquestras em variados programas de Concerto, Oratória e Ópera, desde 1980. Além do Teatro Nacional de S. Carlos, dirigiu concertos e espectáculos do Real Teatro de Queluz, Companhia Portuguesa de Ópera, Orquestra do Norte, Teatro Ibérico, entre outros.


Foi professor no Conservatório Nacional de Lisboa, na classe de Música de Câmara, e na Escola Superior de Música de Lisboa, na classe de Competição. Exerceu igualmente funções de professor em diversas cadeiras nos Conservatórios Regionais de Aveiro, Ponta Delgada e Braga.

E colaborou em diversos Cursos de Interpretação com Paul Tortelier, Karene Giorgian, Ludwig Streicher, Regina Resnick, Ileana Cotrubas e Mara Zampieri.


Colaborou em várias edições discográficas e programas para a Rádio e Televisão. Das suas gravações mais recentes contam-se “A Canção Portuguesa” com Carlos Guilherme e “Casablanca – Os Êxitos da Broadway” com o Real Teatro de Queluz.

Gravou música para os filmes de Manoel de Oliveira "Mon Cas" ("O meu caso") e "Os Canibais", interpretando obras originais de João Paes, e colaborou na música do filme “Amor de Perdição”, igualmente de Manoel de Oliveira.

Fontes/Mais informações: Facebook / Youtube / Teatro Ibérico / Câmara Municipal de Guimarães

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Probranca - Associação Para o Desenvolvimento Sócio-Cultural da Branca


A Probranca foi constituída em 21 de Fevereiro de 1987 com a missão principal de servir as pessoas da Branca e de apoiar a Autarquia Local, nos projectos estratégicos de desenvolvimento da Freguesia, e as Associações, já constituídas, na concretização das suas principais aspirações.

Tirar a Branca do marasmo foi o propósito da Probranca, que fez convergir para o interesse da comunidade todas as forças vivas: autarquia, paróquia, associações culturais, personalidades e empresas. Como era urgente começar, decidiu-se arrancar mesmo sem sede e em condições precárias de funcionamento no edifício-sede da Junta de Freguesia.


Foram posteriormente construídas instalações próprias, em terreno também cedido pela autarquia local e com projeto elaborado pela Câmara Municipal. Esta obra esteve parada durante muitos meses por falta do prometido e atempado apoio da Câmara Municipal e só foi possível concluí-la com um novo projecto, que contemplou a ampliação e adequação das novas instalações às suas múltiplas actividades entretanto implementadas, financiado com recurso a fundos comunitários, ao abrigo do qual se edificou o Centro Comunitário.

Para fazer face ao crescimento e expansão futuros, foi necessário adquirir os terrenos confinantes a sul do Centro Comunitário, nele tendo sido investidos meios financeiros de montante assinalável, obtidos por recurso a financiamentos bancários.


A instituição, que deu os primeiros passos com três ou quatro idosos numa sala emprestada pela Junta de Freguesia, é hoje um “centro” de prestação de serviços a todas as gerações. Acolhe diariamente cerca de 150 crianças e cerca de 100 idosos, contando para isso com mais de meia centena de colaboradores.

A Probranca possui respostas sociais dirigidas às faixas etárias da infância - Creche, Jardim de Infância e CATL, até à terceira idade - Centro de Dia e Centro de Convívio, Serviço de Apoio Domiciliário e Serviço de Apoio Domiciliário Integrado. Possui a resposta social de Atendimento/Acompanhamento Social para a comunidade em geral. Também tem ao dispor da comunidade a Loja Social “De Mão para Mão”.

Fontes/Mais informações: Videos institucionais (1)(2) / Página oficial

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Rota dos Moinhos - Moinhos da Freirôa


Para além de ser um dos moinhos de maiores dimensões, o núcleo de moinhos de rodízio da Freirôa é também um dos mais antigos existente nas margens do Rio Caima, no concelho de Albergaria-a-Velha, remontando, pelo menos, ao início do século XIX.

No auge da sua actividade, o núcleo era composto por 14 casais de mós distribuídas por várias casas de moinho e anexos. Estes últimos usados como arrecadações e currais, que tanto podiam guardar os sacos de grão ou de farinha, como servir para abrigar os animais que eram utilizados como meio de transporte pelos moleiros. Trata-se por isso de um complexo moageiro de características ímpares a nível regional.


Graças ao empenho e dedicação de alguns dos seus proprietários, foi possível a partir de 2003 iniciar um lento processo de recuperação de todo este património. A iniciativa partiu do Sr. António Marques Almeida, residente nas Frias, o qual se empenhou a fundo na reabilitação das casas de que é proprietário.

No ano de 2005 coube a vez a outro dos proprietários, Sr. Firmino Ribeiro Valente, residente no Sobreiro, proceder ao início da recuperação da parte do conjunto que lhe pertence.

2006

Durante o ano de 2006 foram dados grandes passos com vista à recuperação de todo este complexo moageiro. Outro dos proprietários, Sr. José de Almeida, residente no Fontão, um dos últimos moleiros em actividade no nosso concelho e na nossa região, deu início à recuperação da sua parte.

Posteriormente, outro dos proprietários dos moinhos da Freirôa, Sr. Joaquim Almeida, residente em Salreu, iniciou também os trabalhos com vista à recuperação da sua parte. Os rodízios dos moinhos foram executados segundo os métodos tradicionais, um dos quais pelo Sr. José de Almeida, um dos proprietários, e outro pelo Sr. Augusto Santa, moleiro de Canelas que no passado também moeu em outro dos moinhos do rio Caima.


Coordenadas GPS: N 40º 43´25.46” W 8º 28´03.51”

Local: Margem direita do Rio Caima - Branca

Acesso: O acesso a este núcleo molinológico deve fazer-se preferencialmente a pé, de bicicleta ou em veículo com tracção, pois terá de percorrer alguns caminhos florestais que partem das imediações do Santuário da Nossa Senhora do Socorro, em Albergaria-a-Velha, tomando o troço principal do antigo Caminho dos Moleiros em direção ao vale do Rio Caima.

Moleiros: José Almeida e Firmino Oliveira.

Proprietários: José Almeida, Firmino Oliveira, Joaquim Almeida e António Almeida.

Fontes: Rota dos Moinhos / Geocaching / Moinhos de Portugal  (AF) /  Moinhos Abertos

Alguns dos proprietários dos moinhos em 2007  (AF)

 

segunda-feira, 20 de março de 2017

ACUSTEKpro - líder em soluções de isolamento acústico


A Acustekpro foi fundada em 2005 em Valongo, Ermesinde, tendo sido deslocalizada para Albergaria-a-Velha, para o Lugar de Assilhó, em Fevereiro de 2007.

A empresa conta com uma larga experiência na realização de obras de isolamentos, bem como no desenvolvimento de produtos próprios, actuando em três áreas de negócios: isolamento acústico, soluções chave na mão para isolamentos e condicionamentos acústicos para indústria, construção civil e obras particulares.


Entre as suas principais obras é de destacar, entre outras, as seguintes: Hotel Pestana (na foto), Auditório Municipal de Grândola, Banco do Fomento de Angola, Estúdios TV Record em Portugal, Estúdios SIC em Matosinhos, Centro de Cultura de Coimbra, Conservatório de Música de Bragança, Padrão dos Descobrimentos (Insonorização).

A empresa colabora com empresas e arquitectos de referências como Mota Engil, Teixeira Duarte, Costa Lopes Arquitectos, JLCG (Arquitecto Carrilho da Graça).


Com uma aposta clara na detenção de toda a cadeia de valor, a Acustekpro projecta e fabrica os seus produtos na fábrica de Albergaria-a-Velha e instala-os posteriormente com recurso a mão-de-obra própria.

A Acustekpro tem o objectivo de ser, nos próximos dez anos, uma referência no campo da acústica a nível mundial, levando os seus projectos, criações e produtos a todos os cantos do globo, tornando assim, acessível a todos, um produto de qualidade superior, e acima de tudo, com a garantia de satisfação constante por parte do cliente.

Fontes: Página Oficial / Catálogo

 

sexta-feira, 10 de março de 2017

As memórias do Fontão de Augusto Castro em "Religião do Sol" (1900) e Prefácio de “Angeja e a Região do Baixo Vouga” (1937)


Os primeiros anos da vida de Augusto de Castro (1883-1971) foram repartidos pelo Porto e pela Quinta do Fontão, em Angeja. Seria ao Vouga e aos seus “fundos de paisagem polvilhados a oiro”, que a sua infância e juventude ficariam indelevelmente ligadas, como o próprio reconheceria, algumas décadas mais tarde:

“Todo o homem é, espiritualmente, filho da paisagem que iluminou a sua infância. A nossa alma é moldada na terra. Nascido no Porto, tripeiro de origem, foi nas terras do Vouga que passei, posso dizer, a minha infância. De lá, espiritualmente, parti. Quando meus Pais vinham passar as férias do Natal, da Páscoa ou as férias grandes ao Fontão, a pouco mais de três quilómetros de Angeja, começava para mim a grande evasão rústica da aldeia que foi a primeira e a melhor escola do meu espírito. Se, mais tarde, a vida me separou dessas primeiras afeições, nunca na realidade, as esqueci”.


As longas temporadas no Fontão foram descritas em “Religião do Sol”, obra redigida por Augusto de Castro enquanto estudante da Universidade de Coimbra. Nela descreve com minúcia não só as paisagens do Fontão e de Angeja, a quinta, o pessoal de serviço doméstico e os vizinhos, mas também as desfolhadas, as romarias e outras festividades locais. Prova desta pormenorizada narrativa é a sua visão do Fontão:

“A minha fresca aldeia escorrega toda por um carreiro íngreme e pedregoso, num vale que defronta um montado de verdes sombrios, de pinheiros esguios como cadafalsos e folhagens sinistras como almas de corvos. As casas todas se anicham, numa grande pacificação de conforto, brancas, enviuvando há séculos do dono, metendo vento pelas frestas, mas todas elas de peitos amplos, com músculos retesados e vigorosos”.


Se, do pessoal que prestava serviço doméstico na casa, lembra “a boa Ana, limpa, fresca, nas rugas dos seus sessenta anos”, que todas as manhãs o acordava e lhe estendia “os calções de malha, a camisa de folhos e as botas abonecadas”, dos vizinhos recorda o regedor Laranjeira, “de suíças ruivas lançadas em penacho aos cantos, grandes mãos calejadas e faces de vinagre”, que, por vezes, o acompanhava pelos seus passeios, falando “das vindimas, dos milhos queimados e da fruta”.

Outra figura importante dos tempos do Fontão foi Emília, “a noiva de sorriso esquecido a um canto dos lábios”, que foi o seu primeiro amor: “mais tarde vieram os tremores escondidos do primeiro beijo atrás duma meda de palha, numa espadelada ao luar, com a timidez sobressaltada da Emilita. Ela corou muito, corou muito e fugiu”. Seguiriam caminhos diferentes.


No que respeita às festas, é a de Nossa Senhora do Carmo, tradicionalmente celebrada a 16 de Julho, que merece maior destaque. Esta encontrava-se, intimamente, ligada ao solar herdado pelo pai, pois era na capela da quinta do Fontão que estava a imagem da padroeira.

Era também aí que se celebrava, no segundo dos três dias que durava a festividade, a eucaristia:

“Logo no outro dia – domingo – manhãzinha cedo, começam a vir os padres de longe, a cavalo em éguas de cabeça esbatida, com malhas brancas nas patas, e estribos de caixa à antiga. Chegam todos e ao meio-dia em ponto, entre o compasso acentuado e grave da batuta do regente da música e a cantilena roufenha e solene da festa, dá-se começo ao palmear sagrado da missa. A capelinha é um santuário de madeira gasta, amarelecida. Nela a Padroeira está risonha, e tem uns olhos muito puros e muito suaves para minha Mãe e para a velha Ana que andaram nesse dia desde o raiar do Sol a aperaltar as jarras com florões de buxo e de camélias. Terminada a festa é o almoço dos padres lá em casa, enquanto os músicos lá fora vão entornando, numa santa jucundidade, a última alegre gota do quente sangue de Cristo".


“Religião do Sol” é, provavelmente, o título mais sugestivo de toda a sua vasta obra. De carácter autobiográfico – apesar do autor contar à época apenas 17 anos, idade talvez muito precoce para uma tão grande nostalgia –, estas prosas rústicas parecem encerrar um carácter ritualista, que marca a passagem da infância para a vida adulta, ou seja, a saída, porventura dolorosa/traumática, da casa paterna no Porto e a entrada na Academia, em Coimbra, longe dos que lhe eram mais próximos e queridos.

"Religião do Sol" reflecte a idiossincrasia lusa, patente no processo de estereotipação que opera nas descrições do pessoal doméstico e do ambiente pastoril e inocente, com que descobre o amor. Retrata também a dualidade campo/cidade, dicotomia que pode ser vista como “produto” da vida de Augusto de Castro, uma vida ora citadina, no Porto, ora campestre, no Fontão.


As longas temporadas no Fontão e em Angeja seriam, novamente, recordadas – com nostalgia e saudosismo – por Augusto de Castro, já na fase adulta, ao aceder escrever o prefácio da obra “Angeja e a Região do Baixo Vouga”, de Ricardo Nogueira Souto. Nesse evoca, uma vez mais, a importância desse período para a formação do seu espírito e carácter:

“Se toda a nossa vida é dominada pelas impressões da primeira idade, eu devo, sem dúvida, às fontes risonhas, aos calmos e ondeantes campos, às estradas luminosas, às romarias, aos vinhedos e aos pomares do Baixo Vouga, em que fui criado, esse fundo de optimismo tranquilo, de confiança jovial e de sereno amor pelo espaço e pela luz que sempre, que até hoje, dominou o meu espírito”.”

Nas primeiras páginas dessa monografia local reconhece que falar de Angeja ou do Fontão é “uma evocação dos doces, frescos e cantantes vergéis do Vouga em que meus primeiros anos decorreram”. Nessa obra relembra como, no Verão, nos dias quentes do mês de Agosto, percorria “o túnel de Angeja, a pateira de Frossos e as estradas”; observava “a ria, as areias e as águas claras do Vouga”; “bebia água das fontes”; e contemplava “os milharais ao vento, os adros floridos, os pinhais, as eiras com o milho dourado ao sol, os rebanhos nos campos”.


Não se esqueceu, de igual modo, que foi aí que saboreou, pela primeira vez, a caldeirada de peixe do rio de Aveiro, “cheirosa, fumegante, crepitando de azeite e côdeas de trigo; espessa e picante, capaz de ressuscitar o estômago de um morto”. Nem olvida o convívio com algumas das personalidades mais importantes da região, visitas frequentes de seu pai: o Padre Santos “alto e espaduado, bom como uma criança”, o “Padre Zezinho, que tinha e, felizmente, ainda hoje tem talento e graça às carradas”, o Castanheira, o Laranjeira, o Manuel Maria de Angeja, “em cuja casa, durante a festa da senhora das Neves se comiam os melhores leitões assados da região”, e os Lemos de Alquerubim.

Pormenor de não menos importância, é o facto de associar à quinta do Fontão a imagem que guarda da mãe: “quando recordo minha Mãe é, sob os caramanchões do jardim, em que duas grandes bicas de água ora soluçam, ora cantam, que a vejo passar e chamar-me, perpetuamente viva, com seus grandes olhos que pareciam sempre rezar quando me viam”.

Angeja, o Fontão e a festividade de Nossa Senhora do Carmo assumiriam uma tal relevância para Augusto de Castro que este, mais tarde, só viria a partilhar o espaço com aqueles que lhe eram mais próximos – o poeta João Lúcio, colega do curso de Direito, companheiro da toada coimbrã; e os escritores e políticos, Júlio Dantas e Carlos Malheiro Dias [autor de "Os Telles de Albergaria" sem qualquer ligação ao nosso concelho], amigos com quem compartilhava o gosto pela poesia, pelo romance, pelo teatro, mas também pelo jornalismo, pela política e pela diplomacia. Dito de outro modo: com os amigos forjados na juventude e nos primeiros anos da fase adulta, mas que se prolongariam, singularmente, para toda a vida.

Fonte: Dissertação “Arte de falar e arte de estar calado: Augusto de Castro - Jornalismo e Diplomacia” de Clara Isabel Calheiros da Silva de Melo Serrano (adaptado) com base nas obras “Religião do Sol. Prosas Rusticas” (1900) de Augusto de Castro e Prefácio” de “Angeja e a Região do Baixo Vouga” (1937) de Ricardo Nogueira Souto

Mais informações: Blog de Albergaria / Universidade do Porto / Site do Parlamento / Wikipedia