domingo, 10 de maio de 2020

Livro a publicar sobre a Família Alegria [de Oliveira de Azeméis], de autoria da Dra. Iza Barbosa, quer perpetuar a sua história e importância:

 

A família Alegria tem mais de 450 anos, sendo oriunda da freguesia de Valmaior, sendo descendentes de José Ferreira Alegria nascido em Albergaria a Velha em 2.4.1806 e de sua mulher Maria de Oliveira Dias, natural de Ovar.

Nessa altura e dada a importância de Oliveira de Azeméis como ponto de passagem das carruagens que faziam ligação entre Porto e Lisboa, o trisavô e família instalaram-se em Oliveira de Azeméis, dedicando-se à arte de ferrador porque era necessário dar apoio e assistências às diligências do serviço de malaposta entre aquelas cidades.

As crises económicas obrigaram a que os cinco varões (eram 12 no total) tivessem emigrado para o Brasil onde fizeram fortuna na indústria de fundição do ferro e cobre, tendo inovado, também, ao nível da maquinaria para a cultura do café e cana-de-açucar.

Como amantes da sua terra natal, três deles (António José, Francisco José e Manuel José) regressaram tendo contribuído para o progresso de Oliveira de Azeméis.

Todos os filhos do pai do trisavô, José Ferreira Alegria, chamavam-se José. Ele era devoto de São José e tudo isso demonstra que a família teve, também, uma componente religiosa.

Em consequência da evolução da sociedade, a família foi-se dividindo estando espalhada pelo mundo

Fontes: Entrevista de Manuel Alegria e foto com +- 100 anos da família de Oliveira de Azeméis em Revista “Azeméis é Vida”; Agradecimento especial à Dra. Iza Barbosa

segunda-feira, 20 de abril de 2020

"Os Moinhos do Fontão" do Cine Clube de Angeja (1998)

Em 1993 foi fundado na Freguesia de Angeja o CINECLUBE DE ANGEJA. Um grupo de Jovens ocupava os seus tempos livres na descoberta e aprofundamento da Sétima Arte: João Ricardo, Paulo Souto, António Rainho, Filomena Bastos, Cristina Maria, André Brasileiro, Filipe Ricardo, Isabel Capela, Sandra Valente e .... Carlos Silva.

Produziram este filme em 1998 o vídeo "Os Moinhos do Fontão", distinguido com uma Menção Honrosa no Festival Cine Eco 98, IV Festival Internacional de Cinema e Video de Ambiente da Serra da Estrela.

"José de Almeida, o último moleiro tradicional que esteve no activo na Cova do Fontão"
Orlando Simões, um dos últimos moleiros que esteve no activo no Fontão.

Beatriz Silva, esposa do moleiro Francisco Ribeiro, da Cova do Fontão.
Videos partilhados no Youtube por: Luís Altino e Alberto Silva (comentários adicionais de Armando Ferreira)

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Júlio d'Albergaria - Júlio Fernandes Tavares (1886-1944)

 

Era natural de Albergaria-a-Velha, oriundo de uma família modesta. Seu pai, Joaquim Fernandes Tavares, era um tipo muito popular em Albergaria, onde todos o conheciam por "Faz-Tudo".

Concluída a instrução primária, o pequeno Júlio entrou como aprendiz para uma tipografia e rapidamente ascendeu a tipógrafo. Emigrou para o Brasil nos princípios do século XX, fixando-se no Rio de Janeiro, onde foi proprietário da Tipografia Renascença e lançou diversas publicações, entre as quais o jornal "O Arauto" que teve divulgação, especialmente entre a Colónia Portuguesa.

Inteligente e ávido de cultura, fez-se por si próprio e para além dos jornais brasileiros, começou a escrever regularmente para os periódicos de Albergaria, facto que manteve durante uma trintena de anos. Em prosa e verso começou por glosar os acontecimentos do nosso concelho a que permanecia constantemente ligado pela imprensa e por correspondência de amigos. A princípio assinava Juferta ou Júlio d'Albergaria, pseudónimo que usava nas gazetilhas irónicas ou cáusticas. Depois passou a assinar exclusivamente Júlio d'Albergaria os inúmeros poemas, alguns dedicados à sua terra, outros de uma melancolia impressionante, especialmente os sonetos, inspirados e ricos de forma e conteúdo.

De tal modo adoptou o seu pseudónimo que passou a ser referido apenas dessa forma, mesmo na sua vida particular. É o caso singular do emigrante, de tal modo agarrado ao rincão natal por uma saudade avassaladora que a ele se vincula perpetuamente pelo próprio nome.

Voltou à terra no fim da vida para aqui viver os últimos anos, conversando com os antigos e fazendo novos conhecimentos, sempre por todos tratado, porém, como Júlio d'Albergaria, esquecido que estava o nome de baptismo.

Fontes: António Homem de Albuquerque Pinho, “Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha” e "Albergaria-a-Velha 1910 ..." de Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Marques Vigário

sexta-feira, 20 de março de 2020

Palacete no centro de Albergaria-a-Velha


Manuel Marques Mendes, empresário no Rio de Janeiro, foi o primeiro proprietário da Casa junto à Alameda (com projecto de João Gomes Soares), construída em 1915.

"A nossa gravura representa o majestoso palacete edificado num terreno fronteiro ao largo da Estação do Caminho de Ferro do Vale do Vouga, pertencente ao nosso amigo sr. Manuel Marques Mendes, importante industrial no Rio de Janeiro.

É, como se vê da gravura, uma obra de fino gosto. Dirigiu a sua construção o habilíssimo mestre d'obras e entalhador sr. João Gomes Soares, nosso conterrâneo, a quem felicitamos, não só por este como também por outros trabalhos de merecimento que lhe conhecemos."


Em 24-03-1916 já estava à venda:

"Vende-se este lindo chalet-palacete com grande quintal. A mais elegante moradia deste distrito com grande quintal arvorisado de fruteiras e vinha das melhores qualidades, todo murado, completamente independente e com três entradas em boas condições, por motivo da retirada para o Brasil dos seus proprietários."

 
A casa foi vendida inicialmente à família Mourisca e, posteriormente, já nos anos 50, ao Sr. Ribeiro dos Santos, de Telhadela, sobrinho do Sr. Angelino (que tinha a Quinta do Jogo) e do Sr. Conceição (que adquiriu a Quinta das Cruzes), sendo a actual proprietária a filha Maria, que vive em Coimbra e Leiria (a outra filha é Alice Santos que se reparte entre Lisboa e Telhadela).

Fontes: Jornal "Democracia do Vouga" (1) / Facebook  (1)(2)
Agradecimentos: Alice Mendes, Maria do Céu Santos, Mila Campos, Tucha Martins, ...

terça-feira, 10 de março de 2020

ART Corretores de Seguros

 

A ART Corretores Seguros S.A. teve origem na passagem de uma carteira de seguros do seu Sócio Fundador Armando Tavares Pinto, que constituiu uma Sociedade por Quotas em 16 de Fevereiro de 1971, tendo à data a designação social de Armando Tavares Pinto, Lda.

A actividade desenvolvida nesta Empresa teve por objectivo, desde o seu início, a Mediação de Seguros. Apesar de à época só o Seguro de Acidentes de Trabalho ser obrigatório, a Empresa registou, desde o início, um forte crescimento, contando para tal um forte sentido de dinâmica comercial do seu Fundador.



A Revolução de 1974 e os tempos seguintes provocaram um sentimento de natural cepticismo, o que levou o seu Fundador a aceitar em 1978 um convite de longa data para ingressar nos quadros da Companhia Seguros Império. Aquele vínculo profissional, que durou até 1986, provocou uma natural estagnação no volume de negócio.

Em Fevereiro de 1992, foi atribuído à sociedade o estatuto de Corretores, a mais alta competência no quadro da Mediação de Seguros.


Em 1997 altera a designação social para Art Corretores Seguros Lda. e posteriormente é transformada em Sociedade anónima. Entretanto, o sócio fundador, Armando Tavares Pinto, reforma-se em 2003, passando a empresa a ser liderada pelo filho Eduardo Pinto, que já era o principal responsável pela área comercial desde finais da década de 80. 

Em Setembro de 2006 é reconhecida a qualidade da empresa sendo a mesma certificada pela entidade certificadora SGS pela norma ISO 9001/2000.

Fontes: Revista "Portugal inovador" / Jornal de Albergaria / cargocollective

Andreia Pinto é a 3ª geração da empresa fundada pelo avô

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Património de Frossos em destaque no site da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha


Casa da Quinta das Vinhas

Localiza-se na rua Comendador Augusto Martins Pereira no centro da Vila de Frossos.

Esta casa é da autoria do projectista Jaime Inácio dos Santos.


Casa Vila Maria

Localiza-se na rua Comendador Augusto Martins Pereira no centro da Vila de Frossos.

A Casa "Vila Maria" data do século XX e enquadra-se também nos "Torna Viagem" procedentes do Brasil.

Este edifício possui um Brasão de Armas do Capitão José Soares Aranha Brandão do Séc. XVIII, que pertenceu a uma casa que existiu no mesmo local.


Vila Francelina


A casa da Vila Francelina tem como fundamento principal os elementos Arte Nova e Art Déco evidentes na construção e decoração.

O imóvel foi classificado como de interesse municipal em 2011.


Pelourinho de Frossos

O Pelourinho de Frossos é o marco histórico importante. Executado em calcário, é composto de fuste prismático com base ática e capitel dórico onde assenta um paralelepípedo simples que ostenta numa das faces as armas reais portuguesas incompletas e no lado oposto um escudo liso, estando as restantes faces desadornadas. É encimado por um ferro, do qual sai da parte inferior uma cruzeta de extremidades pontiagudas e levantadas.

É uma obra que remonta ao século XVI, e situa-se no Largo do Pelourinho. O baseamento que o suporta é actual e completamente descaracterizado.

Categoria de protecção: IIP – Imóvel de Interesse Público
Decreto: n.º 23 122, DG 231 de 11-10-1933

Fonte: CMAV 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Fabrico de curtumes, calçado, chapéus e tecelagem (1864-1931)


O Inquérito Industrial de 1890 já atesta a existência de fábricas de curtumes na região de Aveiro, embora, na verdade, se tratasse de oficinas que encaixavam na designação de "pequena indústria". Assim, havia uma oficina dessa natureza no concelho de Albergaria-a-Velha, sem indicação da data de fundação, que empregava um curtidor e um aprendiz.

Segundo um documento notarial, Patrício Marques da Costa e Patrício Teodoro Álvares Ferreira, proprietários dessa "fábrica", sita no lugar de Assilhó, nos arredores de Albergaria-a-Velha, contrataram, em 9 de Setembro de 1881, em Lisboa, os serviços de João Baptista, "mestre de curtumes de couro".

É possível que esta unidade tenha tido início nessa data. Em 3 de Março de 1884, como se pode ler na "declaração de dissolução da sociedade" celebrada em Albergaria-a-Velha, Patrício Marques da Costa abandona a sociedade, ficando Patrício Teodoro Álvares Ferreira como "único proprietário da já mencionada fábrica de curtumes de couro", responsável, portanto, pelo cumprimento dos compromissos assumidos com o mestre curtidor, no referido contrato de 1881.

Patrício Theodoro Álvares Ferreira

Em 1911, a Sapataria Moderna, de Albergaria, anunciava a venda de calçado "no mercado desta vila todos os domingos, onde [os fregueses poderiam] certificar-se da perfeição do seu calçado e do preço limitadíssimo, não prejudicando isto a continuação do fabrico de calçado por medida"

Em Albergaria-a-Velha, fabricava e vendia chapéus uma chapelaria não identificada. Em 1919, é referida outra "oficina de chapelaria". Em Outubro de 1915, o jornal "Democracia do Vouga" fala de uma nova sapataria "dotada com mais estabelecimento industrial de sapataria em larga escala".

Em 1865 havia 42 teares no concelho de Albergaria-a-Velha. Os pisões trabalhavam "quatro a seis meses durante o ano" .

A venda de fazendas e outros tecidos de maior qualidade era assegurada por um muito numeroso grupo de negociantes e de comerciantes, a maior parte das vezes em nome individual. Mesmo assim, entre 1867 e 1928, foram registadas quatro sociedades em Albergaria-a-Velha.

Fonte: "Empresas e Empresários das Indústrias Transformadoras, na sub-região da Ria de Aveiro, 1864-1931" de Manuel Ferreira Rodrigues (adaptado)

No Arquivo de Albergaria-a-Velha consta a referência à Fábrica de Curtumes de Assilhó, constituída em 1881, que se dedica ao fabrico de curtimento de couros e peles e pertencia a Patricio Theodoro Álvares Ferreira e Patricio Marques Costa.

O Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administracion de Espana, sus colonias, Cuba, Puerto-Rico y Filipinas, estados hispano-americanos y Portugal refere, no âmbito da actividade em 1908 de Tecidos de Lã (que poderá ser fabrico ou comércio), os seguintes empresários António Geraldo, Albérico Marques de Lemos, António Ferreira Pinto, João Ferreira Rodrigues da Silva e Ermelinda da Silva Paula.

O livro "Albergaria-a-Velha 1910 ...", de Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Marques Vigário, salienta, entre as tecedeiras, os seguintes nomes: Ana Lopes de Bastos, Joana Ferreira dos Santos, Maria Martins e Rosalina Augusta de Melo.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

PRAÇA PORTUGAL e Rua Fortaleza em Frossos - alguns dos laços entre Portugal e o Ceará



"PRAÇA PORTUGAL - um laço entre Portugal e o Ceará", elaborado pela Câmara Brasil- Portugal, em parceria com a Sociedade beneficente Portuguesa, relata vários laços entre Portugal e o Brasil, nomeadamente a história de Mário de Pinho Oliveira (natural de Frossos):

"Tinha 15 anos ao chegar a Fortaleza, nos idos de 1948, para onde embarcara a chamado do pai, que no Ceará residia desde 1893. O pai, Pelágio Oliveira, mandava buscar os filhos um por vez. Se os deixara distante, era para que fossem educados sob os cuidados da esposa, no casarão da aldeia de Frossos, população inferior a um milhar de habitantes, no concelho de Albergaria-a-Velha.

Aqui (no Ceará) eram mais braços para auxiliá-lo na lide intensa da panificação. Mário foi um dos derradeiros a viajar para o Brasil, que sabia ser um caminho mais de destino do que de opção"

Fonte: "PRAÇA PORTUGAL - um laço entre Portugal e o Ceará" (adaptado)

Mário de Pinho Oliveira com 15 anos

Praça de Portugal

Praça Portugal é uma praça de Fortaleza que fica no bairro Aldeota tendo sido criada em 1947, de autoria da arquitecta e paisagista Maria Clara Nogueira Paes, sendo a mesma foi inaugurada definitivamente em 1968 e passando por várias reformas (...)

Em 2014 surge um projecto da Prefeitura Municipal de Fortaleza para a substituição da praça por 4 outras que ficariam nas pontas do quadrilátero que compreende o espaço, ao invés de no centro como é hoje. A parte central, por sua vez, daria lugar a um cruzamento com semáforos.

Tal projecto foi alvo de protestos por parte da população, que não aceitou a demolição da praça. Foi realizado então o projecto de revitalização das quatro pequenas praças que encontram-se no entorno da Praça Portugal, bem como uma obra de pavimentação na rotunda da Praça Portugal.


Fortaleza é nome de rua em Frossos

Uma boa parte dos panificadores portugueses e de origem lusitana no Ceará é oriunda das "freguesias" de Frossos e Angeja em Portugal. O certo é que os frossenses residentes no Ceará devido ao carinho com que foram acolhidos pelos cearenses e tendo aqui constituído família e sido felizes, solicitaram à Junta da Freguesia com jurisdição sobre Frossos que desse a uma de suas ruas a seguinte denominação:

RUA FORTALEZA, CAPITAL DO CEARÁ.

A homenagem se faz justa também pelo número de famílias portuguesas radicadas no Ceará e originárias de Frossos: Nunes, Sequeiras e Siqueiras, Rodrigues, Oliveira, Teixeira, Abreu, Praça, Brandão, Conceição, Dias, Martins, Paiva, Pinto, Pinho, Caetana, Fonseca, Onofre, Serem, Duarte, Almeida, Neves Pimentel, Melo, Nogueira, Laranjeira, Simões, os Cristinos, os Ferreira do Passo, Santos e Neto Brandão [neste último caso - e em outros - com origens em outras freguesias como Eixo e Aveiro].

Frossos e Angeja são povoações portuguesas milenares próximas uma da outra e surgidas nas "colinas" situadas entre a Pateira, um pântano que se torna lagoa rica em peixes no inverno e as margens do rio Vouga, a 12 km da cidade de Aveiro - Portugal.

As duas localidades foram o berço de 90% dos panificadores e industriais de moagem, massas alimentícias, macarrão, bolachas e biscoitos no Estado do Ceará que imigraram desde a primeira metade do século 19 até a primeira metade do século 20.

Fonte: Luiz Antônio Alencar – “Peninha” - Eterno Big Brasa, músico e jornalista em "Portal Messejana" (adaptado)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

"O Concelho de Albergaria-a-Velha na I Guerra Mundial (1914-1918)" de Delfim Bismarck Ferreira


Durante a participação de Portugal na I Guerra Mundial, no período decorrido de 1914 a 1918, foram mais de 100.000 os militares portugueses que partiram para África e para a Flandres. Daí, resultariam cerca de 40.000 baixas, a morte de cerca de 8000 homens, cerca de 6000 desapareceram e mais de 7000 foram feitos prisioneiros pelas tropas inimigas, não contabilizando os que regressaram com um estado de saúde debilitado, alguns dos quais faleceriam pouco tempo depois e outros sofrendo de diversos tipos de doenças ao longo da vida.

Com a presente obra, o autor procura caracterizar o ambiente que se vivia nesse período e, acima de tudo, identificar e biografar os cidadãos naturais e residentes no concelho de Albergaria-a-Velha que subitamente se viram envolvidos na Grande Guerra e que participaram no maior acontecimento bélico da História da Humanidade.


Foram pelo menos 230 os Albergarienses que participaram militarmente na I Guerra Mundial, distribuídos da seguinte forma pelas suas freguesias de origem: Albergaria-a-Velha 46, Alquerubim 36, Angeja 27, Branca 38, Frossos 9, Ribeira de Fráguas 16, São João de Loure 32 e Valmaior 26, acrescidos de 22 militares que não sendo naturais deste concelho, aqui casaram ou residiram. Destes, faleceram pelo menos 9 militares.

Para Delfim Bismarck Ferreira, “aqui fica uma singela homenagem a todos aqueles que participaram na I Guerra Mundial, defendendo e honrando o nome do concelho de Albergaria-a-Velha e de Portugal, fosse em África ou na Europa”.

Fonte: CMAAV

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Casa da Alameda (II)


O edifício onde hoje se encontra o restaurante Casa da Alameda, foi construído em 1910 no então designado Largo da Estação, pelo comerciante albergariense Francisco Augusto da Silva Vidal, com o objectivo de ser uma fábrica e armazém de moagens.

Este projecto teve uma existência efémera e, no ano seguinte, 1911, este edifício passou para a posse de seu cunhado, Bernardino Maria da Costa, que tivera o Hotel Costa, na Rua do Hospital, desde 1905, e fora sócio do novo Hotel Vouga em 1910.


Assim, Bernardino Maria da Costa instala neste edifício uma pensão, restaurante e mercearia, assim como uma oficina de correeiro.

Com a designação inicial de “Pensão Restaurante Albergaria”, decidiu dedicar-se à comercialização de vinhos. Bem-sucedido neste ramo, chegou a exportar para as então designadas províncias ultramarinas.


Este foi o passo para o desenvolvimento e crescimento da futura Casa da Alameda, acção que viria a ser promovida pelos pais dos actuais proprietários – Fausto Vidal e D. Beatriz da Silva Guimarães. Com a visão, criatividade e sentido empresarial que os caracterizavam, diversificaram o ramo inicial de negócios, passando a comercializar também materiais de construção, ferragens, espingardaria e equipamentos de caça, entre outros.

Com projecto do conceituado Arquitecto do Porto, Daniel Constant, e à época, tão inovadora e rara criação de imagem coordenada, da autoria de Fausto Vidal – logótipo, aplicação nas louças, vidros, talheres, estacionários, rótulos de vinho, edições de postais, com um serviço e uma cozinha de excepção, a Casa da Alameda tornou-se uma referência.


Nas décadas de 50, 60 e 70, por aqui passaram várias pessoas ilustres das quais destacamos os Condes de Barcelona – Avós do actual Rei de Espanha, o escritor Ferreira de Castro, famosos desportistas como Jacques Anquetil, Frederico Bahamontes, os irmãos Timonner e equipas de futebol e ciclismo, entre os quais do Sporting Clube de Portugal.

Foi também, durante décadas, o local escolhido por muitos para a realização de banquetes de casamento ou de baptizado, jantares políticos, de colectividades, etc.


Entretanto, surgiu o desvio da EN1, o que afectou bastante o movimento da então vila de Albergaria-a-Velha e, em particular, a restauração.

Na actualidade e há 109 anos, a Casa da Alameda continua(va) a ser uma referência na restauração da região.

Colaboração: Dr. Delfim Bismarck / Texto lido aquando da atribuição da Medalha de Mérito Municipal – Grau Prata (2018)
 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Casa da Alameda (I)


Começou por ser conhecido como “Hotel Costa”, o estabelecimento comercial de Bernardino Maria da Costa (1878-1948), localizado na Rua do Hospital, que, desde 1905, se dedicava à hotelaria, restauração e comércio de diversos bens e géneros, sendo de realçar a compra e venda de vinhos para Angola.

Em 1911 viria a mudar-se para o novo Largo da Estação (Avenida Vale do Vouga). A publicidade da época fazia referência a Armazém de Vinhos, Mercearia e Cereais, por Junto e a Retalho (em frente à estação do Vale do Vouga).


O filho Fausto Vidal (1904-1981) e a esposa Beatriz Guimarães deram maior notoriedade ao estabelecimento, que inicialmente foi conhecido como “Pensão Restaurante Albergaria” e, mais tarde, como “Casa da Alameda”.

Há uns anos, alguém, longe daqui, identificava Albergaria-a-Velha pelas saborosas sandes de carne assada que comia na Casa da Alameda. Antigamente, e quando os jogos eram impreterivelmente às três da tarde, era na Alameda e no seu motel que pernoitavam inúmeras equipas nas suas deslocações ao norte: Estoril, Covilhã, Farense, Guarda, etc. E de ciclismo. Joaquim Agostinho e outros ciclistas do Sporting também estagiaram em Albergaria-a-Velha e concentravam-se na Alameda.


A Casa da Alameda impunha-se nos roteiros gastronómicos não só pela excelência da sua cozinha, mas também pela afabilidade e familiaridade do seu serviço. E ainda não só pela nobreza senhorial do seu salão e da pensão, como pela rusticidade da sua adega.

Fausto Vidal e sua esposa, D. Beatriz, conferiam o cunho do seu profissionalismo, acomodado a uma peculiar arte de bem receber, a um estabelecimento que sempre gozou de justo renome nacional.


Parece que a Casa da Alameda vai acabar. Só podemos dizer que é pena, pois é um pedaço, e muito grande e significativo de Albergaria-a-Velha que se esvai. E vão ficando apenas as recordações, pois não se vê que surjam outras instituições a substituir estes baluartes da nossa memória colectiva.

Fontes: Artigo de Dr. Mário Jorge Lemos Pinto em Jornal de Albergaria (28-04-2009) (texto principal) / "Albergaria-a-Velha 1910 ..." de Delfim Bismarck e Rafael Vigário


A actividade sempre foi exercida em nome individual, tendo após o falecimento de Fausto Vidal, no início da década de 80, sido prosseguido o negócio como “Fausto Vidal Herdeiros” sob a liderança do filho José Carlos Vidal e pela esposa, D. Margarida.

Em 2018 foi atribuído pela Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha a Medalha de Mérito Municipal – Grau Prata.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Camilo Rodrigues Caetano (1875-...)


Camilo Rodrigues Caetano nasceu em Angeja em 1875 na Rua dos Pinheiros, filho de João Rodrigues Caetano de Cacia. Casou em 1896 com Ermelinda Ferreira Mendes Cavaleiro, natural de Pelotas, no Brasil, que foi professora de ensino primário em Angeja.

Camilo residiu inicialmente na Victória, Porto, até casar. Regressado a Angeja, foi director e redactor de "A Voz d’Angeja" (1906-1911), proprietário e director do "Correio de Albergaria" (1908-1911), e em 1910 um dos principais impulsionadores da instalação da iluminação pública de Angeja.

Compilou um livro sobre a história de Angeja, designado "Memórias d’Angeja", anunciado na imprensa local em 1907 e 1908, mas que não chegou a ser editado.

Foi ainda proprietário, director e redactor do "Correio d’Angeja e Albergaria" (1911-1915) e co-director, co-editor e co-proprietário de "O Despertar d’Angeja" (1923-1924). Em Maio de 1917 foi nomeado solicitador na comarca de Coimbra.

Residiram em Angeja, onde tiveram, pelo menos, oito filhos: Camilo, José, João, Manuel, Alda, Judite, Francelina e Natália.

Fonte:  "Albergaria-a-Velha 1910 ..." de Delfim Bismarck e Rafael Vigário (adaptado)

Foto partilhada pelo bisneto António Souto Cavaleiro Henrique

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Quinta do Sol (1960-2019)


A Quinta do Sol foi construída em 1960 para a família Melo Vidal, emigrada no Congo Belga (antigo Zaire e actual República Democrática do Congo), em Jadotville (agora Likasi  no Estado do Katanga), que decidiu construir uma residência de férias em Albergaria-a-Velha, imitando a casa que possuía em África.

O pai chamava-se Carlos Ferreira de Lemos Vidal e era de Albergaria-a-Velha e a mãe, Maria Quaresma de Melo, era de São João de Loure. O casal emigrou para o Congo Belga em 1943 e tinha cinco filhos: Natália, Leopoldina (Dina), Carlos Alberto (Lito), Maria Armandina (Dica) e Maria Teresa (Zita).

Casa no Congo Belga (*)
 Esta casa tinha muito da casa que a família possuía no Congo Belga: rés-do chão, quarto grande para as meninas, "marquise", sala de jogos, onde se juntou uma lareira, quarto com casa de banho para empregada.
A Quinta do Sol sempre florida ...D. Maria Quaresma com amigas

Situada na actual Avenida Afonso Henriques, e demolida em 2019, a casa foi construída num estilo colonialista moderno de um só piso e era caracterizada por janelas largas de duas folhas, com rebordo saliente, com uma varanda coberta com placa fachada frontal e lateral direita, com pilares ornamentais, onde se destacam as linhas rectilíneas em todos os alçados a partir da incorporação de elementos decorativos, mas com telhado de várias águas, com alguma altura, construído sob uma estrutura de madura pilares centrais.

Lado da cozinha (anos 70/80) com Filipa, filha de Lito Vidal, e a avó materna

A casa produzia um impacto relevante, uma vez que se encontrava implantada a uma altura razoável, com o jardim frontal inclinado sobre a via pública, a que se acede por uma escadaria, rodeada de um muro baixo que simulava os efeitos estéticos da habitação, pintada em dois tons de cores.


O projecto foi assinado por Germano Marques Almeida, contudo a autoria não lhe pode ser inteiramente atribuída, pois teve por base as exigências do cliente, que acabou por fazer algumas alterações, nomeadamente no telhado.

Numa das colunas estava uma placa feita por Carlos Vidal no Congo Belga. de malachite (verde) com identificação da casa como “QUINTA DO SOL".

Fontes: Dina Vidal / Revista "Albergue" (em artigo de Paulo M. Almeida sobre Germano Marques Almeida)

(*) "a nossa casa no Congo Belga, a minha mãe à porta de casa, a baby sitter com o meu irmão Lito ao colo, eu e a Dica à espera da carrinha para irmos para a escola. No carro o meu pai que vai para o trabalho....anos 50" (Comentário de Dina Vidal)

domingo, 10 de novembro de 2019

"Telhadela - Construção de uma Memória" de Nuno Jesus e Rafael Marques Vigário


"Telhadela, aldeia da freguesia da Ribeira de Fráguas, concelho de Albergaria-a-Velha, apresenta um valioso legado comunitário, é terra pródiga em agricultores, extratores de barro, mineiros, emigrantes, capitalistas filantropos, comerciantes e curiosos.

Este livro procura contar a história (ou, como o título indica, continuar a "Construção de uma Memória") da povoação, desde os primeiros sinais do Homem no território até à actualidade, servindo de complemento ao livro "Telhadela - Perspectiva Histórica e Etnográfica", publicado em 2009.

Assim, o leitor pode encontrar aqui alguns dos factos mais relevantes da vida de Telhadela, contextualizados e apresentados de forma cronológica; bem como algumas biografias. Para além disso, na terceira parte, o livro compila três artigos sobre a história da aldeia publicados na revista Albergue, que evidenciam diferentes facetas da história de Telhadela: a sua história pré-romana; o seu passado mineiro; a sua dívida incalculável que contraiu para com capitalistas filantropos, nomeadamente para com a família Pinto.

Fonte: Contracapa do livro

domingo, 20 de outubro de 2019

Comício da "Oposição Democrática" em Outubro de 1969


Entre 1965 e 1969 decorreram quatro anos sem qualquer eleição e respectiva campanha mas sobreveio um acontecimento muito mais importante: a morte política de Salazar e sua substituição por Marcello Caetano, em Setembro de 1968.

Na sequência do II Congresso Republicano de Aveiro a Oposição Democrática ao regime ditatorial de Salazar & Caetano decidiu concorrer às eleições à Assembleia Nacional de 1969.


Esse Congresso foi uma preparação para as eleições de 26 de Outubro, às quais os candidatos oposicionistas se apresentaram não já sob o rótulo geral de «Oposição», mas sim manifestando posições divergentes entre si.

Fez--se ainda uma tentativa para criar uma frente única, mas apesar das divisões provocadas, em três círculos eleitorais, pelas listas da CEUD de Mário Soares, a oposição concorreu unida, no restante país, sob a sigla da CDE – Comissão Democrática Eleitoral.


A participação nas eleições implicava o risco de “legitimar” um ato eleitoral que se sabia, à partida, fraudulento e em que o regime utilizaria todas as suas "armas" (como a censura).

No Comício da "Oposição Democrática" realizado em Albergaria-a-Velha estiveram presentes os candidatos às eleições pela CDE distrital: Alcides Strecht Monteiro, Almor Viegas, Alvaro Seiça Neves, Carlos Candal, Francisco Lima e Rodrigues Rosmaninho, bem como os albergarieneses Dr. Silvino Gonçalves de Sousa, advogado e notário, Dr. Vasco Mourisca, José Moutela (em cuja oficina foi realizado o Comício) e os (então) jovens Duarte Machado, Celso Santo e Manuel Quintino Santos (na assistência).
 

A lista de candidatos por Aveiro pela União Nacional incluía Henrique Veiga de Macedo, Joaquim Brandão, Cancela de Abreu, Manuel Homem Albuquerque Ferreira (o único albergarienese), Manuel Homem de Melo e Manuel Marques Soares.

Fontes: Colaboração de Celso Santos e foto do "Manifesto Democrático ao Povo do Concelho de Albergaria-a-Velha" - de 1969 - partilhada por Dr. Mário Jorge Lemos Pinto / Parlamento.pt Blog João Nogueira Garcia / Arquivo Baeta Garcia