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sábado, 10 de junho de 2023

Casa do Sobreiro


Nesta foto de 1990 partilhada por Ana Andrade pode-se ver a Casa do Sobreiro que esteve durante alguns anos inacabada ... Ainda não tinha portas nem janelas - que foram efetuadas pela "Carpintaria Manuel Lopes da Silva & Filhos" da Branca. 

Extrato de Comentário de Jessica Matos: "Os meus avós [Fernando e Maria] compraram o terreno nos anos 80 e construíram a casa (...) Eles foram imigrantes durante 45 anos em Paris e então a casa muitas vezes parecia abandonada mas não era o caso [tiveram problemas com o 1º construtor]. 

O meu avô é do Curval (Pinheiro da Bemposta) e minha avó é de Chaves no norte. Eles viveram em França desde os 18 anos de idade e voltaram para Portugal para a reforma. Trabalharam muito para ter essa casa que foi um projeto de uma vida a pensar em toda a família."

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Casa na Praça Ferreira Tavares


Casa na Praça Ferreira Tavares que pertencia ao sr. Manuel Marques dos Santos, casado com Hermínia Ribeiro dos Santos, que esteve muitos anos no Brasil". 

E mais tarde foi adquirida pela D. Regina Pinho. Atualmente aí se localiza a Vodafone e a Florista "Laços e Pétalas".

Em 2009 era a Vodafone e a Imobiliária Moutinho & Brás (e a Florista "Vilaflor" localizava-se no edifício ao lado) e nos anos 80/90 era a Imobiliária Imateto (de Manuel José Moutinho) ...

Fotos: Foto 1 partilhada por Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha e extrato de foto partilhada por Duarte Machado

 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Sobrado de São João de Loure

 

Um Sobrado é uma casa, com 2 ou mais andares, típica do Brasil colonial. Este Sobrado foi mandado construir por Francisco Rodrigues Sequeira, na década de Trinta do Século XX, sendo semelhante ao Prédio que possuía em Porto Alegre, no Brasil. Posteriormente foi vendida ao genro, António Lopes Branco, na década seguinte.

Em julho de 1939 a Família transferiu-se para o Brasil, ficando o sobrado fechado por Trinta anos.

Em 1968, foi vendido a Francisco Rocha, o qual posteriormente o vendeu em 2000 para o Bisneto do Construtor do Prédio.

 No rés-do-chão funcionou uma mercearia. A Loja de Silvério de Carvalho vendia uma grande diversidade de produtos, nomeadamente materiais de construção.

A loja em frente ao Sobrado, conhecida como a "Taberna dos Santos" - ou mais recentemente Mini-Mercado Santos - pertenceu a António Almeida da Silva Santos. 
 
No chafariz havia sempre muitas vacas a beber água na ida e vinda dos campos. 
 
Foto de "Sobrado" de Loure partilhada por Carlos Viegas no grupo de "São João de Loure"
Comentário de António Branco (de Porto Alegre)

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Casa do Sr. Dias, na Branca

Foto de 1938 da Casa do Sr. Dias, na Branca (também conhecida como Casa dos Bicos da Branca)

A casa foi construída por Sr. José Dias e D. Margarida Dias que regressaram do Brasil em 1937, pais de Lafayette Dias Marques e sua irmã, Maria de Lurdes Dias Marques (Oliveira, por casamento, e que vivia no Porto) - a casa pertence aos seus herdeiros.

Deverá ser casa dos anos 30 do século XX do estilo de arquitectura de "torna viagem", tal como a do Sr. Ribeiro, sogro do Sr. Lafayette.

"era a casa do Sr. José Dias Marques na Barroca, pai do Sr. Lafayette Dias Marques, que sucedeu ao pai e aos sócios na cerâmica da Branca, tendo mais tarde sido sócio do Sr. Agostinho da Barroca".

O Sr. Lafayette é pai da Dra. Dalila e do Dr. Sérgio falecido.

Foi presidente da Junta de Freguesia da Branca [1968-1971].

Fotos: Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha / Dra. Nélia Oliveira / Freguesia da Branca;

Agradecemos colaboração de Beatriz Manteigas - neta do Sr. Lafayatte, Alírio Silva, Manuel Oliveira, entre outros

sábado, 20 de março de 2021

Escola Primária de Paus

 

Escola urbana do após-guerra de duas salas de aula, do Tipo XXV - nº 46 *1, seguindo o modelo de uma sala de aula do projecto do arquitecto Eugénio Correia.

A escola Tipo XXV-nº46 foi projectada pelo arquitecto Eugénio Correia, provavelmente em Abril de 1926 sendo considerado o traçado mais modesto da Repartição das Construções Escolares e o mais repetido em Portugal até finais dos anos 30.

Provável construção: anos 20/30 do século XX 

Projecto de ampliação do edifício de uma sala para duas salas-gémeo - 1960 / 1964 

Inscrições: na fachada principal, no sub alpendre, entre os vãos de acesso aos vestíbulos placa de mármore com inscrição "A Senhora D. Ofélia Matoso Ribeiro, / 1ª Professora desta Escola, / Onde, com Elevada Distinção e / Amor, Exerceu durante 35 Anos, / a bela e nobre Arte de Ensinar. / Homenagem Justíssima  dos seus Alunos. / 23-9-79" e no pano de muro da direita placas de mármore com as seguintes inscrições: "C.M.A. A V. / ESCOLA PRIMÁRIA / PLANO DOS CENTENÁRIOS" e "M.O.P / D.G.E.M.N. / 1962".


Conhecida por Escola dos Gramoais, foi financiada inicialmente (construção de uma única sala) pelos sogros da Professora Ofélia, que era natural do Porto mas residia em Albergaria-a-Velha (sobrinha das proprietárias da Loja Nova, na Rua de Santo António) e, posteriormente, casou em Paus com José Correia Martins (que foi, durante muitos anos, Vereador da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha).

Fontes: Sipa / monumentos.gov.pt  / Grupo do Facebook "Alquerubim"

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Quinta dos Meireles

A "Quinta dos Meireles" nasce na antiga Quinta Nossa Senhora da Saúde, propriedade com mais de um século. A Quinta foi propriedade do médico Manuel Joaquim dos Santos até ao início dos anos 60, tendo sido vendida sucessivamente a Idalina Henriques, à Fábrica de Papel de Valmaior e à Família Meireles, que no início do Séc. XXI apostou na recuperação do imóvel para fins turísticos.

A funcionar desde 25 de outubro de 2014 a quinta trabalha sobre três grandes vertentes: Alojamento, Turismo e Eventos.

Fausto Azevedo, mais conhecido por Fausto Meireles, foi Director da Fábrica durante mais de 25 anos (que acabou por comprar e veio dar origem à atual Valpel). 

A mãe, Marília Conceição Ferreira, era irmã de Maria (Maria do "Henriques"), Alberto "Matoso" e Augusto "Matoso".

Fonte/Mais informações: Quinta dos Meireles

domingo, 10 de janeiro de 2021

Casa do Agro (Séc. XVII-1890)


 "A Casa do Agro foi mandada edificar na segunda metade do século XVII, por Marcos da Silva Agro e sua mulher Maria Domingues. Situava-se voltada para a Estrada Real Aveiro-Viseu (actual Rua Eng.º Duarte Pacheco), com acesso pela viela do Agro (actual Rua do Agro) e a partir de 1910, junto à linha férrea do Vale do Vouga. 
 
Ao longo de mais de 350 anos, esta casa manteve-se sempre nos descendentes da mesma família e foi marcante para a vida do concelho de Albergaria-a-Velha, não apenas pelos cargos desempenhados por alguns dos seus membros e pelos inestimáveis serviços prestados à comunidade, mas também porque aqui decorreram alguns acontecimentos relevantes, entre outros, episódios das guerras liberais em 1828, a promessa de edificar uma ermida, com a invocação de Nossa Senhora do Socorro em 1855 e do Ultimato Inglês a Portugal em 1890. 
 

A “Casa do Agro” acabaria demolida em Novembro de 1990 por ordem da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, para abertura da Rua do Agro que à época era uma viela. Era então a casa mais antiga de Albergaria-a-Velha. 
 
Entretanto, na segunda metade da década de 80, foi construída uma “nova” Casa do Agro, mantendo-se, no entanto, os antigos edifícios de apoio: adega, 2 lagares, cabanal, casa da eira e arrumos, que hoje se encontram restaurados quase na sua totalidade. Casa e quinta foram passando de geração em geração ao longo de mais de três séculos e meio." 
 
Fonte: Dr. Delfim Bismarck (em FB do Gin Ria) / Foto 1: "Casa e Capela de Santo António em Albergaria-a-Velha (Século XVIII)" de Delfim Bismarck / Foto 2: "Albergaria-a-Velha - Imagens do Passado" de Delfim Bismarck (colorizada)

domingo, 20 de setembro de 2020

Casa de Alcino Soutinho em Albergaria-a-Velha


O casal Vidal conheceu o arquitecto Alcino Soutinho através dum amigo em comum, o Dr. Rui Marques (antigo Presidente de Câmara de Albergaria-a-Velha), que já contara com a colaboração do famoso arquitecto na restauração da sua casa [Quinta das Cruzes] . O qual lhes pede para estabelecerem contato com Soutinho, para que “Albergaria tenha casas com importância e que traga valor à terra”.
 
Carlos Vidal comprara em 1985 um terreno que pertencera a um seu tio-avô, com 1250 metros quadrados, que se destinava à construção da sua habitação. A casa é de 1990 mas só foi concluída em 1999. A casa é constituída por três pisos, distribuindo a área social no piso térreo, a área privada no piso superior e destina o piso da cave para ser utilizado como espaços de serviço e salões polivalentes.


Inicialmente a casa era para ser branca, o arquitecto foi a um congresso em Itália, e perguntaram-lhe a cor, e ele falou em branco e houve críticas ao branco e disseram para ele não a pintar de branco, que a casa ficava com outro ser completamente diferente. No perfil da rua, o tom cor-de-rosa sobressai das restantes edificações, não existindo relações cromáticas, nem volumétricas, valendo em si pelo objeto arquitectónico. As formas assumem uma simplicidade aparente, que se complexificam assim que se observa com maior detalhe as proporções e ângulos que articulam elementos construtivos com características formais.

Aquando da construção da habitação, teve uma má recepção pelos habitantes de Albergaria-a-Velha. Tal como conta Carlos Vidal, a casa foi construída na altura do Saddam Hussein. A casa foi polémica, os vizinhos chamaram-lhe de bunker. Na altura os filhos do casal, que andavam na secundária, chegaram a ser apelidados de filhos dos “terroristas”. 


Do livro “Conversas com Arquitetos" 

Das histórias que foram contadas pelo arquiteto e eternizadas através do livro de “Conversas com Arquitetos", de Nuno Lacerda, Soutinho conta uma história acerca do casal Vidal, proprietários da Casa de Albergaria-a-Velha. 

“(…) fiz uma casa (…) que era um casal, constituído por um senhor muito simpático que era funcionário superior de um banco e a mulher que era médica dentista. E que me chegou lá e disse: “senhor arquiteto, a única coisa que eu queria é que o senhor me fizesse uma casa com telhado, eu não posso com os caixotes”. Eu disse logo que sim, até porque eu tenho muito respeito pela telha, que é um material tão digno como qualquer um. 


Depois, traziam-me também um clássico, que era uma folha rasgada de uma revista com uma casa qualquer. Eu disse: “sim senhor, não tenho qualquer problema”. E então fiz um projecto que é uma casa que tem os telhados todos a descer para o interior da casa que depois tem um núcleo central. Portanto, quando se está de fora só se vê o limite, a cumeeira. Portanto, são telhados que convergem nesse núcleo, que é o centro da casa. 

Eu cheguei, mostrei uma maqueta, falámos sobre isso e a senhora ficou a olhar para mim e disse-me assim: “o senhor arquiteto fintou-me”. E eu perguntei-lhe: “mas porquê?”. E ela disse: “porque fez um telhado mas não fez…”. E eu disse: “então, mas está cá a telha, está cá o telhado, se queria assim ou assim, e eu gosto mais assim”. E achei graça, depois deu-se uma relação muito interessante”. 

Fonte: Dissertação de Ana Rita Moreira (1)(2) (mais informações em blog "Novos Arruamentos")  

sexta-feira, 20 de março de 2020

Palacete no centro de Albergaria-a-Velha


Manuel Marques Mendes, empresário no Rio de Janeiro, foi o primeiro proprietário da Casa junto à Alameda (com projecto de João Gomes Soares), construída na 1ª década do Século XX.

"A nossa gravura representa o majestoso palacete edificado num terreno fronteiro ao largo da Estação do Caminho de Ferro do Vale do Vouga, pertencente ao nosso amigo sr. Manuel Marques Mendes, importante industrial no Rio de Janeiro.

É, como se vê da gravura, uma obra de fino gosto. Dirigiu a sua construção o habilíssimo mestre d'obras e entalhador sr. João Gomes Soares, nosso conterrâneo, a quem felicitamos, não só por este como também por outros trabalhos de merecimento que lhe conhecemos."


Em 24-03-1916 já estava à venda:

"Vende-se este lindo chalet-palacete com grande quintal. A mais elegante moradia deste distrito com grande quintal arvorisado de fruteiras e vinha das melhores qualidades, todo murado, completamente independente e com três entradas em boas condições, por motivo da retirada para o Brasil dos seus proprietários."

 
A casa foi vendida inicialmente à família Mourisca e, posteriormente, já nos anos 50, ao Sr. Ribeiro dos Santos, de Telhadela, sobrinho do Sr. Angelino (que tinha a Quinta do Jogo) e do Sr. Conceição (que adquiriu a Quinta das Cruzes), sendo a actual proprietária a filha Maria, que vive em Coimbra e Leiria (a outra filha é Alice Santos que se reparte entre Lisboa e Telhadela).

Fontes: Jornal "Democracia do Vouga" (1) / Facebook  (1)(2)
Agradecimentos: Alice Mendes, Maria do Céu Santos, Mila Campos, Tucha Martins, ...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Património de Frossos em destaque no site da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha


Casa da Quinta das Vinhas

Localiza-se na rua Comendador Augusto Martins Pereira no centro da Vila de Frossos.

Esta casa é da autoria do projectista Jaime Inácio dos Santos.


Casa Vila Maria

Localiza-se na rua Comendador Augusto Martins Pereira no centro da Vila de Frossos.

A Casa "Vila Maria" data do século XX e enquadra-se também nos "Torna Viagem" procedentes do Brasil.

Este edifício possui um Brasão de Armas do Capitão José Soares Aranha Brandão do Séc. XVIII, que pertenceu a uma casa que existiu no mesmo local.


Vila Francelina


A casa da Vila Francelina tem como fundamento principal os elementos Arte Nova e Art Déco evidentes na construção e decoração.

O imóvel foi classificado como de interesse municipal em 2011.


Pelourinho de Frossos

O Pelourinho de Frossos é o marco histórico importante. Executado em calcário, é composto de fuste prismático com base ática e capitel dórico onde assenta um paralelepípedo simples que ostenta numa das faces as armas reais portuguesas incompletas e no lado oposto um escudo liso, estando as restantes faces desadornadas. É encimado por um ferro, do qual sai da parte inferior uma cruzeta de extremidades pontiagudas e levantadas.

É uma obra que remonta ao século XVI, e situa-se no Largo do Pelourinho. O baseamento que o suporta é actual e completamente descaracterizado.

Categoria de protecção: IIP – Imóvel de Interesse Público
Decreto: n.º 23 122, DG 231 de 11-10-1933

Fonte: CMAV 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Quinta do Sol (1960-2019)


A Quinta do Sol foi construída em 1960 para a família Melo Vidal, emigrada no Congo Belga (antigo Zaire e actual República Democrática do Congo), em Jadotville (agora Likasi  no Estado do Katanga), que decidiu construir uma residência de férias em Albergaria-a-Velha, imitando a casa que possuía em África.

O pai chamava-se Carlos Ferreira de Lemos Vidal e era de Albergaria-a-Velha e a mãe, Maria Quaresma de Melo, era de São João de Loure. O casal emigrou para o Congo Belga em 1943 e tinha cinco filhos: Natália, Leopoldina (Dina), Carlos Alberto (Lito), Maria Armandina (Dica) e Maria Teresa (Zita).

Casa no Congo Belga (*)
 Esta casa tinha muito da casa que a família possuía no Congo Belga: rés-do chão, quarto grande para as meninas, "marquise", sala de jogos, onde se juntou uma lareira, quarto com casa de banho para empregada.
A Quinta do Sol sempre florida ...D. Maria Quaresma com amigas

Situada na actual Avenida Afonso Henriques, e demolida em 2019, a casa foi construída num estilo colonialista moderno de um só piso e era caracterizada por janelas largas de duas folhas, com rebordo saliente, com uma varanda coberta com placa fachada frontal e lateral direita, com pilares ornamentais, onde se destacam as linhas rectilíneas em todos os alçados a partir da incorporação de elementos decorativos, mas com telhado de várias águas, com alguma altura, construído sob uma estrutura de madura pilares centrais.

Lado da cozinha (anos 70/80) com Filipa, filha de Lito Vidal, e a avó materna

A casa produzia um impacto relevante, uma vez que se encontrava implantada a uma altura razoável, com o jardim frontal inclinado sobre a via pública, a que se acede por uma escadaria, rodeada de um muro baixo que simulava os efeitos estéticos da habitação, pintada em dois tons de cores.


O projecto foi assinado por Germano Marques Almeida, contudo a autoria não lhe pode ser inteiramente atribuída, pois teve por base as exigências do cliente, que acabou por fazer algumas alterações, nomeadamente no telhado.

Numa das colunas estava uma placa feita por Carlos Vidal no Congo Belga. de malachite (verde) com identificação da casa como “QUINTA DO SOL".

Fontes: Dina Vidal / Revista "Albergue" (em artigo de Paulo M. Almeida sobre Germano Marques Almeida)

(*) "a nossa casa no Congo Belga, a minha mãe à porta de casa, a baby sitter com o meu irmão Lito ao colo, eu e a Dica à espera da carrinha para irmos para a escola. No carro o meu pai que vai para o trabalho....anos 50" (Comentário de Dina Vidal)

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Albergaria-a-Velha recordou as grandes indústrias do passado


As antigas Fábricas Alba, de Valmaior e Caima, que tiveram um importante papel no desenvolvimento do Concelho nos séculos XIX e XX, foram recordadas na palestra "O Património Industrial em Albergaria-a-Velha" no passado dia 03-10-2019.

Inserido nas comemorações das "Jornadas Europeias do Património", o evento decorreu na Biblioteca Municipal e contou com um painel de oradores de várias áreas de investigação.


Através da análise de antigas fichas dos trabalhadores da Alba, Raquel Varela verificou uma relação estrutural entre Albergaria-a-Velha e a empresa, uma dependência em muito devida à grande percentagem de pessoas que viviam junto da fábrica.

Num país conservador e rural, com uma grande população analfabeta, a Alba possuía já trabalhadores semi-qualificados e, para a historiadora, isso explica porque a empresa nunca deixou o Concelho e desenvolveu um importante papel social e cultural.

O sucesso da empresa deveu-se muito ao “saber fazer” dos seus trabalhadores, que usufruíam de reais condições de mobilidade interna, o que permitia reter os melhores e mais especializados. O trabalho de investigação de Raquel Varela sobre a História económico-social da Alba vai dar origem a um livro, a ser apresentado em Albergaria-a-Velha no próximo ano.

Numa abordagem diferente, realizada no âmbito de uma tese de mestrado, a engenheira civil Cláudia Redondo partiu do património degradado de uma antiga empresa – a Fábrica de Valmaior – para propor uma nova função estratégica para o espaço.

Após uma caracterização do edifício actual, foram apresentadas cinco possíveis soluções para o reuso das instalações – espaço multi-funções; centro de formação/escola; galeria de exposições; área comercial; e incubadora de empresas.

De acordo com os resultados aferidos através da aplicação de um questionário junto de diferentes profissionais, como arquitectos, políticos, engenheiros ou empresários, constatou-se que a solução que reunia mais consenso foi a de espaço multi-funções e para colectividades.
 

Na segunda parte da palestra, a Fábrica do Caima esteve em destaque com três apresentações diferentes. O investigador Jorge Custódio encontrou nas minas de chumbo e cobre do Palhal e do Carvalhal as raízes da posterior Fábrica de Pasta de Papel, que se instalou nas margens do rio Caima no final do século XIX.

Como as minas exigiam muita madeira para garantir a segurança nas galerias – que no caso da mina do Palhal podiam descer mais de 300 metros de profundidade – foi necessário adquirir grandes manchas florestais na zona. No entanto, com os problemas ambientais e sociais a surgirem, as minas tornaram-se muito “caras” para gerir. Tendo em conta as grandes propriedades entretanto adquiridas, a solução apresentada para rentabilizar o investimento foi criar uma fábrica de pasta para papel.


E quem foram as pessoas por trás do desenvolvimento deste novo projecto? A arqueóloga Sofia Macedo traçou um retrato dos britânicos que marcaram o desenvolvimento da Fábrica de Pasta de Papel do Caima, com especial incidência em William Cruickshank e na família Bergqvist.

Dadas as antigas relações comerciais entre Portugal e o Reino Unido, houve sempre uma comunidade próspera de britânicos no Porto e foi através de contactos pessoais realizados na Feitoria dos Ingleses daquela cidade que os primeiros gestores estrangeiros entraram no negócio da Fábrica do Caima. Criada em 1888 em Inglaterra, com o nome The Caima Timber Estate and Wood Pulp Company Limited, a empresa teria sempre uma forte presença de estrangeiros na sua administração.


Do social para a área técnica, as apresentações sobre a Fábrica Caima finalizaram com uma abordagem da importância das máquinas a vapor no desenvolvimento do negócio. Susana Pacheco afirmou que a empresa foi inovadora na produção de electricidade através do vapor, que não era muito comum em Portugal.

Por outro lado, a reutilização do desperdício decorrente do processo de produção para combustível também permitiu concluir que a fábrica sempre soube tirar partido do melhor que as tecnologias da época tinham para oferecer.

A palestra O Património Industrial em Albergaria-a-Velha, moderada pelo Vice-Presidente do Município, Delfim Bismarck, encerrou com um momento de debate.

Fonte: CMAAV (adaptado)


quarta-feira, 10 de julho de 2019

Quinta do Caima - Casa de Hóspedes e Casa Velha


A Quinta do Caima foi o local escolhido para instalar a primeira unidade fabril de celulose do Caima, a The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited. Fundada em 1888, a empresa adquiriu os terrenos da Quinta do Caima, uma grande extensão de terras entre as freguesias de Branca e Ribeira de Fráguas, em Novembro de 1889.

Foi aí que instalou a sua fábrica de pasta de papel, conhecida como Fábrica do Caima, ou Companhia de Celulose do Caima, que se tornou a mais importante unidade fabril do género em Portugal, sendo igualmente construídos casas para o director, o engenheiro Erik Daniel Bergqvist, de nacionalidade sueca, e uma Casa de Hóspedes.


Casa de Hóspedes

A Casa de Hóspedes foi construída entre os finais do século XIX e inícios do século XX nas imediações da Fábrica do Caima, que procedia ao fabrico de pasta de papel. A moradia servia para albergar os técnicos especializados estrangeiros e os sócios da Fábrica do Caima que residiam no Porto ou fora do país, quando estes se deslocassem à unidade em trabalho.

O edifício integra-se no espaço da quinta, onde foram edificadas outras treze habitações, destinadas a vários empregados da fábrica (Casa do Motorista, Casa dos Montadores, Casa do Electricista, etc.), formando um complexo habitacional, rodeado por uma área de bosque murada.

De planta rectangular, a casa divide-se em dois pisos, com fachadas rasgadas por janelas. No frontispício foi edificada uma escadaria de cimento, que permite o acesso externo ao piso superior. Interiormente, está despojada de qualquer elemento decorativo.

Categoria de Protecção - Classificado como MIM - Monumento de Interesse Municipal
Edital n.º 846/2016, DR, 2.ª série, n.º 175, de 12-09-2016


Casa Velha

A Casa Velha era o mais importante edifício habitacional da quinta, servindo para albergar, durante décadas, o director da mesma. O edifício integra-se no espaço da quinta, onde foram edificadas outras treze habitações, destinadas a vários colaboradores da fábrica.

O imóvel sofreu obras de remodelação em 1939, durante as quais se instalou um inovador sistema de caldeiras e radiadores a água.

De planta rectangular irregular, o imóvel servia de habitação ao director da fábrica e respectiva família, dividindo-se em dois pisos, com alçados marcados pela abertura de janelas e corpo central destacando-se através do remate em empena triangular, recriando os modelos de casas de campo inglesas.

No conjunto, de linhas despojadas, destaca-se o telheiro alpendrado, em madeira, que precede a entrada principal da casa, e uma bay window no alçado posterior da casa; esta fenestração, de tipologia tipicamente anglo-saxónica, ornamentava originalmente a fachada lateral esquerda.

Categoria de Proteção - Classificado como MIM - Monumento de Interesse Municipal
Edital n.º 845/2016, DR, 2.ª série, n.º 175, de 12-09-201

Fontes: DGCP (1)(2) / CMAAV (1)(2) / Remax

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Exposição "O Património Azulejar de Albergaria-a-Velha – Conhecer, Inventariar, Salvaguardar"


A Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha tem patente, durante o mês de Dezembro, a exposição fotográfica "O Património Azulejar de Albergaria-a-Velha – Conhecer, Inventariar, Salvaguardar", de Cláudia Emanuel.
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Nos meados do século XIX os emigrantes vindos do Brasil trazem, com eles, a moda e o uso do nosso azulejo português, agora colocado nas fachadas dos imóveis. De pequeno quadrado de barro, protector das humidades, rapidamente passou a elemento decorativo dos imóveis, quer do seu interior, quer das suas fachadas, mas também fontanários, alminhas e outras construções.


O Concelho de Albergaria-a-Velha é um espaço privilegiado de análise, tendo em nota o número elevado de imóveis com decoração azulejar que dá cor e brilho às suas ruas.

Com muitas habitações antigas a serem alvo de abandono, torna-se necessário apresentar contributos para a preservação dos elementos azulejares. A divulgação do património azulejar é um desses contributos, na medida em que o conhecimento propicia a conservação e a valorização dos objectos, ou saberes, que se herdam.


Durante os últimos meses, uma equipa liderada por Cláudia Emanuel, doutoranda em Estudos do Património, elaborou uma recolha fotográfica dos imóveis com decoração azulejar, de modo a divulgar ao público o património azulejar do Concelho.

Para além das fachadas foram ainda inventariados os fontanários, alminhas, cartelas, registos de santos, entre outros. São estas fotografias que agora são divulgadas na Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha, e que podem ser admiradas até 31 de Dezembro.

Fontes: CMAAV  (adaptado) / Facebook




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