quinta-feira, 7 de abril de 2011

Alguns Apontamentos para uma estratégia de desenvolvimento do Baixo Vouga (2004)


Albergaria possui vários imóveis classificados pelo IPPAR, nomeadamente a mamoa de Açores que atesta a ocupação humana nesta zona desde o IV milénio a.C.

Falar de património arqueológico no concelho de Albergaria-a-Velha é falar incontornavelmente da estação arqueológica do Cristelo da Branca, e da sua correspondência ou não com a cidade romana de Talabriga, sede da gestão territorial de um longo espaço entre o Douro e o Vouga em período pré-romano e Romano altoimperial.

Também neste concelho existem ainda outros testemunhos da ocupação humana no passado, nomeadamente: as mamoas do Taco 1, 2 e 3 e a anta de Arrotas referidas em trabalho de Leite de Vasconcelos sobre Albergaria (1912); o monte de S. Julião que corresponderá a um povoado proto-histórico rodeado por um amuralhamento, cuja cronologia aferida pelo espólio, se poderá situar no Bronze Pleno / Bronze Final (c.1400/800 a.C.). Neste local foi ainda assinalada a presença de um monumento megalítico de cronologia anterior.


Infelizmente, os sítios arqueológicos reconhecidos e inventariados não se encontram actualmente em condições que permitam a criação de um circuito visitável.

Importante seria identificar e escavar, segundo metodologia arqueológica própria, as salinas de Alquerubim referidas em documentação medieval (sec. XI) . Estas poderiam depois ser integradas depois num circuito turístico mais vasto, transmunicipal, que tivesse por mote o conhecimento da evolução da exploração do sal ao longo dos tempos históricos.


Da mesma forma poderíamos aproveitar a presença destas salinas para mostrar a fragilidade da linha de costa e a interacção provocada até à estabilização da abertura para o mar deste sistema lagunar.

Já o inventário das propriedades e igrejas de Guimarães, de 1059, regista a villa alcaroubim integra et cum sua prestancia te cum suas salinas, remetendo para o célebre testamento da riquíssima Mumadona (Dias), de 959, que incluía "in território Colimbrie villa de alcaroubim..." (_) Alquerubim e S. João de Loure ficavam à vista do oceano e era possível a existência da marinhas nesses lugares, muito distantes hoje da linha de maré"

Fonte: Arq. Sónia Filipe “Alguns Apontamentos para uma estratégia de desenvolvimento do Baixo Vouga” (adaptado) – Revista Patrimónios (Maio/2004) (em http://albergaria-arq.blog.pt/)

2 comentários:

Anónimo disse...

Realmente é pena não haver um roteiro em que as pessoas interessadas possam visitar os achados. De referir que as mamoas do taco vem referenciadas nos roteiros turisticos da Rota da Luz. De lamentar o total abandono e vandalização das mamoas 1 e 3 pelo menos`.

na disse...

no plano de actividades da CMA está previsto "o projecto de conservação, restauro e fruição das Mamoas do Taco". Por isso já faltou mais..