quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Natália de Jesus preserva a tradição das esteiras de bunho de Frossos


Em meados do século XX, as esteiras de bunho eram o “ganha-pão” de muitos habitantes de Frossos.

Natália de Jesus tem 73 anos e trabalha o bunho desde os 13 anos, tendo aprendido a fazer esteiras de bunho com a sua mãe. Em 1975, quando se casou, deixou a actividade de esteireira, para se dedicar à agricultura.

Em 2004 decidiu voltar a fazer as esteiras em bunho. Natália de Jesus possui um terreno na zona lagunar da Pateira de Frossos, onde recolhe o bunho, que depois é selecionado e seco.


Esta actividade não é muito lucrativa, pois ocupa muito tempo, desde cortar, limpar, estender, trazer para o palheiro e depois dobrá-lo, pelo que o seu objectivo é essencialmente mostrar como se fazia antigamente.

As esteiras são feitas em casa num tear de pedras, ou “Burro” (por ter 4 pernas), cuja particularidade é ter pedras nas pontas dos fios que entrelaçam o bunho.

A artesã é presença habitual em feiras, exposições e certames e gosta de trabalhar ao vivo para difundir o saber, a tradição e a identidade cultural da terra onde nasceu.

 

Bunho

O bunho (Schoenoplectus lacustris) é uma erva nativa da Europa, comum em áreas húmidas e alagadiças. O bunho era predominante em zonas ribeirinhas de Portugal, podendo medir até 3 metros de altura. A apanha era feita à mão, com o auxílio de uma gadanha, para preservar as suas potencialidades.

Em relação a outras regiões do distrito de Aveiro, Albergaria-a-Velha tinha a vantagem dos seus terrenos terem grande abundância desta erva.


Finalidades

Antigamente os colchões eram de palha e as camas de ferro. A esteira era colocada por baixo do colchão para não o deixar estragar.

Mas as esteiras tinham outras finalidades. Havia esteiras maiores que serviam para tapar o milho ou o feijão que se encontravam nas eiras; esteiras para colocar no chão da cozinha; e esteiras mais vulgares para quando morria alguém, pois era usual as pessoas saírem da cama e irem para cima de uma esteira.

No concelho de Albergaria-a-Velha não era tão habitual a venda para servir de acondicionamento de produtos. Natália de Jesus apenas vendeu para as fábricas ALBA, durante alguns anos, para embalar prensas e bancos. Na região de Veiros (Murtosa) é que essa prática era mais comum.

Actualmente, as esteiras são utilizadas como decoração, sendo vendidas no mercado tradicional.


Certificação

A produção tradicional de esteiras de bunho foi recentemente certificada pelo IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional.

O processo de certificação junto do IEFP teve início após a participação de Natália de Jesus na oficina “Apoios ao Artesanato”, que decorreu em maio, na Incubadora de Empresas de Albergaria-a-Velha. A equipa do CLDS Albergaria Integra'T, que organizou a acção, preparou toda a documentação inerente ao processo e, em Setembro, a artesã de Frossos foi a primeira participante da oficina a ver a sua actividade certificada.

Fontes: Localvisão / CMAAV

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