sábado, 10 de setembro de 2016

As primeiras ruas calcetadas em Albergaria-a-Velha (1820)

 
Terminada há cerca de dois meses a invasão das tropas francesas a Albergaria-a-Velha e sua região, com os resultados dramáticos sobejamente conhecidos, logo a população de Albergaria-a-Velha requereu à Câmara de Aveiro, a quem então esta freguesia pertencia, o arranjo da sua fonte e a calcetagem das principais ruas da vila. Para isso, solicitavam que o rendimento proveniente das sobras das sizas da Vintena de Albergaria-a-Velha, bem como através da aplicação de um imposto sobre a transacção de cada quartilho de vinho que se vendesse na mesma vintena servissem para tal fim.

A Câmara de Aveiro aprovou a pretensão dos Albergarienses, deliberando que assim fosse durante o período de doze anos.

O livro de Actas da Câmara Municipal de Aveiro, n.° 9 (1804-1817), a folhas 176-177, relata assim o sucedido [extracto]:

"que os Moradores do dito lugar fizerão a Sua Alteza Real em que pertendem licença para se mandarem calçar as ruas principais do seu Lugar, e compor a sua Fonte fazendose a dispeza pelas sobras das Sizas que ouver na Vintena do dito Lugar e por hum real imposto em cada quartilho de vinho que se vender na mesma Vintena, ficando assim abolida a aplicação que já tinhão aquelas sobras, e Real para os Partidos dos Médicos, e Cirurgioens desta Cidade, em cuja Reprezentação manda Sua Alteza Real ouvir esta Camara, Nobreza, e Povo averiguando a nececidade das obras, e de donde poderão sahir com mais suavidade as dispezas dellas, a que responderão as mesmas Pessoas da Nobreza, e Povo uniformemente, que o seu requerimento hera de grande utilidade, e que nenhum outro mais avia por onde se pudesem fazer as mencionadas obras, e calçadas afirmando em tudo o mesmo Requerimento; com o que se formarão elles offeciaes da Camara paresendolhes contudo ser bastante o espaço de doze annos para a fatura das obras com atençaão ao que poderão produziras mesmas Sobras das Sizas, e Real avendo-o assim por bem S. A. R.. e por mais não aver asignarao com os mesmos da Nobreza, e Povo: António José das Neves o escrevi Bento Abranches, Gravito e Guimaraens."

É um facto que durante os doze anos foram arrecadados os impostos enunciados e que as obras decorreram dentro do prazo previsto.

Assim, em 1820 foram inauguradas as duas primeiras ruas calcetadas no lugar de Albergaria-a-Velha: uma parte da Estrada Real que ligava Lisboa a Porto que por esse facto viria ser designada por Rua da Calçada [e mais tarde por Rua de Santo António], e a uma parte de outra Estrada Real (que ligava Aveiro a Viseu), denominada Rua de Campinho [posteriormente Rua Engº Duarte Pacheco].

Fonte: Jornal de Albergaria / artigo do Dr. Delfim Bismarck (adaptado)

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