segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Exposição "O Património Azulejar de Albergaria-a-Velha – Conhecer, Inventariar, Salvaguardar"


A Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha tem patente, durante o mês de Dezembro, a exposição fotográfica "O Património Azulejar de Albergaria-a-Velha – Conhecer, Inventariar, Salvaguardar", de Cláudia Emanuel.
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Nos meados do século XIX os emigrantes vindos do Brasil trazem, com eles, a moda e o uso do nosso azulejo português, agora colocado nas fachadas dos imóveis. De pequeno quadrado de barro, protector das humidades, rapidamente passou a elemento decorativo dos imóveis, quer do seu interior, quer das suas fachadas, mas também fontanários, alminhas e outras construções.


O Concelho de Albergaria-a-Velha é um espaço privilegiado de análise, tendo em nota o número elevado de imóveis com decoração azulejar que dá cor e brilho às suas ruas.

Com muitas habitações antigas a serem alvo de abandono, torna-se necessário apresentar contributos para a preservação dos elementos azulejares. A divulgação do património azulejar é um desses contributos, na medida em que o conhecimento propicia a conservação e a valorização dos objectos, ou saberes, que se herdam.


Durante os últimos meses, uma equipa liderada por Cláudia Emanuel, doutoranda em Estudos do Património, elaborou uma recolha fotográfica dos imóveis com decoração azulejar, de modo a divulgar ao público o património azulejar do Concelho.

Para além das fachadas foram ainda inventariados os fontanários, alminhas, cartelas, registos de santos, entre outros. São estas fotografias que agora são divulgadas na Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha, e que podem ser admiradas até 31 de Dezembro.

Fontes: CMAAV  (adaptado) / Facebook




Outros links de interesse

Digitile (Gulbenkian)
Blog "As Fontes da minha vida"

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Reconhecer a relevância da Caima na história de Portugal


A historiografia portuguesa desprezou a análise do papel da Caima na economia nacional. O trabalho desenvolvido por Jorge Custódio, Sara Costa Macedo e Susana Pacheco outorga à Caima o papel de destaque que merece na história de Portugal.

A possibilidade de estudar uma empresa que esteve presente em todos os momentos mais significativos da transformação da sociedade portuguesa desde o fim do século XIX é de uma grande relevância. A Caima começou a existir durante o reinado de D. Luís, cresceu durante a Primeira República, esteve sempre activa na I Guerra Mundial, na ditadura militar, na II Guerra Mundial, no 25 de Abril de 1974, na integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE) – agora União Europeia –, na adopção da moeda única e no fim do escudo.


De Albergaria (1888-1993) a Constância (1960-2018)

A fundação da Caima data de 17 de Maio de 1888. A Fábrica de Albergaria [mais concretamente em Carvalhal, na actual freguesia da Branca] está construída em meados de 1891. Para construir uma fábrica para produzir pasta de papel, por processo químico inovador, no interior de Portugal, nos finais do século XIX, foi necessário trazer o equipamento completo e uma equipa da Alemanha para montar a fábrica. “Imagine o que era constituir uma fábrica em Portugal, têxtil ou metalomecânica, para as quais a formação técnica era baixa nessa época e não existia mão-de-obra especializada. Quanto mais não seria quando esta unidade era uma indústria química à base de bissulfito de cálcio.”, diz Jorge Custódio, responsável pela coordenação do trabalho de investigação da Caima.

“Ao fazer a história desta empresa [a primeira fábrica de produção de pasta química em Portugal], estamos a falar da história da própria sociedade da região e do País”, afirma Sofia Costa Macedo.


Ponto de partida

O ponto de partida da investigação foi uma arca existente na empresa que tinha cerca de 150 documentos sobre a "The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited" [activa entre 1888-1921]. Para desenvolver o trabalho consultaram vários arquivos diferentes. Os existentes na fábrica de Constância e na fábrica de Albergaria – de que grande parte se encontra no arquivo municipal de Albergaria-a-Velha –, assim como arquivos estatais, municipais e distritais, entre os quais os do antigo Ministério das Obras Públicas e do Ministério da Economia, nos quais encontraram bastante informação.

Recorreram também a arquivos estrangeiros, nomeadamente ao National Archives, em Inglaterra. Foi em Londres que encontraram os estatutos originais da criação da "The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited", a informação mais antiga da Caima. Só de Inglaterra pesquisaram e trouxeram mais de 300 documentos.

Ao todo, encontraram mais informação do que esperavam. Informação que teve de ser analisada e validada para saber se era relevante para a investigação. No arquivo de Albergaria encontraram mais de 200 itens, com vários documentos integrados em cada item. São volumes de cartas. Só para se ter uma noção: num volume, um item possui 600 cartas.


Matriz científica e histórica

O responsável pelo projecto conta que vão escrever um livro de matriz científica. “Não é um discurso ideológico, é científico.”

Outro aspecto muito relevante deste trabalho foi dar uma dimensão humana à história. “Quem foram as pessoas, o seu papel, como se destacaram, que influência tiveram nas medidas adoptadas pela empresa e quais foram os seus resultados práticos para o negócio”, diz Sofia Costa Macedo. Um sentimento reforçado por Jorge Custódio, ao referir que este aspecto é “interessante e deu origem a mapas que vão estar na exposição e no livro, mostrando a universalidade da Caima”.

Uma mostra da universalidade da Caima foi a sua relação com o diário britânico The Daily Telegraph. Este importante jornal fundado em 1855, continua a ser um dos mais relevantes do Reino Unido e durante muito tempo utilizou papel produzido com pasta da Caima.


Tecnologia utilizada

“Encontrámos toda a tecnologia utilizada nas fábricas. No início, nunca pensei que fosse possível recriar uma fábrica como a de Albergaria que está em ruínas e saber que máquinas existiram”, explica Susana Pacheco. Os investigadores conseguiram encontrar diversas plantas de tecnologia, com as dimensões da época e a forma como se instalavam esses equipamentos. Quem foram os construtores, os tamanhos de cada peça e as máquinas em causa. “Há um grande conhecimento e detalhe de todo o processo evolutivo da tecnologia utilizada pela Caima”, diz Susana Pacheco.


Meios de divulgação (livro, exposição, conferências, arquivo digital)

O trabalho que os investigadores estão a desenvolver é a produção de um livro que conte a história da Caima, uma exposição para levar este conhecimento às pessoas e conferências temáticas a iniciar em Novembro. Desde o início do projecto a equipa pensou na importância de tratar e disponibilizar o arquivo do material encontrado. Uma ideia que acabou por ganhar eco dentro da própria Caima, abrindo a possibilidade de “se fazer a localização do arquivo digital numa drive onde consta tudo o que investigámos”, diz Jorge Custódio. Para o responsável deste ambicioso projecto, esta situação vai permitir que uma pessoa pesquise o que quiser nesse espaço, tendo em conta que toda a informação está tratada e organizada.

O livro será uma síntese de tudo o que foi analisado. “Vamos fazer análises correctas que contribuirão para um melhor conhecimento da Caima.” (...)


Percurso

1888 (17 de Maio) - Fundação da Sociedade The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Ltd. [com instalações industriais no concelho de Albergaria-a-Velha]

1891 - Inauguração da Fábrica de Pasta de Papel da The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Ltd., instalada mas margens do rio Caima, produzindo pasta pelo processo do bissulfito de cálcio a partir de madeira de pinheiro.

1892 - Exportação da pasta de papel da Caima para a fábrica Star Paper C.º, em Inglaterra.

1907 - Início da produção experimental de pasta de papel a partir de eucalipto, promovida pelo inovador E. D. Bergqvist, sobrinho do pioneiro sueco, Carl Ekman.

1921 - Inicio da comercialização da pasta de papel de eucalipto fabricada na Fábrica do Caima.

1922 (19 de Abril) - O nome da sociedade passa a ser Caima Pulp C.º, Ltd.

1945 - Data em que se deixou de fabricar, na fábrica do Caima, pasta de papel a partir do pinheiro.

1956 - Instalação da concentração de licor na fábrica de Albergaria.

1956 - A holding Eucalyptus Pulp Mills Ltd decide construir uma nova fábrica em Portugal, em Constância, Distrito de Santarém. O processo selecionado é bissulfito de cálcio.

1957 - Arranque da produção de pasta branqueada de eucalipto em Albergaria.

1959 - Reorganização da holding.

1960 - Construção da Fábrica de Constância, da Caima Pulp C.º, Ltd. Instalação das Caldeiras de Recuperação.

(...)

1973 - Alteração da designação social para Companhia da Celulose do Caima, S.A.R.L.

(...)

1992 - Alteração do processo da Fábrica de Albergaria para o fabrico da pasta pelo bissulfito de magnésio, como tinha já acontecido em Constância.

1993 - A laboração em Albergaria-a-Velha é suspensa de forma permanente.

1994 - As instalações da fábrica, no rio Caima, são adquiridas pela papeleira REFICEL – Sociedade e Recuperação de Fibras Celulósicas.

(...)

2002 - Constituição da Caima – Indústria de Celulose, S.A. e transformação da Companhia de Celulose do Caima em S.G.P.S.

(...)

2005 - Fundação da ALTRI, em resultado da reestruturação da Cofina, através de um spin-off dos activos industriais.

Fontes: Altrinews (adaptado) / Caima (percurso) / Facebook

sábado, 10 de novembro de 2018

Demolição da antiga taberna do Raúl



(...) concluíram-se na passada quinta-feira os trabalhos de demolição da casa que todos conhecíamos como a taberna do Raúl do Cubo. Este estabelecimento comercial foi, no seu auge, uma das mais conhecidas e frequentadas casas de pasto da região. Situado no lugar do Cubo, no limite norte da freguesia e sobre a margem direita do Vouga, observava-se das suas pequenas janelas o espreguiçar do rio ao longo da praia dos Tesos para depois, seguir viagem por Angeja, rumo à ria de Aveiro.

Durante dezenas de anos, ali trabalharam e geriram o seu negócio o Sr. Raul da Silva Amaro e a Sra. Maria sua esposa. Serviam-se refeições, petiscos, vinho, cerveja. Eram muito apreciados, entre outros, rojões à lavrador, o peixe frito pescado no rio e na pateira de Frossos, e, como iguaria, os ruivacos.

Naquela casa - paragem “obrigatória” de operários, camponeses, proprietários, pequenos industriais e negociantes – se fecharam muitos negócios entre os frequentadores: Fosse a venda de pinhais, o cevado, a vaca ou vitela, etc...


Além da boa fama granjeada na região, esta taberna contribuiu para o desenvolvimento da economia local, uma vez que dava emprego a algumas pessoas e muito do peixe de água doce ali consumido, era adquirido à comunidade de pescadores residente no Cubo.

Com a cessação de actividade por parte do Sr. Raúl, o negócio foi trespassado uma vez, outra e outra vez. Nunca mais voltou a ser o mesmo!... E, de mão em mão, acabou por se transformar numa casa de alterne. Até que, há vários anos atrás, foram encerradas as portas, para nunca mais se abrirem.

A degradação evidente do edifício, o eminente estado de ruína, o local de implantação em zona protegida, e a fealdade e má qualidade arquitectónica determinaram o seu fim na tarde do dia 8/11/2018. Como em tudo na vida há um princípio, um meio e um fim!

Estiveram bem as autoridades que procederam ou determinaram a demolição preventiva. Continuem!

Fonte: Francélio Vouguense - Frossos (em facebook)

sábado, 20 de outubro de 2018

70 anos de actividade da "João de Almeida Oliveira, Lda."


João de Almeida Oliveira (1910-1997) iniciou a sua actividade empresarial em 1948, ainda como empresário em nome individual, com 5 colaboradores, para se dedicar à reparação automóvel com serviço e venda de pneus, produção de alfaias e máquinas agrícolas e revenda de combustíveis, na Branca, freguesia de Albergaria-a-Velha.

Em Dezembro de 1989 é constituída a sociedade por quotas "João de Almeida Oliveira, Lda.", mantendo a mesma designação e dando continuidade às actividades existentes.

Em 1991, a empresa fez a aquisição de terrenos e construiu de raiz uma nova unidade de revenda de combustíveis na Branca.


Amplia a sua actividade em 1992, passando a Agente de Vendas e Serviços da marca Citroën, serviço que mantém até aos dias de hoje, juntando-lhe posteriormente a certificação como Reparador Autorizado da marca.

A partir do ano de 2001 inicia um processo de expansão contínua na revenda de combustíveis líquidos (gasolinas e gasóleos), com a entrada de novos postos de abastecimento, nomeadamente nas Quintãs (Aveiro), Torreira (Murtosa), Cacia (Aveiro), Calvão (Vagos), Quintã (Vagos) e Cucujães (Oliveira de Azeméis), com modernas lojas de conveniência na Branca, Torreira e Calvão.

Em 2017 faz a aquisição de uma unidade de revenda de Galp gás para o concelho de Vale de Cambra, juntando à que já detinha para o concelho de Albergaria-a-Velha.

Fonte: www.jaol.pt (adaptado) 

Anos 50
8º Serviço Premium GALP (2015)
 


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Memórias da Alba no âmbito da Oficina de Tapeçaria "Tecer as Memórias"


Integrado no festival de fazedores de artes "Dos Modos Nascem Coisas", a AlbergAR-TE promoveu, em parceria com o CEARTE, uma residência artística têxtil nos dias 8 a 12 de Agosto: Oficina de Tapeçaria "Tecer as Memórias" com Guida Fonseca.

Pretendeu-se através do trabalho criativo, desenvolvido durante a residência, realizar uma instalação/objectos sobre a memória do património imaterial que estará patente ao publico no Cineteatro ALBA até 25 de Outubro.



Fundição Lisbonense (Açores) onde tudo começou









Fonte: facebook (Tucha Martins e Guida Fonseca)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Fernando Marques Vidal, ilusionista


Fernando Marques Vidal é um ilusionista natural de Albergaria-a-Velha, que desde 1980 teve uma participação activa nos corpos directivos da API (Associação Portuguesa de Ilusionismo).

Estudou no Colégio Vera Cruz – Alvaiázere e no ISEL - Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, mas desde cedo apostou na sua actividade de ilusionista, actuando sobretudo em festas e outros eventos, tendo sido igualmente integrante do Grupo do Teatro Mágico da API e mentor da associação Cartola Mágica.

Marques Vidal dedicou-se durante muitos anos à organização de grandes eventos mágicos em Portugal, dos quais se destacam os Congressos do Estorilmágico de 1995, 1996 e 1997.


Foi Presidente da API durante 10 anos, tendo sido nessa qualidade um dos principais responsáveis pela organização dos Festivais de Magia de Oeiras 2001, 2002 e 2003, bem como do Festival Internacional de Magia de Albufeira 2007 e do Campeonato Mundial de Magia em 2000 no CCB com a presença de 2100 mágicos de todo o Mundo.

Acumulou igualmente a qualidade de Presidente da FISM – Federação Internacional das Sociedades Mágicas (cargo que ocupou durante os 3 anos de preparação do Campeonato Mundial).

Participou, ainda, na organização da maior parte dos Festivais de Magia da Amadora e de alguns Festivais de Magia da Figueira da Foz (entre 1988 e 1993). E colaborou na organização de Convenções no Teatro S. Luiz, no Teatro da Trindade, no Teatro D. João V da Amadora, no Casino da Figueira da Foz, a par de outras iniciativas.

Foi co-tradutor dos livros de magia "Truques de cartas" de Rita Danyliuk e "O livro dos truques de magia" de Peter Eldin.

É pai da apresentadora de rádio Mariana Marques Vidal (que nasceu no Porto e colaborou na Rádio Renascença, Rádio Clube Português, M80, Rádio Star e Rádio Sim) e da ilusionista Francisca Marques Vidal, que seguiu as suas pisadas.

Mariana Marques Vidal na Rádio Sim (Grupo Renascença)

Francisca Marques Vidal no programa "Sociedade Civil" (RTP2)

Fontes: Portal de Artistas / Cartola Mágica / Sociedade Civil (minuto 17) / António Cardinal

sábado, 15 de setembro de 2018

Lavadeiras de Angeja


Foto utilizada no cartaz da Festa Anual de 2016 do Grupo Folclórico "As Lavandeiras do Vouga"


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Reabertura da "Estalagem dos Padres" como Alojamento Local (2018)


A Estalagem dos Padres foi fundada por dois irmãos, Padre Manuel Gonçalves e Padre José Bernardino Gonçalves, em 1818. Precisamente duzentos anos depois, e depois de diversas utilizações, o edifício original foi reabilitado e abre com as mesmas funções.

O edifício, de interesse municipal, foi adquirido em 2015 por José Parente, que conjuntamente com a sua filha Catarina, optaram por preservar a casta original e manter o mesmo nome, ligando assim a inovação com a tradição, e o antigo com o moderno.

 

Decidiram atribuir aos quartos os nomes de personalidades que por aqui passaram como Ramalho Ortigão ou D. Manuel II, valorizando assim a componente histórica do imóvel.

O projecto de arquitectura foi da responsabilidade da empresa Inch, de Henrique Chaló. O alojamento tem uma lotação máxima de 30 pessoas, 5 suites com casa de banho privativa e 4 camaratas com beliches (duas com lotação para para seis pessoas e duas com lotação para quatro pessoas). Há ainda comodidades para reuniões e videoprojector. Terraço, mobiliário de exterior, área para laser e cozinha para utilização livre.



No dia 18 de Julho foi apresentado o livro "A Estalagem dos Padres em Albergaria-a-Velha", da autoria de Delfim Bismarck Ferreira, que conta a história do imóvel.


Fontes: Jornais "Beira Vouga" e "Correio de Albergaria"