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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Serração de Manuel Rodrigues Correia & Irmão

A "Serração de Manuel Rodrigues Correia & Irmão" funcionava onde hoje se situa a Praça (Entre os nºs 2 e 3 da foto 3: "ao fundo do lado esquerdo, atrás daquela casa isolada"). Terá aí funcionado entre os anos 30 e o início da década de 60 (??).

A serração pertencia ao pai e tio do Engenheiro Carlos Rodrigues, que foi professor no Colégio e mais tarde do Liceu de Águeda, mas era conhecida por Serração do Sr. Manuel, que era o responsável pela serração.

Os filhos do Sr. Manuel e D. Olívia (sobrinha dos sócios) eram conhecidos por Carlos da Serração (trabalhou na Alba), Mário da Serração (trabalhou nos CTT) e Leopoldina da Serração.

Comentário de Teresa Mendes: "Sei que os meus avós (Olívia e Manuel), e os filhos (Carlos, Mário e Leopoldina) viveram na serração onde hoje é o mercado e que essa serração era de uns tios maternos da minha mãe, isto é, da família da minha avó Olívia. Sei que se tratava de uma serração e moagem"

O encarregado era o Sr. Patrício Ferreira. Também aí trabalharam o Sr. Manuel da Minda e o avô de Júlio Vidal Barros

(Fotos partilhadas por Teresa Mendes, Margarida Couto e Duarte Machado; agradecimento a Teresa Mendes, Leite Gonçalves, entre outros)



domingo, 10 de janeiro de 2021

Casa do Agro (Séc. XVII-1890)


 "A Casa do Agro foi mandada edificar na segunda metade do século XVII, por Marcos da Silva Agro e sua mulher Maria Domingues. Situava-se voltada para a Estrada Real Aveiro-Viseu (actual Rua Eng.º Duarte Pacheco), com acesso pela viela do Agro (actual Rua do Agro) e a partir de 1910, junto à linha férrea do Vale do Vouga. 
 
Ao longo de mais de 350 anos, esta casa manteve-se sempre nos descendentes da mesma família e foi marcante para a vida do concelho de Albergaria-a-Velha, não apenas pelos cargos desempenhados por alguns dos seus membros e pelos inestimáveis serviços prestados à comunidade, mas também porque aqui decorreram alguns acontecimentos relevantes, entre outros, episódios das guerras liberais em 1828, a promessa de edificar uma ermida, com a invocação de Nossa Senhora do Socorro em 1855 e do Ultimato Inglês a Portugal em 1890. 
 

A “Casa do Agro” acabaria demolida em Novembro de 1990 por ordem da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, para abertura da Rua do Agro que à época era uma viela. Era então a casa mais antiga de Albergaria-a-Velha. 
 
Entretanto, na segunda metade da década de 80, foi construída uma “nova” Casa do Agro, mantendo-se, no entanto, os antigos edifícios de apoio: adega, 2 lagares, cabanal, casa da eira e arrumos, que hoje se encontram restaurados quase na sua totalidade. Casa e quinta foram passando de geração em geração ao longo de mais de três séculos e meio." 
 
Fonte: Dr. Delfim Bismarck (em FB do Gin Ria) / Foto 1: "Casa e Capela de Santo António em Albergaria-a-Velha (Século XVIII)" de Delfim Bismarck / Foto 2: "Albergaria-a-Velha - Imagens do Passado" de Delfim Bismarck (colorizada)

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Projecto Quinta do Caima

 

“Tenho uma empresa de construção de casas de madeira e, na altura, andava à procura de um pavilhão para me esta­belecer e alargar empresa. Vim a saber que a antiga Fábrica do Caima estava em leilão. Eram 19 artigos e eu comprei-os to­dos com o meu pai”. 

Apesar da propriedade, que tem cerca de 50 hectares, estar licencia­da para turismo, Luís Capela admite que quando comprou os lotes estava apenas focado em alargar a empresa. “Eu e o meu pai pensámos fazer algo em grande aqui, mas era algo que financeiramente não tinha pernas para andar”, conta. 

As circunstâncias da vida fizeram com que toda a parte edificada do espaço comprado ficasse a seu encargo. “Comecei lenta­mente a investir aqui, a fazer limpezas às silvas e a recons­truir algumas coisas. Na altura havia aqui muito vandalismo. Infelizmente, este espaço era considerado de toda a gente. A fábrica ficou a dever dinheiro aos trabalhadores e eles acha­vam-se no direito de entrar aqui e tirar os cabos eléctricos, janelas… O ferro desapa­receu todo, agora só se vê betão!”, explica o proprietário da Quinta do Caima. 

E foi com o intuito de pro­teger a propriedade que Luís Capela, natural de Angola, e a esposa, Susana Capela, natural de Santo Tirso, acabaram por mudar a sua residência e ir vi­ver para a antiga casa dos pro­prietários da fábrica do Caima. 

“A primeira coisa que fiz foi reconstruir a minha casa de habitação- mantive a traça ori­ginal- e vim para aqui morar. Entretanto também comecei a colocar portões e placas a dizer que isto era propriedade priva­da”, conta Luís. 

A Quinta do Caima abriu há 4 anos ao público. Começou a funcionar com piscina (capa­cidade para 40 pessoas) e bar (capacidade para 70 pessoas). Entretanto foi criado um par­que radical para aqueles que são mais aventureiros. De for­ma semelhante, foram cons­truídos bungalows para os que preferem relaxar. 

Luís Capela explica que se apercebeu que “havia uma zona de depósito de madeira da antiga fábrica… um espaço amplo e que tinha potencial. Comecei a colocar lá as casas de madeira e percebi que era interessante dinamizar a área para alojamento local”. Mas se pensa que tudo isto fica por aqui engane-se! Está a ser desenvolvido um novo pro­jecto que entrou recentemente na Câmara: a construção de aldeamento turístico que terá 10 casas de madeira. 

Neste mo­mento existem 6 casas, que al­bergam no mínimo 30 pessoas. A recuperação de moinho que existe no Carvalhal tam­bém é algo que se pretende para um futuro próximo. “É um moinho industrial de di­mensão considerável. Tem 7 mós, 20 metro de cumpri­mento por 10 de largura! Era um moinho que era alugado a pessoas para virem moer. Agora está esquecido”, lamen­ta Luís Capela. 

Susana Capela que se juntou à conversa, explicou também que uma das pretensões seria “fazer uma sessão fotográfica com o antes e depois, ou seja, mostrar à comunidade como o espaço era antes e como está agora”. 

Revelou ainda que um dos objectivos futuros é a criação de um lar de idosos. “Aparecem aqui muita pes­soas que foram trabalhadoras na fábrica e gostamos de ou­vir toda as histórias que eles no contam. Este é um espaço de memórias e gostávamos de perpetuar isso através dos mais idosos”, declara Susana Capela.

Fonte: Jornal de Albergaria

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Quinta do Sol (1960-2019)


A Quinta do Sol foi construída em 1960 para a família Melo Vidal, emigrada no Congo Belga (antigo Zaire e actual República Democrática do Congo), em Jadotville (agora Likasi  no Estado do Katanga), que decidiu construir uma residência de férias em Albergaria-a-Velha, imitando a casa que possuía em África.

O pai chamava-se Carlos Ferreira de Lemos Vidal e era de Albergaria-a-Velha e a mãe, Maria Quaresma de Melo, era de São João de Loure. O casal emigrou para o Congo Belga em 1943 e tinha cinco filhos: Natália, Leopoldina (Dina), Carlos Alberto (Lito), Maria Armandina (Dica) e Maria Teresa (Zita).

Casa no Congo Belga (*)
 Esta casa tinha muito da casa que a família possuía no Congo Belga: rés-do chão, quarto grande para as meninas, "marquise", sala de jogos, onde se juntou uma lareira, quarto com casa de banho para empregada.
A Quinta do Sol sempre florida ...D. Maria Quaresma com amigas

Situada na actual Avenida Afonso Henriques, e demolida em 2019, a casa foi construída num estilo colonialista moderno de um só piso e era caracterizada por janelas largas de duas folhas, com rebordo saliente, com uma varanda coberta com placa fachada frontal e lateral direita, com pilares ornamentais, onde se destacam as linhas rectilíneas em todos os alçados a partir da incorporação de elementos decorativos, mas com telhado de várias águas, com alguma altura, construído sob uma estrutura de madura pilares centrais.

Lado da cozinha (anos 70/80) com Filipa, filha de Lito Vidal, e a avó materna

A casa produzia um impacto relevante, uma vez que se encontrava implantada a uma altura razoável, com o jardim frontal inclinado sobre a via pública, a que se acede por uma escadaria, rodeada de um muro baixo que simulava os efeitos estéticos da habitação, pintada em dois tons de cores.


O projecto foi assinado por Germano Marques Almeida, contudo a autoria não lhe pode ser inteiramente atribuída, pois teve por base as exigências do cliente, que acabou por fazer algumas alterações, nomeadamente no telhado.

Numa das colunas estava uma placa feita por Carlos Vidal no Congo Belga. de malachite (verde) com identificação da casa como “QUINTA DO SOL".

Fontes: Dina Vidal / Revista "Albergue" (em artigo de Paulo M. Almeida sobre Germano Marques Almeida)

(*) "a nossa casa no Congo Belga, a minha mãe à porta de casa, a baby sitter com o meu irmão Lito ao colo, eu e a Dica à espera da carrinha para irmos para a escola. No carro o meu pai que vai para o trabalho....anos 50" (Comentário de Dina Vidal)

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Albergaria-a-Velha recordou as grandes indústrias do passado


As antigas Fábricas Alba, de Valmaior e Caima, que tiveram um importante papel no desenvolvimento do Concelho nos séculos XIX e XX, foram recordadas na palestra "O Património Industrial em Albergaria-a-Velha" no passado dia 03-10-2019.

Inserido nas comemorações das "Jornadas Europeias do Património", o evento decorreu na Biblioteca Municipal e contou com um painel de oradores de várias áreas de investigação.


Através da análise de antigas fichas dos trabalhadores da Alba, Raquel Varela verificou uma relação estrutural entre Albergaria-a-Velha e a empresa, uma dependência em muito devida à grande percentagem de pessoas que viviam junto da fábrica.

Num país conservador e rural, com uma grande população analfabeta, a Alba possuía já trabalhadores semi-qualificados e, para a historiadora, isso explica porque a empresa nunca deixou o Concelho e desenvolveu um importante papel social e cultural.

O sucesso da empresa deveu-se muito ao “saber fazer” dos seus trabalhadores, que usufruíam de reais condições de mobilidade interna, o que permitia reter os melhores e mais especializados. O trabalho de investigação de Raquel Varela sobre a História económico-social da Alba vai dar origem a um livro, a ser apresentado em Albergaria-a-Velha no próximo ano.

Numa abordagem diferente, realizada no âmbito de uma tese de mestrado, a engenheira civil Cláudia Redondo partiu do património degradado de uma antiga empresa – a Fábrica de Valmaior – para propor uma nova função estratégica para o espaço.

Após uma caracterização do edifício actual, foram apresentadas cinco possíveis soluções para o reuso das instalações – espaço multi-funções; centro de formação/escola; galeria de exposições; área comercial; e incubadora de empresas.

De acordo com os resultados aferidos através da aplicação de um questionário junto de diferentes profissionais, como arquitectos, políticos, engenheiros ou empresários, constatou-se que a solução que reunia mais consenso foi a de espaço multi-funções e para colectividades.
 

Na segunda parte da palestra, a Fábrica do Caima esteve em destaque com três apresentações diferentes. O investigador Jorge Custódio encontrou nas minas de chumbo e cobre do Palhal e do Carvalhal as raízes da posterior Fábrica de Pasta de Papel, que se instalou nas margens do rio Caima no final do século XIX.

Como as minas exigiam muita madeira para garantir a segurança nas galerias – que no caso da mina do Palhal podiam descer mais de 300 metros de profundidade – foi necessário adquirir grandes manchas florestais na zona. No entanto, com os problemas ambientais e sociais a surgirem, as minas tornaram-se muito “caras” para gerir. Tendo em conta as grandes propriedades entretanto adquiridas, a solução apresentada para rentabilizar o investimento foi criar uma fábrica de pasta para papel.


E quem foram as pessoas por trás do desenvolvimento deste novo projecto? A arqueóloga Sofia Macedo traçou um retrato dos britânicos que marcaram o desenvolvimento da Fábrica de Pasta de Papel do Caima, com especial incidência em William Cruickshank e na família Bergqvist.

Dadas as antigas relações comerciais entre Portugal e o Reino Unido, houve sempre uma comunidade próspera de britânicos no Porto e foi através de contactos pessoais realizados na Feitoria dos Ingleses daquela cidade que os primeiros gestores estrangeiros entraram no negócio da Fábrica do Caima. Criada em 1888 em Inglaterra, com o nome The Caima Timber Estate and Wood Pulp Company Limited, a empresa teria sempre uma forte presença de estrangeiros na sua administração.


Do social para a área técnica, as apresentações sobre a Fábrica Caima finalizaram com uma abordagem da importância das máquinas a vapor no desenvolvimento do negócio. Susana Pacheco afirmou que a empresa foi inovadora na produção de electricidade através do vapor, que não era muito comum em Portugal.

Por outro lado, a reutilização do desperdício decorrente do processo de produção para combustível também permitiu concluir que a fábrica sempre soube tirar partido do melhor que as tecnologias da época tinham para oferecer.

A palestra O Património Industrial em Albergaria-a-Velha, moderada pelo Vice-Presidente do Município, Delfim Bismarck, encerrou com um momento de debate.

Fonte: CMAAV (adaptado)


sábado, 10 de novembro de 2018

Demolição da antiga taberna do Raúl



(...) concluíram-se na passada quinta-feira os trabalhos de demolição da casa que todos conhecíamos como a taberna do Raúl do Cubo. Este estabelecimento comercial foi, no seu auge, uma das mais conhecidas e frequentadas casas de pasto da região. Situado no lugar do Cubo, no limite norte da freguesia e sobre a margem direita do Vouga, observava-se das suas pequenas janelas o espreguiçar do rio ao longo da praia dos Tesos para depois, seguir viagem por Angeja, rumo à ria de Aveiro.

Durante dezenas de anos, ali trabalharam e geriram o seu negócio o Sr. Raul da Silva Amaro e a Sra. Maria sua esposa. Serviam-se refeições, petiscos, vinho, cerveja. Eram muito apreciados, entre outros, rojões à lavrador, o peixe frito pescado no rio e na pateira de Frossos, e, como iguaria, os ruivacos.

Naquela casa - paragem “obrigatória” de operários, camponeses, proprietários, pequenos industriais e negociantes – se fecharam muitos negócios entre os frequentadores: Fosse a venda de pinhais, o cevado, a vaca ou vitela, etc...


Além da boa fama granjeada na região, esta taberna contribuiu para o desenvolvimento da economia local, uma vez que dava emprego a algumas pessoas e muito do peixe de água doce ali consumido, era adquirido à comunidade de pescadores residente no Cubo.

Com a cessação de actividade por parte do Sr. Raúl, o negócio foi trespassado uma vez, outra e outra vez. Nunca mais voltou a ser o mesmo!... E, de mão em mão, acabou por se transformar numa casa de alterne. Até que, há vários anos atrás, foram encerradas as portas, para nunca mais se abrirem.

A degradação evidente do edifício, o eminente estado de ruína, o local de implantação em zona protegida, e a fealdade e má qualidade arquitectónica determinaram o seu fim na tarde do dia 8/11/2018. Como em tudo na vida há um princípio, um meio e um fim!

Estiveram bem as autoridades que procederam ou determinaram a demolição preventiva. Continuem!

Fonte: Francélio Vouguense - Frossos (em facebook)

sábado, 20 de janeiro de 2018

Habitação social em Albergaria-a-Velha

Bairro das Lameirinhas
A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha concluiu em 2015 a requalificação de vários fogos de habitação social, no Bairro das Lameirinhas, no Bairro Napoleão e num prédio no lugar dos Açores. Ao todo, foram cinco habitações intervencionadas para realojamento de famílias carenciadas.

A autarquia albergariense era proprietária de 70 fogos de habitação social, todos na freguesia de Albergaria-a-Velha e Valmaior, e mais cinco em Alquerubim, no complexo de Quinta D’Alque, que estão atribuídos em regime de renda apoiada.

No Bairro das Lameirinhas, o maior conjunto de habitação social do concelho de Albergaria-a-Velha, situado no centro da Cidade, um apartamento no rés do chão, T3, foi requalificado e passou a dispor de uma rampa de acesso para pessoas com mobilidade reduzida e uma casa de banho com as mesmas condições. Um outro apartamento de tipologia T3 foi alvo de reparações, que consistiram em pinturas gerais, substituição de pisos, substituição de circuitos eléctricos e equipamentos de casa de banho e cozinha. A Câmara Municipal é proprietária de 32 fogos no Bairro das Lameirinhas, que é constituído por 88 de tipologias T1 a T4 duplex.

Bairro Napoleão (Alto da Assilhó)
O Bairro Napoleão, junto à Irmandade da Misericórdia de Albergaria-a-Velha, é dos mais antigos do concelho, tendo sido construído para suprir a demolição de um grupo de casas que deram lugar à escola industrial, depois ciclo preparatório. São 12 casas, de dois andares, de tipologia T3, e quatro de rés do chão. A autarquia procedeu a uma intervenção em dois dos fogos que se encontravam devolutos, que consistiu em pinturas, reparação de caixilharia e soalhos, substituição de circuito eléctrico, equipamento sanitário e cozinha.

O Bairro das Lameirinhas é um conjunto habitacional construído pelo antigo Fundo de Fomento de Habitação, que passou para o município Albergariense em 2003. Os restantes fogos de habitação social da Câmara Municipal, na Rua Eugénio Ribeiro, na Rua das Flores, no lugar dos Açores e o Bairro Napoleão são os fogos do designado “Legado Napoleão”. Trata-se de Napoleão Luiz Ferreira Leão, um benemérito albergariense a viver em Moçambique, que doou à autarquia, em 1922, um fundo para construção de casas de Habitação Social.

Fonte: Região de Águeda (adaptado); Imagens: Google maps


sábado, 20 de agosto de 2016

Casa do Mouro


A Casa do Mouro é uma casa setecentista, localizada no ângulo das ruas Dr. José Henriques e Dr. Alexandre Albuquerque, de planta rectangular de único volume. [Número IPA Antigo: PT020102010006]

Descrição

Planta rectangular, volume único com cobertura em telhado de 4 águas.

Edifício de 2 pisos com fachada principal, dividida em 2 panos por pilastras toscanas.

Existência de 4 vãos em cada piso, tendo o 1º quatro portas simples de verga curva com cornija saliente que se ligam, três delas, às bacias das janelas de sacada do 2º piso; estas têm verga curva e guarda de grade em ferro; a outra janela é de avental, pouco desenvolvido, recortando-se a simular duas aletas opostas, ladeada por duas mísulas para suporte de floreiras.

No pano da direita, abre-se amplo portão com verga recta encimada por cornija sobrepujada por aletas com volutas deitadas enquadrando pedra rectangular ao centro, já sem brasão; encimando-a foi colocada posteriormente uma pequena janela rectangular simples ao nível do 2º piso.

A fachada lateral é flanqueada por pilastras idênticas, definindo dois panos: o primitivo, com 3 vãos em cada piso, e um acrescento lateral, à esquerda, com 2 janelas rectangulares simples, uma em cada piso; no 1º pano, três portas simples de verga curva, encimadas por janelas de peito também com verga curva, sendo a do meio com guarda peito de grade em ferro e as laterais de avental, pouco desenvolvido, recortando-se a simular duas aletas opostas, ambas enquadradas por duas mísulas para suporte de floreiras.

Friso e cornija corrida com beirado saliente rematam ambas as fachadas.


Acessos

Entroncamento das antigas saídas de Albergaria-a-Velha para N. (Porto) e para O. (Aveiro); Rua Doutor Alexandre de Albuquerque, n.º 1
 
Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, no ângulo de ruas, adossada a casas de 1 e de 2 pisos.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Residencial: casa residencial e comercial [Café Triângulo]

Propriedade

Privada: pessoa singular


Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 18, finais - construção; séc. 19 / 20 - acrescentos laterais às fachadas com vãos rectangulares simples.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Granito (cantarias), telha marselha, ferro (guardas), madeira (caixilhos, alumínio (caixilhos do piso térreo)

Bibliografia

GONÇALVES, A. N., Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro, Zona Sul, VI, Lisboa, 1959, p. 54; FERREIRA, Delfim Bismarck, Casa e Capela de Santo António em Albergaria-a-Velha - Século XVIII, Porto, 1999

Fonte: SIPA (Paulo Dórdio/1997)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Recuperação de Celeiro na Ribeira do Fontão

 
Celeiro datado de 1959, localizado em Angeja, em estado de degradação foi alvo de reabilitação da autoria do arquitecto aveirense Manuel Damião dos Santos (que já residiu na freguesia da Branca).

O pequeno equipamento agrícola foi oferecido em tempos a Gustavo Valente Guimarães, pelos seus avós, com intenção de o transformar numa habitação unifamiliar, apresentando vários factores importantes, além da memória e volumetria, a forma como está implantado, a sua relação com a Ribeira do Fontão e com a paisagem envolvente, numa zona onde atualmente não se pode edificar.


A existência de regras muito claras e a possibilidade de projectar numa estrutura preexistente acrescentando-lhe elementos novos foram argumentos desafiantes para o arquitecto desenvolver o projecto.

Fontes: Archdaily / Diário do Imobiliário

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Quinta dos Lagos

Antigo palacete em 1904
A “Quinta dos Lagos”, segunda maior propriedade do concelho de Albergaria-a-Velha, com cerca de 24 hectares murados, surge-nos pela primeira vez noticiada no início do século XIX, altura em que era seu Senhor o Dr. Patrício Luiz Ferreira Tavares Pereira da Silva (1º senhor da Quinta).

Os 2ºs Senhores da Casa foram o Capitão José Luiz Ferreira e sua esposa, D. Henriqueta Augusta, que se tornaram também nos 5ºs senhores da Casa da Fonte, a qual foi vendida a seu parceiro e segundo primo, Alferes Manuel Luz Ferreira Rodrigues, pai de José Luiz Ferreira Rodrigues que veio a ser o 3º Senhor da Quinta.

José Luiz Ferreira Rodrigues (1847-1897), que tornou-se um capitalista bastante abastado, ao fundar com seu pai, a Ferreira & Companhia, que forneceu madeiras para vários caminhos de ferro de Portugal e de Espanha e para algumas minas de Inglaterra, construiu na sua “quinta dos Lagos” um magnífico palacete, sobre uma casa mais modesta que aí existia, vindo mais tarde a receber do Rei D. Carlos o título de Visconde dos Lagos, por decreto de 4 de Abril de 1891.

Em Agosto de 1924, um grande incêndio destruiu parte do magnífico palacete da “Quinta dos Lagos”, considerada então como uma das mais luxuosas residências do concelho, sendo de seguida recuperado.


Por esta época, a quinta era composta por terras lavradias, vinhas, pomares de laranjeiras e outros frutos, moinhos de cereais e de azeite.

Em 1942, os herdeiros do Dr. Manuel Luiz Ferreira Tavares Pereira da Silva venderam a casa a António Pinto dos Santos, natural do Porto.


Segundo os registos oficiais, a “Quinta dos Lagos” foi vendida em 1915, pela empresa Ferreira e Companhia ao Dr. Vicente Carlos de Sousa, nascido em Alquerubim, que vendeu a quinta a António Pinto dos Santos.

Em 29 de Dezembro de 1944, pelas 4h30 da manhã, um incêndio destruiu por completo o palacete dos Lagos, ficando desde então em ruínas. Alguns anos mais tarde, a “Quinta dos Lagos” foi vendida a Francisco de Sousa Magalhães, natural do Porto, que deixou uma quinta a cada um dos seus onze filhos.


O antigo palacete foi demolido em 1976, sendo posteriormente vendida a quinta à família italiana Beltrami.

Mário Beltrami, empresário e gerente da Portinco (marca Imco), recuperou completamente a quinta, dinamizando-a com explorações agrícolas e criação de gado, transformando os antigos celeiros na casa de habitação onde residiu.

A sociedade “Quinta dos Lagos – Sociedade Agro-Pecuária, Lda”, constituída em 1981, encerrou a sua actividade em 2009.

Fonte: Dellfim Bismarck Ferreira em Jornal de Albergaria de 25-01-1996 (série de artigos “Casas antigas de Albergaria”) (adaptado)

Imagens: Dr. Delfim Bismarck / Forum Landmania

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Minas na freguesia de Ribeira de Fráguas e no concelho


Após o levantamento do registo de minas, filões e veios de metais no concelho de Albergaria-a-Velha, detectámos a existência do registo de 18 manifestos. Os metais mais procurados eram a galena, prata, cobre e ferro.

Esta corrida aos registos justifica-se pelo sucesso que as Minas de Telhadela, Palhal e Braçal apresentavam e pela consequente ânsia do enriquecimento fácil e rápido.

Em 75 anos, a declaração (1883-1958) do manifesto de minas totalizou 141 registos nos livros da Câmara Municipal. Contudo, nem todo o subsolo do concelho é rico em minérios, as freguesias nortenhas tinham os maiores filões. Ribeira de Fráguas, neste período, registou 28 minas; a Branca 59 registos seguindo-se Valmaior com 51; por fim a freguesia de Angeja registou 3 manifestos e a sede de concelho 1.


Não fugindo muito a este tema, a indústria mineira na região, estamos a falar dos municípios de Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga.

Não seria de descurar, um projecto inter-municipal na criação de um circuito turístico referente à referida, mas extinta indústria mineira. Do Braçal, passando pelo Coval da Mó, parando em Telhadela, há muito para explorar no sentido do turismo industrial.


A riqueza do subsolo era evidente. Dos minérios mais procurados, para além do chumbo de galena e cobre, com o decorrer do tempo surgem outros tais como prata, ouro, magnésio, zinco e ferro. Há também registo de duas jazidas de caulino, uma no lugar da Cova da Raposa, em Angeja, e outra em Telhadela (não especificando o lugar). O metal dourado esteve na miragem dos descobridores de filões. Há registo de dois filões de ouro, um no Vale do Perrão, em Vila Nova de Fusos, e outro no sítio da Turbina, junto ao rio Fílveda, em Vilarinho.

Quanto à qualificação dos pesquisadores destes metais, ela é muito duvidosa. Da investigação, podemos afirmar que qualquer pessoa que detectasse metais ou vestígios deles, imediatamente se dirigia à Câmara Municipal para aí registar a descoberta. Normalmente, eram os proprietários que o faziam. Contudo, a presença de estrangeiros especializados, nomeadamente espanhóis, alemães e belgas nas propriedades das Minas do Braçal, Telhadela e Palhal foi numerosa.

Fonte: "Ribeira de Fráguas - a sua História" de Dra. Nélia Oliveira e Nuno Jesus

Fotos: Panoramio (BTT Albergaria e Marathonas) e Luigi Chiappino

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Minas do Palhal

Estruturas da mina
As minas do Palhal foram descobertas em 1744 por ingleses. Diz a tradição que continham vestígios de indústria metalúrgica, do tempo dos mouros.

Em 1769 foram abandonadas devido a uma cheia do Caima. Em meados do século XIX passaram a ser exploradas pela Companhia Lusitana de Mineração. Produziam cobre, galena de chumbo, blenda, níquel, cobalto e alguma prata. Os seus poços eram de grande profundidade, as galerias extensas e os filões chegavam a atingir um metro de espessura.

Velho edifício

A 12 de Outubro 1847, onze anos depois da publicação da legislação setembrista que pôs termo ao monopólio régio sobre o sector, era concedida a Sebastião de Gargamala (cidadão espanhol) a mina de Cobre do Palhal, no concelho de Albergaria-a-Velha. (…)

Para proceder aos investimentos necessários aos seus empreendimentos [Palhal e S. João do Deserto, em Aljustrel] , associou-se a José Ferreira Pinto Basto a quem viria a ceder, decorridos seis anos, os seus direitos sobre a mina do Palhal.

Entrada da mina

Sebastião Gargamala requereu licença para lavrar este jazigo que, alegadamente, se encontrava abandonado desde meados do século XVIII, em 3 de Abril de 1846, tendo-lhe sido concedida a licença de exploração a 9 de Abril de 1847 e a concessão definitiva a 12 de Outubro do mesmo ano.

A cedência dos direitos de exploração a Pinto Basto terá ocorrido a 20 de outubro de 1853, tendo este obtido a aprovação da transmissão e a concessão provisória a 13 de Abril de 1858. A 3 de Maio do ano seguinte era-lhe atribuída a concessão definitiva, tendo a respectiva área sido ampliada em 4 de Outubro de 1871.

Casa dos Mineiros

Durante alguns anos a mina foi explorada pela sociedade anónima The Lusitanian Mining Company, constituída por Pinto Basto associado a capitais ingleses, como arrendatária, tendo adquirido a propriedade da concessão em de 6 de Março de 1879.

Em 4 de Agosto de 1883 a propriedade da concessão foi adquirida pela sociedade anónima, de capitais ingleses, The Palhal Mining Company, cuja transmissão foi aprovada por alvará de 23 de Junho de 1884.

Poço da mina

Depois de S. Domingos, era a mina do Palhal a única que exportava minério para Inglaterra - 1.098 toneladas com lei média de 15 %, equivalentes a 165 toneladas de cobre, para o ano económico de 1860-1861. Bem longe de S. Domingos, que por sua vez exportara 51.572 toneladas de minério equivalentes a 2.062 toneladas de cobre, à razão de 4 % desse metal.

Entre os minérios de cobre aqui extraídos, o explorado em maior quantidade foi a calcopirite, associado a minérios de chumbo e de zinco, como a galena e a blenda, sulfuretos bastante argentíferos. O pessoal empregado nesta mina – com orientação técnica e metodologia de lavra de influência inglesa – rondava, em 1887, as 123 pessoas, distribuídas pela administração, trabalhos subterrâneos e superficiais e tratamento mecânico.

Ponte em ruína

Segundo Neves Cabral, em 1858 trabalhavam na mina cerca de 300 pessoas, incluindo o trabalho de carreiros que faziam o transporte.

As condições de exploração da mina pareciam ser, no último quartel do século XIX, bastante promissoras, pois encontrava-se ligada por uma estrada de MacAdam à estrada do Porto e, daí, à estação de caminho-de-ferro de Estarreja.

Fonte: Francisco Vitorino (Estruturas empresariais e investimento estrangeiro nas minas do distrito de Aveiro: o caso das Minas do Vale do Vouga)

Fotos: Luigi Chiappino

domingo, 20 de janeiro de 2013

Edifício "Vila América" da Rua Velha, em Angeja, em vias de ser demolido


O edifício "Vila América" da Rua Velha, em Angeja, conhecido popularmente pela "Casa do Caga Milhões", obra do início do Século XX (construída entre 1902 e 1912 segundo a placa que se encontra na fachada), está prestes a ser demolido apesar de merecer outro tratamento como refere Alberto Gonçalves da Silva já que "tem uma fachada notável e é uma obra irrepetível" mesmo que actualmente esteja em ruínas.

O actual proprietário do prédio foi intimado, pela Câmara Municipal, a demolir o edifício até às fundações. Mostra-se mais uma vez a pouca sensibilidade dos nossos governantes, independentemente da cor politica, para a salvaguarda do nosso património. Existindo programas que incentivam a reabilitação deveria ser analisada essa solução antes de obrigar à demolição.


(em blog "Novos arruamentos")

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Brasões de armas adossados plenos (Ribeira de Fráguas)


Localização:

- Ribeira de Fráguas
- Calçada de Fráguas
- Avental de janela na fachada principal de uma casa particular em ruínas

Material:

- Granito

Época:

- Século XVIII (1790).Sobre a janela do lado nascente pode ver-se esculpida a data de 1790.

Descrição Heráldica:

- Dois escudos clássicos adossados, plenos.

Trata-se de um exemplo de rara beleza e simplicidade, assim como também muito invulgar, julgando-se ser caso único em Portugal.

Proveniência:

Desconhecem-se quaisquer motivos que tenham levado o proprietário desta casa a mandar esculpir este avental de janela com os dois escudos adossados plenos, aquando da sua edificação.

Este edifício pertenceu no final do século passado à família Samartinho, oriunda da freguesia da Ribeira de Fráguas, sendo hoje propriedade de diversos descendentes da mesma família.


Função de Celeiro ?

Sensivelmente a dois terços da fachada principal, pode-se observar uma emenda na parede, o que pressupõe o acrescento da parte do lado nascente. Segundo a tradição popular, terá tido, em tempos mais remotos, a função de Celeiro.

Desconhece-se, no entanto, a existência de qualquer proprietário nesta freguesia, assim como de qualquer outro, que aqui detivesse grandes propriedades agrícolas que justificassem a existência de um celeiro destas dimensões, assim como se desconhece igualmente a existência de qualquer armigerado que por aqui detivesse grandes colheitas que igualmente o justificassem.

Calçada de Fráguas

É hoje uma calçada secundária e de pouco movimento, praticamente só utilizada por moradores das redondezas, embora no passado tenha sido uma das principais e mais centrais vias de comunicação que atravessavam o lugar de Fráguas e a própria freguesia da Ribeira de Fráguas.

Fonte: Dr. Delfim Bismarck Ferreira em Jornal de Albergaria (09-01-2002) e Revista Patrimónios (adaptado)

Colaboração: Nuno Jesus (foto)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Fábrica de Cerâmica da Branca (1918-1980s)


Em 1908, inicia-se a construção do primeiro lanço da Linha Férrea do Vale do Vouga, entre Espinho e Oliveira de Azeméis numa extensão cerca de 33 Km e em 1909 esta via chega ao Carvoeiro. É portanto, um ano antes da implantação da Républica que a Branca beneficia da Linha Férrea do Vale do Vouga.

Instalada esta Via, a Branca surge como um excelente ponto estratégico para a construção de uma filial da Empresa Cerâmica do Fojo, a Fábrica da Branca - 1918.

Empresa Cerâmica do Fojo

Esta Fábrica era uma Sociedade Anónima por Quotas, já com uma certa projecção nacional, e na qual muitos branquenses investiram as suas economias sem nunca terem visto quaisquer lucros.

Dizia-se na gíria que, "o fumo que saía das chaminés era proveniente das quotas".

Nesta empresa produzia-se essencialmente tijolo, que era transportado por esta linha para os mais diversas locais do país. Por aqui transportava-se também o minério das Minas do Palhal para Espinho que seria depois exportado para o estrangeiro pelo porto de Leixões.

Aquisição da fábrica por emigrantes no Brasil

No ano de 1940, um grupo de homens abastados e ilustres vindos do Brasil deslocaram-se ao Fojo na expectativa de realizarem o negócio que acabou por se concretizar. Os Srs. Manuel Ferreira Ribeiro, José Dias Marques e Joaquim Nunes da Silva adquiriram a Fábrica da Branca pela quantia de 240 contos.

Cinco anos após a compra procedeu-se à primeira remodelação da fachada, compra de máquinas para a Fábrica e melhoramentos consecutivos.

Esta Fábrica desde o seu início até ao seu declínio (década de 80) empregou grande parte da população branquense.

Fonte: "Auranca e a Vila da Branca: perspectivas" de Nélia Maria Martins de Almeida Oliveira (adaptado, n/ intertítulos)


Depois do encerramento da empresa apenas sobrou a chaminé.

(em "Novos arruamentos"; Foto da chaminé: Mário)