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segunda-feira, 10 de setembro de 2018
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Reabertura da "Estalagem dos Padres" como Alojamento Local (2018)
A Estalagem dos Padres foi fundada por dois irmãos, Padre Manuel Gonçalves e Padre José Bernardino Gonçalves, em 1818. Precisamente duzentos anos depois, e depois de diversas utilizações, o edifício original foi reabilitado e abre com as mesmas funções.
O edifício, de interesse municipal, foi adquirido em 2015 por José Parente, que conjuntamente com a sua filha Catarina, optaram por preservar a casta original e manter o mesmo nome, ligando assim a inovação com a tradição, e o antigo com o moderno.
Decidiram atribuir aos quartos os nomes de personalidades que por aqui passaram como Ramalho Ortigão ou D. Manuel II, valorizando assim a componente histórica do imóvel.
O projecto de arquitectura foi da responsabilidade da empresa Inch, de Henrique Chaló. O alojamento tem uma lotação máxima de 30 pessoas, 5 suites com casa de banho privativa e 4 camaratas com beliches (duas com lotação para para seis pessoas e duas com lotação para quatro pessoas). Há ainda comodidades para reuniões e videoprojector. Terraço, mobiliário de exterior, área para laser e cozinha para utilização livre.
No dia 18 de Julho foi apresentado o livro "A Estalagem dos Padres em Albergaria-a-Velha", da autoria de Delfim Bismarck Ferreira, que conta a história do imóvel.
Fontes: Jornais "Beira Vouga" e "Correio de Albergaria"
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Padres da "Estalagem dos Padres" como episódio cómico no romance "Lição ao Mestre" de Teixeira de Vasconcelos (1875)
"- No dia seguinte partiram para Lisboa Domingos de Sampaio e Thiago Torres, indo pernoitar à pequena povoação de Albergaria, na estalagem daqueles padres que tanta gente ainda viva conheceu a dirigirem mui honradamente a sua hospedaria, e a alegrarem os viajantes tocando-lhes rabeca enquanto ceavam. Maus músicos, muito maus! Porém excelentes padres e conscienciosos estalajadeiros! Nos anos em que vai correndo a nossa historia, deviam ter concluído recentemente a sua ordenação os dois sacerdotes, e dado por completo o estudo da rabeca, porque ninguém lhes ouviu depois senão o que tocavam então."
"- Chegaram cedo os nossos viajantes, e foram dar um passeio na povoação até anoitecer. Adiantando-se na estrada de Coimbra viram ao longe dois homens montados em bestas muares e precedidos por um arrieiro cujos braços, oscilando de um para outro lado como a pendula dos relógios, acompanhavam o movimento do corpo. Pareceu a Domingos de Sampaio que seriam dois estudantes do Coimbra regressando à casa paterna por ocasião das ferias."
" - Não se iludia. Quando se aproximaram mais, Thiago Torres julgou conhece-los, e disse ao alferes, que se a vista o não enganava, eram com efeito estudantes e naturais de Aguiar de Sousa." (…)
"recolheram á estalagem para cear e dormir. Não se deitavam porém à hora que mais lhes aprazia, os hospedes dos bons padres de Albergaria, porque ao finalizar a ceia, vinham para a sala com a rabeca, e era forçoso pedir a um deles que tocasse, e ouvi-lo até se lhe aplacar o furor (de) músico."
"Domingos de Sampaio não pôde resistir à tentação de se divertir à custa daqueles dois padres, e por isso fingiu ouvir com especial prazer quando um deles foi executando na rabeca, e acompanhou com bravos que pareciam mui sérios, todas as desafinações do respeitável eclesiástico." (...)
" (...) Nunca teve ideia de sair daqui, e ir a Lisboa aperfeiçoar-se com algum músico célebre ou ao Porto onde também há professores? A vontade era boa, respondeu o padre, mas falta o melhor. Exige muitos gastos a residência em Lisboa ou no Porto. Sem dúvida, mas aí é que eu posso servi-lo, obtendo-lhe o que de certo não imagina poder alcançar, isto é, discípulos a quem ensine o que sabe, ao mesmo tempo que vai aprendendo com os professores de maior fama todas as dificuldades da musica.
- E acha que eu poderia encontrar discípulos? perguntou o padre sem dar pelos esforços com que os estudantes encobriam o riso."
Nota: Este episódio é um pouco longo, e explora a pouca habilidade dos Padres da Estalagem nas artes musicais (já o Reverendo William Morgan Kinsey fizera referência - aparentemente elogiosa - ao gosto musical de um dos padres), prossegue (mais tarde) com a ida do Padre para o Porto (que julgamos ser meramente ficcional), sendo descrito (de forma algo infeliz) como um convidado indesejado que a todos martirizava com a sua rabeca.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Ramalho Ortigão descreve o Estudante de Coimbra que pernoitava na Estalagem dos Padres de Albergaria (1888)
Em 1888, David Corazzi editava, impresso pela Tipografia das Horas Românticas, este “Álbum de Costumes Portugueses”. Para cinquenta litografias cinquenta textos distribuídos por cinco autores (…)
Ramalho Ortigão (1836-1915), dândi e crítico social, escrevia sete trechos, entre os quais a descrição de um estudante de Coimbra proveniente do Além Douro que pernoita sempre na Estalagem dos Padres de Albergaria-a-Velha, mas que no regresso já colocara no penhor as esporas, a jaleca e as botas.
Excerto
“Era pelos efeitos do chouto esquartejante (…), que o jovem aluno, vindo do Além Douro, de jaleca e cinta, botas de cava, esporas de prateleira e seis pintos no bolso, reconhecia, ao fim do primeiro dia de jornada, pernoitando na Estalagem dos Padres em Albergaria, que as ideias se lhe começavam a abrir não propriamente pelo cérebro, mas pelas vértebras falsas. (…)
Na volta pelas férias grandes era idêntico o aspecto de azémola e o de palafreneiro. Só reaparecia demudado o estudante. Esporas de prata, jaleca alamares, botas à Frederico tudo jazia no penhor de 3$600. E era em ceroulas com uma barra de chita, o gorro de uniforme na cabeça guedelhuda e uma espada à cinta, para fascinar pelo terror as populações alvoroçadas e os eclesiásticos tremiculosos da pousada de Albergaria que o académico em folga vinha espairecer, bacheralante e frascério, nas colheitas e nas vindimas da casa paterna.”
Fonte: Álbum de costumes portugueses com cópias de aguarelas originais e Alfredo Roque Gameiro et al com artigos descritivos de Fialho de Almeida et al
terça-feira, 27 de abril de 2010
Estalagem dos Padres (II)
Portugal Illustrated - Reverendo W. M. Kinsey (1829)O Reverendo William Morgan Kinsey percorreu Portugal na primeira metade do século XIX, tendo ficado alojado na Estalagem dos Padres de Albergaria-a-Velha, conforme descreve no seu livro de viagens "Portugal Illustrated":
"Albergaria-a-Velha, onde existe uma boa estalagem dirigida por dois padres, com a assistência, ou melhor, sob o domínio, de sua irmã.
Um dos respeitáveis eclesiásticos é um entusiasta pela música e, muitas vezes, mitiga as horas de tédio do cansado viajante com a suave música da sua guitarra... e, se devidamente lisonjeado, pode acompanhar com uma modinha de sua lavra"...

"Roteiro do Viajante no Continente e nos Caminhos de Ferro de Portugal em 1865" de João António Peres Abreu
"Modernamente adquiriu Albergaria uma outra celebridade, e que por alguns annos fará recordar a muita gente os tempos passados, porque era alli que existia a célebre estalagem dos padres"
"Diccionário Chorographico" de J. A. de Almeida
J. A. de Almeida fala da estalagem dos padres como de coisa muito notável.
"Chorographia Moderna do Reino de Portugal", de João Maria Baptista (1875)
João Maria Baptista, coronel de artilharia reformado, também faz uma referência, ainda que menos elogiosa, à estalagem na sua obra "Chorographia Moderna do Reino de Portugal", de 1875:
"O ‘Diccionário Chorographico’ (D.C.) fala da estalagem dos padres de Albergaria-a-Velha como de coisa muito notável. Também ali estive em 1859 e 1861 e não sei as razões que teve Almeida para Ihe dar epíteto de famigerada. Era nesse tempo uma hospedaria decente e cómoda. Nada mais."
Fonte: Google books
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Estalagem dos Padres (I)
A “Estalagem dos Padres” ou “Hospedaria dos Curas” situava-se na Rua de Santo António (antiga Estrada Real) e terá sido mandada edificar, no início do século XIX, pelos irmãos Padre Manuel Gonçalves e Padre José Bernardino Gonçalves, os quais foram, durante largos anos, Curas e Encomendados (Párocos e Coadjuvantes) na freguesia de Santa Cruz de Albergaria-a-Velha.Esta estalagem acolheu ao longo dos anos inúmeros viajantes que pela Estrada Real passavam, como foi o caso do Marquês de Alorna e de Fronteira, e sua comitiva, no início de 1841.
Em 1855, quando a cólera-morbus atacou mais de 25 % da população do nosso concelho, um dos três pontos de socorros médicos foi instalado na “Estalagem dos Padres”, onde medicava o Dr. José dos Santos Sousa.
A estalagem foi herdada primeiramente pelos irmãos Reverendo João Fortunato José D’Almeida e Padre João António José D’Almeida, que continuaram a ser conhecidos por “Padres da Estalagem”, e mais tarde pela sua irmã D. Emília Ermelinda de Jesus Almeida e seu marido José Coelho de Pinho.
Este casal mandou fazer obras na Estalagem no final do século XIX, ficando deste então substancialmente alterado este edifício, supondo-se ter sido acrescentado o último piso.
Fonte: Delfim Bismarck Ferreira, em Jornal de Albergaria de 16-05-1996 (extracto, adaptado)
Foto: Rogério Policarpo (Facebook)
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