segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Em Memória de António Ferreira Martins (Comerciante em Oeiras)


António Ferreira Martins nasceu a 7 de Maio de 1879 em Albergaria-a-Velha, filho de Ana da Silva dos Santos. Não lhe conheço nome de pai mas tê-lo-ia certamente como todos nós e, segundo o meu pai, que o conheceu bem pois foi educado por ele, ele sabia quem era o seu progenitor (há quem diga que era o patrão de sua mãe...)

Sou bisneto dele e a partir daqui vou referir-me a ele como o 'avô', pois foi assim que sempre ouvi referi-lo, ao longo de toda a minha vida. Não só pelo meu pai, seu neto por parte de mãe, mas por todos os familiares, incluindo o meu ramo materno, pois o avô foi uma referência e um pilar de toda a família enquanto foi vivo, e ainda é recordado com profunda saudade por todos.

Fundição

Desconheço o percurso do avô desde que saiu da terra onde nasceu até se fixar em Lisboa. Sei que trabalhou na Metalúrgica de Benfica, julgo que era uma fundição, onde terá fundido os candeeiros de ferro que rodeiam o obelisco dos Restauradores.

Orgulhava-se, aliás, de o ter feito, pois fundiu-os em peça única, contrariando a opinião do engenheiro, que considerava tal coisa impossível e que após constatar os bons resultados do trabalho, deu o braço a torcer e fez questão de desfilar de braço dado com o avô pela oficina, entre alas formadas pelos operários. O engenheiro de fato e gravata, o avô de fato-macaco sujo e encardido...

O avô contava esta história com grande orgulho e entusiasmo, segundo testemunhos. Sei que mais tarde, já comerciante, a sua firma teve relações comerciais com esta empresa.

Negociante de Sucata

Como certo tenho que o avò era um comerciante ligado à indústria.
Tinha o citado armazém de 'trastes' em Alcântara. Talvez tenha começado aqui a sua actividade comercial.

O mencionado armazém talvez pertencesse à empresa de sucata, de grande dimensão, "Martins & Cadório, Lda." da qual o avô era sócio, julgo que ou maioritário ou com metade das quotas, ou não faria sentido o seu nome aparecer na designação da firma. Ou talvez esta firma tenha nascido a partir da actividade daquele armazém.

Para dar uma ideia da dimensão desta empresa, à data da morte do avô, estava acostado no cais de Alcântara um velho cargueiro que a empresa tinha adquirido para desmantelar e vender a sucata resultante às fundições.

Negociavam sobretudo com fábricas e fundições, de metalurgia e metalomecânica, e por isso a sua ligação a Oeiras, por via dos negócios que tinha com a Fundição de Oeiras.

Era ainda sócio da "Sociedade Ultramarina de Conservas, Lda.", proprietária duma fábrica de conservas, situada em Cabo Verde.

Homem duro e rigoroso

Era, certamente, um homem duro e rigoroso. O meu pai conta que um dia levou um valente estaladão do avô, e já tinha 18 anos, por este o ter surpreendido a fumar um cigarro!

Só me lembro de ter visto o avô uma única vez. Apenas uma, mas é uma imagem que se gravou a fogo na minha memória, e se tornou indelével. Foi pouco antes de ele falecer e eu teria os meus 3 anos.

O que ele saberia ?

Por vezes penso no quanto ele saberia sobre Oeiras, como esta era quando ele a visitava. A estação de comboios, as ruas, as quintas, a praia, o ar... O que ele sentia e o que os seus olhos viam quando aqui vinha. Como eram as casas, as gentes... tantas perguntas que eu teria para lhe fazer... Pois é, gostava de ter conhecido o Avô.

Fonte: Memória de Oeiras (adaptado)


António Ferreira Martins, empresário, nasceu em 7 de Maio de 1879 na Rua da Praça, em Albergaria-a-Velha, filho natural de Ana da Silva dos Santos, solteira, negociante, natural de Valmaior.

Casou a 21 de Dezembro de 1941, em Lisboa, com Sofia da Silva, natural de Lisboa.

Trabalhou na Metalúrgica de Benfica, em Lisboa, onde também foi sócio da empresa "Martins & Cadório, Lda." e da "Sociedade Ultramarina de Conservas" (SUCLA).

António faleceu em 12 de Fevereiro de 1962 em Santa Isabel, Lisboa, com descendência.

Fonte: "Albergaria-a-Velha 1910-da Monarquia à República" de D. Bismarck Ferreira e R. Vigário (adaptado)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Casa da Fontoura, Alquerubim

A Casa da Fontoura é uma das mais antigas casas da freguesia de Alquerubim.

O imóvel, de rés-do-chão, datado do século XVIII, situa-se na Rua de São Brás, no lugar de Beduído, freguesia de Alquerubim, e foi alvo de obras, de modo a tornar-se num espaço de turismo rural.

O imóvel é actualmente da propriedade de Alberto Nogueira de Lemos, médico de cirurgia torácica no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Parte da casa foi destruída por um violento incêndio em Dezembro de 2007.

Fonte: Em Aveiro (in "Novos Arruamentos")

Ligações: Quinta da Fontoura / Família Nogueira de Lemos (geneall.net)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

José Arnaldo da Quina Domingues Ferreira, médico (1910-1991)

O Dr. Quina nasceu a 20 de Junho de 1910, na freguesia da Glória, em Aveiro, filho do antigo Deputado e Governador Civil de Aveiro, Coronel Gaspar Inácio Ferreira – natural de Albergaria-a-Nova - e de D. Virgínia da Quina Domingues.

Fez curso liceal, com todo o brilhantismo, no liceu José Estevão, em Aveiro. Depois matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde terminou a sua licenciatura aos vinte e três anos, com alta classificação. Casou com D. Maria Eulália de Lima Freire Mourisca, de cujo casamento não houve filhos.

Após a licenciatura, o Dr. Quina fixou-se em Albergaria-a-Velha onde instalou consultório e sempre exerceu sua profissão. Também teve consultório em Angeja, Branca e Albergaria-a-Nova. Além disso foi director do Hospital da Misericórdia, Subdelegado de saúde deste concelho e perito médico-forense na nossa comarca.

Foi um médico muito distinto e sabedor, mas foi sobretudo um dedicado amigo dos mais carenciados, pois sempre estava ao seu dispor, pelo que se tornou uma figura muito popular. Estimado e respeitado em toda a região, foi-o particularmente nos lugares do Sobreiro, onde passou a viver após o seu casamento, e em S. Marcos que lhe fica adjacente.

Faleceu no dia 17 de Dezembro de 1991, na sua residência, na Quinta da Senhora do Amparo, no lugar do Sobreiro.


Homenagem

Em homenagem ao Dr. Quina Ferreira foi colocado, em frente à sua residência [na confluência da estrada de S. Marcos com a extensa rua principal do Sobreiro] um busto com a seguinte inscrição: "Homenagem ao Dr. Quina Ferreira - o Povo do Sobreiro e S. Marcos. 20/06/79".

Pela carreira profissional que teve a todos os títulos brilhante e pelo homem que foi, bem mereceu essas homenagens e, certamente ficou na história das personalidades desta localidade

Pela Câmara Municipal foi atribuído ao local o nome de Largo Dr. Quina Ferreira, associando assim a vila à homenagem que o prestante e dedicado médico mereceu ainda em vida; e, mais tarde, a Câmara municipal atribuiu, a título póstumo, a "Medalha de Mérito Municipal - Ouro".

Fontes: Alice Tavares / "Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha", António Homem de Albuquerque Pinho (adaptado) / Foto disponibilizada por Rogério Policarpo no facebook

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Beira Vouga no "Liga dos Últimos" (RTP)

O programa da RTP "Liga dos Últimos", que se propõe mostrar o que valem as pequenas equipas de todo o país, esteve em Frossos, durante o jogo Beira Vouga - Eixense:









Fonte/Mais informações: Portal de Albergaria / RTP

Link: Video (cerca de 30' após o início do programa)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Alfredo Esteves, futebolista internacional pela Selecção de Timor

Alfredo Mousinho Esteves nasceu em Lisboa em 1976, tendo aí vivido até 1994, ano em que os pais optaram por viver em Angeja, lugar que frequentemente visitavam em muitos fins-de-semana e em todos os períodos de férias da escola (Natal, Páscoa e Verão).

Quando se mudou em 1994, Alfredo já tinha varios amigos em Angeja, pelo que não lhe foi díficil a sua adaptação. Começou por jogar futsal, nos muitos torneios que se realizam por todo o concelho. E pouco mais tarde assinou pelo Estrela Azul de Cacia para jogar futebol de 11.

Após um período de lesões, fica parado por uns meses, tendo ingressado durante uma época na equipa de futsal da AJA (Associação Juvenil de Angeja). Na época seguinte assina pelo Gafanha, onde joga durante 5 anos.

Após o Gafanha joga, durante uma época, pelos New Hampshire Phantoms (E.U.A.), tendo, no regresso a Portugal, actuado no Tocha, Oliveira do Bairro e Desportivo das Aves da Liga de Honra.

No Aves fizeram um campeonato excelente, tendo subido à I Liga, mas pouco antes de terminar o campeonato recebe uma proposta para voltar aos Estados Unidos, desta vez para jogar pelo Minnesota Thunder da USL (1st Division) onde permanece durante 2 anos.

Selecção de Timor-Leste

Filho de pai português e mãe timorense, que se conheceram durante o serviço militar do pai (em Timor), o jogador luso-timorense teve assim a oportunidade de ser internacional pela jovem selecção de Timor-Leste (desde 2004), tendo inclusivé sido capitão num dos jogos.

"Fundação Figo"

Uma das suas maiores alegrias foi ter sido escolhido para jogar, em 2005, pela selecção da "Fundação Figo" juntamente com alguns dos maiores jogadores do mundo, num jogo que opôs, em Espanha, as selecções escolhidas por Luís Figo e pelo brasileiro Ronaldo, tendo repetido a façanha em 2008 (num jogo em Bucareste, Roménia).

Austrália

Alfredo Esteves decide apostar no futebol australiano para estar perto da Selecção, tendo assinado pelo Wollongong Wolves (curiosamente, um clube patrocinado por um emigrante português com fortes e conhecidas ligações a... Timor Leste). E em 2008 contribui para que o clube se sagre campeão australiano da NSW Premier League (2ª divisão).


Percurso futebolístico

2010 - Minnesota Thunder (E.U.A.)
2007/09 - Wollongong Community (Austrália)
2006/07 - Minnesota Thunder (E.U.A.)
2005/06 - Desp. Aves (Liga de Honra)
2004/05 - Oliveira do Bairro (2ª divisão-B)
2003/04 - UD Tocha (3ª divisão)
2003 - New Hampshire Phantoms (E.U.A.)
1998/03 - Gafanha

Origens angenjenses

A Bisavó paterna, Melânia, era de Angeja, bem como o avô Benjamim Nunes Esteves que se mudou para Lisboa aos 13 anos à procura de trabalho e por lá ficou e casou.

Em 1944 nasce em Lisboa o pai, Alfredo Gameiro Esteves. Mas quando chegou a altura de ir para a escola, o avô Benjamim achou que o Colégio de Albergaria seria o local ideal para o filho estudar, tendo ficado como aluno interno no colégio.

Fontes: Alfredo Esteves / ZeroZero / Janela de Contraste / Australian news

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

As memórias de infância de Augusto de Castro (in prefácio a livro de Ricardo Souto - 1937)

O livro que o meu velho amigo Dr. Ricardo Souto acaba de me enviar em provas e para o qual, afectuosamente, deseja algumas palavras minhas de introdução, é sobretudo para mim uma evocação dos doces, frescos e cantantes vergeis do Vouga, em que meus primeiros anos decorreram.

Recordações de Infância (I)

O túnel de Angeja, a pateira de Frossos, as estradas e as tricanas, a ria, as fontes, os cômoros, os milharais ao vento, o ar lavado dos montes, os adros floridos, os pinhais e as eiras - todo o horizonte da minha infância e da minha adolescência revive, a meus olhos, nesta tarde pálida da Belgica em que escrevo. Oiço os rebanhos nos campos, revejo o milho doirado ao sol, contemplo de novo sobre as areias claras, as águas do Vouga que brincam com os salgueiros e as codornizes - e, de longe, à distância de tantos anos, eu vos bemdigo, oh bemfazejas saüdades! (...)

"Soutos da Barca"

Ricardo Souto, o autor deste livro, que tenho a honra de prefaciar, foi um dos amigos dessa minha remota infância e creio que é a este facto, para mim inolvidável, que devo o prazer de ligar, nesta obra, o meu nome ao seu. Meu Pai, cuja memória, querida e ilustre, para mim está ligada a esta região falava constantemente dos "Soutos da Barca". Os Soutos da Barca eram Ricardo Souto, então jovem e distinto médico e seu irmão, estreitamente afeiçoado à minha família, e que foi um eminente magistrado.

Do Porto para o Fontão

Nascido no Porto, tripeiro de origem, foi nas terras do Vouga que passei, posso dizer, a minha infância. De lá, espiritualmente, parti. Quando meus Pais vinham passar as férias do Natal, da Páscoa ou as férias grandes ao Fontão, a pouco mais de três quilómetros de Angeja, começava para mim a grande evasão rústica da aldeia que foi a primeira e a melhor escola do meu espírito. Se mais tarde, a vida me separou dessas primeiras afeições, nunca, na realidade, as esqueci.

Recordações de Infância (II)

Como as païsagens, as figuras que conheci nesse tempo vivem na minha memória como se as tivesse ainda visto ontem: o Padre Santos, alto e espaduado, bom como uma criança, a reger a charanga de Frossos com o seu grosso bengalão de marmeleiro; o Padre José Luiz, o "Padre Zézinho", que tinha e, felizmente, ainda hoje tem talento e graça às carradas; o Castanheira, o Laranjeira, grandes amigos de meu Pai, o Manuel Maria de Angeja, em cuja casa, durante a festa da Senhora das Neves, se comiam os melhores leitões assados da região; os Lemos de Alquerubim (para onde a vida os dispersou?) e tantos outros que povoam ainda hoje de recordações, de pitoresco e de estima o meu espírito.

Ilustres visitantes

Todos eles vinham - uns de longe, outros de perto - assistir à festa da Senhora do Carmo, na Capela da nossa casa - festa que, ao som das músicas ao desafio e dos morteiros - missa, arraial, fogo preso - se prolongava por três numerosos dias de danças e descantes.

Lá estiveram, o poeta João Lúcio, o grande cantor do Algarve, meu companheiro de Coimbra, morto pouco depois, Júlio Dantas, descido do seu Olympo de Lisboa e Carlos Malheiros Dias que lá começou o primeiro capítulo dum romance, nunca concluído, sobre as tricanas de Aveiro, as lindas tricanas cujo encanto fenício conta entre os mais belos tipos de beleza feminina do mundo.

Esse capitulo de Malheiro Dias, que nunca foi conhecido, que eu saiba, descrevia uma pescaria no Vouga e era uma obra prima. Onde pára hoje e porque não publicá-lo? (...)

Livros regionais

Os livros regionais não são frequentes em Portugal - é pena. Eles constituem um dos mais úteis e significativos géneros literários - depósitos muitas vezes preciosos, de conhecimentos, de investigações e de documentação para a história geral do País.

O livro do Dr. Ricardo Souto, vai figurar, com um brilho especial, nessa galeria de estudos e de aspectos nacionais. E eu sinto-me feliz de aqui deixar a minha homenagem ao autor, com o tributo de estima ao amigo, e a evocação, para mim sempre saudosa, das memórias e das perspectivas que estas páginas, entre tantas figuras e coisas vivas e mortas, ressuscitam no meu espírito fiel ao passado e diante dos meus olhos exilados.

Fonte: Prefácio de Augusto de Castro* no livro "Angeja e a Região do Baixo Vouga" de Ricardo Nogueira Souto (in Novos Arruamentos)


Augusto de Castro

Augusto de Castro foi político, escritor e diplomata e ainda director do jornal "Diário de Notícias". Era filho do Conselheiro Augusto Maria de Castro que possuía uma casa no Fontão. [A Quinta do Fontão].

Benemérito de Angeja, Augusto Maria de Castro era filho da nobre "Casa da Oliveirinha", tal como os Conselheiros José Luciano de Castro e Castro Matoso.

Texto integral: Novos Arruamentos

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fundação Creche Helena Albuquerque Quadros

Já em 1945 existia SOLIDARIEDADE, pois com a boa vontade de D. Helena Quadros e seu marido Capitão Barbosa de Quadros foi construída a "fundação Helena Albuquerque Quadros" conforme vontade deste casal e por disposição testamentária, era vontade deles que a fundação albergasse filhos dos trabalhadores rurais, que quando fossem para a faina os deixassem protegidos.

Com avançar dos anos e os poucos rendimentos financeiros, pois em Angeja a sobrevivência das famílias era a agricultura, a fundação acabou por ficar inactiva.

Em 1989, a fundação reabriu já com outros projectos, em colaboração com a junta de freguesia de Angeja. Manteve-se, no entanto, o objectivo principal, o “apoio à criança e à família”, tendo-se tornado numa IPSS.

Presentemente encontra-se em pleno funcionamento com as várias valências: Creche; Jardim; Serviço de Apoio domiciliário; Intervenção Comunitária. De futuro, o sonho da Fundação é a construção de um Lar de Idosos.



D. Helena Quadros

Tudo começou quando José Maria Albuquerque Tavares Lobo, por não ter filhos, tornou a sua sobrinha, herdeira de todo o seu património. Sua sobrinha, D. Helena de Quadros, era casada com o capitão de artilharia Bernardo Barbosa de Quadros que, por motivos de saúde (era tuberculoso), resolveu vir morar para Rocas do Vouga.

Também este casal não tinha filhos e, depois de morrer D. Helena de Quadros, o capitão legou por testamento o seu património no concelho de Sever do Vouga à Junta da Paróquia de Rocas do Vouga. Morre dois anos depois, tendo sido sepultado junto de sua esposa, no cemitério de Mafamude, em Vila Nova de Gaia.

[a Fundação Bernardo Barbosa de Quadros foi fundada em 1960 em Sever do Vouga]

Fontes: J.F. Angeja (adaptado) / Incluinet

Sítio: creche-angeja

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Major Silvério Marques Pereira de Campos (1920-1996)

Natural de Valmaior, Albergaria-a-Velha, o Maestro Silvério Marques Pereira de Campos foi muito jovem para Lisboa e aqui fez a maior parte da sua carreira artística na Banda de Música da Guarda Nacional Republicana (G.N.R.), onde percorreu a hierarquia de furriel a tenente chefe de Banda de Música, tendo sido mais tarde colaborador extraordinário do Dicionário de Música de Tomás Borba e Fernando Lopes Graça.

Angola

Em 1960 foi colocado em Angola, tendo dirigido a Banda de Música do Regimento de Infantaria de Luanda e a Orquestra de Salão do Instituto de Angola, sendo ainda professor de Harmonia e Composição na Academia de Música de Luanda, cuja estruturação se lhe deve. Foi nesta cidade que o Maestro Silvério de Campos criou, desinteressadamente, a Banda da Casa Pia de Luanda composta por brancos, negros e mestiços, de idades compreendidas entre os 8 e os 13 anos.

Regresso a Portugal Continental

Regressando a Lisboa em 1962, ingressa novamente na Banda de Música da G.N.R. com a qual se desloca à Holanda em 1963 para tomar parte nos Festivais de Música da NATO, onde dirige conjuntamente as Bandas de Portugal, Holanda, Itália, Áustria e França (…)

De novo em Tomar – pois já ali servira em 1959/60 – volta a dirigir, de 1964 a 1967, a Banda do Regimento de Infantaria 15, acumulando com as funções de Inspector das Fanfarras da Força Aérea.

Clube Ferroviário de Portugal (C.P.)

É à frente da Banda do Clube Ferroviário de Portugal (C.P.) que em Junho de 1969 se desloca à Alemanha onde realiza uma audição no Palácio de Música dos Mestres Cantores de Nuremberga, a maior honra que um dirigente pode ter, regendo em conjunto todas as bandas das empresas Ferroviárias da Europa ali representadas.

Festival de Bandas Militares

É ainda sob a direcção do Major Silvério Campos que actuaram no Estádio do Restelo em Junho de 1978, no I Festival de Bandas Militares, em Évora, no IV Festival e finalmente no V Festival, em Lisboa em Agosto de 1982, as Bandas da Armada, Exército, Força Aérea, Guarda Nacional Republicana, Guarda Fiscal e Polícia de Segurança Pública, num total de 500 elementos.


Banda de Música da Polícia de Segurança Pública

Em Janeiro de 1979, por ter atingido o limite de idade no respectivo posto, deixa as funções que exercia na Força Aérea. Ingressando na P.S.P., onde consegue, dos seus chefes, a oficialização da Banda de Música na Polícia de Segurança Pública (…), ficando com um Quadro Orgânico modelar entre as Bandas Militares Portuguesas, com o efectivo de 114 elementos.

Colectividades Amadoras

A par da sua função artístico-militar, o Maestro Silvério de Campos dedicou uma intensa actividade a favor da música no meio amador do nosso País, tendo prestado a sua colaboração a [ínumeras] Filarmónicas (…)

Devido à sua excepcional actividade em prol de tantas Colectividades de amadores, em 17 de Dezembro de 1978, a Federação das Colectividades de Cultura e Recreio concedeu-lhe o Diploma e Medalha de “Instrução e Arte”, insígnia esta, que desde a sua criação em 1954, foi atribuída pela segunda vez a uma Individualidade por relevantes serviços prestados à causa da Música.

Condecorações Militares

- Das Campanhas de Ultramar
- De Assiduidade, de Prata, 2 Estrelas
- De Comportamento Exemplar Ouro;
- De Mérito Militar de 3ª Classe;
- De Mérito Militar de 2ª Classe;
- De Serviços Distintos;
- De Cavaleiro da Ordem de Aviz;
- De Mérito Cultural;
- De Cavaleiro da Ordem do Santo Sepulcro


Fonte: Banda de Música da Polícia da Segurança Pública (P.S.P.) (adaptado)

Actuação em Valmaior

Em 31 de Outubro de 1982, dirigiu a Banda de Música da Polícia de Segurança Pública no acto de inauguração da sede da Junta de Freguesia de Valmaior.



Nota: O Major Silvério Campos faleceu em Lisboa, no dia 9 de Junho de 1996.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Serviço inovador de multimédia no lugar de Nobrijo (Branca)

O lugar do Nobrijo, na Branca, tem 350 habitantes que, semanalmente, têm a oportunidade de descarregar gratuitamente para o telemóvel o seu jornal local em vídeo, através do sistema “bluetooth”.

A ideia pode parecer demasiado futurista para uma pequena aldeia, mas a verdade é que Nobrijo passou, desde Setembro, a ser a primeira povoação nacional a aderir à tecnologia “LigaoBluetoo”, criada pela empresa “Que Cena”.

Todas as semanas, um grupo, composto por três pessoas, produz um programa informativo sobre os principais acontecimentos da aldeia.

Falam da história, de educação, do poder público, de personalidades importantes da aldeia, entre outros temas. Depois de produzido, filmado e editado, o programa é distribuído via “bluetooth” para todos os telemóveis de Nobrijo, sem a necessidade de acesso à Internet.

Algumas notícias:

Festas da Senhora da Boa Hora
Capela de Nobrijo
Serviço Apoio ao Munícipe (SAM)
Obras na Escola de Laginhas
Pamela Figueiredo (descendente de Nobrijo é modelo e actriz em ascensão nos E.U.A.)

Video


Que Cena

A "Que Cena" nasceu, em Outubro de 2007, com a missão de comunicar e dar respostas imediatas e de qualidade em soluções multimédia nos mais variados modelos e suportes.

A empresa produz os conteúdos multimédia nos seus estudos próprios, em Albergaria-a-Velha, e, através de uma parceria com duas empresas norte-americanas, que disponibilizaram o emissor e o software de gestão e envio gratuito de dados, garante o acesso ao noticiário local por parte dos telemóveis com Bluetooth

Dado o interesse despertado por esta iniciativa, a "Que Cena" pretende difundir este projecto por todo o País, na medida em que considera ser um meio eficaz para as organizações transmitirem as suas informações de foram rápida, eficiente e não intrusiva.

Fontes: Diário de Aveiro; Portal de Albergaria; CMAV / Liga o bluetoo

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