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terça-feira, 31 de maio de 2011

LARUS equipa as primeiras pistas medicalizadas do Mundo

A LARUS, empresa portuguesa de concepção, desenvolvimento e produção de mobiliário urbano, equipou as primeiras pistas medicalizadas do mundo, que serão inauguradas no próximo dia 16, segunda-feira, no Parque do rio Diz, na Guarda.

Da autoria da Iberia Advanced Healthcare, este projecto é pioneiro à escala mundial na implementação de equipamentos medicalizados, placards informativos e de auto-avaliação, em estruturas urbanas já existentes, como pistas pedonais ou ciclovias.

A LARUS forneceu quatro soluções. Um fluxómetro que avalia a velocidade de fluxo da urina, detectando eventuais problemas da próstata. Um oxímetro para verificar a quantidade de oxigénio presente no sangue. Uma fita métrica para medir o perímetro abdominal e aferir de uma eventual gordura visceral e um tensiómetro para verificar a frequência cardíaca e os níveis da tensão arterial. Quatro soluções que possibilitam à população uma auto-avaliação e um pré-diagnóstico médico aos níveis cardiovascular, urológico e metabólico.

Para além destes quatro equipamentos, a LARUS foi também responsável pela sinalética: 11 placards outdoor distribuídos de 100 em 100 metros, ao longo do circuito e quatro placards indoor.

Para Pedro Martins Pereira, fundador da LARUS, este projecto reflecte “a cultura de cidadania e de ética da empresa ao serviço das pessoas e do bem público”.

Sobre a LARUS:

A LARUS é a marca portuguesa de mobiliário urbano com o maior número de prémios internacionais de design. A originalidade e a diversidade das suas propostas resultam da sua estreita colaboração com os maiores nomes da Arquitectura e Design nacional. Siza Vieira, Souto Moura, Daciano da Costa, Alcino Coutinho, Henrique Cayatte ou Francisco Providência são alguns dos autores que ao longo dos últimos anos desenvolveram com a LARUS novas soluções para os seus projectos.

A LARUS conta 22 anos de história e tem hoje uma presença internacional em Espanha, Reino Unido, Bélgica, Alemanha, Áustria, Eslovénia, Angola e Emirados Árabes.

Fonte: Ana Aires Duro / Larus (em Portal de Albergaria)

Foto: internet

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Larus - Design Urbano

A LARUS - empresa especializada na concepção e fabrico de mobiliário urbano (ver portfolio) - iniciou a sua actividade em 1988, em Alquerubim, sendo o seu sócio fundador Pedro Martins Pereira, engenheiro metalúrgico de formação e com larga experiência como Director Técnico da Fundição ALBA (fundada pelo seu bisavô em Albergaria-a-Velha) e como consultor.

A LARUS obteve grande visibilidade aquando da Expo 98 de Lisboa. A facturação duplicou e surgiram novos clientes. No entanto, para Pedro Martins Pereira, "foi igualmente muito importante trabalhar com excelentes profissionais e abriu as portas a outras colaborações".

É que a LARUS passou a ser uma marca associada aos mais reputados arquitectos e designers nacionais, como Manuel Salgado, Sidónio Pardal, Daciano da Costa, Francisco Providência, Henrique Cayatte ou Jorge Trindade. Aliás, a empresa foi pioneira na criação de um gabinete de design próprio.

Vários dos colaboradores da LARUS, incluindo Pedro Martins Pereira, tinham experiência na criação de novos produtos, pelo que desde o seu início, o departamento de design integrou designers de produto, designers gráficos e projectistas.

Os resultados estão patentes nas inúmeras distinções coleccionadas nos últimos anos, com destaque para a atribuição, por duas vezes, do Prémio Nacional de Design (1991 e 2000), a representação de Portugal no Prémio Europeu de Design (1994), menção honrosa na primeira edição do Concurso Design Management Europe Award – 2007 e red dot, prémio internacional de design, na Alemanha.

O início da actividade foi com a encomenda para projectar e produzir uma série de quiosques a instalar na cidade de Aveiro. Depois surgiram equipamentos para esplanadas.

Da colaboração com a Expo 98, concorrendo com outros fabricantes de maior dimensão, resultou o sistema de sinalética e os quiosques multimédia, bem como estruturas de ensobramento.

Entretanto deslocalizada para a sede do concelho, as actuais linhas de mobiliário urbano integradas englobam uma diversidade de equipamentos (bancos de jardim, floreiras, papeleiras, iluminação pública, abrigos, etc.).

Fontes: notícias de aveiro / Marcas e patentes / CCT

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Larus e Alba - Memórias de uma família com história


O bisavô talentoso

Entre as linhas que a Larus comercializa, está a Comendador, usada pelo atelier Risco no projecto para a Alta de Lisboa, onde há bancos, bebedouros, fontes e grelhas de árvores com a assinatura do designer.

É uma linha com uma história.

"Uma vez trouxe o Daciano da Costa a almoçar a Albergaria, à casa desenhada pelo meu bisavô. Passadas umas semanas, ele chamou-me e disse que me queria mostrar uma linha desenhada em homenagem ao meu bisavô."

Nasceu a linha Comendador, homenagem de Daciano da Costa (que morreu em 2005) ao antigo design das fábricas Alba e de Augusto Martins Pereira, comendador da Ordem do Mérito Industrial.


A avó "exótica"

(...) a história da Larus tal como é contada por Pedro Martins Pereira começa de uma forma inesperada, com uma senhora que, tendo nascido no Brasil e estudado nos Estados Unidos, "parecia um pouco exótica" aos olhos dos habitantes de Albergaria-a-Velha por andar de bicicleta e guiar um carro.

Isto passava-se na infância de Pedro, e a senhora era a avó, que tinha, além de tudo isto, o (bom) hábito de receber revistas americanas, "que nessa altura já falavam naturalmente sobre design".


Planos da família

Nasceu aí a relação de Pedro com o design. Mas os planos da família já estavam traçados e esperava-se que o rapaz, quando crescesse, viesse a ser chefe da fundição Alba, propriedade dos Martins Pereira.

"Está a ver os antigos postes de incêndio, as torres de iluminação, os bancos de jardim, as tampas de saneamento ?

Muito daquilo que ainda hoje se vê nas ruas foi desenhado pelo meu bisavô", o fundador da Alba.

Como previsto, Pedro foi trabalhar para a Alba — antes estudou engenharia em Coimbra, embora no início se empenhasse pouco nos estudos porque, às escondidas, inscrevera-se num curso de pintura, uma paixão antiga.



Arranque da Larus

Ao fim de alguns anos na Alba, saiu, em 1987, para criar a Larus com o designer e amigo Jorge Trindade. Começaram com um concurso para quiosques em Aveiro. "Ganhámos. Eu não tinha edifício, nem funcionários, nem equipamento. Não tinha nada. Aluguei umas escolas antigas, contratei um funcionário excelente, que começou a trabalhar depois das seis da tarde porque no início desconfiava um bocado daquilo, e paguei as máquinas a prestações."


ProjectoAlba

Em 2000, a Alba estava com dificuldades financeiras e Pedro Martins Pereira comprou a velha empresa da família, ficando com a marca e os produtos de referência do catálogo.

Responsabilidade social

(…) há valores que vêm do ambiente em que Pedro cresceu. O bisavô achava que a fábrica Alba tinha responsabilidades sociais e por isso criou um bairro residencial, um centro cultural, um campo de jogos e dois cinemas, os Cine-Teatros Alba de Sever do Vouga e de Albergaria-a-Velha.

Fonte: Revista Pública (Janeiro, 2011)

domingo, 20 de outubro de 2013

A segunda vida da marca Alba


Pedro Martins Pereira comprou a marca e os produtos de catálogo da histórica metalúrgica Alba, tendo já investido mais de meio milhão de euros para dar uma segunda vida à empresa fundada pelo bisavô, em 1921, falida no final dos anos 1990.

Fabricante dos icónicos bancos de jardim, bocas de incêndio ou colunas de iluminação em ferro fundido que ainda hoje se encontram em cidades, vilas e aldeias portuguesas e estrangeiras, esta indústria marcou uma era em Albergaria-a-Velha, onde empregou 700 pessoas e construiu cine-teatros, hospitais, um lar de terceira idade, um bairro com 50 casas, um infantário, uma banda de música e... o Sport Clube Alba, que em 20 de Outubro disputará no estádio de Alvalade a eliminatória da Taça de Portugal com o Sporting.

Com a designação "ProjectoALBA", passa agora a fazer parte do universo da Larus, produtora de mobiliário urbano sediada neste concelho do distrito de Aveiro, que fechou o negócio com a Durit. Este grupo tinha comprado a metalúrgica em Abril de 2001, pouco mais de um ano após a falência, detinha 90% do capital e fica agora apenas com a componente das peças técnicas.


O administrador da Larus, Pedro Martins Pereira, explicou ao Negócios que seleccionou apenas 17 dos mais de 700 produtos em catálogo, apostando "naqueles que tinham interesse comercial e numa perspectiva de começar também a desenvolver novos produtos".

Esta nova área de negócio da Larus, que factura metade dos 2,5 milhões de euros no estrangeiro, está dividida em três segmentos. Apenas no de mobiliário urbano manterá, em exclusivo, as peças tradicionais, como os bancos de jardim e os candeeiros de rua verdes. Nas outras duas acrescentou produtos "com a preocupação de actualizar a tecnologia e ter modelos bem desenhados, como a Alba fazia antigamente", completou o gestor.

No aquecimento doméstico a lenha terá à venda, já neste Inverno, um recuperador de calor desenhado pelo arquitecto Souto Moura e uma salamandra da autoria de Francisco Providência, por muitos considerado o melhor designer português da actualidade.


Na área das águas e saneamento, aos clássicos como as bocas de incêndio juntará, por exemplo, tampas de saneamento fabricadas em resina para diminuir os roubos, já que oferecem a mesma resistência, mas um valor comercial inferior.

Foram estas "áreas de negócio possíveis de recuperar" – e não só a ligação emocional com a fábrica onde "brincava quando era miúdo" – que motivaram o empresário albergariense (e "sportinguista de coração") a recuperar esta "marca fortíssima".

Com o benefício de "uma sinergia grande" ao integrar a Larus, que tem um gabinete de seis designers e presença internacional em países como Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Angola, Roménia ou Marrocos.

Fonte: Jornal de Negócios
 

 Video sobre a histórica metalúrgica Alba

Em tempos socialmente agitados e e em vésperas do Sporting – Alba, para a Taça de Portugal, a Renascença revisita a empresa que esteve na origem da equipa que este domingo joga em Alvalade. A Alba - de que actualmente só resta a marca – foi uma das fábricas mais robustas e inovadoras do panorama industrial português do século passado. Nos anos 40 e 50, patrões e trabalhadores, ergueram na região centro, uma obra que ultrapassou em muito as paredes da fábrica de Albergaria-a-Velha:


Renascença V+Ver todos os videos
Alba, um clube de futebol que nasceu de uma metalúrgica

Rádio RenasceçaMais informação sobre este video

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Prémio Design para LARUS

A Larus – Design Urbano, localizada em Albergaria-a-Velha, recebeu recentemente uma menção honrosa na primeira edição do Concurso Design Management Europe Award – 2007. O concurso visa reconhecer o valor de uma boa implementação do design nas empresas e a notoriedade comercial que advém da sua gestão.

A organização esteve a cargo do Design Zentrum Nordrhein Westfalen (Alemanha) e 19 parceiros de 14 países europeus, onde Portugal foi representado pelo Centro Português de Design. A menção honrosa da Larus – Design Urbano foi conseguida num universo de muitas dezenas de empresas finalistas de 21 países europeus. A cerimónia de entrega de prémios decorreu no dia 22 de Novembro no Red Dot Design Museum na cidade de Essen, Alemanha.

Fonte: www.jornalbeiravouga.com

Outros Prémios:

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Portfolio LARUS

Na (boa) tradição das Fábricas ALBA, os produtos da LARUS, sob administração do Eng. Pedro Martins Pereira, estão igualmente localizados por todo o país:

Sinalética e Design Urbano - Parque das Nações (Expo '98, Lisboa)

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Banco Parque Cidade do Porto

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Banco (em Lisboa)



Disuasores

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Pilaretes

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Fonte: www.larus.pt

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pedro Martins Pereira, empresário

Pedro Manuel de Oliveira Martins Pereira nasceu em 15 de Janeiro de 1952, em Albergaria-a-Velha, tendo-se licenciado em 1977 em Engenharia Metalúrgica, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Pedro Martins Pereira passou largos anos na fundição familiar - Fábricas
Metalúrgicas Alba - onde foi Chefe do Departamento de Fundição e, posteriormente, Director técnico até seguir o seu próprio caminho, primeiro como consultor industrial e depois lançando a sua própria empresa em 1988.

Em 1985 participou no 1º Projecto JEEP – Jovens Empresários de Elevado Potencial, criado e financiado pelo BPA-Banco Português o Atlântico a partir de uma ideia do Dr. Miguel Cadilhe, então Director do seu Gabinete de Estudos.

Fundou em 1988 a Larus-Artigos para Construção e Equipamentos, Lda., que se dedica ao projecto, fabrico e comercialização de mobiliário urbano.

Com a Larus, tem obtido diversos prémios a nível nacional e internacional, nomeadamente Prémio Nacional de Design de Mobiliário Metálico em 1991 e 1998-99.

Foi igualmente fundador e administrador da METAFALB que adquiriu, em 2003, as Fábricas Metalúrgicas ALBA, entretando desactivada em Albergaria-a-Velha, tendo fundado em Dezembro de 2008 a empresa ProjectoAlba (sociedade unipessoal), que visa recuperar a marca Alba e os seus produtos de catálogo.

Fontes: Notícias de Aveiro / CCT

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Fábricas Metalúrgicas Alba: "Esta empresa foi um estado-providência" (Jornal Público)



Desenhou e produziu os bancos de jardim que decoram o país. Fabricou postes de iluminação em ferro fundido, ferros de engomar, louça de alumínio, caixas de correio. Construiu hospitais, cineteatros, um bairro social. Abriu refeitórios para dar sopa aos pobres. Criou um clube de futebol e trouxe ao mundo um carro de competição genuinamente português. Alba, a metalúrgica de Albergaria-a-Velha, transformou uma região, “albalizou” o império. A fábrica fechou, mas a marca resiste e já tem um prémio internacional de design.

Quando Augusto Martins Pereira chegava à empresa e comentava logo pela manhã que tinha passado a noite a puxar pela cabeça, os funcionários mais próximos sabiam que um novo produto estava a caminho, que não tardaria a surgir no papel e a ganhar forma. Havia muito respeito pelo patrão que tinha mão para o desenho, olho para o negócio, cabeça para surpreender o mercado, pernas para tirar o tapete à concorrência e um coração generoso que entendia e tentava resolver as dificuldades dos seus trabalhadores.(...)


Augusto Martins Pereira, o fundador

Martins Pereira, fundador da metalúrgica Alba, instalada em Albergaria-a-Velha em 1921, colocou a empresa nas páginas da história industrial portuguesa com uma visão inovadora para a época. A sua curta passagem por Boston e o curso de fundição que aí frequentou tiveram repercussões no meio empresarial português. O empresário não facilitava na hora de defender as suas ideias e lançava mãos à obra sempre que achava que era o momento certo para anunciar o que a sua fundição andava a produzir.

Em Janeiro de 1929, Martins Pereira escolhia o Grémio Recreativo Albergariense, frequentado por muitas famílias da região, para partilhar uma das suas últimas invenções. A sua “cozinha moderna” foi um êxito. Um fogão em ferro fundido de três bicos, portátil, não muito pesado, que com a chama de um simples fogareiro de pressão a petróleo permitia confeccionar três pratos em simultâneo em apenas meia hora. Pouco tempo e pouco consumo para aquela época. O seu inovador sistema de cozinha valeu-lhe um contrato de exportação para os Estados Unidos.


Nessa altura, a Alba já fabricava esmagadores para uvas, autoclismos, prensas completas para bagaço e acabava de montar uma nova secção de niquelagem para o fabrico de ferros de engomar aquecidos por uma pequena lâmpada de petróleo. Mais uma revolução na colecção de peças domésticas e que iria entrar por muitos lares portugueses.

O empresário, que foi agraciado com a comenda de Mérito Industrial e a quem Salazar tirava o chapéu pela pujança económica — chegando inclusive a dar instruções à sua equipa ministerial para que apoiasse o comendador no que fosse necessário —, não era apenas um homem de negócios. Visionário nos produtos que colocava no mercado, estava atento ao que se passava à sua volta numa época em que não havia pão em muitas mesas. (...)


O fundador da Alba sabia que tinha de inovar para conquistar o seu espaço, mesmo liderando uma das mais completas fundições de ferro cinzento do país. Antes de chegar a Albergaria, as suas mãos já tinham passado por várias fundições. Conhecia os seus segredos. Aos dez anos, estava em Lisboa com o pai na Companhia das Águas de Lisboa, como ajudante na fundição onde o seu tio era mestre. Passou por várias fundições de Lisboa e da Covilhã, trabalhou nas minas do Braçal e de S. Brás de Alportel.

Viajou para Boston. Dois anos intensos nos Estados Unidos. Tinha então 20 anos e trabalhava em fundições de dia e tirava um curso da arte à noite. Aprendeu muito nesse tempo, adquiriu o gosto pela simetria que transparece nos desenhos feitos a lápis ou nos portões de ferro que protegem a sua casa moderna para os anos 20 do século passado, com grande piscina, extenso jardim, que mandou construir perto da Alba.


No regresso dos Estados Unidos monta uma fundição de sinos nos Açores, negócio que acabaria por vender alguns anos mais tarde. Faz novamente as malas e regressa às origens. Aos 36 anos, está em Albergaria, onde cria a Fundição Lisbonense (em 1921), alterando pouco depois o nome para Fundição Albergariense. Em 1925, envolve-se na criação da metalúrgica Oliva em São João da Madeira — outra das fundições mais importantes do país. Pedem-lhe para ficar na sociedade com exclusividade de 15 anos, mas não aceita.

Em 1929, nascia a marca Alba, um ano depois de se ter conseguido estabelecer como comerciante em nome individual. A fundição Alba estava pronta para vingar no mercado com um logótipo arredondado que terá saído das mãos do próprio empresário.


José António Laranjeira foi responsável pela fundição

Em 1957, José António Laranjeira tinha 26 anos, estudava Engenharia Mecânica no Instituto Técnico de Lisboa e chegava à Alba como estagiário. Tinha família em Albergaria e parecia-lhe que aquela empresa poderia ser o local indicado para testar a teoria que ia absorvendo na universidade. Não se enganou e, de repente, os conceitos de eficiência e produtividade fizeram todo o sentido. Voltaria à Alba depois do curso concluído e seria, durante 12 anos, o responsável pela fundição da empresa. O empresário Martins Pereira mostrou-lhe que era preciso acompanhar todo o processo de execução de um produto, desde a ordem que saía do gabinete à entrada para a máquina.

O jovem Laranjeira ficava fascinado com a constante procura de soluções. E reparava com admiração e orgulho no trabalho social promovido pelo patrão. “Matou a fome a muita gente e proibiu a mendicidade quando foi presidente da câmara e como provedor da Misericórdia”, recorda à Revista 2.

As tabuletas com os avisos que proibiam andar de mão estendida a pedir esmolas eram feitas na fundição. “Avançava com a obra social sem garantias nenhumas de apoio oficial”, adianta. As condições dadas aos trabalhadores também lhe ficaram na memória: bom refeitório, balneário com cacifos individuais, um centro cultural e recreativo, uma banda de música, um rancho folclórico, livros para os filhos dos operários, um clube de futebol, o jornal Beira Vouga.


O agora octogenário não esquece muita coisa que se passou naquela fábrica. “A Alba distinguia-se porque tinha uma concepção de ferramentas fora de série. No meu tempo usou, e terá sido a primeira em Portugal a fazê-lo, a fundição em carapaça”, recorda Laranjeira. Uma técnica avançada para a época que recorria à areia com resina, matéria-prima mais cara do que a habitual areia verde que recorrentemente era utilizada e que permitia descartar o uso das caixas de moldes e assim acelerar a produção com menos mão-de-obra.

Foi também a primeira a produzir carcaças de alumínio para motores eléctricos pelo processo de vazamento em coquilha por gravidade. A inovação, a capacidade de resposta e a qualidade da “pele” das peças de ferro fundido abriram-lhe muitas portas e a Alba passou a ser procurada por várias indústrias — papeleiras, empresas de transportes ferroviários, construção e reparação naval, motores eléctricos e motores para motociclos.


“O senhor comendador tinha uma particularidade: gostava de pensar.” Laranjeira guarda um documento escrito pelo antigo patrão com recomendações para determinados trabalhos. Martins Pereira avisava pelo próprio punho: “Recomendamos por isso a todos os nossos operários que aproveitem todo o tempo, sem fazerem esforço excessivo que lhes prejudique a saúde, e que evitem passos e operações inúteis, procurando por todos os meios simplificar a maneira de trabalhar, para que todo o aproveitamento seja maior e melhor e com o qual todos vão lucrar.”

Aquelas palavras ficaram guardadas na memória e o engenheiro Laranjeira abre com elas um texto que escreveu sobre o fundador da Alba para a Revista da Fundição da Associação Portuguesa de Fundição, no terceiro trimestre de 1997. “O espírito deste homem era impressionante. Tinha ideias, escrevia, reflectia, não guardava as coisas para ele.” E todos aprendiam. Preocupava-se com a formação dos operários, ensinava a ler desenhos, pagava as despesas dos cursos industriais que os funcionários frequentavam.

A empresa prosperava, as encomendas não paravam de chegar, os bancos de jardim, que começaram a ser fabricados em 1943, eram requisitados por praticamente todas as autarquias do país, a louça de alumínio era um sucesso, as colunas de iluminação andavam a ser cobiçadas por muitos centros históricos.


Artur Dias Moreira dava vida aos moldes

Trabalho não faltava e o trabalho da fundição era duro. Artur Dias Moreira tem 75 anos e tem-nos marcado nas mãos que pareciam maiores do que o corpo quando era preciso dar vida aos moldes. Aos 14 anos, trabalhava na Alba, ajudava no que fosse preciso. Foi fundidor, chegou a encarregado de obra grande.

Era o trabalhador número 528. Conhecia todos os cantos da fábrica, acompanhava a transformação da areia do mar que era enxuta num queimador, subia e descia por um depósito, entrava numa máquina, passava por um processo de mistura, saía para a moldação, e em 15 minutos era cimento. Artur sabia que ali se faziam produtos importantes. “Foi uma vida, gostei muito de trabalhar na Alba. Era a melhor fundição do país nos anos 40 e 50”, afirma.

Não esquece o dia em que teve de marcar passo na tropa frente a um hotel da Figueira da Foz. “Fiquei numa alegria quando olhei e vi que o meu patrão estava lá”, conta emocionado. “Era um homem com todo o respeito, mas era preciso cuidado com a brincadeira. Passava sempre pela fundição para dar uma vista de olhos.” Tem saudades desse tempo e evita passar à porta da Alba. “Podia estar a dar o pão a ganhar a muitos operários.” (...)


Orlando Silva Marques, contabilista

Orlando Silva Marques conhece o Cineteatro Alba de olhos fechados. Era contabilista na Alba e para ganhar mais uns trocos foi trabalhar para a bilheteira em 1962. Não era muito difícil a sala esgotar. Orlando lembra-se dos preços daquele tempo: “Onze escudos para o balcão lá em cima, cinco escudos para a plateia à frente e oito escudos e 50 centavos para a plateia de trás.” Às vezes, batiam-lhe à porta de casa para assegurar entradas antes que voassem, como foi o caso de Um Zero à Esquerda, de Laura Alves.

Orlando entrou na Alba com um curso técnico comercial para se candidatar à vaga aberta na contabilidade industrial. Tinha 23 anos e ali ficou 42. “Os tempos eram melhores, trabalhava-se bem.” Os tempos eram ainda os das máquinas de escrever e de muitos cálculos de puxar pela cabeça. Partilhava o escritório com mais 20 colegas. A fábrica tinha muitas encomendas e isso reflectia-se na contabilidade. “Era a empresa de maior importância na zona.” (...)


Henriqueta Pires, a menina dos telefones

Henriqueta Pires tinha 17 anos quando entrou na Alba. Estava muito nervosa, sabia que tinha de passar pela aprovação do comendador. “Estava sentadinha a um canto para ser apresentada ao senhor Martins Pereira. Ele chegou, levantei-me e ele perguntou: ‘Esta é que é a menina do telefone?’” Ficou na metalúrgica até fazer 60 anos de vida, hoje tem 83 e mora ainda numa das 12 casas que o fundador mandou construir para os quadros da empresa — e que mais tarde seriam colocadas à venda.

Parece uma casinha de bonecas, tão bem cuidada, jardim delicadamente tratado com muros feitos de arbustos aparados ao milímetro. Pertinho da fundição, a paredes meias com o terreno que circunda a casa que foi do patrão. “Era uma excelente pessoa, muito amigo dos pobres”, recorda.

À primeira hora da manhã, encontrava-o na empresa para comandar o barco. Henriqueta atendia chamadas de todo o lado no seu primeiro e único emprego. Repetia vezes sem conta “Alba 6” — o número de telefone atribuído à empresa, ainda apenas com um dígito. “Era um corrupio, chamadas de todo o país e até do estrangeiro, até da Guiné vieram cá uns senhores”, lembra. Teve de aprender a pronunciar nomes esquisitos de empresas internacionais, a anotar todos os recados. “Conhecia toda a gente e não conhecia ninguém.” (...)


José de Almeida, electricista e desportista

O antigo electricista José de Almeida, de 82 anos, tem saudades da Alba. Entrou na empresa com 14 anos, saiu com 68. Os dias da fundição eram intensos e não havia mãos a medir. “Não davam vazão à louça de alumínio.” Lembra-se ainda da grande obra da barragem de Castelo de Bode. “A Alba fez uma torneira com 1,20 metros de diâmetro. Não havia nada que não se fizesse em ferro.”

José Almeida também ajudou para que a instalação eléctrica do cineteatro ficasse como deve ser. Foi ainda jogador e capitão do clube de futebol que a fundição criou e que montava arraiais no Campo das Laranjeiras, não muito longe da fábrica. A costela humanista da fundição alargava-se ao desporto, não para acumular vitórias, mas para promover o exercício físico e o convívio. “Tínhamos uma equipa a disputar o nacional só com futebolistas cá da terra”, recorda o ex-operário, ex-jogador, ex-capitão.

José Almeida lembra o companheiro João Castanheira, colega de campo, colega de trabalho, homem de mil ofícios, que morreu recentemente. “Era sapateiro, roupeiro, jogador, treinador, lavava a roupa, e era fundidor.” (...)


Pedro Martins Pereira, bisneto que continua a preservar a marca

Pedro passava as férias na fábrica do bisavô. Ganhava 25 tostões por dia e preferia passar o tempo na carpintaria. “Fazia coisas em madeira, um material mais humano do que o aço.” Mas, quando as suas mãos moldavam o ferro, nasciam coisas como um ovo metálico para apanhar camarões. Chegou também a recuperar um barco à vela. Além da postura do bisavô, da sua costela empresarial e veia altruísta, Pedro não esquece a aventura do avô Américo e do tio-avô Albérico que no final da II Guerra Mundial entraram de carro em Londres para comprar um navio que ia para a sucata. Fernando Pessa estava na BBC e entrevistou os dois aventureiros portugueses que meteram o carro no navio e voltaram a Portugal com toneladas de sucata pelo mar.

A relação afectiva não lhe permite fechar a Alba numa gaveta. Pedro cresceu ali, foi chefe de fundição e director técnico. Comprou a casa do bisavô bem perto da antiga fundição que um dia tenciona recuperar. “O meu bisavô era muito criativo, era um visionário.”

O relançamento da empresa está a ser trabalhado de forma contínua desde 2011. Pedro, engenheiro metalúrgico, é dono da Larus, empresa de mobiliário urbano. O know-how da Larus acaba por ser imprescindível na recuperação da Alba. “Um dos aspectos mais fortes, mais interessantes, mais consistentes da marca é que tem uma imagem sustentável que não se inventa. Ou existe ou não existe. E ela tem tanta energia, tem um grande potencial de se recuperar”, refere Pedro Martins Pereira.

Fonte: Sara Dias Oliveira (em Revista 2 do Jornal Público)(adaptado/extracto)

Fotos: Nelson Garrido