quinta-feira, 20 de março de 2008

Napoleão Luiz Ferreira Leão (1866-1922)


Natural de Albergaria-a-Velha, era filho natural de Patrício Luís Fereira Tavares Pereira e Silva, que no entanto o perfilhou no acto do baptismo, e de D. Maria Amália das Dores Duarte e Cunha, senhora de certa cultura que colaborou na imprensa local do século passado tal como Napoleão que foi colaborador e editor de vários seminários locais, como o “Clamor” (1891), “A Situação” (1892), “O Albergariense”, a partir do segundo ano (1893).

Pressionado por dificuldades económicas, partiu para Moçambique, com 28 anos, em 1894 e fixou-se em Lourenço Marques [actual Maputo] e dedicou-se à agricultura. Em breve começava a investigar a vida vegetal da região, tendo descoberto óleos comestíveis e fibras para tecidos que logo foram usados. Fez também estudos mineralógicos até aos Liombos.

Agricultor, investigador e industrial, abriu caminhos de prosperidade para a Colónia e fez fortuna, ainda que sem apoio do Governo, como se lamentava.
(...)
Enriqueceu e criou riqueza na terra que o acolheu, durante 28 anos e onde morreu, sem nunca mais ter visitado a sua querida Albergaria que nunca esquecia através de correspondência para os amigos e periódicos locais. (...)

Em 1922, sentindo-se doente, fez testamento público dois meses antes de morrer, deixando quase todos os seus muito avultados bens à sua terra natal (...)

Com os rendimentos da sua enorme e infelizmente mal administrada fortuna, construíram-se em Albergaria dois bairros de casas para pobres. E tudo o resto parece perdido. O seu testamento é um documento vivo de amor e saudade do emigrante pelo chão natal. A Câmara Municipal reconheceu-o publicamente, menos de meio século depois da sua morte ao dar o seu nome à avenida a nascente da Praça Ferreira Tavares, na qual se encontra o seu busto sobre uma pequena coluna implantada no centro do jardim.

Fonte: António Homem de Albuquerque Pinho, “Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha”

Foto: Colaboração de Eng. Duarte Machado


Em 1928 foi comprado, no sítio do Serrado, o terreno para construção do Bairro para Pobres conforme disposição testamentária. Foi demolido cerca de 50 anos depois para se urbanizar a zona e construir a Escola Elementar.

2 comentários:

Óscar Manuel da Cruz Fernandes disse...

off topic

http://www.prave.pt/web/?page_id=464

Blogger disse...

Mais custoso foi ao Napoleão da Matola descobrir o óleo de nólio do que a Pedro Álvares Cabral “descobrir” as terras de Vera-Cruz

Fonte: “O Luso-africano” (pág. 173)